<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>É tudo gente morta &#187; Teresa Conceição</title>
	<atom:link href="http://www.etudogentemorta.com/author/teresaconceicao/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.etudogentemorta.com</link>
	<description>tagline</description>
	<lastBuildDate>Tue, 05 Jul 2011 03:44:17 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1.2</generator>
		<item>
		<title>Um dia na selva</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/um-dia-na-selva/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/um-dia-na-selva/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 21 Jun 2011 00:39:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=29806</guid>
		<description><![CDATA[                 Saio para o passeio que havia combinado no dia anterior na casa do turismo: na floresta…em elefante. Sei que o meu anfitrião, Hudong, não fica aborrecido: há 13 paquidermes em Khiet Ngong e os rendimentos dos passeios turísticos são divididos pela comunidade.  A aldeia recebe cerca de 3000 visitantes por ano. Cada viagem de elefante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_29818" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-29818" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/um-dia-na-selva/olympus-digital-camera-22/"><img class="size-medium wp-image-29818" title="Piquenique na floresta de Xe Pian - foto tc" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/Nam-a-petiscar2-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a><p class="wp-caption-text">Piquenique na floresta de Xe Pian — foto tc</p></div>
<p>                 Saio para o passeio que havia combinado no dia anterior na casa do turismo: na floresta…em elefante. Sei que o meu anfitrião, Hudong, não fica aborrecido: há 13 paquidermes em Khiet Ngong e os rendimentos dos passeios turísticos são divididos pela comunidade.  A aldeia recebe cerca de 3000 visitantes por ano. Cada viagem de elefante pelo Parque Natural de Xe Pian custa 30 euros, para duas pessoas. Esse dinheiro vai para a caixa comum e é distribuído, não apenas entre os donos dos elefantes, mas por todos os que tratam dos bichos — e todos têm de se revezar: os animais ocupam-lhes muito tempo.            <a rel="attachment wp-att-29812" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/um-dia-na-selva/olympus-digital-camera-19/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-29812" title="A sobremesa de Nam" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/BANGKOK-E-LAOS-thakek-e-mahaxai-2011-1374-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p>             Nenhum dos meus companheiros passaria no <em>casting</em> para Tarzan, e eu, sem banho há dois dias, ainda menos para Jane. Mas para Jumbo, temos contrato: <em>Nam</em> vai na perfeição. Bem, é fêmea, não se pode pedir tudo.  Com o condutor Laoh e o guia Toui, formamos um quarteto de filme…série B ou assim.  Toui tem boa voz e canta em lao canções de musical romântico, passe o pleonasmo.  É o único que pode pôr legendas nesta história — entende inglês, benzódeus.             </p>
<p>              Há sofá de bambu para dois no dorso, o condutor vai entre as orelhas ao comando. Somos três e um piquenique em cima da Nam, em passo lento. Sinto-me abusadora, eles riem-se: este é o trabalho mais leve que um elefante pode ter. Antes cortavam e carregavam árvores para construção. Não como estas gigantes, de folhagem densa. Estamos em área protegida. <em>Nam</em> pára sempre que detecta pasto tenro: a toda a hora. A tromba ergue-se em busca das melhores folhas. Se puder passa 20 horas a comer, que chatice ter de dormir quatro.                         <a rel="attachment wp-att-29813" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/um-dia-na-selva/olympus-digital-camera-20/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-29813" title="banhoca à manápula" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/BANGKOK-E-LAOS-thakek-e-mahaxai-2011-1368-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p>                O nosso piquenique vai além das verduras: tem arroz com um saboroso refogado de peixe picante. Sobremesa de manga e bananas, que partilhamos com a <em>Nam. </em>Ela come um cacho de cada vez! Fica à espera enquanto comemos na margem do regato. Não é preciso prendê-la: estes animais que cresceram com humanos não fogem. Como tem o nosso sofá em cima, não pode rebolar-se na água. Laoh não a deixa passar calor por muito tempo. O banho à mão dura um quarto de hora. Ela, deliciada. Se a água salobra parecesse mais atraente que os meus toalhetes perfumados, nem eu me importaria de fazer figura de elefante.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/um-dia-na-selva/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Um elefante chamado Casa</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/um-elefante-chamado-casa/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/um-elefante-chamado-casa/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 20 Jun 2011 00:40:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=29795</guid>
		<description><![CDATA[                De manhã, quando desço, uma parede cinzenta parece ter crescido a tapar a janela. Espreito. É isto.                  O espanto salta comigo para a rua. Caramba. Não estava nenhum bicho destes à vista quando cheguei ontem. Hudong está a serrar madeira ao lado, não percebe os olhos arregalados. Já havia elefantes na família antes de ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter">                De manhã, quando desço, uma parede cinzenta parece ter crescido a tapar a janela.</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter">Espreito. É isto.</div>
<div id="attachment_29796" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-29796" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/um-elefante-chamado-casa/olympus-digital-camera-17/"><img class="size-large wp-image-29796" title="OLYMPUS DIGITAL CAMERA" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/Dom-em-casa-na-aldeia-de-Khiet-Ngong-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Dom em casa, Laos — Foto de tc</p></div>
<p>                 O espanto salta comigo para a rua. Caramba. Não estava nenhum bicho destes à vista quando cheguei ontem. Hudong está a serrar madeira ao lado, não percebe os olhos arregalados. Já havia elefantes na família antes de ele nascer: esta é a fémea da matriarca Someh, mãe da minha anfitriã Pouh.</p>
<p>                 Aproximo-me. Tem um ar sorridente. Antigo. Está cheia de terra torrada, como eu no dia anterior. Andou a rolar no campo de pasto onde Hudong a leva todas as noites.</p>
<p>                 Vê-se que é menina, não tem presas de marfim. E como Hudong e Pouh, <strong><em>Dom</em></strong> tem 50 anos. Foi bebé ao mesmo tempo. É filhota e mana. Tanta coisa dentro de um nome: <strong><em>Dom</em></strong> quer dizer casa, em lao (casa, como em russo, catedral como em alemão). Abrigo, clã, vida. Para ela, <em>casa</em> deve ser qualquer sítio onde se coma, como faz agora: é o desporto favorito.</p>
<p>                 Afasto-me criança aos pulos. A enviar, em pensamento, postalinhos-soldadinhos aos meus sobrinhos. Afinal não é todos os dias que se pode dizer: a minha família tem um elefante!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/um-elefante-chamado-casa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Casa de família</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/casa-de-familia/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/casa-de-familia/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 19 Jun 2011 13:50:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=29764</guid>
		<description><![CDATA[              Na rua de casinhas de madeira sobre estacas, a primeira placa promete (o quê, não sei). Mais à frente, maior surpresa: Tourist Information (?). Alpendre sobre estacas, uns 5 ou 6 laocianos viram-se para a forasteira que chega, coberta de pó. Falantes de inglês, nicles. As poucas frases lao que decorei colhem sorrisos. Devo ter um sotaque pavoroso. Saco da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<div id="attachment_29766" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-29766" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/casa-de-familia/olympus-digital-camera-15/"><img class="size-medium wp-image-29766" title="OLYMPUS DIGITAL CAMERA" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/BANGKOK-E-LAOS-thakek-e-mahaxai-2011-1403-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a><p class="wp-caption-text">Aldeia de Kiahtnong, Laos, tc</p></div>
<p>            Na rua de casinhas de madeira sobre estacas, a primeira placa promete (o quê, não sei). Mais à frente, maior surpresa: <em>Tourist Information (?).</em> Alpendre sobre estacas, uns 5 ou 6 laocianos viram-se para a forasteira que chega, coberta de pó. Falantes de inglês, nicles. As poucas frases lao que decorei colhem sorrisos. Devo ter um sotaque pavoroso. Saco da arma secreta: um pequeno dicionário Inglês-Lao. A palavra mais importante é logo entendida: <em>homestay </em>. Mais uns gestos e risos e há uma senhora de sorriso grande que me pega na mão e leva: Pouh aceita acolher-me na sua casa cor-de-rosa.</p>
<p>             Ainda há luz de dia, pouca. Mas dá para ver bem o sorriso da velhinha Someh, mãe de Pouh. Cozinha o jantar em panela borbulhante, no alpendre. Deve ser habitual receberem turistas. Esta deve ser a maior casa da aldeia, construção sólida de madeira, dois andares. Subimos ao 1º andar para pôr a mochila no quarto espaçoso, mosquiteiro e colchão de casal no chão (2 euros por noite e 1 por refeição, quem pode pedir mais?)                                                                                    <a rel="attachment wp-att-29767" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/casa-de-familia/olympus-digital-camera-16/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-29767" title="OLYMPUS DIGITAL CAMERA" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/casa-de-kiatnong-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p>              Ao jantar conheço o resto da família: as duas filhas de Pouh, com maridos e bebés, sentados no chão a ver telenovela tailandesa. Não comem ao mesmo tempo: apenas Pouh e o marido Hudong jantam com a estrangeira. Arroz e sopa de peixe — deliciosa, cheia de especiarias,  gengibre e erva-limão. Hudong arranha inglês, conseguimos meia conversa e riso cheio.</p>
<p>               O aluguer de quartos é comum nas aldeias: para os habitantes aconchega o rendimento familiar; para os turistas é a fórmula mais barata de alojamento e de conhecer por dentro a vida do país. Quem está habituado a comodidades torcerá o nariz às condições oferecidas; quem tem orçamento limitado, suspira de alívio e adapta-se.</p>
<p>               Para esta turista é uma estreia total. Tarde percebe que não há casa de banho (vá lá que os toalhetes perfumados fazem parte da bagagem). Pouh vai ao quarto antes de desligar a luz do gerador. Em riso envergonhado mostra o pequeno item indispensável: um bacio branco como os antigos portugueses. Pormenores. <em>Peanuts</em>, comparado com o me espera amanhã.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/casa-de-familia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>13</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O cimento da viagem *</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/o-cimento-da-viagem/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/o-cimento-da-viagem/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 16 Jun 2011 12:37:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=29679</guid>
		<description><![CDATA[           Primeiro é preciso chegar lá. A aldeia não vem no mapa nem se anuncia em passeios turísticos. Estamos em Pakse, capital do sul do Laos. Quem pergunta descobre que não há autocarros para Khiet Ngong. Mas há songteus. Demoram 3 horas a fazer os 60 km, que raio serão os songteus? Resposta na Estação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_29682" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-29682" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/o-cimento-da-viagem/olympus-digital-camera-11/"><img class="size-medium wp-image-29682" title="OLYMPUS DIGITAL CAMERA" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/passageiros-songteu2-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a><p class="wp-caption-text">Pakse, Laos, foto tc</p></div>
<p>           Primeiro é preciso chegar lá. A aldeia não vem no mapa nem se anuncia em passeios turísticos. Estamos em Pakse, capital do sul do Laos. Quem pergunta descobre que não há autocarros para Khiet Ngong. Mas há <em>songteus</em>. Demoram 3 horas a fazer os 60 km, que raio serão os<em> songteus</em>? Resposta na Estação Sul de <em>Songteus</em> de Pakse: parece uma cidade de camiõezinhos de brinquedo. </p>
<p><a rel="attachment wp-att-29684" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/o-cimento-da-viagem/olympus-digital-camera-13/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-29684" title="OLYMPUS DIGITAL CAMERA" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/Estação-de-Songteus-de-Pakse-Laos1-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p>           Nove da manhã. Em 50<em> songteus </em>apertam-se centenas passageiros, animais e carga até ao topo. Qual será o certo? Ninguém fala inglês. Mas vários estranham a minha escolha: que quero eu ir fazer a esta aldeia? Espero vir a ter uma boa resposta. Por agora, só posso mesmo esperar. Três horas a alguns amigos depois, lá aparece o <em>songteu</em>  para a aldeia. Passa do meio-dia. Ao contrário dos outros, não está atulhado. Ou antes, há sempre lugar para mais um. Para variar, ninguém fala inglês. Trocam-se bolachas e sorrisos, almoçam sopa de massa e carne com moscas vendidas na carrinha em frente. Pressa para quê? O<em> songteu </em>há-de arrancar pelas 14h, uma hora depois do previsto.  </p>
<p>          Pára uns 200 metros mais à frente. É um armazém de cimento. Os passageiros saem, as sacas entram. E lá seguimos viagem entalados entre sacas de cimento a largar pó. </p>
<p><a rel="attachment wp-att-29685" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/o-cimento-da-viagem/olympus-digital-camera-14/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-29685" title="OLYMPUS DIGITAL CAMERA" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/Songteu_de_Pakse_Laos-300x400.jpg" alt="" width="300" height="400" /></a> <br />
                    Depois de 1 hora em alcatrão, paragem em zona de barraquinhas à beira-estrada. Os vendedores de petiscos esticam braços invasores com espetadas coloridas e suspeitas. Os companheiros de estrada compram e comem. Ao mesmo tempo que vestem casacos e se cobrem com máscaras de pano. Ui. A partir daí, a estrada passa a ser de poeira vermelha. Misturada com cimento dá uma cor translumbrante.</p>
<p>                    Abençoo a esperteza de ter molhado o cabelo devido ao calor. Quando finalmente chegamos ao destino, qualquer diferença entre mim e um trolha será pura coincidência.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>(*Com este título alguém esperava um lindo post sobre amizades cimentadas em viagem? Sobre relações de betão e desbetão apenas a nossa Eugénia consegue discorrer. Eu sou terra a terra. Só consegui perceber na pele que às vezes nos aparecem na vida umas poeiras mais concretas que metáforas). </em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/o-cimento-da-viagem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Soldadinhos em viagem</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/soldadinhos-em-viagem/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/soldadinhos-em-viagem/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 15 Jun 2011 21:04:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=29607</guid>
		<description><![CDATA[          Os soldadinhos que o meu pai inventava para mim em pequena haviam de dar-me vontade de escarafunchar o globo. Primeiro o da sala, depois o outro.          Nunca tinha tido consciência do papel que uns quadradinhos de pão barrados com histórias podiam representar na sede de aventura. Só me apercebi quando, em viagem, quis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_29608" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-29608" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/soldadinhos-em-viagem/soldadinho_pequim_foto_tc-6/"><img class="size-large wp-image-29608" title="soldadinho, pequim, foto tc" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/soldadinho_pequim_foto_tc5-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">A caminho! (foto: tc)</p></div>
<p>          Os soldadinhos que o meu pai inventava para mim em pequena haviam de dar-me vontade de escarafunchar o globo. Primeiro o da sala, depois o outro.</p>
<p>         Nunca tinha tido consciência do papel que uns quadradinhos de pão barrados com histórias podiam representar na sede de aventura. Só me apercebi quando, em viagem, quis enviar postais aos meus sobrinhos. Uns postalinhos-soldadinhos. A história de uma cidade, de uma estrada, de um rio. Mandei. Mas demoravam duas ou mais semanas, às vezes só chegavam depois das minhas malas.</p>
<p>         Na última viagem pensei criar um blog só para eles: postalinhos actuais e com dados de localização para sossegar corações paternos. Os sobrinhos, menino e menina, nunca de acordo, discutiram vários nomes para o privadíssimo blog. Por uma vez acordaram — sem saber, claro: fiz o tira-teimas com cada um em jogo particular.  Adivinhem que nome escolheram?</p>
<p>         Só que a intensidade de uma viagem é maior que a necessidade de escrevê-la com regularidade. Ou a escrita vagueia ao sabor do funcionamento da internet. Por muito Global que a Aldeia seja, uma floresta do sudeste asiático não é perfeita para computadores. Nem um barco no Mekong. Já agora, nem um resort de luxo na Indochina (a preguiça parece tão mais perfeita).</p>
<p>         E as histórias foram ficando para trás, sugadas por dias maiores que a janela de um pc. Nem no blog criado para eles, nem no nosso, elas se estenderam. Só que agora andam por aqui a estalar, a pedir para saírem. Acho que está mais que na altura de pôr os meus soldadinhos a marchar.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/soldadinhos-em-viagem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Soldadinhos</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/soldadinhos/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/soldadinhos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 14 Jun 2011 23:56:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=29592</guid>
		<description><![CDATA[           Quando eu era pequena, não gostava de comer (devia ser mesmo pequena). E o meu pai, com a paciência dele, inventava: fazia soldadinhos. Quadradinhos de presunto sobre quadradinhos de pão e aqui temos um exército num pires. Rodela de tomate sobre retalho de alface, e lá ía a bandeira portuguesa para a goela.          [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>           Quando eu era pequena, não gostava de comer (devia ser mesmo pequena). E o meu pai, com a paciência dele, inventava: fazia soldadinhos. Quadradinhos de presunto sobre quadradinhos de pão e aqui temos um exército num pires. Rodela de tomate sobre retalho de alface, e lá ía a bandeira portuguesa para a goela.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-29594" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/soldadinhos/soldadinho_pequim_foto_tc-2/"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-29594" title="soldadinho, pequim, foto tc" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/soldadinho_pequim_foto_tc1-150x112.jpg" alt="" width="150" height="112" /></a><a rel="attachment wp-att-29595" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/soldadinhos/soldadinho_pequim_foto_tc-3/"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-29595" title="soldadinho, pequim, foto tc" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/soldadinho_pequim_foto_tc2-150x112.jpg" alt="" width="150" height="112" /></a><a rel="attachment wp-att-29598" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/06/soldadinhos/soldadinho_pequim_foto_tc-4/"><img class="aligncenter size-thumbnail wp-image-29593" title="soldadinho, pequim, foto tc" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/06/soldadinho_pequim_foto_tc-150x112.jpg" alt="" width="150" height="112" /></a></p>
<p>          Desde que fosse pão com histórias, a coisa ía. Papá, os soldadinhos saem de casa para ir correr mundo? Mundo, munto, fatia de presunto. O mundo é aqui no prato? Prato, pato, cabeça de gato. O mundo são muitos quadradinhos grandes. E este soldadinho vai de Singapura para Hong Kong. A minha boca era Hong Kong, eu o King Kong a comer um soldadinho. Papá, eles têm que lutar muito? Sim, minha filha, a floresta é muito perigosa. E lá seguia meia folha de alface, arbusto poderoso a camuflar perna de chumbo.</p>
<p>          De batalha em batalha, de prato em prato, lá fui engolindo migalhas de Portugal do Minho a Timor. Miolo de Guiné, côdeas de Angola, S.Tomé uma ilha de tomate com sal.</p>
<p>         Meu papá, gosto de ti do tamanho dos quadradinhos todos, mas não quero mais. O pai já não volta para lá, meu fifi. Só mais este, vá. Ah, paciência de pai, são horas de jantar e ainda vais no lanche. Vamos, agora um de queijo. Este não, papá, olha, o queijo caiu, não se come um soldadinho sem bóina. Amarela como aquelas cartas com muitas linhas que mandavas à mamã, vais mandar mais cartas daquelas? O pai não volta para lá, só mais este, vá.</p>
<p>        As histórias do pão tinham sempre pouco sumo. O único sangue era molho de tomate. E tudo o que então aprendi sobre a guerra colonial foi pão com presunto e nomes pitorescos. Distraía-me a olhar para os piões ou berlindes à minha espera, e lá marchava mais um soldadinho.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/06/soldadinhos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dançarinas</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/05/dancarinas/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/05/dancarinas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 14 May 2011 11:47:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=28242</guid>
		<description><![CDATA[                             As lágrimas das meninas ficam em suspenso e fazem arco-íris, disse a Eugénia e eu fui a correr tentar pintá-las.               Tarde demais, íris em arco: as meninas dos meus olhos estavam a dormir.               Ou aquilo ali é uma piscadela?  Dela?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_28244" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-28244" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/05/dancarinas/meninas-a-cair-em-arco-1-2/"><img class="size-large wp-image-28244" title="meninas a cair em arco 1" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/05/meninas-a-cair-em-arco-11-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">meninas a dançar em arco, tc</p></div>
<p><strong><em>               </em></strong></p>
<p><strong><em>              As lágrimas das meninas ficam em suspenso e fazem arco-íris</em>, </strong>disse a Eugénia e eu fui a correr tentar pintá-las.</p>
<p>              Tarde demais, íris em arco: as meninas dos meus olhos estavam a dormir.</p>
<p>              Ou aquilo ali é uma piscadela?  Dela?</p>
<p><a rel="attachment wp-att-28246" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/05/dancarinas/meninas/"><img class="aligncenter size-large wp-image-28246" title="meninas" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/05/meninas-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/05/dancarinas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>27</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Pijama Party no Blog!</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/05/pijama-party-no-blog/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/05/pijama-party-no-blog/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 14 May 2011 02:16:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=28215</guid>
		<description><![CDATA[                                                                   Eu vou de bailarina. Afinal é de pijama, mas é party!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter">                                                                   Eu vou de bailarina.</div>
<div id="attachment_28216" class="wp-caption aligncenter" style="width: 350px"><a rel="attachment wp-att-28216" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/05/pijama-party-no-blog/ilustracao-bailarina-rosa/"><img class="size-full wp-image-28216" title="ILUSTRAÇÃO BAILARINA ROSA" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/05/ILUSTRAÇÃO-BAILARINA-ROSA.jpg" alt="" width="340" height="341" /></a><p class="wp-caption-text">O que eu queria ser quando a dormir, tc</p></div>
<p>Afinal é de pijama, mas é <em>party!</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/05/pijama-party-no-blog/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Olhá xórte fresquinha!</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/05/olha-xorte-fresquinha/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/05/olha-xorte-fresquinha/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 May 2011 00:47:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=27664</guid>
		<description><![CDATA[                   Deixo-vos esta para o caminho: a janela para a short de Maio, pois claro.                Sem ver mais que estrada nos últimos meses, não admira que só me saltem à vista vistas destas. E nem ando a fazer a rodagem da viatura. Com a velocidade que a cilindrada e as obrigações permitem (mais aquela que estas, que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter">                   Deixo-vos esta para o caminho: a janela para a short de Maio, pois claro.</div>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-27665" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/05/olha-xorte-fresquinha/perseguicao-ou-nao-tc/"><img class="size-large wp-image-27665  aligncenter" title="perseguição...ou não, tc" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/05/perseguição...ou-não-tc-500x351.jpg" alt="" width="500" height="351" /></a></p>
<p>               Sem ver mais que estrada nos últimos meses, não admira que só me saltem à vista vistas destas. E nem ando a fazer a rodagem da viatura. Com a velocidade que a cilindrada e as obrigações permitem (mais aquela que estas, que o tesouro é escasso) na estrada tudo pode acontecer: sobretudo se for short. Porque pode dar-se o caso, como aqui, de se pôr ela lisa e sedosa e amarela nas bainhas - mas é só para a fotografia. Ali ao virar da curva tudo muda.  Talvez fique cor-de-rosa…  Ou não será assim?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/05/olha-xorte-fresquinha/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Dia do Não Dia</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/04/o-dia-do-nao-dia/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/04/o-dia-do-nao-dia/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 13 Apr 2011 11:53:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=26842</guid>
		<description><![CDATA[                 Quando olhei para o cartaz em Bangkok, achei que tinha sido escrito para mim: “Do all things possible”. Primeiro dia no sudeste asiático e recebo as boas-vindas com todas as letras. Altas longínquas e escondidas como numa charada que necessita de muito caminho para decifrar.                Agora olho para a memória do cartaz e nela entra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_26848" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-26848" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/04/o-dia-do-nao-dia/olympus-digital-camera-8/"><img class="size-medium wp-image-26848" title="OLYMPUS DIGITAL CAMERA" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/BANGKOK-E-LAOS-thakek-e-mahaxai-2011-0101-300x193.jpg" alt="" width="300" height="193" /></a><p class="wp-caption-text">Do all things possible?</p></div>
<p>                 Quando olhei para o cartaz em Bangkok, achei que tinha sido escrito para mim: “<strong><em>Do all things possible</em></strong>”. Primeiro dia no sudeste asiático e recebo as boas-vindas com todas as letras. Altas longínquas e escondidas como numa charada que necessita de muito caminho para decifrar.</p>
<p>               Agora olho para a memória do cartaz e nela entra o <strong><em>Pimai Lao</em></strong>: o Ano Novo no Laos. Celebra-se agora, são três dias: de 13 a 15 de Abril. 13 é o último dia do ano velho, 15 é o primeiro dia do ano novo, este ano da graça de 2554, para os laocianos. E o dia 14? Não calha nem no velho nem no novo ano, é “<strong>o dia do não dia</strong>”.</p>
<p>              Eles celebram-no com música, cerimónias budistas…e água. Água benta sobre as casas e os budas, respeitável água sobre os monges e os mais velhos, risonha água sobre os mais novos, os amigos, sobre todos os que passam, turistas incluídos, claro. Pode ser água perfumada ou não, fica tudo abençoado e purificado. Longa e saudável vida para todos. É altura para se andar completamente encharcado nas ruas, o que nem parece desagradável: é a época mais quente do ano no Laos, antes das monções.</p>
<p><div id="attachment_26845" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-26845" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/04/o-dia-do-nao-dia/pimai1-2/"><img class="size-full wp-image-26845" title="Pimai[1]" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/Pimai11.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Pimai Lao, imagem da net</p></div>                      </p>
<p>                        E eu a pensar no Não Dia, dia literário de todas as possibilidades. Só possível na cabeça dos escritores, achava eu. E aqui está um povo que o inventa e recria, a partir de tradições khmer, hindus, <em>whatever</em>.  Um dia extra-ordinário. Um dia-bólico. Dia inteirinho que não existe, dia do nada e do tudo, que nos fazia tanta falta e não temos. Que faríamos nós num dia zero?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/04/o-dia-do-nao-dia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Lord Tolkien</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/03/lord-tolkien/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/03/lord-tolkien/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 Mar 2011 03:56:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Queridos Mortos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=25919</guid>
		<description><![CDATA[               Aconteceu tudo numa semana. Não sei se sei exactamente como ou por onde começou a panca. Mas lembro-me da viagem para Monsaraz e de abrir com chave pesada e ferrugenta a casa de uns amigos numa esquina da vila. Janelas abertas para arejar os quartos, embrulhei-me em cobertores alentejanos de lã na cama de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter">               Aconteceu tudo numa semana. Não sei se sei exactamente como ou por onde começou a panca. Mas lembro-me da viagem para Monsaraz e de abrir com chave pesada e ferrugenta a casa de uns amigos numa esquina da vila. Janelas abertas para arejar os quartos, embrulhei-me em cobertores alentejanos de lã na cama de ferro. Chá e bolinhos na mesa de cabeceira, intervalos para migas de poejo e entrecostos lá fora, em época sem telemóveis para distracção: ali me rendi à saga das criaturas viventes em aconchegantes buracos no chão e a orcs elfos e povos antigos da Terra Média e <em>a coisas mais profundas e negras do que a superfície.</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<div id="attachment_25930" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-25930" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/03/lord-tolkien/senhor-dos-aneis-alan-lee-003-2/"><img class="size-large wp-image-25930" title="Senhor dos Anéis, Alan Lee 003" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/03/Senhor-dos-Anéis-Alan-Lee-0031-500x247.jpg" alt="" width="500" height="247" /></a><p class="wp-caption-text">The Lord of the Rings, ilustração Alan Lee</p></div>
</div>
<p>                     Uma semana de férias passada entre anéis anões trolls irmandade perseguições perigos elevados. Na altura, quase há 2 décadas, à força de interrails já conhecia meia Europa e uma ou duas terras mais exóticas. Mas percebi que naqueles dias tinha vivido <strong>a aventura maior, as melhores férias da minha vida.</strong> Ainda hoje, que já dei mais uns passinhos no globo e que a saga dos anéis enjoa toda a gente, acho difícil igualar a vibração, o espanto, o medo, a alegria infantil daqueles dias.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-25927" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/03/lord-tolkien/senhor-dos-aneis-alan-lee-011/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-25927" title="Senhor dos Anéis, Alan Lee 011" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/03/Senhor-dos-Anéis-Alan-Lee-011-300x139.jpg" alt="" width="300" height="139" /></a></p>
<p>                    Demorei uma semana a devorar a saga, John Ronald Reuel Tolkien levou bem mais de uma década a compô-la. Aos bochechos, entre 1936 e 1949. Bebé em 1892, passou pelo quarto escuro de duas guerras mundiais. Mas diz que na narrativa não há alegoria, afiança que a <em>guerra verdadeira</em> não se assemelha em nada à sua <em>guerra lendária</em>.                                                               <a rel="attachment wp-att-25926" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/03/lord-tolkien/senhor-dos-aneis-alan-lee-048/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-25926" title="Senhor dos Anéis, Alan Lee 048" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/03/Senhor-dos-Anéis-Alan-Lee-048-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>                       Quis criar um mundo privado e paralelo. Mas o que mais me espantava era ter feito isso para dar sentido a uma escrita antiga por ele inventada, do tempo em que <em>“as línguas e as letras eram muito diferentes das de hoje — a obra é de inspiração essencialmente linguística e foi iniciada a fim de proporcionar os antecedentes históricos das línguas élficas”.</em><em>                               <a rel="attachment wp-att-25925" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/03/lord-tolkien/senhor-dos-aneis-alan-lee-041/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-25925" title="Senhor dos Anéis, mapa" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/03/Senhor-dos-Anéis-Alan-Lee-041-300x201.jpg" alt="" width="300" height="201" /></a></em></p>
<p>                 Tinha eu tentado aprender russo — na crença adolescente de que havia de ler Tolstoi no original(!) — grega com o alfabeto, um ano inteiro para me entranhar no cirílico, outro tanto para ler textos de <em>‘será esta a nossa casa, a cave no sótão, o sótão na cave</em>’, só tão eu, já mais do avesso que a russa casa. Sempre de boca aberta pela descoberta da arbitrariedade de símbolos e correspondência fonética, porquê esta letra para este som se os latinos escolheram outra? E depois vinha aquele <em>lord</em> deus e criava uma língua completa de raiz e um mundo que a traduzia.                                                                             </p>
<p>                  Na altura pensava que o apego a esta invenção das runas era só meu. Apenas hoje, em pesquisa na net, vejo que já na época os escritos de Tolkien eram os preferidos do Reino Unido, arredoores e out doors. Quem se gosta solitária e descobridora primeira, torce-se a conceder que era apenas mais uma na manada. </p>
<p>                  No fim da saga e daquela semana do século passado, com talento profético a augurar auspiciosa carreira na adivinhação ou em concursos televisivos, saí para as ruas altas de Monsaraz, respiração contida sobre a planície verde ainda sem lago de Alqueva: “Ora aqui está uma história que nunca nada nem ninguém conseguirá alguma vez transpor para uma tela de cinema”…</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/03/lord-tolkien/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>24</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O autocarro VIP</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/03/o-autocarro-vip/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/03/o-autocarro-vip/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 Mar 2011 00:19:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=25813</guid>
		<description><![CDATA[                 Até era giro se fosse este, não era? Era. Muito à frente. O melhorzinho que vi no Laos nos últimos tempos. E uma sereia rosada a embalar a viagem, enfim, é logo outro colorido.                  E este é o único à vista quando vou à central de camionagem de Thakek pedir informações sobre autocarros para o sul. O senhor da bilheteira fala [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-25814" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/03/o-autocarro-vip/olympus-digital-camera-3/"><img class="aligncenter size-large wp-image-25814" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/03/BANGKOK-E-LAOS-thakek-e-mahaxai-2011-665-500x375.jpg" alt="" width="450" height="338" /></a></p>
<p>                 Até era giro se fosse este, não era? Era. Muito à frente. O melhorzinho que vi no Laos nos últimos tempos. E uma sereia rosada a embalar a viagem, enfim, é logo outro colorido.</p>
<p>                 E este é o único à vista quando vou à central de camionagem de Thakek pedir informações sobre autocarros para o sul. O senhor da bilheteira fala inglês, uma raridade. No dia seguinte há autocarro VIP às 8 da manhã, 5 dólares, e carreira normal às 10h, 4 dólares. Um dólar dá para duas ou três refeições aqui, é uma diferença de peso. Não há dúvida na escolha: 6 horas de viagem para 200 km (o outro demora bem mais) e com este calor não se desdenha o ar condicionado. Não se vendem bilhetes com antecedência, porque será?</p>
<p>                É preciso ir cedo no dia seguinte para garantir lugar. Na central já estão mais uns dez turistas, todos franceses de visita à sua Indochina. Todos acima dos 60 e todos com ar desconsolado. O autocarro VIP avariou, temos de ir no outro.</p>
<p style="text-align: center;">             O outro é isto.  <a rel="attachment wp-att-25817" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/03/o-autocarro-vip/olympus-digital-camera-4/"><img class="aligncenter size-large wp-image-25817" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/03/BANGKOK-E-LAOS-thakek-e-mahaxai-2011-669-500x375.jpg" alt="" width="315" height="237" /></a>                </p>
<p>                  E isto, que até em Portugal estaria pronto para a sucata, tem de levar os passageiros que iriam nos dois autocarros. Durante duas horas vai enchendo, adentro e acima, com os mais diversos acepipes. Eu já tinha viajado com galinhas e peixe seco ao lado, mas uma moto interinha dentro de uma camioneta é uma estreia absoluta.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-25818" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/03/o-autocarro-vip/olympus-digital-camera-5/"><img class="aligncenter size-large wp-image-25818" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/03/BANGKOK-E-LAOS-thakek-e-mahaxai-2011-679-500x375.jpg" alt="" width="315" height="237" /></a></p>
<p>               Além da passageira motorizada, entra o dobro do limite dos ocupantes. Para o excedente desencantam-se uns banquinhos de plástico lá atrás, colocam-se ao centro, há uma cama à frente, cabem dez, a moto leva uns cinco em cima, e lá seguimos. E o que fazem os laocianos no meio da balburdia? Protestam, barafustam, queixam-se? Não. Riem. E de cada vez que entra outro passageiro, riem mais.</p>
<p>               O Laos é um país na fila dos mais pobres do mundo. Mas o riso, a par da gentileza, é uma das características nacionais. Vou aprender, ao longo destes dias, que os laos se perdem por uma piada.  Um ocidental não perceberá sempre onde está a graça. E como quase ninguém fala inglês ou francês (os vestígios coloniais estão na arquitectura, não na língua), não se podem explicar. Mas o sorriso gentil está lá sempre. Barafustar para quê? E quando vêm alguma tradução à mão, apontam: have a good trip. E neste caso bem precisamos: a viagem que devia demorar 6 horas há-de tomar umas dez. Uma trip.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-25819" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/03/o-autocarro-vip/olympus-digital-camera-6/"><img class="aligncenter size-large wp-image-25819" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/03/BANGKOK-E-LAOS-thakek-e-mahaxai-2011-688-500x375.jpg" alt="" width="315" height="237" /></a> </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/03/o-autocarro-vip/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>16</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Nada a declarar?</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/03/nada-a-declarar/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/03/nada-a-declarar/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 Mar 2011 02:08:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=25663</guid>
		<description><![CDATA[           Ainda há pouco as nuvens tão perto ali abaixo. Agora já tão distantes lá acima.            As rodas agarram-se à pista sem solavancos, o alívio dos passageiros ecoa em palmas. Sorrio, ouvidos aluados, costas no encosto, olhos nas arrepiadas asas que contrariam o vento e progridem, já inúteis, no chão de Lisboa. Este é o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-25665" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/03/nada-a-declarar/olympus-digital-camera-2/"><img class="aligncenter size-large wp-image-25665" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/03/voo-jan-2011-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>           Ainda há pouco as nuvens tão perto ali abaixo. Agora já tão distantes lá acima.</p>
<p>           As rodas agarram-se à pista sem solavancos, o alívio dos passageiros ecoa em palmas. Sorrio, ouvidos aluados, costas no encosto, olhos nas arrepiadas asas que contrariam o vento e progridem, já inúteis, no chão de Lisboa. Este é o meu chão. Estou de volta.</p>
<p>         Na alfândega, piscam dois caminhos de saída: o vermelho, das chatices, o verde, para quem quer fugir delas. Escolho. Os polícias miram-me o cabelo mal dormido, os suspeitos chapéus de palhinha orientais atados à mala de mão, o excesso de autocolantes da mala de porão e formam em muro à minha frente: ‘Tem a certeza que nada a declarar?‘</p>
<p>        Hesito uma fracção de segundo. A vontade de provocar está à beirinha.     </p>
<p>        Digo ou não digo?</p>
<p>Falo-lhes do marfim da selva? Das moedas da Indochina francesa? Das jóias do casamento khmer? Do elefante de três cabeças? Dos caixões esculpidos nas árvores? Do mistério de Phu Asa? Dos caranguejos sardentos de Kep? Da moto no autocarro? Do camião de cimento? Da oitava maravilha do mundo? Dentro desta mala cabe isto e muito mais.</p>
<p>        Para minha surpresa, ouço a minha voz adiantar-se: </p>
<p>        ‘Sim, tenho algo a declarar’.</p>
<p>        Os polícias avançam ombros e sobrancelhas espessas.</p>
<p>         ‘……Siiiim?’</p>
<p>         ‘Declaro que estou muito feliz por estar de volta e que apreciava uma almofada fofa para dormir 24 horas de seguida’.</p>
<p>         ‘Bem, almofadas para 24 horas não temos, mas para 2 ou 3 ainda se arranja’. </p>
<p>Estivessemos num sketch dos Monty Pyton e a resposta bem poderia ter sido aquela. Não foi.  Assim como assim, ía jurar que vi uns bigodes estremecidos em sorriso:</p>
<p>        ‘Vá lá à sua vida’.</p>
<p>         E eu cá vim.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/03/nada-a-declarar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>14</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dias de festa</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/01/dias-de-festa/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/01/dias-de-festa/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 11 Jan 2011 03:51:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=23416</guid>
		<description><![CDATA[             …São os que temos tido por aqui. Têm sido festas e flautas e mimos sem pautas. Em formas untadas, das que dão vontade de declarações de amor peganhentas: apetece-me um abraço inteiro a todos os companheiros aqui a sete palmos. E mais abraço e meio aos leitores acima, eles e elas, que nos põem em ponto de rebuçado com tanto carinho, ai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><br class="spacer_" /></p>
<div id="attachment_23421" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-23421" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/01/dias-de-festa/butao-e-nepal-tc-2002-030/"><img class="size-large wp-image-23421" title="nepal tc 2002 030" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/01/butão-e-nepal-tc-2002-030-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Patan, Vale de Katmandu, tc</p></div>
<p>             …São os que temos tido por aqui. Têm sido festas e flautas e mimos sem pautas. Em formas untadas, das que dão vontade de declarações de amor peganhentas: apetece-me um abraço inteiro a todos os companheiros aqui a sete palmos. E mais abraço e meio aos leitores acima, eles e elas, que nos põem em ponto de rebuçado com tanto carinho, ai que isto está meloso demais, ora pegai um salgadinho para desenjoar.</p>
<p>            Em maré de festa conjunta, só podia vir aqui trazer-vos um presente colectivo (sim, bem podem dizer que estou a fugir com ele à seringa -  e estou, para oriente e por semanas largas — mas antes desafio qualquer um a apanhar-me aqui no meio do povo, e depois, já que aqui estão, digam lá se há coisa melhor para oferecer do que uma festa…) </p>
<div id="attachment_23422" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-23422" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/01/dias-de-festa/butao-e-nepal-tc-2002-029/"><img class="size-large wp-image-23422" title="nepal tc 2002" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/01/butão-e-nepal-tc-2002-029-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Festa de Machindranah, Nepal, tc</p></div>
<p>           Venham daí ó Todos, esta não tem data marcada, o antigo calendário lunar dita a hora em honra de Machindranah, o muito idoladrado deus dos Newaris, a gente primeira do Vale Proibido. Fazedor da chuva e protector do Vale, tem direito a um mês de celebrações. A animação é assegurada cada dia num bairro diferente, por grupos musicais que se revezam. Assim não se cansam e, oh povo sábio, procuram manter o deus contente todos os dias, enquanto lhe pedem a benção. A divindade segue no interior da carroça, talvez ganhe vida ao som dos pratos e batuques? </p>
<div id="attachment_23423" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-23423" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/01/dias-de-festa/butao-e-nepal-tc-2002-035/"><img class="size-large wp-image-23423" title="nepal tc 2002 035" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/01/butão-e-nepal-tc-2002-035-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Ora ponha aqui o seu pezinho nepalês, tc</p></div>
<p>          É uma espécie de dança da chuva. Pede-se a graça da abundância e de boas colheitas, perante o olhar benevolente desta ocidental. O sol segue teimoso há dias. Bem podem saracotear-se até ser noite. E eles sim senhora.</p>
<p>           Pois caiu-me a condescendência toda em cima. Coisas que acontecem e caem: como a chuva ao anoitecer e durante os dias seguintes. Eles e a lua lá sabem.  Os descrentes que se cuidem. Com os deuses, todo o cuidado é pouco. E parece que todas as oferendas não são demais.   </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/01/dias-de-festa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>12</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A menina deusa do Vale Proibido</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/01/a-menina-deusa-do-vale-proibido/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2011/01/a-menina-deusa-do-vale-proibido/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 Jan 2011 15:03:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=23126</guid>
		<description><![CDATA[         Mais deuses que habitantes povoam o país dos Dewaris. Ali entre a Índia e o Tibete, sugou dos vizinhos as divindades hindus e budistas. E a complicar o cenário da devoção nepalesa estão os deuses híbridos (hibridíssimos, Eugénia!) de ambas as religiões. Para cada deus a sua festa, a sua rua, a sua casa, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-23129" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/01/a-menina-deusa-do-vale-proibido/butao-e-nepal-tc-2002-014/"><img class="aligncenter size-large wp-image-23129" title="butão e nepal tc 2002 014" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/01/butão-e-nepal-tc-2002-014-500x333.jpg" alt="" width="450" height="300" /></a></p>
<p>         Mais deuses que habitantes povoam o país dos Dewaris. Ali entre a Índia e o Tibete, sugou dos vizinhos as divindades hindus e budistas. E a complicar o cenário da devoção nepalesa estão os deuses híbridos (hibridíssimos, Eugénia!) de ambas as religiões. Para cada deus a sua festa, a sua rua, a sua casa, o seu cortejo de veneradores. No rebuliço multicor dos cultos, outras excentricidades do reino passam facilmente incógnitas. Mas o que dizer da Kumari, a única deusa viva do mundo?</p>
<p style="text-align: center;"> <a rel="attachment wp-att-23130" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/01/a-menina-deusa-do-vale-proibido/butao-e-nepal-tc-2002-021/"><img class="aligncenter size-large wp-image-23130" title="butão e nepal tc 2002 021" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/01/butão-e-nepal-tc-2002-021-500x333.jpg" alt="" width="450" height="300" /></a></p>
<p>        A praça central de Katmandu está atulhada de gente, sadhus, carroças, riquexós, templos. Nada indica que este é especial. Só depois de entrar, pla quantidade de turistas com guia e pelos postais que uma mulher vende, se percebe: sim, é esta a morada da deusa virgem.</p>
<p>         Em nepalinglês, um guia arrasta-se: “esta tradição começou em 1750…” Saltarei uma tradução penosa. Há várias lendas em torno da origem da crença ( no Nepal cada pergunta tem sempre várias respostas possíveis). Uma delas conta que um soberano tentou violar a deusa protectora do vale. A divindade, enraivecida, ameaçou retirar a protecção ao reino se não fosse adorada através de uma virgem. Desde então muitas meninas emprestam o corpo à deusa, afim de manter o costume e assegurar a sobrevivência do Nepal. Até o rei, dizem, presta vassalagem à deusa menina.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-23131" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/01/a-menina-deusa-do-vale-proibido/butao-e-nepal-tc-2002-042/"><img class="aligncenter size-large wp-image-23131" title="butão e nepal tc 2002 042" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/01/butão-e-nepal-tc-2002-042-500x333.jpg" alt="" width="450" height="300" /></a></p>
<p>          Aqui neste pátio interior continuo a pensar que esta é uma história apenas para contar aos turistas. Por isso não deixam filmar nem fotografar: para vender postais e receber gorjetas (por isso a foto ficou torta…) Estamos todos à espera da aparição. Talvez neste momento ela esteja a espreitar-nos pelas frestas de madeira, a ver sem ser vista, como Xerazade. Terá consciência desta história de mais de 1001 dias?</p>
<p>         Porque, soube depois, a história é um destino vivido. Em cada década, crianças de 3 anos são seleccionadas por características físicas específicas e através de rituais assustadores e secretos. A que resistir sem chorar nem mostrar emoções é escolhida como a próxima deusa. Passa a viver fechada no palácio, com visitas dos pais. Fica até à primeira menstruação. Depois é substituída por outra, neste templo das infâncias perdidas: em divina repetição.</p>
<p>          A benção torna-se maldição?  Ter uma filha escolhida é uma grande honra para a família. E significa que vai ter sustento enquanto a menina for venerada. Recebe uma pensão vitalícia depois. Enquanto deusa, só sai à rua três vezes por ano, por altura das festas em sua honra. E mostra-se aos turistas da janela do pátio interior. Vai ser agora: todos levantam as cabeças.</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_23136" class="wp-caption aligncenter" style="width: 220px"><a rel="attachment wp-att-23136" href="http://www.etudogentemorta.com/2011/01/a-menina-deusa-do-vale-proibido/butao-e-nepal-tc-2002-044-3/"><img class="size-medium wp-image-23136  " title="nepal tc 2002 044" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/01/butão-e-nepal-tc-2002-0442-300x450.jpg" alt="" width="210" height="315" /></a><p class="wp-caption-text">Kumari de Katmandu, postal do templo</p></div>
<p><br class="spacer_" /></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2011/01/a-menina-deusa-do-vale-proibido/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>13</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>COMO FAZÊ-LA DANÇAR NUA À LUZ DA LUA</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/como-faze-la-dancar-nua-a-luz-da-lua/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/como-faze-la-dancar-nua-a-luz-da-lua/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 19:15:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=22330</guid>
		<description><![CDATA[(post levitacional sem teoria budista)    MANUAL DE INSTRUÇÕES    1. Levá-la para a alva vastidão à hora insuspeita das asas nocturnas; 2. Esperar que o luar que afasta a noite tinja as rochas até então escondidas; 3. Deixá-la embriagar-se de beleza no imaterial cenário nevado; 4. Pedir que o sangue lhe seja ardente para não estranhar a temperatura; 5. Desejar que não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(post levitacional sem teoria budista)</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong> <em>MANUAL DE INSTRUÇÕES</em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong> </strong>1. Levá-la para a alva vastidão à hora insuspeita das asas nocturnas;</p>
<p>2. Esperar que o luar que afasta a noite tinja as rochas até então escondidas;</p>
<p>3. Deixá-la embriagar-se de beleza no imaterial cenário nevado;</p>
<p>4. Pedir que o sangue lhe seja ardente para não estranhar a temperatura;</p>
<p>5. Desejar que não acabe o momento em que os pés lhe voam no teatro de estrelas;</p>
<p>6. Não fotografar: não se lança luz sobre o luminoso. Não se regista o inesquecível.</p>
<p>7. Esperar o amanhecer e revelar-lhe em esplendor o palco nocturno de neve eterna.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_22331" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-22331" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/12/como-faze-la-dancar-nua-a-luz-da-lua/egipto-deserto-negro-e-deserto-branco-nov-2007-309/"><img class="size-large wp-image-22331 " title="deserto branco, egipto" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/12/EGIPTO-DESERTO-NEGRO-E-DESERTO-BRANCO-NOV-2007-309-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Deserto Branco, Egipto — tc</p></div>
</p>
<p>8. Nunca lhe confessar ter espreitado a lucífuga flutuação.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/como-faze-la-dancar-nua-a-luz-da-lua/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>18</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Será que é dessa que desempata a novela “Um sonho no deserto”?</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/sera-que-e-dessa-que-desempata-a-novela-um-sonho-no-deserto/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/sera-que-e-dessa-que-desempata-a-novela-um-sonho-no-deserto/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 07 Dec 2010 22:16:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=22183</guid>
		<description><![CDATA[(a pedido de várias famílias, entram odaliscas e dromedários ao luar, a orquestra organiza-se e toca atrás dos cenários)    Voiz do narrador com sôtaqui documentau: Com a morte de seu pai, Kamau ficou com a herança de liderar os destinos dos Estúdios Atlas. Estão completando 28 anos. Além de séries e documentários, já aqui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(a pedido de várias famílias, entram odaliscas e dromedários ao luar, a orquestra organiza-se e toca atrás dos cenários)</em></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong><strong><em>Voiz do narrador com sôtaqui documentau</em>:</strong></p>
<p>Com a morte de seu pai, Kamau ficou com a herança de liderar os destinos dos Estúdios Atlas. Estão completando 28 anos. Além de séries e documentários, já aqui foram realizadas mais de 20 longas-metragens reconhecidas além fronteiras.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-22198" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/12/sera-que-e-dessa-que-desempata-a-novela-um-sonho-no-deserto/deserto-marrocos-tc-2001-040/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-22198" title="deserto marrocos tc 2001 040" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/12/deserto-marrocos-tc-2001-040-300x450.jpg" alt="" width="270" height="405" /></a></p>
<p>            A primeira foi <strong><em>A JÓIA DO NILO</em></strong>, em 1984. Depois vieram, para não me cansar vou só dizendo alguns: <em><strong>GLADIADOR,  KUMDUM, A ILHA</strong></em> <em><strong>DO TESOURO</strong></em> ou… <em><strong>ASTÉRIX E CLEÓPATRA</strong></em>.</p>
<p>            E pra você ter uma ideia do impacto na área, uma grande produção como Astérix trouxe uma equipa de 800 pessoas durante 6 meses. Com cenas de 2500 figurantes. Gente, não é fachada não: isto é emprego pra cidade do lado, hotéis ocupados, restaurantes, alugueres, voos, comércio – um negócio de milhões, já antes de chegar aos ecrans.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-22199" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/12/sera-que-e-dessa-que-desempata-a-novela-um-sonho-no-deserto/deserto-marrocos-tc-2001-072/"><img class="aligncenter size-large wp-image-22199" title="deserto marrocos tc 2001 072" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/12/deserto-marrocos-tc-2001-072-500x333.jpg" alt="" width="450" height="300" /></a></p>
<p><strong><em>Voz feminina em off</em></strong>:</p>
<p>Deste lado assistimos sem pagar bilhete. As filmagens acabam, os cenários ficam.</p>
<p>Recebem as mutilações do tempo. E vão criando a paisagem desta cidade feita de pó de histórias, gesso e madeira. Tinta caída.  Fábrica de  trabalho ou  ilusões? Caiu no colo do herdeiro que ainda está a aprender como se conduz um sonho paterno.  </p>
<p>Por enquanto, sabe que tem de seguir todo o processo até ao mais ínfimo pormenor.  Repete: cada pequeno detalhe pode ter a maior importância.</p>
<p>Naquela altura, como num parque de diversões, todos os dias a cidade recebia visitantes. E ninguém me contou, mas eu sei: em algumas noites também.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>(Dromedários becejam,  odaliscas afastam-se dançando ao luar, orquestra pára para uma cerveja.)</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/sera-que-e-dessa-que-desempata-a-novela-um-sonho-no-deserto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>E salta mais um episódio quentinho de “Um Sonho No Deserto”</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/e-salta-mais-um-episodio-quentinho-de-um-sonho-no-deserto/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/e-salta-mais-um-episodio-quentinho-de-um-sonho-no-deserto/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 07 Dec 2010 02:38:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=22188</guid>
		<description><![CDATA[  A entrada estava protegida por guarda-muros imponentes. Quem vem lá? Gritaram. Quem manda aqui sou eu, disse Kamal suave. E os guardiões ficaram logo com ar de corso carnavalesco. Lá dentro, os bichos fitavam-nos em desafio. Para eles, Kamal tinha outra estratégia: ignorou-os e subiu as escadarias como um rei. Os bichos ficaram brancos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"> <a rel="attachment wp-att-22189" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/12/e-salta-mais-um-episodio-quentinho-de-um-sonho-no-deserto/deserto-marrocos-tc-2001-044/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-22189" title="deserto marrocos tc 2001 044" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/12/deserto-marrocos-tc-2001-044-300x450.jpg" alt="" width="300" height="450" /></a></p>
<p>A entrada estava protegida por guarda-muros imponentes.</p>
<p>Quem vem lá? Gritaram. Quem manda aqui sou eu, disse Kamal suave. E os guardiões ficaram logo com ar de corso carnavalesco.</p>
<p>Lá dentro, os bichos fitavam-nos em desafio. Para eles, Kamal tinha outra estratégia: ignorou-os e subiu as escadarias como um rei. Os bichos ficaram brancos. A cidade do cinema sou eu. Agora. Porque antes era o meu pai.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-22190" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/12/e-salta-mais-um-episodio-quentinho-de-um-sonho-no-deserto/deserto-marrocos-tc-2001-042/"><img class="aligncenter size-large wp-image-22190" title="deserto marrocos tc 2001 042" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/12/deserto-marrocos-tc-2001-042-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a> </p>
<p><strong><em>Voz de Kamal com olhos de montanha distante</em>:</strong></p>
<p>O meu pai era um visionário. Um dia teve o sonho de construir aqui em Ouarzazate estúdios de cinema. Os realizadores e produtores que conhecia  sempre lhe disseram que a qualidade da luz era excepcional, muito generosa. Mágica. Temos vista para as montanhas do Atlas. No inverno há neve, temos o deserto e montes alvos em fundo. Não há muitos locais no mundo que forneçam este cenário natural.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-22191" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/12/e-salta-mais-um-episodio-quentinho-de-um-sonho-no-deserto/deserto-marrocos-tc-2001-048/"><img class="aligncenter size-large wp-image-22191" title="deserto marrocos tc 2001 048" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/12/deserto-marrocos-tc-2001-048-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>        Os deuses fazem vénia. Kamal fala muito baixinho. O meu pai sempre gostou de arriscar muito alto. E eu, serei capaz?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/e-salta-mais-um-episodio-quentinho-de-um-sonho-no-deserto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mais um episódio dessa novela que é sua: Um sonho no deserto</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/mais-um-episodio-dessa-novela-que-e-sua-um-sonho-no-deserto/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/mais-um-episodio-dessa-novela-que-e-sua-um-sonho-no-deserto/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Dec 2010 19:35:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=22170</guid>
		<description><![CDATA[          Logo depois do genérico entra o letreiro:  DOIS ANOS E MEIO DEPOIS           Voz feminina em off:  Só então conseguir cumprir o desejo. Tanto tempo à espera, parecia que não ía acontecer nunca.  Chegámos à noite a Marraquexe. Kamal esperava-nos. Não parecia o mesmo. Fato escuro, camisa branca: homem de negócios. Param aqui os sorrisos. O pai morrera. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>          Logo depois do genérico entra o letreiro:  <strong><em>DOIS ANOS E MEIO DEPOIS</em></strong></p>
<p><strong><em>          Voz feminina em off:  </em></strong>Só então conseguir cumprir o desejo. Tanto tempo à espera, parecia que não ía acontecer nunca.  Chegámos à noite a Marraquexe. Kamal esperava-nos. Não parecia o mesmo. Fato escuro, camisa branca: homem de negócios. Param aqui os sorrisos. O pai morrera. Ele era o herdeiro de um pequeno império – uma cadeia de hotéis e <em>riads</em> de luxo em Marrocos. (Sorrisos podem recomeçar. <em>Está a ver, Gonçalo? Por causa dos medos que os pais incutem, não investi na altura certa e lá perdi a oportunidade de um bom partido</em>…)</p>
<p>        Levou-nos para o seu hotel das arábias em Marraquexe (aparte para fofoca: lindo, apesar dos pormenores pirosos na decoração, luxo dourado excessivo). O herdeiro só estava diferente no visual: até com os empregados usava do trato atento e delicado que dispensava aos convidados. Percebi durante estes dias que o adoravam. Dir-me-ia mais tarde, <em><strong>voz de Kamal com chá de menta:</strong></em> <em>para mim</em> <em>todas as pessoas são importantes, não trataria umas melhor que outras, todos precisamos uns dos outros.</em>  (<em><strong>Fade out</strong></em> <strong>a negro</strong>)</p>
<p>         Só no dia seguinte seguimos para Ouarzazate.</p>
<p>         E aí sim, rendi-me ao <em>riad </em>às portas do deserto. Construção baixa de adobe rosa terra, palmeiras longas, recantos despojados, jardins e lagos escondidos, quartos rústicos elegantes, nada destoava. Só então percebi a ligação à organização do rally: era em hotéis da família que os vips da competição ficavam – nada de tendas arenosas para esses.</p>
<p>         (<strong>escuta-se banda sonora marroquina em <em>crescendo</em></strong>)</p>
<p>          Foi nesse dia que regressámos ao local que nos tinha abanado na aventura nocturna à luz dos faróis. Vimos finalmente à luz do dia a <strong><em>Hollywood</em> do deserto</strong>.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-22171" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/12/mais-um-episodio-dessa-novela-que-e-sua-um-sonho-no-deserto/deserto-marrocos-tc-2001-053/"><img class="aligncenter size-large wp-image-22171" title="deserto marrocos tc 2001 053" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/12/deserto-marrocos-tc-2001-053-500x750.jpg" alt="" width="400" height="600" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/mais-um-episodio-dessa-novela-que-e-sua-um-sonho-no-deserto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>12</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Um sonho no deserto  #3</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/um-sonho-no-deserto-3/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/um-sonho-no-deserto-3/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Dec 2010 01:18:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=22163</guid>
		<description><![CDATA[             O sol há muito que se tinha escondido. A noite não trazia lua. Íamos conversando, o condutor do jipe cada vez mais entusiasmado, eu e o meu colega cada vez com mais comichão de curiosidade. Estrada de terra, asfalto, terra outra vez. Não demoramos muito a chegar. Havia muros muito altos, um portão de madeira muito alto. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-22164" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/12/um-sonho-no-deserto-3/deserto-marrocos-tc-2001-010/"><img class="aligncenter size-large wp-image-22164" title="deserto marrocos tc 2001 010" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/12/deserto-marrocos-tc-2001-010-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>             O sol há muito que se tinha escondido. A noite não trazia lua. Íamos conversando, o condutor do jipe cada vez mais entusiasmado, eu e o meu colega cada vez com mais comichão de curiosidade. Estrada de terra, asfalto, terra outra vez. Não demoramos muito a chegar. Havia muros muito altos, um portão de madeira muito alto. As luzes do carro não deixavam ver o fim. Kamal deve ter carregado num botão. Abre-te Sésamo. Sem bandidos, por favor.</p>
<p>           Lá dentro, chão de terra batida a perder de vista. Desapontamento. Kamal fez de propósito. Só virou o carro e apontou os faróis na altura certa. Um navio vicking. Um navio vicking? No meio do nada? As luzes confirmavam: escudos pendurados, figura de proa profusamente hasteada. Não era miragem, não havia água à vista, eu não tinha bebido cerveja. Mas riamos com nervosismo.</p>
<p>           Mais à frente os faróis de novo repentinos como holofotes de cinema: uma gigantesca escultura faraónica. Duas. Várias. Colunas altas. Um templo inteiro. Luxor em Marrocos? Os faróis tornavam a visão ainda mais fantasmagórica. A escuridão encobria e atiçava o espanto. Não tinhamos levado câmaras de filmar nem fotográfica, não podiamos registar nada. No entanto, à medida que as luzes descobriam outra e outra imagem, percebi que nunca iria esquecer aquela noite.  </p>
<p>           Kamal falava do pai e do sonho que tinha começado a construir uns 20 anos antes. Um visionário no deserto. E até então bem sucedido. Não só para a família lucrar, mas a cidade inteira. Acima de tudo, pelo prazer. E o filho queria dar a conhecer o sonho do pai. Já tinha tido equipas de reportagem francesas e espanholas, mas de Portugal ainda nada. E percebi que o patriarca só podia ser uma personagem. Tinha mesmo de o conhecer.</p>
<p>            Mas Kamal, nós agora não podemos, arrancamos com a caravana do rally ainda durante a madrugada. Mas vamos voltar mais tarde. De certeza que vamos voltar.     </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/um-sonho-no-deserto-3/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>11</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Um sonho no deserto</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/um-sonho-no-deserto/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/um-sonho-no-deserto/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 05 Dec 2010 17:12:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=22150</guid>
		<description><![CDATA[              Olhos azuis inesperados na pele morena, sorriso tímido, cabelo espetado, baixo e curvado. Não fosse pela delicadeza de expressão e teria um aspecto mais aproximado de um carregador de bagagens que propriamente de um príncipe das areias. “Hi, my name is Kamal, I have something to show you that you should see”. Em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-22151" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/12/um-sonho-no-deserto/deserto-marrocos-tc-2001-018-2/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-22151" title="deserto marrocos tc 2001 018" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/12/deserto-marrocos-tc-2001-0181-300x450.jpg" alt="" width="270" height="405" /></a></p>
<p>              Olhos azuis inesperados na pele morena, sorriso tímido, cabelo espetado, baixo e curvado. Não fosse pela delicadeza de expressão e teria um aspecto mais aproximado de um carregador de bagagens que propriamente de um príncipe das areias. <em>“Hi, my name is Kamal, I</em> <em>have something to show you that you should see</em>”. Em inglês? Em terra franco-árabe falava-me em inglês bem tratado?</p>
<p>             Contou-me uma história extravagante. O meu <em>cameraman</em> estava ao lado e foi ouvindo comigo. Ficamos ambos de olhos arregalados.  Três anos de competições motorizadas concorriam para um bom acervo de histórias, mas esta estava no pódium. O homem insistia para que o acompanhassemos. Estavámos a menos de 15 minutos de distância. Se eu tivesse bigode, teria afinado as pontas. Seria um engodo? Poderia querer raptar-nos? Não, se fosse isso o título deste post seria outro.</p>
<p style="text-align: center;">  <a rel="attachment wp-att-22152" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/12/um-sonho-no-deserto/deserto-marrocos-tc-2001-017/"><img class="aligncenter size-large wp-image-22152" title="deserto marrocos tc 2001 017" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/12/deserto-marrocos-tc-2001-017-500x333.jpg" alt="" width="400" height="266" /></a></p>
<p>               Kamal tinha um crachá de convidado vip, o <em>cameraman</em> tinha-o visto em conversa com os organizadores franceses (só muito mais tarde perceberia porquê). Mas algo nele me inspirava confiança.</p>
<p>             Já era noite escura. Kamal convidou-nos para ir com ele num jipe possante. Avisámos alguns colegas de que íamos sair do acampamento, e seguimos deserto adentro. Que verdade haveria nas palavras dele? </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/um-sonho-no-deserto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>13</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>No deserto</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/no-deserto/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/no-deserto/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 05 Dec 2010 16:02:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=22139</guid>
		<description><![CDATA[                           Era a melhor hora do dia. Ou antes, a melhor para quem tinha terminado o trabalho. Podia descansar na asa dos aviões, beber uma cerveja a saborear o poente sobre as dunas. Isto se estivesse a olhar para o lado de lá. Quem olhasse para o lado de cá só veria o deserto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">                <a rel="attachment wp-att-22143" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/12/no-deserto/deserto-marrocos-tc-2001-021-3/"><img class="aligncenter size-large wp-image-22143" title="deserto marrocos tc 2001 021" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/12/deserto-marrocos-tc-2001-0212-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>           Era a melhor hora do dia. Ou antes, a melhor para quem tinha terminado o trabalho. Podia descansar na asa dos aviões, beber uma cerveja a saborear o poente sobre as dunas. Isto se estivesse a olhar para o lado de lá. Quem olhasse para o lado de cá só veria o deserto menos deserto de sempre: aviões aos tropeções, tendas às plantações, ao longe carros e motos em mar estridente de mecânicos: mais um final de dia tranquilo no Rally Paris-Dakar.   </p>
<p style="text-align: center;">  <a rel="attachment wp-att-22144" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/12/no-deserto/deserto-marrocos-tc-2001-025/"><img class="aligncenter size-large wp-image-22144" title="deserto marrocos tc 2001 025" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/12/deserto-marrocos-tc-2001-025-500x333.jpg" alt="" width="400" height="266" /></a></p>
<p>           Mas para mim era a altura de maior correria. Depois das últimas entrevistas, correr para o avião de edição, onde trabalhavam umas 30 equipas de televisão ao mesmo tempo, rezar para que as cassetes de <em>pool</em> que eu precisava não estivessem a ser usadas, e estavam sempre, tirar finalmente os tempos das imagens, escrever o texto, editar com um francês resmungão, ele sempre a dizer “<em>ça va pas, ça va pas</em>”, eu a dizer “vai dar sim senhor”, acabar a peça em cima do tempo de envio, mostrar-lhe a língua, correr para o satélite, rezar para que o sinal funcionasse (acho que nunca me senti tão crente como nas duas ou três semanas de duração da competição, nos três Janeiros que por lá andei), enviar a peça até ao último segundo de satélite, e cair para o lado com um fanico antes de ser.</p>
<p>            Foi então que ele apareceu. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/12/no-deserto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Nunca: mais um presente do ramo de poemas</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/nunca-mais-um-presente-do-ramo-de-poemas/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/nunca-mais-um-presente-do-ramo-de-poemas/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 26 Nov 2010 00:49:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=21634</guid>
		<description><![CDATA[Há tantas maneiras de falar do tempo. Mas apeteceu-me deixar aqui esta fórmula feliz do poeta. Um sussurrado segredo sibilante que todos conhecemos e todos esquecemos.  Ou parecemos esquecer.                                                                  CANÇÃO                                                          O rio passa, passa                                                          e nunca cessa.                                                          O vento passa, passa                                                          e nunca cessa.                                                          A vida passa:                                                          nunca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Há tantas maneiras de falar do tempo. Mas apeteceu-me deixar aqui esta fórmula feliz do poeta. Um sussurrado segredo sibilante que todos conhecemos e todos esquecemos.  Ou parecemos esquecer.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-21723" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/11/nunca-mais-um-presente-do-ramo-de-poemas/nunca-cessa-tc-2010/"><img class="aligncenter size-large wp-image-21723" title="nunca cessa, tc, 2010" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/11/nunca-cessa-tc-2010-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p><em><strong>                                                                 CANÇÃO</strong></em></p>
<p><em>                                                         O rio passa, passa</em></p>
<p><em>                                                         e nunca cessa.</em></p>
<p><em>                                                         O vento passa, passa</em></p>
<p><em>                                                         e nunca cessa</em>.</p>
<p><em>                                                         A vida passa:</em></p>
<p><em>                                                         nunca regressa</em>.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>                       Versão de herberto Hélder, de canção azteca</p>
<p><em>                       in <strong>Rosa do Mundo — 2001 Poemas para o Futuro</strong></em>, Ed. Assírio &amp; Alvim<br class="spacer_" /></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/nunca-mais-um-presente-do-ramo-de-poemas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Oculto Oriente: Outro presente de um ramo de poemas</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/oculto-oriente-outro-presente-de-um-ramo-de-poemas/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/oculto-oriente-outro-presente-de-um-ramo-de-poemas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 02:38:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=21633</guid>
		<description><![CDATA[                                                                                                CANÇÃO                                                      Perdi uma pérola na erva.                                                      Pérola perdida que guarda o seu oculto oriente.                                                      — O amor àquela que amo um dia se perderá:                                                     Pérola de orvalho que morre e que fulgura.                                      Versão de Herberto Helder, de poema de origem indonésia                                 in  Rosa do Mundo — 2001 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><a rel="attachment wp-att-21709" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/11/oculto-oriente-outro-presente-de-um-ramo-de-poemas/escrita-na-tabua-tc-2010-2/"><img class="aligncenter size-large wp-image-21709" title="escrita na tábua, tc 2010" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/11/escrita-na-tábua-tc-20101-500x750.jpg" alt="" width="350" height="525" /></a>                   </strong></em></p>
<p><em><strong>   </strong></em></p>
<p><em><strong>                                                                        CANÇÃO</strong></em></p>
<p><em>                                                     Perdi uma pérola na erva.</em></p>
<p><em>                                                     Pérola perdida que guarda o seu oculto oriente.</em></p>
<p><em>                                                     — O amor àquela que amo um dia se perderá:</em></p>
<p><em>                                                    Pérola de orvalho que morre e que fulgura.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p>                                 Versão de Herberto Helder, de poema de origem indonésia</p>
<p>                               <em> in</em>  <strong><em>Rosa do Mundo — 2001 Poemas para o futuro,</em></strong>  Ed.Assírio e Alvim</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/oculto-oriente-outro-presente-de-um-ramo-de-poemas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Hermínio Monteiro</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/herminio-monteiro/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/herminio-monteiro/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 00:49:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Queridos Mortos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=21662</guid>
		<description><![CDATA[      Ou um retrato feito de livros  (1951 – 2001).                  Tenho uma dívida para com ele. Enorme.            O trabalho dos editores não se vê, é lá atrás. Não temos deles consciência. Não lhes imaginamos a presença dilecta, discreta, constante. Mas o manobrar invisível do Hermínio deixou marcas. Numa vida entre livros e em defesa dos autores, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">      Ou um retrato feito de livros  (1951 – 2001).      <a rel="attachment wp-att-21735" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/11/herminio-monteiro/livros-da-assirio-tc-021-2/"><img class="aligncenter size-large wp-image-21735" title="livros da assírio, tc 021" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/11/livros-da-assírio-tc-0211-500x333.jpg" alt="" width="400" height="266" /></a></p>
<p>           Tenho uma dívida para com ele. Enorme.</p>
<p>           O trabalho dos editores não se vê, é lá atrás. Não temos deles consciência. Não lhes imaginamos a presença dilecta, discreta, constante. Mas o manobrar invisível do Hermínio deixou marcas. Numa vida entre livros e em defesa dos autores, criou condições<br />
para novos poetas se firmarem, aconchegou os consagrados.</p>
<p>          Sem ele, eu não teria conhecido a obra de Herberto Helder. O estremeção abanão que é Herberto Helder. E conheceria pouco Eugénio de Andrade, António Maria Lisboa, Alexandre O’Neil, Al Berto, Mário Cesariny. Tantos mais. A dele era uma casa de poetas. E os livros da Assírio &amp; Alvim sempre foram os mais bonitos. Nas minhas estantes, os mais folheados. A avidez com que se sorve um livro bonito dá uma bebedeira maior.<br />
          Deixou-me esta dívida para com ele. Enorme. E nunca lhe disse.</p>
<p style="text-align: center;">           <a rel="attachment wp-att-21737" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/11/herminio-monteiro/livros-da-assirio-tc-026-2/"><img class="aligncenter size-large wp-image-21737" title="livros da assírio, tc 026" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/11/livros-da-assírio-tc-0261-500x333.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><br class="spacer_" /></p>
<p>          O maior orgulho de Hermínio terá sido a publicação, em 2001, de <em><strong>”Rosa do Mundo — 2001 Poemas para o futuro”</strong></em>, antologia poética universal. Não sei se é a maior, é a mais abrangente que conheço: com vozes de todas as épocas, de uma ponta à outra do globo,<br />
vertidas para português pelos seus poetas.<br />
         Deu-me um olhar de botas de sete léguas. Sem ele não teria imaginado os cânticos de gente antiga tão parecida com a de hoje. Senti-me próxima de tribos índias, aztecas, indonésias, como se descessem as escadas comigo. Como a escutar-lhes a música em cada leitura.</p>
<p>         É uma herança que nos deixou, o último fôlego, mais uma vitória contra a morte: publicou-a em Maio, dois meses depois deixou-nos.</p>
<p style="text-align: center;">           <a rel="attachment wp-att-21738" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/11/herminio-monteiro/rosa-do-mundo-tc/"><img class="aligncenter size-large wp-image-21738" title="rosa do mundo, tc" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/11/rosa-do-mundo-tc-500x333.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><br class="spacer_" /></p>
<p>           Se lembrasse o Hermínio apenas por essa entrega de papel, já seria muito. Mas conheci-o, ainda que escassamente, entre livraria e trabalho, recitais de poesia e boa comida. E parece-me que até o trabalho era para ele todo afectos. Ficaram-me fundo as bochechas amáveis, a ternura do sotaque transmontano que nunca perdeu.<br />
           Acima de tudo: era um homem bom.<br />
           Tenho esta dívida para com ele. Enorme. E nunca lhe tinha dito.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>            E por tudo isso gosto de escrever o nome dele com força.</p>
<p>            Num bloco a vincar as páginas seguintes, como tinta invisível: <strong>Manuel Hermínio Monteiro.</strong>                                                                                                                      </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/herminio-monteiro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Palácio aquático: um presente</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/presente/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/presente/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 24 Nov 2010 01:56:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=21624</guid>
		<description><![CDATA[               Andei por campos brancos, muito pretos.  A colher ramos de poemas floridos. Para oferecer. Não por acaso, nunca por acaso, alguns tinham marcado a fogo as iniciais HH. Trouxe alguns para esta nossa casa acima e abaixo do chão.                                                                         CANÇÃO                                          A terra é um palácio que olha para cima,                                         O céu é um palácio que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>               Andei por campos brancos, muito pretos.  A colher ramos de poemas floridos. Para oferecer. Não por acaso, nunca por acaso, alguns tinham marcado a fogo as iniciais HH. Trouxe alguns para esta nossa casa acima e abaixo do chão.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-21706" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/11/presente/bulgaria-ceu-e-lago-tc-06-3/"><img class="aligncenter size-large wp-image-21706" title="bulgária céu e lago tc 06" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/11/bulgária-céu-e-lago-tc-061-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>                                                                      </em><em><strong>CANÇÃO</strong></em></p>
<p>                                         <em>A terra é um palácio que olha para cima,</em></p>
<p><em>                                        O céu é um palácio que olha para baixo.</em></p>
<p><em>                                        - Passarei por cima de todas as águas,</em></p>
<p><em>                                        em busca da mulher sete vezes tão bela.</em></p>
<p><em>                                        E se o rei se diverte com as suas terras todas,</em></p>
<p><em>                                        Eu divirto-me feliz com as filhas dos homens.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>                        </em>               Versão de Herberto Helder, de canção de Madagáscar</p>
<p><em>                                        In</em> <strong>Rosa do Mundo,</strong> antologia de poemas universais</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/presente/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O passatempo</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-passatempo/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-passatempo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 May 2010 14:32:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=13559</guid>
		<description><![CDATA[     O ringue está pronto. Os homens fazem as suas apostas. Os jogadores entram em campo.              — Anda cá, que te depeno!, neste contexto não são tiradas de banda desenhada. As lutas de galos em Portugal são ilegais. Em Timor, a luta pelos direitos humanos demorou a ser reconhecida. A luta pelos direitos dos animais talvez demore mais. Entretanto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-13558" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-passatempo/timor-20-maio-2002-085/"><img class="size-medium wp-image-13558 aligncenter" title="timor 20 maio 2002 085" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-085-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>     O ringue está pronto. Os homens fazem as suas apostas. Os jogadores entram em campo.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-13560" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-passatempo/timor-20-maio-2002-086/"><img class="size-medium wp-image-13560 aligncenter" title="timor 20 maio 2002 086" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-086-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>             — Anda cá, que te depeno!, neste contexto não são tiradas de banda desenhada. As lutas de galos em Portugal são ilegais. Em Timor, a luta pelos direitos humanos demorou a ser reconhecida. A luta pelos direitos dos animais talvez demore mais. Entretanto, os animais têm o direito de ganhar. </p>
<div id="attachment_13561" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-13561" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-passatempo/timor-20-maio-2002-091/"><img class="size-medium wp-image-13561" title="timor 20 maio 2002 091" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-091-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">timor, 2002, tc</p></div>
<p>            Nos poucos livros sobre Timor, faz-se uma curta referência a este <em>“passatempo favorito”</em> do povo. Nas províncias de Timor-leste, este é também um intenso jogo de apostas.</p>
<p>            Vencedor e seguidores levam dinheiro para casa, o perdedor fica com frango na púcara. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-passatempo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Os galos e os meninos</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/os-galos-e-os-meninos/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/os-galos-e-os-meninos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 May 2010 14:06:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=13532</guid>
		<description><![CDATA[            Nada de confusões. Em Timor, as meninas, que acarinham as galinhas, serão apenas uma cópia-miniatura dos pais, que exibem os galinhos.  São os galos que se adaptam às vestes dos donos, ou são os donos que gostam de prolongar as cores dos seus galos? Donos-imitadores ou galos-camaleões?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>            Nada de confusões. Em Timor, as meninas, que acarinham as galinhas, serão apenas uma cópia-miniatura dos pais, que exibem os galinhos. </p>
<div id="attachment_13533" class="wp-caption alignleft" style="width: 253px"><a rel="attachment wp-att-13533" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/os-galos-e-os-meninos/timor-20-maio-2002-082/"><img class="size-medium wp-image-13533    " title="timor 20 maio 2002 082" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-082-300x450.jpg" alt="" width="243" height="365" /></a><p class="wp-caption-text">mascote, timor, tc</p></div>
<div id="attachment_13544" class="wp-caption alignright" style="width: 253px"><a rel="attachment wp-att-13544" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/os-galos-e-os-meninos/timor-20-maio-2002-083-4/"><img class="size-medium wp-image-13544  " title="timor 20 maio 2002 083" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-0833-300x450.jpg" alt="" width="243" height="365" /></a><p class="wp-caption-text">mascote, timor, tc</p></div>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>São os galos que se adaptam às vestes dos donos, ou são os donos que gostam de prolongar as cores dos seus galos? Donos-imitadores ou galos-camaleões?</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/os-galos-e-os-meninos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A menina e a galinha</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/a-menina-e-a-galinha/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/a-menina-e-a-galinha/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 May 2010 12:49:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=13522</guid>
		<description><![CDATA[Poderia ser esta a imagem que falta no post de nosso domingueiro filósofo aqui abaixo? De quantos volteios linguísticos se faz, tentadora, a nossa língua? ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><br class="spacer_" /></p>
<div id="attachment_13523" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-13523" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/a-menina-e-a-galinha/timor-20-maio-2002-081/"><img class="size-medium wp-image-13523" title="timor 20 maio 2002 081" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-081-300x450.jpg" alt="" width="300" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">meninas, timor-leste, tc</p></div>
<p>Poderia ser esta a imagem que falta no post de nosso domingueiro filósofo aqui abaixo? De quantos volteios linguísticos se faz, tentadora, a nossa língua? </p>
<p><br class="spacer_" /></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/a-menina-e-a-galinha/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ela aí vem</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/ela-ai-vem/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/ela-ai-vem/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 May 2010 17:47:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=13356</guid>
		<description><![CDATA[                 Mãos postas em benção, Nossa Senhora sai à rua em Liquiçá. Carregada em braços pelos Liurais, chefes de tribo. No dia anterior tinham feito breves discursos entusiásticos no palco da festa da independência, agora vergam-se sob o peso da Senhora.  Envolta em cachecóis timorenses: a cada volta do caminho, as mulheres que esperam o passar da procissão vão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_13355" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-13355" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/ela-ai-vem/timor-20-maio-2002-067-2/"><img class="size-large wp-image-13355" title="timor 21 maio 2002 067" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-0671-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Liquiçá, 21 Maio 2002</p></div>
<p>                 Mãos postas em benção, Nossa Senhora sai à rua em Liquiçá. Carregada em braços pelos Liurais, chefes de tribo. No dia anterior tinham feito breves discursos entusiásticos no palco da festa da independência, agora vergam-se sob o peso da Senhora. </p>
<div id="attachment_13364" class="wp-caption alignright" style="width: 280px"><a rel="attachment wp-att-13364" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/ela-ai-vem/timor-maio-2002-082-3/"><img class="size-medium wp-image-13364 " title="Timor Maio 2002 082" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/Timor-Maio-2002-0822-300x450.jpg" alt="" width="270" height="405" /></a><p class="wp-caption-text">Os Liurais de Liquiçá</p></div>
<div class="mceTemp">
<div id="attachment_13365" class="wp-caption alignleft" style="width: 280px"><a rel="attachment wp-att-13365" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/ela-ai-vem/timor-20-maio-2002-071-2/"><img class="size-medium wp-image-13365 " title="timor 20 maio 2002 071" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-0711-300x450.jpg" alt="" width="270" height="405" /></a><p class="wp-caption-text">Os Liurais de Liquiçá</p></div>
</div>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p style="text-align: justify;">Envolta em cachecóis timorenses: a cada volta do caminho, as mulheres que esperam o passar da procissão vão oferecendo à Santa o enfeite-aconchego que trazem ao pescoço. Não sei se no final a Senhora Deles ainda se via, de tantas as oferendas.</p>
<div id="attachment_13361" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-13361" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/ela-ai-vem/timor-20-maio-2002-075-2/"><img class="size-large wp-image-13361" title="timor 21 maio 2002 075" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-0751-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Liquiçá, 21 Maio 2002</p></div>
<p style="text-align: center;">As mulheres e os anjinhos entoam cânticos lentos, os Liurais lançam-se em danças tribais ritmadas.  Misturam-se sons  de ritos tradicionais timorenses com outros de letras portuguesas católicas, heranças possíveis de missionários lusos. E cascos de cavalos.</p>
<p style="text-align: center;">(Sem mini-de-filmar, não fiquei com nada gravado, a não ser na mente: seria a música que poderia oferecer ao Diogo hoje aniversariante. Assim, só posso um filme estático e mudo, Diogo - mas eram sons muito bonitos). </p>
<p style="text-align: center;">                                                         <a rel="attachment wp-att-13369" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/ela-ai-vem/timor-maio-2002-083-2/"><img class="size-large wp-image-13369 aligncenter" title="Timor Maio 2002 083" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/Timor-Maio-2002-0831-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>           A história desta metade de ilha conta mais de 400 anos de domínio colonial português; três anos de ocupação japonesa durante a II Guerra Mundial; 24 de anexação indonésia, que terá resultado em cerca de 200 mil mortos.</p>
<p>Apesar, ou por causa, do esforço islamizante indonésio, a fé cristã sobrevive. Mais de 90 por cento da população é católica. <br class="spacer_" /></p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-13370" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/ela-ai-vem/timor-maio-2002-085/"><img class="size-medium wp-image-13370 aligncenter" title="Timor Maio 2002 085" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/Timor-Maio-2002-085-300x450.jpg" alt="" width="270" height="405" /></a></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>                          Há manifestações de fé diárias, nas missas, ou em dias marcados como as procissões.  Sejam elas conjugadas com expressões animistas ou outras,  são, acima de tudo, cerimónias de espiritualidade intensa.  E mostram que uma forte marca cultural timorense persiste, apesar das violentas e prolongadas interferências exteriores. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/ela-ai-vem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A espera</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/a-espera/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/a-espera/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 May 2010 12:25:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=13377</guid>
		<description><![CDATA[A caminho de Liquiçá Cedo o caminho começou a ficar atravancado. Não estava a imaginar este cenário. Serão pouco mais de 60 km entre Dili e Liquiçá, pela estrada estreita construída pelos portugueses. Mas com tanta gente e carro que se demoram mais de duas horas a chegar. Saí do carro onde ía à boleia e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><br class="spacer_" /></p>
<p><div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_13379" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a rel="attachment wp-att-13379" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/a-espera/timor-20-maio-2002-049-2/"><img class="size-large wp-image-13379" title="timor 20 maio 2002 049" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-0491-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">A caminho de Liquiçá</dd>
</dl>
<p>Cedo o caminho começou a ficar atravancado. Não estava a imaginar este cenário. Serão pouco mais de 60 km entre Dili e Liquiçá, pela estrada estreita construída pelos portugueses. Mas com tanta gente e carro que se demoram mais de duas horas a chegar.</p></div>
</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter"><a rel="attachment wp-att-13381" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/a-espera/timor-20-maio-2002-058-2/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-13381" title="timor 20 maio 2002 058" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-0581-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter">Saí do carro onde ía à boleia e sigo a pé pela estrada. Metro a metro há canas floridas a marcar o caminho, gente à espera debaixo das árvores ou em tectos improvisados.</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter"><a rel="attachment wp-att-13382" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/a-espera/timor-maio-2002-073/"><img class="aligncenter size-large wp-image-13382" title="Timor Maio 2002 073" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/Timor-Maio-2002-073-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter">Um homem vem a caminho lentamente. Quando me vê a tirar fotos, começa a correr para que a próxima já contenha o pequeno elemento mais importante.</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter"><a rel="attachment wp-att-13383" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/a-espera/timor-20-maio-2002-052/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-13383" title="timor 20 maio 2002 052" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-052-300x450.jpg" alt="" width="300" height="450" /></a></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter">A meio do caminho, cruzo-me com um grupo de militares portugueses, da missão de manutenção de paz do território, que se mantinha em Timor-Leste nesse Maio de 2002. O que segue à frente tem um nome que parece caído do céu para a ocasião.</div>
<div class="mceTemp mceIEcenter"><a rel="attachment wp-att-13385" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/a-espera/timor-maio-2002-074/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-13385" title="Timor Maio 2002 074" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/Timor-Maio-2002-074-300x450.jpg" alt="" width="300" height="450" /></a></div>
<p>                                     Chama-se Ressurreição.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/a-espera/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dia de festa</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/dia-de-festa/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/dia-de-festa/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 20 May 2010 12:51:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=13300</guid>
		<description><![CDATA[              É um país que sopra as velas. Timor-leste nasceu a 20 de Maio de 2002. E parece que a ilha inteira desceu a Díli para fazer nas ruas a festa da indepedência. Foi assim há 8 anos.               Eu andava nas ruas com uma mini-câmara de filmar, pessoas com mais de 60 anos vinham ter comigo e queriam gravar declarações patrióticas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>              É um país que sopra as velas. Timor-leste nasceu a 20 de Maio de 2002. E parece que a ilha inteira desceu a Díli para fazer nas ruas a festa da indepedência. Foi assim há 8 anos.</p>
<div id="attachment_13301" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-13301" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/dia-de-festa/timor-20-maio-2002-023/"><img class="size-large wp-image-13301" title="timor 20 maio 2002 023" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-023-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Dili, 20 Maio 2002, tc</p></div>
<p>              Eu andava nas ruas com uma mini-câmara de filmar, pessoas com mais de 60 anos vinham ter comigo e queriam gravar declarações patrióticas em português quase fluente. O que tinham sofrido para viver aquele dia. O valor de empunhar uma bandeira e exibi-la sem medo.</p>
<div id="attachment_13305" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><a rel="attachment wp-att-13305" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/dia-de-festa/timor-maio-2002-008/"><img class="size-large wp-image-13305 " title="Timor Maio 2002 008" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/Timor-Maio-2002-008-500x333.jpg" alt="" width="350" height="233" /></a><p class="wp-caption-text">Díli, 20 Maio 2002, tc</p></div>
<p>      Os jovens só falavam o bahasa indonésio, mas levantavam as cores do país como um coração ao alto.</p>
<div id="attachment_13303" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><a rel="attachment wp-att-13303" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/dia-de-festa/timor-20-maio-2002-065/"><img class="size-large wp-image-13303 " title="timor 20 maio 2002 065" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-065-500x333.jpg" alt="" width="350" height="233" /></a><p class="wp-caption-text">Timor-leste, 20 Maio 2002</p></div>
<p>             A máquina de filmar desmaiou com a humidade. As máquinas das fotos não. Tinha levado uma polaroid e andei a oferecer quadradinhos a todas as famílias que pude. Muitos nunca se tinham visto num retrato. Riram muito quando se viram a aparecer lentamente no cartão brilhante.</p>
<div id="attachment_13306" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><a rel="attachment wp-att-13306" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/dia-de-festa/timor-20-maio-2002-035-2/"><img class="size-large wp-image-13306 " title="timor 20 maio 2002 035" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/timor-20-maio-2002-0351-500x333.jpg" alt="" width="350" height="233" /></a><p class="wp-caption-text">Díli, 20 Maio 2002, tc</p></div>
<p>E ficaram com um registo em papel deste dia, que há-de, espero, desbotar mais cedo que a memória.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-13308" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/dia-de-festa/timor-maio-2002-034/"><img class="aligncenter size-large wp-image-13308" title="Timor Maio 2002 034" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/Timor-Maio-2002-034-500x333.jpg" alt="" width="350" height="233" /></a></p>
<div>                 (E se as que vos mostro parecem já esborratadas é porque em 2002 o digital para mim não existia, o scanner também não, e estas são fotos de fotos, duplicadas a partir do meu álbum de recordações). </div>
<p>                  O que sobreviverá deste dia nestas pessoas?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/dia-de-festa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O amanhecer no Ramelau #05</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-05/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-05/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 19 May 2010 20:24:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=13255</guid>
		<description><![CDATA[             Um dia e meio de voo. Lisboa, Londres, Singapura, Indonésia. Em Bali, muita gente no aeroporto. A ocasião é de enchentes. À espera do voo para Díli, encontro um jornalista português da velha guarda que admiro e gosto muito. É uma das minhas referências e pai de dois amigos meus. Presença frequente em Timor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-13257" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-05/timor-maio-2002-118-2/"><img class="aligncenter size-large wp-image-13257" title="Timor Maio 2002 118" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/Timor-Maio-2002-1181-500x333.jpg" alt="" width="450" height="300" /></a><br class="spacer_" /></p>
<p>             Um dia e meio de voo. Lisboa, Londres, Singapura, Indonésia. Em Bali, muita gente no aeroporto. A ocasião é de enchentes. À espera do voo para Díli, encontro um jornalista português da velha guarda que admiro e gosto muito. É uma das minhas referências e pai de dois amigos meus. Presença frequente em Timor desde a invasão indonésia, não podia faltar na data máxima que se aproxima.</p>
<p>             Estou de férias, mas carregada de material fotográfico e uma pequena câmara de filmar. Quero registar tudo o que se vai passar. Se puder, também o regresso do Adelino.</p>
<p>             Quando sobrevoamos a ilha do crocodilo, espreita pela janela, aponta e nomeia com entusiasmo os sítios que reconhece. Depois encosta-se, a voz emociona-se:</p>
<p>             — Timor é bonito. E eu já vi coisas muito bonitas. Mas quando casei, o que queria oferecer à minha mulher era um amanhecer no pico do Ramelau.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-05/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O amanhecer no Ramelau #04</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-04/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-04/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 19 May 2010 17:18:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=13232</guid>
		<description><![CDATA[           Do outro lado da linha há um silêncio humedecido:            — Vais para Timor?           — Vou, pai. Não posso faltar ao grande acontecimento. Já perdi demais. Agora é a História a nascer. E é a sua história. Quero fotografar outra vez as suas fotografias, 40 anos depois. Acha que vou conseguir encontrar os sítios? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-13233" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-04/timor-maio-2002-067/"><img class="aligncenter size-large wp-image-13233" title="Timor Maio 2002 067" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/Timor-Maio-2002-067-500x333.jpg" alt="" width="450" height="300" /></a></p>
<p>           Do outro lado da linha há um silêncio humedecido:</p>
<p>           — Vais para Timor?</p>
<p>          — Vou, pai. Não posso faltar ao grande acontecimento. Já perdi demais. Agora é a História a nascer. E é a sua história. Quero fotografar outra vez as suas fotografias, 40 anos depois. Acha que vou conseguir encontrar os sítios?</p>
<p>            Eu a distraí-lo com retórica. Percebo que se senta. Não é só pela convocação de recordações. Sei que sou uma filha imprópria para pais pacatos. Além de preferir nas férias sítios que as agências de viagem não recomendam, já suportaram comigo um catálogo de sarilhos no Médio Oriente, uma ameaça terrorista no Níger, dois golpes de estado na Guiné. Ía sempre em missão de paz, saía (quase) sempre emissão guerreira. Mas foi em trabalho, papá, que podia eu fazer?</p>
<p>            O pai suspira. Entende que esta viagem também será trabalho, não lhe retiro a ilusão. Quero que se concentre na minha vontade de lhe oferecer uma memória refrescada a cores. E pela primeira vez, agora, conta-me alguns episódios da experiência timorense. No primeiro grupo de militares destacados, em 1959. Recebem um obscuro título lírico: Companhia de Caçadores? Mais de dois anos em Díli. Aileu, Ermera, as montanhas. O que escolhe para relatar são encontros com nativos, missões de charme, oferendas, jangadas de pescadores, marchas na floresta. Como se abrisse um poço de ternura. E memórias turísticas.  </p>
<p>             - Mas de tudo, sabes, não há nada mais bonito do que…</p>
<p>             - Eu sei, pai, eu lembro-me.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-04/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O amanhecer no Ramelau #03</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-03/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-03/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 19 May 2010 16:33:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=13225</guid>
		<description><![CDATA[              Nunca consegui desatar-lhe os silêncios sobre esse tempo em que Portugal se estendia do Minho a Timor. Ao longo dos anos, fui tentando com viagens preencher alguns espaços em branco. Não era atitude consciente. Mesmo sem planear conheci, além da minha África, quase toda aquela onde ele esteve. Nem por isso me falou dela. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-13224" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-03/portugal-do-minho-a-timor/"><img class="aligncenter size-large wp-image-13224" title="portugal do minho a timor" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/portugal-do-minho-a-timor-500x333.jpg" alt="" width="400" height="266" /></a></p>
<p>              Nunca consegui desatar-lhe os silêncios sobre esse tempo em que Portugal se estendia do Minho a Timor. Ao longo dos anos, fui tentando com viagens preencher alguns espaços em branco. Não era atitude consciente. Mesmo sem planear conheci, além da minha África, quase toda aquela onde ele esteve. Nem por isso me falou dela. Até me faltar, sem Angola, apenas o país mais longínquo no seu percurso. E o mais enigmático.</p>
<p>              300 km de distância separam-nos agora. Com telefone separam-nos três segundos:</p>
<p>              “Pai? Desta vez tem mesmo de ser. Vou a Timor”.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-03/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O amanhecer no Ramelau #02</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-02/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-02/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 18 May 2010 12:54:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=13150</guid>
		<description><![CDATA[           Já aqui o disse: tudo o que conheci da guerra foram os intervalos.            Não disse: E as fotografias (um outro nome para intervalos?)            Tão pequeninas que quase era preciso lupa para reconhecer as pessoas nelas. Chamava-lhe as provas. Mais pareciam pistas, traços de passagem. Algumas em álbuns, outras em envelopes, raras indicavam lugar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><a rel="attachment wp-att-13152" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-02/fotos-timor-1/"><img class="size-medium wp-image-13152 aligncenter" title="fotos timor 1" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/fotos-timor-1-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></strong></p>
<p>           Já aqui o disse: tudo o que conheci da guerra foram os intervalos.</p>
<p>           Não disse: E as fotografias (um outro nome para intervalos?)</p>
<p>           Tão pequeninas que quase era preciso lupa para reconhecer as pessoas nelas. Chamava-lhe as provas. Mais pareciam pistas, traços de passagem. Algumas em álbuns, outras em envelopes, raras indicavam lugar ou data. Grupos fardados, companheiros de bicicleta, ele rodeado de meninos, uma igreja com mar. Há uma com duas mulheres de vestidos floridos, a minha mãe enervava-se sempre que a descobria repetida em mais um envelope. “Guarda essa, ainda se perde…” Atrás, a tinta permanente: Aileu, 1960. Nessa data ainda faltava muito para se casarem. Mas os ciúmes conhecerão datas? </p>
<p>            Naqueles dias, eu pegava nos quadrados a preto e branco e fazia um aeroporto e este quadrado aqui já era um avião a levantar, e outro era um pato e outro um lago, e mais outro um avental para uma menina desenhada a lápis.   </p>
<p>            Não havia quadrado para a frase mais repetida, “O amanhecer no Ramelau foi das coisas mais bonitas que vi na vida”, mas é aquele que lembro mais nítido. Letra a letra, para cada uma um degrau de sol sem fim à vista. As outras eram fotografias sem legenda, o Ramelau era uma legenda sem fotografia.          </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-02/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O amanhecer no Ramelau  # 01</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-01/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-01/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 18 May 2010 02:16:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=13138</guid>
		<description><![CDATA[            Ele fica quieto, numa terra que é só dele, horizonte no olhar. Tantas vezes. ­Conheço-lhe desde sempre este olhar mudo. O mar em frente protege-o: quem não se embala a olhar o mar? Mas às vezes o mar em frente é de pinheiros ou laranjeiras ou hera na parede. E o mesmo olhar.           Da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><a rel="attachment wp-att-13140" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-01/linha-2/"><img class="aligncenter size-large wp-image-13140" title="linha" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/05/linha1-500x333.jpg" alt="" width="400" height="266" /></a></strong></p>
<p><strong> </strong>           Ele fica quieto, numa terra que é só dele, horizonte no olhar. Tantas vezes. ­Conheço-lhe desde sempre este olhar mudo. O mar em frente protege-o: quem não se embala a olhar o mar? Mas às vezes o mar em frente é de pinheiros ou laranjeiras ou hera na parede. E o mesmo olhar.</p>
<p>          Da sua involuntária geografia viajada nunca falou senão por episódios anedóticos e definitivos. Tantas vezes olhei os mapas a desenhar sem caneta as linhas por onde os navios deviam ter passado. E os portos onde o teriam deixado.</p>
<p>          Tentei adivinhar-lhe os passos de botas cardadas, as pernas camufladas, os medos. Ele dizia sempre: a guerra não é para meninas. E tudo o que conheci da guerra foram os intervalos.</p>
<p>          Desses nunca esqueci um olhar nascente e a frase repetida:</p>
<p>         — O amanhecer no Ramelau foi das coisas mais bonitas que já vi na vida.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/05/o-amanhecer-no-ramelau-01/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>António Gedeão</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/04/antonio-gedeao/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/04/antonio-gedeao/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 23:49:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Queridos Mortos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?page_id=12017</guid>
		<description><![CDATA[           Foi por causa de um poema. Um sozinho. Quando o recito em voz alta, muito convicta, como quem conta uma história, extraio alguns sorrisos e perplexidades ( — que terá visto ela nisto?). Acho que nunca encontrei ninguém que o tivesse lido ou escutado, ou se lembrasse dele. Eu sei que é um poema curtinho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>           Foi por causa de um poema. Um sozinho. Quando o recito em voz alta, muito convicta, como quem conta uma história, extraio alguns sorrisos e perplexidades ( — que terá visto ela nisto?). Acho que nunca encontrei ninguém que o tivesse lido ou escutado, ou se lembrasse dele. Eu sei que é um poema curtinho e menor, comparado com os outros dele que tantas vezes se ouviram e foram cantados. Tantas vezes que se tornaram banais.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-12008" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/04/antonio-gedeao/fotos-tc-dragao-275/"><img class="aligncenter" title="fotos tc dragão 275" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/04/fotos-tc-dragão-275-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>             Não foi por causa da edição da Poesia Completa, com desenhos de Júlio Pomar (que continua firme cá em casa no lugar de uma partitura de música). Gosto tanto desta edição, os desenhos que não foram feitos para estes poemas somam-lhes tanto. Conheci-o em edição prosaica e, na altura pré-adolescente em que descobri a escrita de António Gedeão, aquelas pontes poéticas entre ciência e vida comum abanaram-me. O segredo científico da lágrima era o cloreto de sódio, e assim se inutilizava o racismo; no íntimo do sonho estava a cisão do átomo, o radar, a geradora, o foguetão que desembarca na superfície lunar, liguei o poema ao Tintin, e ir dormir era a certeza de grandes aventuras sonhadas.</p>
<p>             Nunca soube nem fazia ideia, na altura em que li, de quem eram os Eles que <em>não sabem nem sonham que o sonho comanda a vida</em> da “Pedra Filosofal” de 1956. Nunca imaginei o poema como bandeira de luta para a geração reprimida, um tão aparentemente doce a dar força aos que se atormentavam com uma ditadura e guerra colonial intermináveis.  E durante a adolescência acabei por embirrar com as canções feitas para os poemas, com as rimas, com isto ou aquilo.</p>
<p>               Também demorei a saber que era Rómulo de Carvalho, cientista, professor, quem escrevia com outra assinatura. Chamou ao Homem um <em>animal aflito</em> e publicou o primeiro livro apenas aos 50 anos. E reencontrei-o nesta edição do ano da morte de António Gedeão, 1997, e reconciliei-me. Voltei a comover-me com os poemas que me tinham tocado aos 10 anos. E revi aquele, velho amigo, que tanto me surpreendeu naquele tempo.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-12011" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/04/antonio-gedeao/fotos-tc-dragao-263/"><img title="fotos tc dragão 263" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/04/fotos-tc-dragão-263-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">António Gedeão, 1967</p></div>
<p>              É por causa deste texto que aqui convoco o poeta. O poema do poste revelou-me o que mais nenhum conseguiu: a descoberta científica dos locais secretos onde se escondem os dragões. E a cor verdadeira dos terríveis bichos: entre o ferro e a tinta verde, era uma cor muito difícil de fazer, porque fugia, rutilante-cintilante. Lembro-me de tentar desenhos elaborados das escamas e da cauda pontiaguda e sem fim. E de ter passado a olhar com um respeito muito alto para os postes.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-12012" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/04/antonio-gedeao/poste-dragao-tc-004/"><img class="aligncenter" title="poste-dragão tc 004" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/04/poste-dragão-tc-004-300x450.jpg" alt="" width="210" height="315" /></a></p>
<p>              Não me safei: mais de uma vez distraí-me em busca de flores que não estavam lá e esbarrei no poste. E os embates comprovaram-me sempre a verdade do poema: o dragão escondido lançava-me fogo intenso na testa, antes de desaparecer, rutilante-cintilante.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>                         Teresa  Conceição                                                                              </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/04/antonio-gedeao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>15</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O poste e o dragão</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/04/o-poste-e-o-dragao/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/04/o-poste-e-o-dragao/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 23:01:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=11998</guid>
		<description><![CDATA[           É um delicado, científico e poético lança-chamas que está quase a nascer-morrer aqui mesmo ao lado. De ferro e tinta verde. Podia chamá-lo Podrageão ou Drageoste. Podia, mas não servia de nada. Quem será?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-12001" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/04/o-poste-e-o-dragao/poste-dragao-tc-012/"><img class="size-medium wp-image-12001 aligncenter" title="poste-dragão tc 012" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/04/poste-dragão-tc-012-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>           É um delicado, científico e poético lança-chamas que está quase a nascer-morrer aqui mesmo ao lado. De ferro e tinta verde. Podia chamá-lo Podrageão ou Drageoste. Podia, mas não servia de nada. <a href="http://www.etudogentemorta.com/cemiterio/antonio-gedeao/">Quem será</a>?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/04/o-poste-e-o-dragao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>13</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Digressão 03</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/03/a-digressao-03/</link>
		<comments>http://www.etudogentemorta.com/2010/03/a-digressao-03/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Mar 2010 22:05:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teresa Conceição</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.etudogentemorta.com/?p=10642</guid>
		<description><![CDATA[                Indo eu, indo eu, à procura de veículo para transporte da Banda durante o tour…                 …encontrei esta Tata, à saída de Katmandu, no caminho para Lucknow (indício sem dúvida auspicioso). Inspiradora de amorosas sinfonias e canções, espaçosa quanto baste para acomodar alegres baixistas, trompetes infernais, tamboretes e vulcões. Contando que a metafísica não ocupe muito espaço, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-10639" href="http://www.etudogentemorta.com/2010/03/a-digressao-03/tata-005-3/"><img class="aligncenter size-large wp-image-10639" title="TATA 005" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/03/TATA-0052-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>                Indo eu, indo eu, à procura de veículo para transporte da Banda durante o tour…</p>
<p>                …encontrei esta Tata, à saída de Katmandu, no caminho para Lucknow (indício sem dúvida auspicioso). Inspiradora de amorosas sinfonias e canções, espaçosa quanto baste para acomodar alegres baixistas, trompetes infernais, tamboretes e vulcões. Contando que a metafísica não ocupe muito espaço, que os Coros Celestiais não se encham de <em>barrigas de freira</em>, e que o fogo de artifício vá dando brado pelo caminho. Além disso, se chover e precisarmos de tecto, poderemos sem dúvida contar com eugeniais feitiços para afastar gotas indesejáveis.</p>
<p>              Quanto à decoração, pode sempre alterar-se a ordem dos factores, acrescentar interrogações…ou ultrapassá-la. Pela direita, pois claro.</p>
<p>             E seguir em frente e procurar novo pópó, porque não?</p>
<p>            Até porque não estava à espera do tamanho e da quantidade de instrumentos tocados por nosso <strong>Ruy e Trio Vasconcelllos</strong>, descobertos aqui  mais abaixo por nosso VG. Mas Vasco, onde é que se arranja espaço para um Espacial Gerador Harmónico ou uma Máquina de Ressonância Sequencial, ou mesmo para uma Harpa Rotativa? Para já não falar do Radar Acústico (acho que vou ter de requerer um aumento para o meu orçamento ilimitado!)</p>
<p>               O concurso para transporte da Banda está pois aberto: aceitam-se inscrições. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.etudogentemorta.com/2010/03/a-digressao-03/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>10</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

