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	<title>É tudo gente morta &#187; Francisco Feijó Delgado</title>
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		<title>Forte</title>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 04:37:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[In line, in line, it’s all in line. My ducks are all in a row. They do not change, they do not move. They have nowhere to go.   Diz-se que a melhor coisa que se pode ter na vida são os filhos. Gerar uma vida. Criar uma vida. Dar de nós uma parte que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/05/sem-nome.png"><img class="aligncenter size-large wp-image-27715" title="sem nome" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/05/sem-nome.png" alt="" width="500" height="351" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-size: x-small;">In line, in line, it’s all in line.<br />
My ducks are all in a row.<br />
They do not change, they do not move.<br />
They have nowhere to go.</span></em></p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Diz-se que a melhor coisa que se pode ter na vida são os filhos. Gerar uma vida. Criar uma vida. Dar de nós uma parte que há-de ficar, que nos perpetua um bocadinho mais. E que tudo faz sentido depois, ou se não faz, já não sei bem, pelo menos passa-se a reconhecer que nada mais vale, verdadeiramente, a pena. Que até os mais monstruosos homens o reconhecem, mais tarde ou mais cedo. <em>Tretas</em>. Senão como estaria eu, aqui, a guiar esta soberba máquina? O mundo é dos fortes.</p>
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		<title>Comparações</title>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2011 17:48:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[Dizem que uma discussão acaba quando alguém faz uma comparação com Hitler e/ou a Segunda Guerra Mundial. Eu percebo: ninguém é tão malvado como o senhor do bigode. Toda a gente caiu em cima de Catroga por ter usado Hitler numa comparação sobre demagogia envolvendo o nosso PMd. Claro, não estava a dizer que Sócrates [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dizem que uma discussão acaba quando alguém faz uma comparação com Hitler e/ou a Segunda Guerra Mundial. Eu percebo: ninguém é <em>tão</em> malvado como o senhor do bigode. Toda a gente caiu em cima de Catroga por ter usado Hitler numa comparação sobre demagogia envolvendo o nosso PMd. Claro, não estava a dizer que Sócrates era um <em>mass-murdering fuck-head</em> [<a name="back"></a><a href="#ref">1</a>], apenas o óbvio: o facto de se ter apoio de multidões não faz da pessoa uma boa pessoa, ou melhor pessoa. A ficar ofendidos, os senhores jornalistas e o público em geral deveriam criticar o facto de Catroga ter insultado a capacidade de escolha dos nossos concidadãos, já que é óbvio que os alemães provaram estar rotundamente errados ao ajudar Hitler a chegar ao poder (na última eleição antes de serem banidos os partidos políticos que não o NSDAP, este obteve 43,9% dos votos, e o segundo partido mais votado apenas 18,3%).</p>
<p>Mas não estou aqui nem para defender Catroga, nem para discutir os méritos ou deméritos da opinião pública já que analizar as perfeições e imperfeições da Democracia não é tarefa fácil. Apenas para dizer que há muitas e boas comparações que se podem fazer com o período da Alemanha Nazi e da ascenção ao poder daquele que viria a ser o Führer. A história é fascinante: a manipulação das massas, a deturpação do sistema democrático, a provocação e remoção dos adversários políticos e finalmente, o permear de ideais detestáveis numa sociedade moderna. Hitler nasceu de entre uma democracia — com contexto, é certo, e muito doente, mas democracia, <em>nonetheless</em>.</p>
<p>Talvez não se goste destas comparações por pudor, por ferir susceptibilidades, ou por muitas vezes cairem na parvoíce. Mas acho que a grande maioria é por falta de conhecimento. Assim deixo aqui três livros sobre o assunto, para que possam fazer comparações informadas.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>1.</strong> <a href="http://www.fnac.pt/Hitler-Uma-Biografia-Ian-Kershaw/a273092">Hitler</a>, Ian Kershaw — Uma das mais recentes biografias, adaptada dos dois volumes académicos publicados por Kershaw em finais da década de noventa. Fascinante retrato de um homem, político e demagogo brilhante, que era sobretudo um jogador — alucinado, é certo, e obstinado, mas um jogador para quem, a todo o momento, ou era tudo, ou nada. A súbida ao poder é um autêntico filme de acção e intriga. E para quem tem interesse, todos os bastidores da Segunda Grande Guerra. Há também a biografia por John Toland, que não li, mas muito bem cotada, e ainda <a href="http://www.gooshbe.de/upload/files/BOOKS/Shirer_William_L_-_The_Rise_And_Fall_Of_The_Third_Reich_-_A_History_Of_Nazi_Germany_-.pdf">The Rise and Fall of The Third Reich</a>, por um jornalista americano, William Shirer, que presenciou <em>in loco</em> a chegada dos nazis ao poder. Não recomendo, no entanto, a tradução portuguesa: a qualidade de algumas partes é bastante pobre.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>2.</strong> <a href="http://www.fnac.pt/Historia-de-um-Alemao-Memorias-1914-1933-SEBASTIAN-HAFFNER/a54539">A História de um Alemão</a>, Sebastian Haffner — A subida ao poder dos nazis vista por um jovem em vias de se tornar advogado. Um cidadão comum, não judeu, que viveu a ascenção de Hitler e decidiu exilar-se em Inglaterra em 1938, onde se tornou jornalista. O livro nasce de um manuscrito inacabado, descoberto pelo filho de Haffner após a sua morte.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>3.</strong> <a href="http://www.wook.pt/ficha/eichmann-em-jerusalem/a/id/5101633">Eichmann em Jerusalem</a>, Hannah Arendt — Reportagem feita pela filósofa judia aquando do processo de Eichmann em Israel. Além do ensaio acerca da natureza humana do <em>tecnocrata</em> da Solução Final, merece a pena a discussão sobre o papel dos judeus e da sua comunidade perante o cataclismo que sobre eles se abatia.</p>
<p>Deixo três perspectivas: a do homem que operou as alavancas da história, a de um homem normal que assistiu ao que se passava e a das vítimas do massacre organizado, que, embora com total apoio, não foi um dos empenhos a que Hitler mais se dedicou, mas que só foi possível de florescer na sociedade que ele moldou.</p>
<p> </p>
<p><small>[<a name="ref"></a><a href="#back">1</a>] — Eddie Izzard, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=kpcxfsjIIbM">Dress to Kill</a></small></p>
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		<title>Agora eu</title>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2011 04:38:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[disclaimer: eu leio muito pouco. de menos. porque leio muito devagar, por ser preguiçoso, por  me distrair com coisas menores, sei lá. e assusta-me porque há tanta coisa que devia ler, que tenho de ler. a matemática da coisa é aterradora, não sei se por haver livros a mais, se por vivermos tempo de menos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><small><strong>disclaimer</strong></small>: eu leio muito pouco. de menos. porque leio muito devagar, por ser preguiçoso, por  me distrair com coisas menores, sei lá. e assusta-me porque há tanta coisa que devia ler, que <em>tenho</em> de ler. a matemática da coisa é aterradora, não sei se por haver livros a mais, se por vivermos tempo de menos. assim, esta minha lista vale o que vale, que é muito pouco, mas como um blog também é um pouco o espelho do que somos, cá vai.</p>
<p> </p>
<p><strong>1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?</strong></p>
<p>Provavelmente, mas ainda tenho tantos para ler, daqueles mesmo mesmo essenciais à sobrevivência humana, que não pensei ainda em reler nenhum.</p>
<p><strong>2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?</strong></p>
<p>Pelo menos o Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura do Lobo Antunes e o The Naked and The Dead, do Norman Mailer. Mas esse ainda estou na fase do tentar recomçar.</p>
<p><strong>3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?</strong></p>
<p>Não tenho arcaboiço para sequer começar pensar nisso.</p>
<p><strong>4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?</strong></p>
<p>A grande maioria dos clássicos. E por clássicos digo todos os que valem a pena dos gregos ao início do século XX.</p>
<p><strong>5. Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?</strong></p>
<p>Acho que não é bem a cena final, mas quase: aquela do 1984 em que Orwell demonstra que nem mesmo a nossa mente é refúgio seguro o suficiente.</p>
<p><strong>6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?</strong></p>
<p>Acho que o que me deu mais gozo foi — devido aos atrasos na tradução — ler o Tintin, à medida que os livros iam saindo, como se o Hergé os estivesse a escrever. Conta?</p>
<p><strong>8. Indica alguns dos teus livros preferidos.</strong></p>
<p>Lá está, acho que não tenho estaleca para coisas destas, mas estes dois gostei muito — são incrivelmente deprimentes: O Meu Michael do Amos Oz; Fiesta, The Sun Also Rises do Hemingway.</p>
<p><strong>9. Que livro estás a ler neste momento?</strong></p>
<p>The Plausibility of Life: Resolving Darwin’s Dilemma, Marc Kirschner; The Wizard of Lies: Bernie Madoff and the Death of Trust, Diana Henriques; The Rise and Fall of the Third Reich, William Shirer; Ten Days that Shook the World, John Reed (curiosamente, dois jornalistas americanos que estavam <em>lá</em>) e To Kill a Mocking Bird,  Harper Lee, mas este ainda só está na cabeceira.</p>
<p> </p>
<p>Agora mistério, mistério — ou mesmo consipiração — que fizeram à pergunta 7?</p>
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		<title>Short Film</title>
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		<pubDate>Sun, 08 May 2011 09:03:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[Como é que os outros nos olham? Aqueles que vivem do lado de lá da fronteira. Que conhecem o nosso nome, mas nunca nos visitaram. Aqueles que cresceram em países onde em tempos lá estivemos, ou aqueles que, pela geografia, nada têm que ver connosco. E que influência tem isso na maneira em que vivemos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_27861" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://vimeo.com/15733694"><img class="size-large wp-image-27861" title="ronaldo" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/05/ronaldo-500x278.png" alt="" width="500" height="278" /></a><p class="wp-caption-text">Ronaldo {legenda2}Jan Mettler{/legenda2}</p></div>
<p>Como é que os outros nos olham? Aqueles que vivem do lado de lá da fronteira. Que conhecem o nosso nome, mas nunca nos visitaram. Aqueles que cresceram em países onde em tempos lá estivemos, ou aqueles que, pela geografia, nada têm que ver connosco. E que influência tem isso na maneira em que vivemos, até que modo moldam quem somos?</p>
<p>Há umas semanas fui ao festival de curtas europeias no MIT. Havia uma participação portuguesa (<em>Nenhum Nome</em> de Gonçalo Waddington) que não cheguei a ver. Mas os dois filmes que abriam o festival era inspirados por nós: <em><a href="http://www.inspiracao.fr/">Inspiração</a></em> da francesa Elodie Rivalan (apenas o <em>trailer</em> está disponível) e o <em><a href="http://vimeo.com/15733694">Ronaldo</a></em>, acima, pelo suiço Jan Mettler (curta completa).</p>
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		<title>Salvador Dali</title>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 06:40:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Queridos Mortos]]></category>

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		<description><![CDATA[As obras importam claro. E gosto bastante delas, embora, confesso, de entre os surrealistas, prefira os quadros de Magritte ou as esculturas de Giacometti. Mas de Salvador Dali invejo uma coisa: a capacidade de manipulação do público. Perante uma obra de Dali, não somos nós que lançamos o olhar sobre ela, mas é ele, Dali, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2oogkhSKr18?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/2oogkhSKr18?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>As obras importam claro. E gosto bastante delas, embora, confesso, de entre os surrealistas, prefira os quadros de Magritte ou as esculturas de Giacometti.</p>
<p>Mas de Salvador Dali invejo uma coisa: a capacidade de manipulação do público. Perante uma obra de Dali, não somos nós que lançamos o olhar sobre ela, mas é ele, Dali, que nos envolve na teia cuidadosamente urdida. As suas criações tendem a transcender o material físico que as compõem — dirão que toda a arte assim o é — mas de Dali vem sempre uma grande obra teatral, uma construção excêntrica e meticulosamente preparada. O expoente máximo talvez seja o Teatro-Museu em Figueres, sua terra vital, onde todo o visitante cai como uma presa desorientada nos detalhes daquela grande história que Dali nos conta.</p>
<blockquote><p><em>“¿Dónde si no en mi ciudad ha de perdurar lo más extravagante y sólido de mi obra, dónde si no? El Teatro Municipal, lo que quedó de él, me pareció muy adecuado y por tres razones: la primera, porque soy un pintor eminentemente teatral; la segunda, porque el Teatro está justo delante de la iglesia en que fui bautizado; y la tercera, porque fue precisamente en la sala del vestíbulo del Teatro donde expuse mi primera muestra de pintura.”</em></p></blockquote>
<p>As tiradas de Dali são famosas e sobejamente recontadas — <em>the nerve</em>. Genial para muitos, a verdade é que como excêntrico Dali, até nisso, teve algumas particularidades originais, entre as quais o facto de ter tido Gala sempre na sua vida e de não ter morrido cedo. Talvez porque <em>soy muy mal pintor por la razón de que soy demasiado inteligente para ser buen pintor</em>. Fez da sua arte fortuna, e embora não tenha sido tão bem sucedido nesse domínio como Warhol, foi igualmente um mestre no que toca ao <em>savoir-être</em> mediático.</p>
<p>Mas a sua presença ficou e sente-se em cada uma das suas obras. Há que, no entanto, ir a Figueres e, aí sim, sentir inveja de alguém que nos deixa indefesos e tão bem nos consegue manipular, com uns cordéis invisíveis, com um talento enorme.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sailing with a Spencer</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Apr 2011 09:28:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[To form an Administration of this scale and complexity is a serious undertaking in itself, but it must be remembered that we are in the preliminary stage of one of the greatest battles in (our) history. (…) In this crisis I hope I may be pardoned if I do not address the House at any [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>To form an Administration of this scale and complexity is a serious undertaking in itself, but it must be remembered that we are in the preliminary stage of one of the greatest battles in (our) history. (…)</p>
<p>In this crisis I hope I may be pardoned if I do not address the House at any length today. I hope that any of my friends and colleagues, or former colleagues, who are affected by the political reconstruction, will make allowance, all allowance, for any lack of ceremony with which it has been necessary to act. I would say to the House, as I said to those who have joined this government: “I have nothing to offer but blood, toil, tears and sweat.” (…)</p>
<p>We have before us an ordeal of the most grievous kind. We have before us many, many long months of struggle and of suffering. You ask, what is our policy? (…) I can answer in one word: It is victory, victory at all costs, victory in spite of all terror, victory, however long and hard the road may be; for without victory, there is no survival.</p>
<p style="text-align: right;"><a href="https://www.winstonchurchill.org/learn/speeches/speeches-of-winston-churchill/92-blood-toil-tears-and-sweat">Winston Churchill</a><br />
<span style="font-size: small;">13 de Maio de 1940</span></p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Next Stop Atlantic</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 08:11:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[          Quando o descartar da imponência é tão ligeiro como a inevitável naturalidade inevitável da vida. Next Stop Atlantic, do norte-americano Stephen Mallon.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/Screen-shot-2011-03-24-at-21.44.38-.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-26815" title="Screen shot 2011-03-24 at 21.44.38" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/Screen-shot-2011-03-24-at-21.44.38-.png" alt="" width="479" height="962" /></a></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/Screen-shot-2011-03-24-at-21.45.01-.png"><img class="aligncenter size-large wp-image-26816" title="Screen shot 2011-03-24 at 21.45.01" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/Screen-shot-2011-03-24-at-21.45.01--500x336.png" alt="" width="500" height="336" /></a></p>
<p> </p>
<p><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/Screen-shot-2011-03-24-at-21.45.01-.png"></a><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/Screen-shot-2011-03-24-at-21.46.26-.png"><img class="aligncenter size-large wp-image-26818" title="Screen shot 2011-03-24 at 21.46.26" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/Screen-shot-2011-03-24-at-21.46.26--500x346.png" alt="" width="500" height="346" /></a></p>
<p> </p>
<p><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/Screen-shot-2011-03-24-at-21.45.38-.png"><img class="aligncenter size-large wp-image-26817" title="Screen shot 2011-03-24 at 21.45.38" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/Screen-shot-2011-03-24-at-21.45.38--500x327.png" alt="" width="500" height="327" /></a></p>
<p>Quando o descartar da imponência é tão ligeiro como a inevitável naturalidade inevitável da vida. <a href="http://stephenmallon.com/#/Photography/Next%20Stop%20Atlantic/1/thumbs">Next Stop Atlantic</a>, do norte-americano Stephen Mallon.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Recauchetagem “A Resistente”</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/04/recauchetagem-a-resistente/</link>
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		<pubDate>Mon, 11 Apr 2011 22:51:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[Recauchetagem “A Resistente”, Lisboa, Portugal — Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933–1983. Tenho parado pouco por esta casa (com boas razões, asseguro), mas deixo uma fotografia que talvez seja de utilidade, nos tempos que se avizinham. Do bom arquivo da Biblioteca de Arte-Fundação Calouste.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_26808" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/5608973157_3c0daaf22a_z.jpg"><img class="size-medium wp-image-26808 " title="CFT003 004829 002" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/04/5608973157_3c0daaf22a_z-300x410.jpg" alt="" width="300" height="410" /></a><p class="wp-caption-text">Recauchetagem “A Resistente”</p></div>
<p><em>Recauchetagem “A Resistente”, Lisboa, Portugal</em> — Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933–1983.</p>
<p>Tenho parado pouco por esta casa (com boas razões, asseguro), mas deixo uma fotografia que talvez seja de utilidade, nos tempos que se avizinham. Do bom arquivo da <a href="http://www.flickr.com/photos/biblarte/">Biblioteca de Arte-Fundação Calouste</a>.</p>
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		<title>Seremos?</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Mar 2011 21:39:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[“Os ateus não entram nesta história: vão colados aos crentes porque crentes como os crentes são”.  Assim acabou o Manuel o seu texto de resposta ao Gonçalo, que o Ateísmo é mais um credo, perfeitamente anti-paralelo à crença no divino. Talvez o tenha sido e continue a ser para muitos, mas a verdade é que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Os ateus não entram nesta história: vão colados aos crentes porque crentes como os crentes são</em>”.  Assim acabou o Manuel o seu <a href="http://www.etudogentemorta.com/2011/02/os-descrentes-estao-em-risco/">texto</a> de resposta ao Gonçalo, que o Ateísmo é mais um credo, perfeitamente anti-paralelo à crença no divino. Talvez o tenha sido e continue a ser para muitos, mas a verdade é que os pratos da balança têm vindo a alterar-se. Eu defendo que há condições para assim já não ser; o meu ateísmo não é uma fé.</p>
<p>Antes de começar, quer no entanto dizer que posso vir a passar por arrogante neste <em>post</em>. Voltarei a essa questão, mais tarde, mas peço, por antecipação, desculpas. Talvez a minha (de)formação profissional, talvez a minha falta de experiência neste mundo. Poderei parecer arrogante, mas tentarei justificar-me, não julgo sofrer da arrogância científica descrita, entre outros, por Onésimo Almeida no seu “De Marx a Darwin”.</p>
<p><em>“A crença em Deus é um apetrecho vigoroso, uma enzima que nos dinamiza.”</em> Estamos longe de o provar, mas é uma hipótese com cabimento, aquela o Manuel enunciou: a ideia do sagrado e do divino, não passarem de um mero instrumento evolutivo. Teria surgido com o aparecimento de uma capacidade distinta do homem primitivo: a de possuir um cérebro poderosíssimo, uma consciência que parece suplantar as dos demais organismos vivos, pelo menos aqui na Terra.</p>
<p>Não só o homem tem uma maior consciência de si e dos outros, como do mundo em que o rodeia. O tal cérebro poderoso terá começado a criar problemas a ele próprio: como qualquer “tecnologia” pode se usado para vários fins, uns bons, outros maus. E esses problemas foram os que decorreram dessa maior percepção: as questões de foro psicológico e íntimo, bem como o despertar da consciência (no sentido de <em>awareness </em>e não de <em>conscience</em>) do que o rodeia.  Estes dois tipos de questões — a consciência do interior e do exterior — estão íntimamente e inevitavelmente ligados. A procura de explicações e das origens é, acto contínuo, a solução imediata.</p>
<p>De um ponto de vista evolutivo, o facto de todas as civilizações terem desenvolvido sistemas de divindades e espiritualidade semelhantes revela perfeita consistência — não são ocorrências separadas, mas ramificações de uma árvore comum. Dirão que poderá também ser produto da universalidade do divino; certo é que, por ora, não há meio de provar nenhuma das hipóteses. Mas a verdade é que é isso que temos observado na biologia: a manutenção e conservação das “peças fundamentais”. Todos os seres vivos na Terra têm ADN, composto pelas mesmas exactas moléculas. Todas as células eucarióticas, das amibas às células dos mamíferos, i.e., todas as do nosso corpo, têm mitocôndrias, um organelo que produz o combustível das células. Claro, o Criador poderia ter criado toda a diversidade no mundo da forma que quisesse, mas, qual programador preguiçoso, usou os mesmos “componentes”, <em>over and over and over again</em>. Mas não é sobre a criação que aqui venho, ainda que, antes do fim voltarei brevemente ao assunto para enquadrar o raciocínio que quero fazer.</p>
<p>Comecemos exactamente pela: a Fé é uma crença, baseada numa relação de confiança por ventura unidireccional. Segundo algumas definições é uma crença sem necessidade de prova. No catolicismo, quanto menor a essa necessidade de prova, mais grandiosa é a Fé — “Bem-aventurados os que não viram e creram” (João, 20:29). Ora, o ateísmo que defendo é um ateísmo de conjectura e de lógica. Uma conjectura, recordo é proposição não provada, que aparenta estar correcta e não foi provada errada. O facto de aparentar ser correcta, é, obviamente, muito subjectivo. Defendo, aliás, que é uma posição que só pode ser assumida estando ao corrente da ciência, portanto, de certa forma, não está acessível a todos. E a ciência mais não é que a criação de um corpo de conhecimento lógico e coerente, tendo por base uma linguagem não subjectiva e cuja dependência da realidade é absoluta, já que só ela mesmo pode validar, no todo ou em parte, essa mesma descrição.</p>
<p>A religião teve, ao longo dos séculos, a necessidade de explicar o homem e o mundo — do material ao espiritual. No entanto, todas as religiões sem excepção têm visto a sua abrangência diminuída: já poucas tentam explicar os factos do mundo natural. Nesse aspecto, a ciência soma vitória atrás de vitória, numa interminável lista de <em>KOs</em>. A mecânica celestial, o funcionamento dos dos vasos sanguíneos, a tectónica de placas, a química inorgânica, a origem das espécies. Estará tudo explicado? Estamos muito longe disso, mas a ciência tem criado um corpo de conhecimento, lógico e coerente, com provas empíricas. Não só permitem explicar o funcionamento do mundo, como, conhecendo as regras, manipulá-lo. Assim, hoje manipulamos a radiação electromagnética e dessa forma transmitimos conversas, sem fios, para bem mais longe do que alguém conseguiria gritar.</p>
<p>As explicações dadas pelas religiões, por muito bonitas e elegantes que possam ser, não explicam quase nada. E há mesmo mais: a ciência, através dos seus processos, consegue <strong>prever</strong>. Ao contrário das religiões, que vêm a sua “jurisdição” contrair-se, a da ciência, pelo contrário aumenta: pelo seu próprio desenvolvimento. Faço notar ainda que não há nada na ciência que seja considerado fora do seu objecto de estudo, já que a ciência pretende descrever o Universo e, ou seja, tudo. O que acontece é que podemos não ter instrumentos para nos debruçarmos sobre um determinado assunto, pelo que não o podemos estudar agora. E quero relevar esse “agora”: há medida que o corpo de conhecimento vai sendo expandido, a teoria e a tecnologia têm criado <strong>sempre</strong> instrumentos que expandem a área da abrangência da ciência.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<div id="attachment_25311" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/03/hiv-virus-visual-science-company.jpg"><img class="size-large wp-image-25311" title="hiv-virus-visual-science-company" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/03/hiv-virus-visual-science-company-500x490.jpg" alt="" width="500" height="490" /></a><p class="wp-caption-text">HIV</p></div>
<p>Ao longo da História tem sido sempre assim: a ciência a aumentar a sua capacidade de explicar, as religiões a diminuir. E no entanto, <em>oddly enough</em> a resistência a dar o benefício da dúvida às religiões tem-se provado uma constante. Pouco importa vivermos mais tempo, curarmos centenas de doenças que outrora dizimaram populações inteiras, sabermos voar ou sair do planeta, prevermos razoavelmente o tempo a curto prazo, comunicarmos instantaneamente com qualquer outra pessoa do mundo. Pouco importa o, por ventura mais belo, facto de estarmos a construir uma descrição do funcionamento das peças do Universo altamente coerente e, surpreendentemente, explicativa. A religião continua a ter um papel fundamental — quando digo religião falo da mais pequena à menor, da mais organizada à unipessoal — quando digo religião falo da necessida da crença no divino, no <em>sobrenatural</em>.</p>
<p>A ciência está longe de conseguir descrever bem o funcionamento social. Mas mais significativo, está muito longe de descrever talvez o mais importante e relevante instrumento da condição humana: o cérebro. Não sabemos quase nada: não sabemos como se guardam as memórias, como se formam os pensamentos e as emoções e, sobretudo, não sabemos de onde vem a <em>consciência</em>. Não temos nenhum instrumento, teórico ou tecnológico para nos debruçarmos sobre o assunto e esse, é o alvo último da religião.</p>
<p>A consciência, ou a alma — palavra perigosa por ao longo dos séculos ter sido dissociada da de corpo — é aquilo que nós acreditamos sermos nós próprios, o nosso âmago, a nossa essência. Aí, a ciência ainda tem nada ou muito pouco a dizer e é aí que se refugia a religião. Como em todos os os casos anteriores, por omissão, o Homem parece preferir a explicação da religião ao vazio. E até ser desvendada a natureza do fenómeno, prevalecerá, ainda que a História nos mostre que, mais tarde ou mais cedo, invariavelmente, não é a explicação <em>sobrenatural</em>, aquela que prevalece.</p>
<p>Com tudo isto, em que é que <em>acredito </em>- em jeito de provocação, já que o certo será dizer, o que é que sabemos. Sabemos que há quatro forças fundamentais que ligam o universo: a gravidade, electromagnética e as interacções fortes e fracas, forças nucleares. São elas que dominam e manipulam as interacções e os movimentos das particulares elementares que constituem tudo aquilo que conhecemos. Sabemos de todas essas partículas? Não? Temos uma teoria completa que as descrevam? Também não, mas sabemos muitas coisas acerca delas e é devido a esse conhecimento que temos hoje Telemóveis, ou Tomografia de Emissão de Positrões.</p>
<p>Essas partículas formam os elementos, que por sua vez formam os compostos químicos, que são os componentes materiais do universo: as estrelas, os planetas, os oceanos, a atmosfera, as pedras, o solo, e todos os seres vivos que conhecemos. Temos uma história, ainda muito esburacada, é certo, mas com fio condutor, de como as primeiras partículas se aglomeraram para fazer as estrelas, os planetas e os seus conteúdos. Só conhecemos bem um, mas de todos os que conhecemos é o único que tem aquilo a que decidimos chamar “<em>vida</em>”. A vida é o que caracteriza o que denominamos de organismos vivos, seres mais ou menos complexos, muitos deles autónomos, que consomem recursos e têm a capacidade de metabolizar componentes do meio que os rodeiam para se replicar e multiplicar. A história que temos, claro está, com os tais buracos, é no entanto cada vez mais completa no sentido de nos proporcionar o tal fio condutor: estes seres vivos parecem ter a mesma origem e parece haver mecanismos, que seguindo as regras e limitações impostas pelas forças do universo, conseguem promover a emergência de complexidade criando aquilo a que chamámos evolução. A ciência hoje está mais desenvolvida do que nunca. Temos pedaços de conhecimento que permitem observar alguns contornos num gigantesco puzzle a que ainda faltam a grande maioria das peças. Isso permite-nos concluir alguma coisa? Sim, algumas coisas, como referi acima.</p>
<p>Esta história é baseada em factos e provas, sendo que alguns elementos são ainda provas preliminares e incompletas. Mas faz sentido e aquilo que é verdadeiramente provado é considerado como <em>verdade</em>. Nesta história não há qualquer intervenção de um ou mais deuses, de algo que seja sobrenatural. Nesta história apenas há um lugar para um ou mais deuses criadores: na origem das origens.</p>
<p>Esse é o meu ateísmo: se houver um Deus, ele é desnecessário em todos os elementos da história que até agora conhecemos e não há indícios de que venha a ser necessário. Existirá um Deus na origem das origens? Que lançou a semente. A ciência não diz nada sobre isso e eu também não. O âmago da questão é que a maioria dos crentes não quer saber desse Deus distante, antigo e não interventivo. O Deus que interessa às pessoas é aquele que nos reconforta, que providencia uma origem para os valores morais, que permite o estabelecimento de uma ordem e de um objectivo ulterior — e, por ventura, um lugar para o além da morte. Note-se este Deus escusa de ser o Deus católico, ou o de qualquer religião organizada ou não — este é o Deus pessoal, a entidade, o algo superior a nós, que em algum aspecto da sentido às coisas. Na história do mundo dada pela ciência não há a necessidade para nenhuma intervenção divina deste tipo. Se não há necessidade, se eu nunca vi qualquer intervenção do divino, então para mim, a explicação mais simples e lógica é a de que esse Deus pessoal não existe.</p>
<p>A minha arrogância, de que falei no início, é de <em>ter fé</em> em que a ciência vai continuar a ser o que foi e é: vai expandir os seus horizontes e explicar cada vez mais coisas. O limite? Não faço ideia.  Há ainda muito para descobrir e entender como funciona. Como disse acima, o maior desafio talvez seja a questão da emergência da consciência e o seu funcionamento. No seu vindouro <a href="http://www.ignatius.com/promotions/jesus-of-nazareth/excerpts.htm" target="_blank">livro</a>, o Papa afirma:</p>
<blockquote><p><em>No estado corrente das coisas, o homem moderno é tentado a dizer: a Criação tornou-se inteligível através da ciência.  Francis S. Collins, por exemplo, que liderou o Projecto do Genoma Humano, afirma com agradável surpresa: “A linguagem de Deus foi revelada” (The Language of God, p. 122). De facto, na magnificência matemática da criação, que hoje podemos ler no código genético humano, reconhecemos a linguagem de Deus. Mas infelizmente não a linguagem no seu todo. A verdade funcional do homem foi descoberta. Mas a verdade acerca do homem ele próprio — quem é, de onde vem, o que deve fazer, o que está errado, o que está certo — isto não pode, infelizmente, ser lido da mesma maneira. De mãos dadas com o crescente conhecimento da verdade funcional, parece haver um aumento da cegueira perante a “verdade” ela própria — em direcção à nossa real identidade</em>.</p>
</blockquote>
<p>Sou contra a linguagem usada por Collins, por poder dar azo a confusão. Não li “The Language of God” portanto não sei se a frase é irónica ou tem um fundamento religioso — como por exemplo, se denomina à hipotética particula elementar, o bosão de Higgs, a “Partícula de Deus”. De qualquer maneira, estou em desacordo com o Papa. Em primeiro lugar, a verdade funcional do homem não foi descoberta, mas está a ser descoberta. O genoma humano é uma minúscula parte dessa verdade funcional. No entanto, a maior divergência perante o raciocínio de Bento XVI é a separação entre “verdade funcional” e “verdade verdadeira”. A minha extrapolação, e mais uma vez a <em>arrogância</em>, é considerar que a ciência poderá em breve responder a estas questões, se não terá mesmo já respondido a algumas. O que está certo, o que está errado? Talvez seja mais um mecanismo evolutivo, à semelhança do hipotético que o Manuel mencionou, de estabilização de sociedades, de manutenção de uma paz conducente à sobrevivência. Por algum motivo, aquilo que consideramos “bem” dá origem a sociedades mais estáveis, e portanto mais prolíficas. Isso não implica que em certos casos, uma sociedade “anti-bem” não seja localmente estável: veja-se a Alemanha Nazi no pré-guerra. Estou a especular. De onde vem o homem? E se a verdade funcional acerca desta questão for a verdade verdadeira: vimos de um hominídeo que vem de outro ser mais primordial que vem de seres unicelulares que por sua vez vieram de compostos químicos que em tempos fizeram parte de uma estrela. Haverá alguma verdade não funcional subjacente?</p>
<p>Este texto já vai longuíssimo e por ventura são poucos os que até aqui chegaram. Mas quero terminar com uma nota. A não crença num Deus criador e organizador, o facto de a “verdade verdadeira” poder não ser mais que a “verdade funcional”, tudo isso não limita a visão do mundo a um determinismo cinzento e depressivo. Pelo contrário, a mecânica do funcionamento de todo o Universo, e como ela é capaz de gerar a complexidade e a diversidade daquilo que assistimos, da pedra ao ser consciente — em que parte dessa complexidade e diversidade é a criação de sistemas socio-filosóficos essenciais para a as sociedades e sua evolução, entre os quais se encontram as religiões — é de uma perfeição formidável. Esperem até saber do princípio holográfico para saber o que é beleza. Talvez a única desvantagem seja a imediatez da falta do além-morte; mas, há que ter um bocadinho de coragem.</p>
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		<title>Sim senhor está bem assim</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Feb 2011 22:25:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não são muitos aqueles que apreciam o folclore minhoto, mas deixo-vos aqui um vira das Lavradeiras da Meadela.   Rancho Folclórico das Lavradeiras da Meadela Oh que linda troca d’olhos, Fizeram-me agora ali. Trocaram seus olhos pretos, por uns azuis que eu bem vi Sim senhor, está bem, está bem. Sim senhor, está bem assim. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Não são muitos aqueles que apreciam o folclore minhoto, mas deixo-vos aqui um vira das Lavradeiras da Meadela.</div>
<div> </div>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/02/01-Track-01.mp3">Rancho Folclórico das Lavradeiras da Meadela</a></p>
<div style="padding-left: 30px;"><em>Oh que linda troca d’olhos,</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>Fizeram-me agora ali.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>Trocaram seus olhos pretos,</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>por uns azuis que eu bem vi</em></div>
<div style="padding-left: 30px;"><em><br />
 </em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>Sim senhor, está bem, está bem.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>Sim senhor, está bem assim.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em><br />
 </em></div>
<div style="padding-left: 30px;"><em>Debaixo do chapéu andam,</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>Olhinhos de namorado.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>Não amou a mai’ ninguém.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>A mai’ ninguém hei-de amar.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em><br />
 </em></div>
<div style="padding-left: 30px;"><em>Sim senhor, está bem, está bem.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>Sim senhor, está bem assim.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em><br />
 </em></div>
<div style="padding-left: 30px;"><em>Da minha janela à tua</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>vai o salto de uma cobra.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>‘Inda espero em chamar</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>À tua mãe minha sogra.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em><br />
 </em></div>
<div style="padding-left: 30px;">
<div><em>Sim senhor, está bem, está bem.</em></div>
<div id="_mcePaste"><em>Sim senhor, está bem assim.</em></div>
</div>
<div style="padding-left: 30px;"><em><br />
 </em></div>
<div style="padding-left: 30px;"><em>Os homens são como as cobras,</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>Quando largam a peçonha.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>Nem solteiro, nem casado,</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>Em miúdos têm vergonha.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em><br />
 </em></div>
<div style="padding-left: 30px;"><em>Sim senhor, está bem, está bem.</em></div>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 30px;"><em>Sim senhor, está bem assim.</em></div>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>O mais impressionante nesta composição, nesta troca de olhados que leva ao amor eterno (?) — a última quadra deixa-nos num estado de suspensão — é a inexorável cadência do conformismo. <em>Sim senhor, está bem assim</em>.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
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		<title>Um bom filósofo…</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Feb 2011 14:27:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[… é, muito provavelmente, um filósofo morto. Memento mori. Está aí o intento do The Book of Dead Philosophers: descrever em mais ou menos detalhe os momentos finais de muitos dos filósofos que contribuíram para o vasto corpo de conhecimento com que nos presentearam ao longo dos séculos. O livro não será uma obra-prima, longe disso, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-large wp-image-24220" title="simon-critchley-book-of-dead-philosophers-via-amazon" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2011/02/simon-critchley-book-of-dead-philosophers-via-amazon-500x500.jpg" alt="" width="500" height="500" /></p>
<p>… é, muito provavelmente, um filósofo morto.</p>
<p><em>Memento mori</em>. Está aí o intento do <em>The Book of Dead Philosophers</em>: descrever em mais ou menos detalhe os momentos finais de muitos dos filósofos que contribuíram para o vasto corpo de conhecimento com que nos presentearam ao longo dos séculos.</p>
<p>O livro não será uma obra-prima, longe disso, mas num blog como o nosso, com o título do nosso e com o editorial que propusemos, era inevitável que um dia viesse a ser mencionado. Talvez seja mais um <em>coffee-table book</em>, com poucas fotografias mas muitas entradas ao jeito de livro dos recordes, sendo que Filosofia e <em>coffee-table book</em> são conceitos que raramente se materializam num só.</p>
<p>Na introdução o autor discorre sobre a falta de preparação que uma sociedade cada vez mais consumista tem para lidar com e admitir a morte. O tema não é novo, mas o ensaio é interessante. E segue defendendo, assente nas palavras dos filósofos, que a Filosofia serve para aprender a morrer. Eu discordaria, passe a arrogância da ignorância, mas afirmaria que a Filosofia serve para aprender a viver, do qual a morte é parte integrante. Não é isso que está em questão, agora; é uma leitura agradável.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
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		<title>Ser crítico de cinema?</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Feb 2011 03:25:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[Há, neste blogue, gente bem mais qualificada do que eu para falar do que é ser crítico de cinema. A única experiência que eu tenho é a irritação que me causam alguns críticos de cinema. E penso não ser o único — há a celebre reacção do “só tem uma estrelinha, é mesmo este que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há, neste blogue, gente bem mais qualificada do que eu para falar do que é ser crítico de cinema. A única experiência que eu tenho é a irritação que me causam alguns críticos de cinema. E penso não ser o único — há a celebre reacção do “só tem uma estrelinha, é mesmo este que vou ver!”</p>
<p>É certo, que, com a idade, chegamos ao inevitável “mas eu já vi isto pelas mãos do…”. E aí desculpamos o crítico ao dar-mos-lhe o benefício da dúvida e fazemos vénia à bagagem cinematográfica que certamente terá. Verá coisas que o comum dos mortais não vê.</p>
<p>Entra o “<a href="http://www.everythingisaremix.info">Everything is a Remix</a>”. Não é novo, o conceito, mas está muito bem posto. </p>
<p><object width="549" height="309"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=19447662&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=c42622&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=19447662&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=c42622&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="549" height="309"></embed></object></p>
<p>Em dez minutos, não é um doutoramento sobre a reutilização de conceitos, ideias, temas, ou técnicas, transversais a todas as artes. Mas em dez minutos dá-nos um perspectiva interessante sobre o que se passa com os filmes mais <em>pop</em>. Vale a pena ver também a primeira parte, que se debruça sobre a música e explorar o site, dedicado ao tema.</p>
<p>E agora, deixo aos especialistas — o que é ser crítico de cinema?</p>
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		<title>Quando um presidente precisa de calças</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2011/01/quando-um-presidente-precisa-de-calcas/</link>
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		<pubDate>Wed, 19 Jan 2011 04:22:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[“In 1964, Lyndon Johnson needed pants, so he called the Haggar clothing company and asked for some. The call was recorded (like all White House calls at the time), and has since become the stuff of legend. Johnson’s anatomically specific directions to Mr. Haggar are some of the most intimate words we’ve ever heard from [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><iframe src="http://player.vimeo.com/video/18864216?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0&amp;color=c42622" width="549" height="309" frameborder="0" align="center"></iframe></p>
<blockquote><p>“In 1964, Lyndon Johnson needed pants, so he called the Haggar clothing company and asked for some. The call was recorded (like all White House calls at the time), and has since become the stuff of legend. Johnson’s anatomically specific directions to Mr. Haggar are some of the most intimate words we’ve ever heard from the mouth of a President. <a href="http://putthison.com/post/2795418773/in-1964-lyndon-johnson-needed-pants-so-he-called">via</a>”</p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Calouste Gulbenkian</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Dec 2010 16:43:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Queridos Mortos]]></category>

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		<description><![CDATA[Como em tudo na vida, é preciso sorte. E Portugal teve sorte. Talvez a melhor coisa que aconteceu ao nosso país, no seguimento da Segunda Guerra Mundial, foi a vinda e radicação de Calouste Gulbenkian em Lisboa. Gente não antipática, baixos impostos, um clima mais propício à sua bronquite e um erro dos ingleses que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-20049" title="Gulbenkian" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/10/Gulbenkian.jpg" alt="" width="259" height="352" /></p>
<p>Como em tudo na vida, é preciso sorte. E Portugal teve sorte. Talvez a melhor coisa que aconteceu ao nosso país, no seguimento da Segunda Guerra Mundial, foi a vinda e radicação de Calouste Gulbenkian em Lisboa. Gente não antipática, baixos impostos, um clima mais propício à sua bronquite e um erro dos ingleses que se lhe opuseram devido a acusações de colaboracionismo, levaram a que Gulbenkian se tenha instalado no nosso país.</p>
<p>A sua história é por demais conhecida: descendente de uma família Arménia influente, tornou-se  um magnata do petróleo, o <em>senhor cinco por cento</em>, de grande influência na Europa. Decidido a radicar-se nos Estados Unidos, sentindo que a sua fortuna poderia estar em risco após dificuldades levantadas pelos britânicos no pós-guerra, Gulbenkian, de passagem por Lisboa, acabou por fazer dela a sua morada final.</p>
<p>Há uns tempos, se não me falha a memória, publicou Maria Filomena Mónica no Público, um extenso artigo sobre a vida do filantropo. Fiquei a saber que Calouste Gulbenkian não era pessoa fácil. Terá proibido a sua mulher de doar dinheiro à comunidade arménia que fosse usado de forma meramente caritativa, e não produtiva. Nós os portugueses, tivemos também sorte, quando, ao inspeccionar as contas, em detalhe, dos seus negócios, descobriu que o filho cobrou à empresa do pai (onde estava empregado sem salário) um almoço mais ostensivo que as vontades do pai permitiam — e o comeu à sua secretária. Este recusou-se a pagar, sendo que o filho mais tarde o processou, tendo tudo isso contribuído para que Calouste Gulbenkian deixasse o grosso da sua fortuna à Fundação.</p>
<p>Apesar do nome ser familiar, não sei se Calouste Gulbenkian é, para nós portugueses, um querido morto. Para mim significa formidáveis exposições, um lindo jardim, Laliques fabulosos, horas e horas de música sinfónica e extraordinárias conferências. Tudo isto simbolizado pelo senhor, sentado em frente a Hórus, o falcão, ali à entrada de Lisboa. E Gulbenkian simboliza ainda milhares de bolsas que permitiram enriquecer-nos de cultura e ciência, de sabedoria. Poucos terão feito, no nosso país, pelo conhecimento e pela cultura o que Gulbenkian, por mera casualidade duma paragem, fez por Portugal.</p>
<p>Claro, não seria justo fazer esta homenagem sem relevar os homens e mulheres que fazem da Fundação Calouste Gulbenkian o que ela foi, é e será, deixando apenas o nome de José Azeredo Perdigão, que corporizou a instalação da Fundação, ainda antes do 25 de Abril, e que é hoje uma das mais ricas fundações filantrópicas do mundo.</p>
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		<title>Flutuar</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 07:56:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[E a vida passa sem que muitos dêem por ela. A televisão traz-nos impaciência. «Crispação», dizia o nosso ex–prez, e por ventura, com muita razão. Justamente, nos dias que correm, há ódio a escorrer pelos poros; raiva pelo que não somos, vontade de ser quem não queremos ser, uma pressão enorme, e no entanto não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><iframe src="http://player.vimeo.com/video/16700057?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0&amp;color=c9040e" width="620" height="349" frameborder="0"></iframe></p>
<p>
E a vida passa sem que muitos dêem por ela. A televisão traz-nos impaciência. «Crispação», dizia o nosso ex–<em>prez</em>, e por ventura, com muita razão. Justamente, nos dias que correm, há ódio a escorrer pelos poros; raiva pelo que não somos, vontade de ser quem não queremos ser, uma pressão enorme, e no entanto não nos saltam os olhos. Os telemóveis não nos fazem tão suaves comos os seus anúncios, ao som duma tarde de verão, fazem parecer. Não, são os que estão ao nosso lado que nos suscitam inveja, porque somos quem somos, numa estranha, abotoada e atarracada harmonia social, mas lá dentro, bem no fundo, queremos que os outros falhem. A explicação é simples: a melhor maneira de passarmos à frente, sem termos muito que fazer, é esperar que os outros não tenham sucesso. E poucos conseguem <a href="http://combustoes.blogspot.com/2010/12/miseria-da-blogosfera.html">resistir</a>. Aqui ao menos apreciamos as pequeninas grandes coisas.</p>
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		<title>Prometo que fica para a próxima</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/11/fica-para-a-proxima/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Nov 2010 09:50:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[São muito poucos aqueles os que ganharam mais do que um Prémio Nobel. Sem contar com as instituições, houve Marie Curie a única mulher a ganhar dois Nobel e a única pessoa a conseguir o feito em duas disciplinas científicas distintas. Linus Pauling ganhou também dois prémios, o da Química e o da Paz. Houve [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>São muito poucos aqueles os que ganharam mais do que um Prémio Nobel. Sem contar com as instituições, houve Marie Curie a única mulher a ganhar dois Nobel e a única pessoa a conseguir o feito em duas disciplinas científicas distintas. Linus Pauling ganhou também dois prémios, o da Química e o da Paz. Houve ainda Sanger, que ganhou dois Prémios Nobel na Química e finalmente John Bardeen, que antes de Sanger foi o primeiro laureado a receber mais de um prémio na mesma área científica, a Física.</p>
<p>Aquando da recepção do primeiro, em 1956, pela invenção do transístor, John Bardeen levou consigo a Estocolmo apenas um dos seus três filhos. Os restantes dois estavam a estudar em Harvard e Bardeen não quis perturbar os seus estudos. O Rei Gustav IV, no entanto, repreendeu o cientista por este não ter trazido à cerimónia o resto da família, ao que Bardeen terá respondido, que traria todos os filhos da próxima vez. Em 1972, quando homenageado pela teoria da supercondutividade, cumpriu a sua promessa e levou os três filhos à entrega do prémio.</p>
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		<title>Infâmia2</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2010 08:08:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Particular da Infâmia]]></category>

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		<description><![CDATA[Sigmund Rascher foi um dos infâmes médicos Nazis. Médico das SS, usou os prisioneiros do campo de concentração de Dachau para as suas brutais experiências científicas, em particular para estudar os efeitos adversos a que os pilotos alemães eram submetidos, quando abatidos sobre o gelado mar do norte. Neste aspecto, Rascher não foi nem mais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_18880" class="wp-caption aligncenter" style="width: 266px"><img class="size-full wp-image-18880" title="Rascher" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/Rascher.jpeg" alt="" width="256" height="360" /><p class="wp-caption-text">Sigmund Rascher</p></div>
<p>Sigmund Rascher foi um dos infâmes médicos Nazis. Médico das SS, usou os prisioneiros do campo de concentração de Dachau para as suas brutais experiências científicas, em particular para estudar os efeitos adversos a que os pilotos alemães eram submetidos, quando abatidos sobre o gelado mar do norte.</p>
<p>Neste aspecto, Rascher não foi nem mais, nem menos infâme que qualquer outro maníaco médico das SS, nomeadamente o famigerado Josef Mengele. E no entanto, quis trazê-lo aqui para esta nossa nova secção porque até mesmo os Nazis consideraram-no desprezível. Talvez as prioridades não fossem as mesmas que as nossas, mas fica a história.</p>
<p>Rascher deteve um considerável poder entre os seus pares e superiores pela sua proximidade ao <em>Reichsführer SS</em> Heinrich Himmler. Chegou a ele através de, ou devido a, uma relação com uma cantora de Munique, Karoline “Nini” Diehl, provavelmente uma antiga amante de Himmler. Este acabou por ver o casal com bons olhos, talvez por ainda ter afecto por Nini, e acolheu de forma positiva o entusiasmo com que Rascher se dedicava ao seu ofício. Himmler recebeu com interesse as propostas daquele tendo-lhe concedido autorização para realizar as experiências com cobaias humanas, depois de Rascher se ter queixado que era difícil encontrar voluntários (carta abaixo)</p>
<div id="attachment_18881" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/carta.png"><img class="size-large wp-image-18881" title="carta" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/carta-500x394.png" alt="" width="500" height="394" /></a><p class="wp-caption-text">Carta a Himmler lamentando a ausência de cobaias humanas, não sem antes reiterar que também o seu segundo filho é forte. {legenda2}Tradução, arquivo dos processos de Nuremberga{/legenda2}</p></div>
<p>No entanto, o que Himmler não autorizava, era o casamento entre Rascher e Karoline, já que Karoline era quinze anos mais velhar que Rascher e isso não se enquadrava nos princípios raciais e de pureza a que as SS se submetiam. Uma família das SS havia de produzir os melhores exemplares arianos. E no entanto, o amor, mesmo nazi, tudo supera, pelo que passado algum tempo, o casal trouxe ao mundo um filho. Rascher não perdeu tempo em fazer do seu caso um exemplo e agora que tinha mostrado que não ficavam atrás de outros puros arianos mais novos, recebeu de Himmler a anuência para poderem contrair matrimónio.</p>
<p>A família exemplar, que serviu até para efeitos de propaganda, teve, entretanto, mais dois filhos e o casal gozava da maior admiração do <em>Reichführer</em>. Até que em 1944, chegou a Himmler uma notícia que havia de despedaçar a família. De facto as crianças não eram seus filhos biológicos; Karoline pagou para que as crianças fossem raptadas dos pais em estações de comboio de Munique. Himmler ficou furioso e mandou prender os dois, sendo que Rascher foi internado em Buchenwald e mais tarde, ironicamente, em Dachau. De lá não saíu, tendo sido executado pouco antes da chegada dos aliados. Karoline foi enforcada. E assim passou à história um facínora que nem os nazis conseguiram acolher na sua plenitude.</p>
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		<title>600 anos</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Oct 2010 06:50:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[Do relógio astronómico de Praga.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><iframe src="http://player.vimeo.com/video/15749093?byline=0&amp;portrait=0&amp;color=b30911" width="550" height="976" frameborder="0"></iframe></p>
<p>Do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Prague_Astronomical_Clock">relógio astronómico de Praga</a>.</p>
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		<title>Kings of Pasty</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Oct 2010 08:51:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem aqui costuma trazer filmes franceses é Pedro, mas desta feita apresento-vos eu o documentário “Kings of Pastry”. A obsessiva demanda pelo título de Un des Meilleurs Ouvrier de France em pastelaria e respectivo colarinho é o tema para um verdadeiro calvário sucré.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="549" height="364" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=13181134&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=c9020c&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="549" height="364" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=13181134&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=c9020c&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object>
</p>
<p>Quem aqui costuma trazer filmes franceses é Pedro, mas desta feita apresento-vos eu o documentário “Kings of Pastry”. A obsessiva demanda pelo título de <em>Un des Meilleurs Ouvrier de France</em> em pastelaria e respectivo colarinho é o tema para um verdadeiro calvário <em>sucré</em>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Comemorar?</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Oct 2010 23:34:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[E se a monarquia tivesse continuado? Estaríamos melhor, pior? É difícil de dizer, provavelmente nem muito duma coisa, nem muito doutra. Seríamos, com quase certeza absoluta, uma monarquia constitucional parlamentar, teríamos deixado as colónias, de maneira diferente, por ventura, e seríamos membros da União Europeia, como até a mais anti-europeia monarquia da Europa (sem petróleo) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E se a monarquia tivesse continuado? Estaríamos melhor, pior? É difícil de dizer, provavelmente nem muito duma coisa, nem muito doutra. Seríamos, com quase certeza absoluta, uma monarquia constitucional parlamentar, teríamos deixado as colónias, de maneira diferente, por ventura, e seríamos membros da União Europeia, como até a mais anti-europeia monarquia da Europa (sem petróleo) o é.</p>
<p>A República é brilhante? Certamente não o é, especialmente esta nossa república. Foi instaurada de forma brutal, o período da Primeira República foi uma selvajaria e levou, entre outras razões contemporâneas, à ditadura. Concedo que há muito pouco para celebrar. Mas a nossa república não é a única do mundo e há-as com sucesso por todo o lado.</p>
<p>Nos dias de hoje, então, que separa uma monarquia duma república? Só uma coisa — e é a única conclusão a que os defensores sérios de um e outro regime podem chegar — que o representante máximo da nação o é ou de forma vitalícia por heriditariedade, ou de forma temporária por escolha entre os pares. O argumento que mais respeito e penso ter mais cabimento, entre os defensores da monarquia, é o da existência de um elemento supra-partidário, supra-política corriqueira, que permite ao monarca uma representatividade mais extensa, integrada e embuída dos valores nacionais e sendo passível de se aproximar mais dos cidadãos. Só esta distância permite um símbolo que todos acolhem com carinho, respeito, dedicação e patriotismo. Vemos este efeito, em ponto pequeno, nos presidentes da república, que são sempre os mais populares dos políticos, sendo que um monarca teria o factor adicional de não ter “bagagem” e de não se ter envolvido em lutas político-partidárias. Caso seja um exímio político, poderá ainda, efectivamente ter uma influência que lhe garanta ainda maior popularidade. No fundo, um monarca pode tornar-se, com mais facilidade, numa figura respeitada, numa imagem de garante da soberania e de valores.</p>
<p>Ainda assim, tal imagem — e que na maioria dos casos é apenas isso — só sobrevive através do estatuto não interventivo que os reis têm: a falta de poder executivo, de decidir valores de impostos, ordenados, contratações e investimentos. Nos raros casos em que a intervenção acontece, geralmente situações de extrema gravidade, aí sim, se vêem os estadistas — Juan Carlos de Espanha, — ou fantoches — Vittorio Emanuele III, — embora tenha as minhas dúvidas de que o facto de serem reis e não primeiros-ministros ou presidentes faça o mínimo de diferença — veja-se Churchill ou Roosevelt, por exemplo. É a real falta de poder real que garante, ao monarca típico dos reinos ocidentais modernos, a sua existência.</p>
<p>Como afirmei que aquela era a única conclusão saudável a que os defensores de ambos os regimes podem chegar, quais os o argumentos que o republicano pode apresentar? Francamente, não há muitos, e para além do facto da heriditariedade nos poder presentear com um monarca obscuro e limitado, o mais importante valor, para mim, é o da igualdade entre os homens, que o Zé Navarro tão bem <a href="http://www.etudogentemorta.com/2010/10/a-bem-da-republica-1">mencionou</a>. Pura e simplesmente reconhecer que todos temos esse direito, por mais difícil que seja de exercer. Uma democracia completa e organizada tem representantes capazes de desempenhar esse papel com dignidade e em plenitude, seja ele um monarca, ou um cidadão eleito.</p>
<p>E no entanto, sente-se cada vez mais uma pressão monárquica. Penso que continua residual, embora não saiba avaliar com certeza, mas é, de certa forma, normal, já que não vivemos tempos de glórias. Porém o que me deixa varado e plenamente convencido da cegueira da grande maioria dos loquazes defensores da monarquia é que possam sequer considerar, por dois segundos que sejam, que, tíveramos agora um Rei no poder, Sócrates não teria sido eleito, que Passos Coelho não viria a seguir, que os portugueses pagariam impostos com alegria, que a corrupção não existiria, que o tecido de produção e a indústria lá estaria toda, que os portugueses leriam no comboio, que as ruas estariam limpas, que os portugueses fossem generosos no mecenato, que a produtividade fosse maior, que…</p>
<p>Possamos ter uma melhor República.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Shopping like grown-ups + Coincidências</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/10/shopping-like-grown-ups-coincidencias/</link>
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		<pubDate>Sat, 02 Oct 2010 08:38:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[Há dias, houve no MIT mais uma edição do Student Art Loan program. O Visual Arts Center empresta, todos os anos, aos alunos da universidade, umas centenas de obras que possui na sua colecção. São quase todas obras de arte moderna ou contemporânea e emolduradas, sendo que a grande parte dos artistas é-me desconhecida, embora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_19777" class="wp-caption aligncenter" style="width: 240px"><img class="size-full wp-image-19777" title="LGWalkerL198024" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/10/LGWalkerL198024.jpg" alt="" width="230" height="316" /><p class="wp-caption-text">Large Egg {legenda2}Kenneth Walker{/legenda2}</p></div>
<p>Há dias, houve no MIT mais uma edição do Student Art Loan program. O Visual Arts Center empresta, todos os anos, aos alunos da universidade, umas centenas de obras que possui na sua colecção. São quase todas obras de arte moderna ou contemporânea e emolduradas, sendo que a grande parte dos artistas é-me desconhecida, embora haja alguns de peso como Berenice Abbot, Robert Indiana ou Joan Miró. Algumas das obras deverão custar vários milhares senão dezenas de milhares de dólares — emprestadas.</p>
<p>A ideia é genial. E uma das partes mais interessantes é podermo-nos comportar como gente grande, daquelas que entra em galerias e diz “Quero este!”. Pela terceira vez lá fui, “shopping for art”, e disse “quero este, este e este”. Sem constrangimentos financeiros, sem remorsos, sem olhar a quem: é olhar para a parede e escolher (três, porque é por sorteio). Infelizmente, a desilusão vem quando não nos cabe a nós nenhuma obra. Depois de dois anos com uma parede mais composta, desta vez não me calhou nada… Há sempre o próximo ano!</p>
<p>E agora a parte das coincidências. Já tinha este post em mente, mas escrevi-o quando vi a fotografia de Rineke Dijkstra publicada pelo JNA no <a href="http://www.etudogentemorta.com/2010/10/faz-um-ano-que-me-encontro-vivamente-morto/">post de aniversário</a>. Ora, instantes antes de ter ido escolher os <em>meus</em> quadros deste ano, um colega de laboratório esteve a explicar-me um algoritmo de minimização de caminhos, chamado <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dijkstra's_algorithm">algoritmo de Dijkstra</a>. O nome não me dizia nada, porque nunca o tinha fixado, apesar de conhecer alguma da obra de Rineke (nomeadamente a série <a href="http://www.moma.org/explore/inside_out/2010/01/14/what-s-in-a-portrait-rineke-dijkstra-s-almerisa/">Almerisa</a>). Quando deambulava pela galeria do Visual Arts Center, deparo-me com um indivíduo, numa das molduras, que, a mim, se assemelhava a um forcado. Não estava de barrete, nem numa arena, mas com aquele casaco de veludo ornamentado e com gravata a condizer no <em>bordeaux</em>, só podia ser forcado. Aproximei-me do quadro, acto contínuo,</p>
<div id="attachment_19779" class="wp-caption aligncenter" style="width: 397px"><img class="size-medium wp-image-19779" title="SSDIJK0005Pl" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/10/SSDIJK0005Pl.jpg" alt="" width="387" height="500" /><p class="wp-caption-text">Vendas Novas, Portugal, 21–05-2000{legenda2}Rineke Dijkstra{/legenda2}</p></div>
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		<title>Venham lá mais dois ou cinco</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Oct 2010 19:59:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[E se eu aqui estou, em parte devo-o ao Miguel Esteves Cardoso, em parte devo-o ao um belo pregado grelhado, mas como ao pregado vi-o e ao Miguel Esteves Cardoso não, devo-o um bocadinho mais ao peixe. Um dia, ainda antes do XVIII Governo Constitucional ter entrado em funções, o MEC inaugurou a sua curta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-19795" title="Pregado_425x283" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/10/Pregado_425x283.jpeg" alt="" width="355" height="283" /></p>
<p>E se eu aqui estou, em parte devo-o ao Miguel Esteves Cardoso, em parte devo-o ao um belo pregado grelhado, mas como ao pregado vi-o e ao Miguel Esteves Cardoso não, devo-o um bocadinho mais ao peixe. Um dia, ainda antes do XVIII Governo Constitucional ter entrado em funções, o MEC inaugurou a sua curta participação no <a href="http://geracaode60.blogspot.com">Geração de 60</a>, blog que seguia sem regularidade, com um demolidor “<a href="http://geracaode60.blogspot.com/2009/04/este-blogue-e-feio-ou-e-impressao-minha.html">Este blogue é feio</a>”. Eu ofereci-me para lhe dar uma cara nova — ao blog, não ao MEC, — já que, embora não sejam estas as minhas andanças, gosto de perder o pouco tempo que tenho nestas avarias.</p>
<p>Na altura a coisa não deu em nada, embora o MEC tenha dito que gostava dos designs, o que dá sempre para encher uma pessoa de orgulho. Mas mais orgulho dá quando se consegue fazer algo que possa ser disfrutado por outros. Meses depois, o Manuel pegou na minha oferta e apresentou-me ao já referido pregado. Grande benfiquista, apreciador de peixe grelhado à beira-mar e rapaz de grandes aventuras, — foi o que retive na altura, — lá aceitei dar uma cara ao projecto nascente. Mais tarde, e novamente em redor de peixe grelhado na brasa, seguiu-se nova reunião de trabalho, tendo querido o destino novamente reunir descendentes de duas famílias, mas desta feita em <a href="http://www.etudogentemorta.com/2010/06/pazes-caro-francisco/">termos mais amigáveis</a>, fui apresentado ao Pedro. Algum tempo depois, trabalho entregue e nova proposta: juntar-me ao rol de autores.</p>
<p>A decisão teve considerável impacto no meu próprio blog, que agora vive ainda mais sozinho, mas foi mais que positiva. Não sem certo receio, de ir brincar com esta malta toda, gente que já leu muito, mas cá estou e tendo conhecido uns e outros duma e doutra forma, não me arrependo de maneira alguma. Que venha o segundo ano.</p>
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		<title>farto de merdosos incompetentes*</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/09/farto-de-merdosos-incompetentes/</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Sep 2010 07:31:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[Chegou o FMI,  uí, uí, uí. Do que compro, Ao Estado dou um quarto; farto, farto, farto.  Para o Porto e p’rá Trafaria Já só há uma e outra via. Ficámos sem a terceira E o TGV? Não há maneira! *Eu sei, este blog não é dado a insultos, mas o regular funcionamento das instituições [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="padding-left: 60px;">Chegou o FMI, <br />
 uí, uí, uí.<br />
 Do que compro,<br />
 Ao Estado dou um quarto;<br />
 farto, farto, farto. <br />
 Para o Porto e p’rá Trafaria<br />
 Já só há uma e outra via.<br />
 Ficámos sem a terceira<br />
 E o TGV? Não há maneira!</p>
<p><small>*Eu sei, este blog não é dado a insultos, mas o regular funcionamento das instituições (a das siglas) assim o impôs.</small></p>
</div>
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		<title>Os números</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Sep 2010 03:48:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[Neste nosso blog ligamos pouco à espuma dos dias. Porquê? Porque aqui fala-se de gente morta; aqui não há zombies. Anteontem o nosso Primeiro-Ministro veio aos Estados Unidos dar um seminário à margem do mestrado que Manuel Pinho lecciona na Universidade de Columbia, NY. Não quero fazer nenhum grande debate sobre a política, os políticos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Neste nosso blog ligamos pouco à espuma dos dias. Porquê? Porque aqui fala-se de gente morta; aqui não há zombies.</p>
<p>Anteontem o nosso Primeiro-Ministro veio aos Estados Unidos dar um seminário à margem do mestrado que Manuel Pinho lecciona na Universidade de Columbia, NY. Não quero fazer nenhum grande debate sobre a política, os políticos ou as energias renováveis. Venho só falar dos números. De um em particular, que o PM aventou e que os <em>media</em> papaguearam sem nenhum enquadramento.</p>
<p>Sócrates anunciou que o investimento nas renováveis <a href="http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/energia-renovaveis-energias-renovaveis-socrates-agencia-financeira/1193783-1730.html">permite poupar</a>, por ano, <a href="http://sic.sapo.pt/online/noticias/dinheiro/Portugal+poupa+100+milhoes+de+euros+no+petroleo+com+as+renovaveis+diz+Socrates.htm">100 milhões de euros</a> em importações de petróleo, <a href="http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=2&amp;id_news=144049">notícia</a> que foi amplamente <a href="http://www.publico.clix.pt/Mundo/socrates-mostra-nos-eua-portugal-como-exemplo-da-reforma-de-energias-renovaveis_1457760">divulgada</a>.</p>
<p>Não cabe aos noticiários fazerem crítica, mas cabe-lhes a eles, isso sim, ajudar os leitores a perceberem o que estão a ler. Confesso que não lido com montantes dessa ordem, mas 100 milhões de euros não me pareceram muito… Fui ver o que dava para comprar com esse dinheiro: a terceira travessia do Tejo custaria <a href="http://www.pcm.gov.pt/pt/GC18/Governo/Ministerios/MOPTC/Intervencoes/Pages/20100524_MOPTC_Int_SET_TTT.aspx">2.000 milhões</a> de euros, portanto, nada de pontes no Tejo. Um TGV para Espanha, custa ao estado (que só paga 42% do total) <a href="http://economico.sapo.pt/noticias/construcao-do-tgv-vai-custar-77-mil-milhoes_7190.html">5.940 milhões de euros</a>, a preços de 2009,  nada de comboios. Um novo aeroporto são só <a href="http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1564144">4.900 milhões de euros</a>; também não dá, embora segundo os senhores do JN no artigo referenciado, a terceira travessia é uma pechincha, só 145 milhões, mas prefiro confiar no valor anterior, que vem do próprio governo e foi escrito por extenso.</p>
<p>Certo, dirão, mas isso são investimentos a muitos anos, para durarem uns, vá lá, cinquenta anos. Logo, 50 x 100M€ = 5.000 milhões de euros! É comparável… a poupança no petróleo dá para um daqueles investimentos! Afinal não é assim tão pouco! Vejamos só um último valor, antes de largarmos o assunto… Que significam 100 milhões de euros em poupança petróleo, no panorama total das coisas?</p>
<p>Ora bem, em 2009, o custo médio do barril de Brent, foi de <a href="http://www.ssb.no/ogintma_en/main.html">$62.7/barril</a>. A taxa de conversão média foi de <a href="http://france.usembassy.gov/irs-euro.html">1.39</a>, logo o preço médio por barril dá €45. Agora o consumo: <a href="http://www.wolframalpha.com/input/?i=oil+consumption+portugal">segundo o WolframAlpha</a>, a estimativa do consumo de petróleo para 2009 foi de 272.181 barris por dia. Logo, num ano, gastou-se €4.470.572.925, i.e, cerca de 4.500 milhões de euros. O que se poupa é 2.2% do total do consumo anual.</p>
<p>Claramente, um título que dissesse 2.2% era menos chamativo. Sei mais informação 2.2% por ano não parece ser nada de milagroso. Contando com o restante das importações energéticas, em 2008, o saldo da balança era de <a href="http://www.gpeari.min-financas.pt/arquivo-interno-de-ficheiros/bmep/2009/BMEP-Abril-2009.pdf" target="_blank">–8.000 milhões de euros</a>, logo a percentagem é menor considerando toda a energia que importamos. Confesso, no entanto, não sei o investimento que foi necessário para garantir essa poupança de 100 milhões de euros anuais, portanto esses 2.2% até podem ser um bom negócio. Estas minhas contas todas, acabaram por não dizer o fundamental: é ou não bom o negócio que está a ser feito. Não tenho os dados para dizer se sim, senão, mas a questão que quis deixar aqui foi a de que os números só por si dizem pouco, há que os enquadrar (que é diferente de <em>massajar</em>) e os jornais deviam-no fazer decentemente.</p>
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		<title>SebJosCarMel</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Sep 2010 21:48:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Queridos Mortos]]></category>

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		<description><![CDATA[Faz hoje precisamente 241 anos que D. José outorgou o título de Marquês de Pombal a Sebastião José de Carvalho e Melo. Senhor Marquês, confesso que à parte de uma estação de serviço conheço pouco destes seus domínios, falha minha é certo, mas em contrapartida, aprecio muito a sua quinta no condado de Oeiras. Verdadeiramente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/sjcm.jpeg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-19065" title="sjcm" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/sjcm-300x375.jpg" alt="" width="300" height="375" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Faz hoje precisamente 241 anos que D. José outorgou o título de Marquês de Pombal a Sebastião José de Carvalho e Melo. Senhor Marquês, confesso que à parte de uma estação de serviço conheço pouco destes seus domínios, falha minha é certo, mas em contrapartida, aprecio muito a sua quinta no condado de Oeiras. Verdadeiramente excepcional.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos não o acharão digno de constar entre tão ilustres mortos. Que o digam os Távoras ou D. Maria I! E no entanto optei por trazer Vossa Senhoria a esta casa, correndo o risco de convidar um déspota, conquanto esclarecido. Pode circular, sem que ninguém o incomode, a menos de 20 milhas deste nosso cemitério. Saiba Vossa Senhoria, que pelos lugares onde ando, os <em>nativos</em> não hesitam em invocar os pais fundadores da sua nação. Ora, essa altura é precisamente quando o Marquês exercia funções como Secretário do Reino. E tirando umas tiradas bacocas, poucos são os que o citam. Talvez devesse ser mais lembrado! Ao menos a DOC ficou, bem como as belas avenidas da sua e minha Lisboa. Bem sei que teve <em>tabula rasa</em>, mas verdade seja dita, não houve ainda edil que se vos compare. E um terramoto daquela envergadura logo no início de mandato? Até a Kant fez repensar a vida. Por ventura, dirão alguns, teve a fortuna de servir um amo fraco. Fora isso possível nos dias que correm!</p>
<p style="text-align: justify;">Ah, Senhor Marquês, não quero aqui estar a maçá-lo, mas aproveito a sua estada, para lhe deixar duas quesões. E quanto a zonas aeroportuárias? <em>Um dia serão pequenas</em>. Ota ou Alcochete? E para o «é tudo gente morta», que paradoxo iluminado? <em>Cuidem-se os vivos!</em></p>
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		<title>O Sol da Meia-Noite</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/09/o-sol-da-meia-noite/</link>
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		<pubDate>Sun, 12 Sep 2010 23:13:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[O post anterior d’O Herói avivou-me as memórias de quando fui ao norte da Suécia. Não vivi o Sol da Meia-noite, nem o fenómeno inverso, já que fui em pleno equinócio, em Março, altura em que a noite e o dia estão equitativamente divididos: doze horas para cada. Mas pude contactar in loco com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <em><a href="http://www.etudogentemorta.com/2010/09/um-inteiro-relogio-de-luz/">post</a></em> anterior d’O Herói avivou-me as memórias de quando fui ao norte da Suécia. Não vivi o Sol da Meia-noite, nem o fenómeno inverso, já que fui em pleno equinócio, em Março, altura em que a noite e o dia estão equitativamente divididos: doze horas para cada. Mas pude contactar <em>in loco</em> com o sol do ártico e, então, despedaçaram-se-me as expectativas sobre o Sol da Meia-noite. Por algum preconceito a ideia que tinha dos seis meses de sol é que haveria um fartote de luz durante aqueles seis meses. Sim, o sol está acima do horizonte praticamente as vinte e quatro horas do dia. Mas a questão é, por onde anda ele?</p>
<p>A amostra estatística que possuo é pequena, mas a maioria das pessoas a quem perguntei, se não pensarem muito, imaginam o Sol da meia-noite, como um quasi interminável dia de praia. Será?</p>
<p>Num dia de verão, no Algarve, o percurso do sol nos céus é assim:</p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="400" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/GHaLIfUcOe4?fs=1&amp;hl=en_US&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="400" src="http://www.youtube.com/v/GHaLIfUcOe4?fs=1&amp;hl=en_US&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object>
</p>
<p>Note-se que o sol segue na parte cimeira da zona azul. Essa zona delimita os percursos que o sol percorre durante o ano. As sombras são curtas, particularmente nas horas em que o sol vai alto. No solstício de inverno, o sol cruza os céus na parte inferior dessa zona, mais junto ao horizonte.</p>
<p>Vejamos agora, num local sensivelmente a meio da Gronelândia, latitude de aproximadamente 75ºN. Mesmo no verão, o sol segue rasteiro, junto ao horizonte. Certo é que passa mais tempo acima dele e é por isso que ocorre o Sol da Meia-noite, mas sempre sem subir muito.</p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="400" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/1yDHnwG5rhw?fs=1&amp;hl=en_US&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="400" src="http://www.youtube.com/v/1yDHnwG5rhw?fs=1&amp;hl=en_US&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object>
</p>
<p>De notar as sombras, que, logicamente, são muito maiores. E para que não fiquemos só com as simulações, a prova:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-18842" title="1241305470_arctic-day-timelapse" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/1241305470_arctic-day-timelapse.gif" alt="" width="400" height="166" /></p>
<p>Mais que um longo dia de sol, o Sol da Meia-noite é um longuíssimo pôr-do-sol. E, pelo menos para mim, um potente depressivo, como todos os <em>limbos</em>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Aqui também há coisas boas</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2010/09/aqui-tambem-ha-coisas-boas/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Sep 2010 05:17:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[Típicamente, a cozinha aqui deste lado do Atlântico não é famosa, pelo menos ao nível da minha bolsa. É demasiado infantilizada: sem espinhas, sem ossos, excepto nos T-bones, adocicada e com pouca variedade. Mas aquele doce ali em cima é bestial, sobretudo em fins de tarde de final de verão, sobre relvados a perder de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/101308_alt1.jpg" alt="" title="101308_alt1" width="400" height="400" class="aligncenter size-full wp-image-18591" /></p>
<p>Típicamente, a cozinha aqui deste lado do Atlântico não é famosa, pelo menos ao nível da minha bolsa. É demasiado infantilizada: sem espinhas, sem ossos, excepto nos T-bones, adocicada e com pouca variedade. Mas aquele doce ali em cima é bestial, sobretudo em fins de tarde de final de verão, sobre relvados a perder de vista e montanhas lá muito ao fundo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A morte de Sacadura Cabral</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 03:56:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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		<description><![CDATA[vista deste lado. No seguimento da bela banda desenhada que o nosso caro António tem-nos vindo a apresentar e justamente ampliar, resolvi procurar na internet a primeira página duma edição evocativa da morte de Sacadura Cabral. Tenho um exemplar aí em Portugal, de 1924, que comprei há uns anos numa feira de velharias. É bela e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/sacadura-cabral.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-18643" title="sacadura-cabral" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/sacadura-cabral-500x672.jpg" alt="" width="500" height="672" /></a></p>
<p><em>vista deste lado. </em>No seguimento da bela banda desenhada que o nosso caro António tem-nos vindo a apresentar e justamente ampliar, resolvi procurar na internet a primeira página duma edição evocativa da morte de Sacadura Cabral. Tenho um exemplar aí em Portugal, de 1924, que comprei há uns anos numa feira de velharias. É bela e muito interessante, com dois anjos ladeando o malogrado aviador, numa composição romântico-patriótica muito ao estilo da época. E, curiosamente, reti os nomes do editor e outro qualquer personagem principal do jornal, na altura, listados no cabeçalho: Eduardo Schwalbach e Ariosto Saturnino(!).</p>
<p>Sacadura Cabral desapareceu, em 1924, algures sobre o Canal da Mancha. O avião foi encontrado mais tarde, mas o seu corpo e o do seu co-piloto nunca foram avistados.</p>
<p>O arquivo do Diário de Notícias, pelo menos online, é miserável. Não chega sequer ao século XX. E como não estou em Portugal, não vos posso mostrar a tal primeira página. No entanto, dei de caras com um enorme e dedicado esforço do Centro de Estudos Portugueses na Universidade do Massachusetts: o <a href="http://www.lib.umassd.edu/archives/paa/diario.html" target="_blank">arquivo digital</a> do «Diário de Notícias» (<em>ex</em> «A Alvorada»), um jornal português impresso em New Bedford de 1919 a 1973. A qualidade do arquivo é formidável e todos os jornais são pesquisáveis textualmente. Um recurso interessantíssimo para se conhecer comunidade emigrante nesta zona, bem como pelas notícias que então cá chegavam do nosso país.</p>
<p>A certa altura, quando o rumor da morte chega, o jornal relata:</p>
<blockquote><p><em>O malogrado aviador Sacadura Cabral tinha ido à Holanda a pedido do Governo Portuguez, comprar dois aeroplanos, marca Fokker, para a execução d’uma viagem à roda do mundo que estava em projecto.</em></p>
<p><em> </em><em>Aguardamos anciosos noticias oficiaes de Portugal, e fazemos votos para que as noticias particulares que recebemos fossem o resultado dum simples boato.</em></p>
</blockquote>
<p>A tragédia veio a confirmar-se e as notícias não eram certas sobre a descoberta do corpo do aviador. Ainda durante o mês de Dezembro desse ano, publicam-se detalhes adicionais da tragédia, com a informação que ia chegando de Lisboa. <em>Morreu um grande Portuguez</em>.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<hr />
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Com o arquivo entre mãos, coadjuvado por um certo narcisismo genético, fui procurar se a família tinha dado origem a parangonas na Nova Inglaterra. Não vos vou maçar com as minhas pesquisas, no entanto deixo-vos uma pequena notícia, dada no mesmo dia em que caiu o governo presidido por um meu antepassado.</p>
<p><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/portas.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-18647" title="portas" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/portas-300x472.jpg" alt="" width="300" height="472" /></a></p>
<p>Ao invés do articulista, diria que, em todo o caso, ambas se encontram em risco, e não uma ou outra. E também ao contrário do articulista, não penso que o mais curioso tenha sido o facto da notícia ter partido de um <em>sábio irlandez</em>. Para mim, o mais intrigante é que não sei quem é este segundo Portas, nem mesmo o primeiro (falha cultural minha?). No entanto, será coincidência o facto de Sacadura Cabral ser tio-avô de Paulo e Miguel Portas?! E tendo já o segundo Portas, será que se ainda produzirá, <em>talvez</em>, o fim do mundo?</p>
<p>Ah!, para terminar: é que já em 1938, também em New Bedford, se podia ir à casa <em>Sonotone</em>!</p>
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		<title>Saltos e Corridas</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Sep 2010 09:43:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 1936, nos jogos Olímpicos de Berlim, Jesse Owens ganhou quatro medalhas de ouro no atletismo, tendo triunfado na mediática prova dos 100m. A sua vitória estragou os planos nazis de fazer o pleno das vitórias arianas, muito embora os alemães tenho ganho mais medalhas que qualquer outro país, sendo que os Jogos foram considerados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/e/K1XclGwJY8s"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/e/K1XclGwJY8s" type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Em 1936, nos jogos Olímpicos de Berlim, Jesse Owens ganhou quatro medalhas de ouro no atletismo, tendo triunfado na mediática prova dos 100m. A sua vitória estragou os planos nazis de fazer o pleno das vitórias arianas, muito embora os alemães tenho ganho mais medalhas que qualquer outro país, sendo que os Jogos foram considerados um sucesso pelo regime. Hitler não terá cumprimentado Owens, mas mais tarde o atleta afirmou que quando passou em frente ao Führer, este ter-se-à levantado e acenado, tendo Owens respondido de igual forma. Hitler terá deixado de cumprimentar quaisquer atletas a seguir ao primeiro dia, quando tinha saudado apenas os atletas alemães; o comité olímpico terá pedido a Hitler para cumprimentar todos ou nenhum, sendo que Hitler escolheu a segunda hipótese. Quando Owens ganhou, Hitler nem se encontrava no estádio.</p>
<p>Owens, foi o primeiro atleta negro a receber um patrocínio, quando Adolf Dassler, fundador da Adidas, o convenceu a usar sapatilhas da sua marca. No salto em comprimento, o alemão Luz Long, que acabou por ficar em segundo lugar a seguir a Owens, sugeriu-lhe, quando Owens já tinha invalidado dois saltos da classificação, fizesse uma marca na pista uns centímetros antes da marca, para não arriscar demais. Na final, quando Owesn ganhou, o primeiro a cumprimentá-lo foi Long. Owens terá continuado a corresponder-se com a família de Long após a morte deste, na Segunda Guerra Mundial.  Também na Berlim nazi, certo é que menos opressiva para a recepção da olimpíada, Owens pôde usar os transportes públicos livremente e entrar em bares e noutros lugares públicos sem problemas. Como é visível no video acima, a sua vitória foi efusivamente celebrada e nas ruas pediam-lhe tantos autógrafos que Owens se queixou da fama. Ao regressar aos Estados Unidos, houve uma parada na Quinta Avenida em Nova Iorque em sua honra, mas na subsequente recepção no hotel Waldorf-Astoria, Owens teve de tomar o elevador de serviço. Continuou a ter de andar na parte de trás do autocarro e nem Roosevelt, nem Truman o convidaram à Casa Branca. Sem patrocínios ou outros contratos <em>phelpianos</em>, Owens terá ganho algum dinheiro a correr contra cães e cavalos.</p>
<p><em>“Hitler não me desprezou — foi Roosevelt quem o fez. O presidente nem um telegrama me enviou”.</em></p>
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		<title>Os Anormais</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Sep 2010 08:39:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[João Baptista dos Santos nasceu em Faro, no ano de 1843. Eu nunca tinha ouvido falar dele. Não é que haja falta de anormais na nossa praça pública, pelo que é concebível que um ou outro escape, no entanto, a este senhor não faltaria fama por entre os mais jovens, caso dele tivessem tido conhecimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/dos_santos.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-18192" title="dos_santos" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/09/dos_santos-300x304.jpg" alt="" width="300" height="304" /></a> João Baptista dos Santos nasceu em Faro, no ano de 1843. <em>Eu</em> nunca tinha ouvido falar dele. Não é que haja falta de anormais na nossa praça pública, pelo que é concebível que um ou outro escape, no entanto, a este senhor não faltaria fama por entre os mais jovens, caso dele tivessem tido conhecimento no ano certo da escolaridade obrigatória. É que João Baptista dos Santos possuía, entre as duas normais, uma terceira perna. Uma aberração, ou mera curiosidade, consoante as opiniões, a verdade é que o homem nasceu com mais um membro (que na realidade eram duas pernas atrofiadas fundidas). A perna não era funcional, embora pudesse ser manipulada e, muito embora nunca tenha sido operado, Baptista dos Santos era capaz de andar a cavalo, amarrando a sua terceira perna a uma das coxas. Ainda assim, por curioso que este fenómeno fosse, o que suscitava mais interesse era o facto de João Baptista dos Santos sofrer da raríssima <em>diphallia</em>. E, ao contrário da sua terceira perna, o segundo pénis era perfeitamente funcional. Segundo o fotógrafo Charles DeForest Fredricks, que registou a única fotografia conhecida de João Baptista, “basta a visão de uma mulher para excitar as suas propensas amorosas. Ele funciona com ambos os pénis, acabando com um e continuando com o outro.” Tendo sido oferecido um generoso contrato para se exibir em circos franceses, João Baptista dos Santos recusou a oferta, preferindo mostrar-se apenas em círculos médico-científicos.</p>
<p>Mas como uma curiosidade se torna ainda mais interessante quando outra curiosidade se associa a ela, cá vai a segunda parte desta diplopia. Embora não haja provas, reza a história que João Baptista dos Santos terá tido um <em>affair</em>, em Paris, com a cortesã Blanche Dumas. Dumas não só tinha também uma terceira perna, como sofria de duplicação vaginal, que, à semelhança do seu contraposto luso, eram perfeitamente funcionais.</p>
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		<title>KZ Dachau</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 12:53:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há um par de meses visitei Dachau. A localidade é uma pequena cidade a uns escassos quilómetros de Munique. O seu nome ficou gravado na nossa memória colectiva devido ao Konzentrationslager Dachau, o primeiro campo de concentração nazi, modelo para os milhares que se haviam de construir até ao fim da guerra e escola dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div id="attachment_17509" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/08/MKHC.jpg"><img src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/08/MKHC-500x122.jpg" alt="" title="MKHC" width="500" height="122" class="size-large wp-image-17509" /></a><p class="wp-caption-text">KZ Dachau</p></div><br />
Há um par de meses visitei Dachau. A localidade é uma pequena cidade a uns escassos quilómetros de Munique. O seu nome ficou gravado na nossa memória colectiva devido ao <em>Konzentrationslager Dachau</em>, o primeiro campo de concentração nazi, modelo para os milhares que se haviam de construir até ao fim da guerra e escola dos oficiais SS responsáveis pelo sistema. Dachau não foi um campo de extermínio, apesar de ter crematório e uma câmara de gás que, à excepção de umas experiências não devidamente confirmadas, não foi usada. Não deixou de ser, por isso, obviamente, um local de morte e desgraça.</p>
<p>Ao visitar o campo senti uma certa e justificada apreensão. Era a primeira vez que entrava num daqueles lugares. Ignorando as dezenas de americanos (turba à qual eu, talvez, já pertença um bocadinho), a primeira coisa que me causou impressão foi a localização do campo: está na cidade. Não no centro, e por ventura na altura a cidade não alcançaria directamente os seus muros, mas está longe de ser um local de terror isolado e distante do mundo civilizado. A segunda coisa que me marcou foi o bonito que é. E isso é algo de muito estranho. É certo, já lá não estão os espectros, nem os odores, e as árvores cresceram, mas a verdade é que o local é agradável. É na fronteira com os campos que circundam a cidade, portanto não lhe faltam os sons da natureza. Uma enorme e larga alameda, ladeada por frondosas árvores é, ironicamente, pacificadora. E aí me consciencializei da necessidade de manter a memória viva. A passagem do tempo tudo faz desvanecer e bastavam crescer umas heras e uma erva alta, que logo a floresta engoliria o KZ Dachau para o esquecimento, assim que morressem os últimos sobreviventes.</p>
<p>No entanto, aquilo que me deixou mais perturbado foi, ao sair, quando confrontado com aquele lugar belo, nada isolado, me pus a mim mesmo a questão: tivera eu vivido naquela Alemanha nazi, será que teria tomado parte naquela barbárie? Sei o que gostaria que fosse a resposta. Mas a perspectiva da nossa infalibilidade e, mais grave, de podermos ceder ao Mal as nossas forças para o propagar, foi essa, sem dúvida, a marca aterradora que me imprimiram os mortos de Dachau.</p>
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		<title>Hello</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Aug 2010 00:27:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E entretanto uns partiram, dos quais muitos não voltam. As notícias falam da dívida sempre crescente, o desemprego que não vai famoso, políticos que querem passar todos os alunos, gente que ora é empresário, ora é ministro, sem dar cavaco à terra que os produz. Não é, com certeza, o paraíso, mas é casa. E, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><a href='http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/08/8FB2A4AE-DFFE-486D-BDCC-04B54FF1B8A4iphone_photo.jpg'><img src='http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/08/8FB2A4AE-DFFE-486D-BDCC-04B54FF1B8A4iphone_photo.jpg' border='0' width='187' height='281' style='margin:5px'></a></center><br />E entretanto uns partiram, dos quais muitos não voltam. As notícias falam da dívida sempre crescente, o desemprego que não vai famoso, políticos que querem passar todos os alunos, gente que ora é empresário, ora é ministro, sem dar cavaco à terra que os produz. Não é, com certeza, o paraíso, mas é casa. E, não sei como alguns fazem, não consigo cortar a linha. De regresso a Portugal, cá vou eu. Sabe muito bem. </p>
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		<title>Trago sempre comigo</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 22:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um amigo meu, um dia, seguia num carro, com o guia, pelo deserto argelino. À passagem por uma pequena povoação, deram boleia a um aldeão já velho. O seu aspecto era típico de um livro de fotografias do magrebe. Pele queimada pelo sol, uma barba muito branca e um sorriso inebriante. De repente, pouco depois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-large" src="http://www.gsmesite.org/ngarkimet/albumet_imzh/101_7.jpg" alt="" width="504" height="378" /></p>
<p>Um amigo meu, um dia, seguia num carro, com o guia, pelo deserto argelino. À passagem por uma pequena povoação, deram boleia a um aldeão já velho. O seu aspecto era típico de um livro de fotografias do magrebe. Pele queimada pelo sol, uma barba muito branca e um sorriso inebriante. De repente, pouco depois de o automóvel ter iniciado a marcha, pede para parar, sai do carro a correr e volta com um pano branco, todo enrolado. <br />
<em> — É o meu sudário. Sabe, é que já sou velho e não quero maçar ninguém. </em></p>
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		<title>Cemitérios?</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Jul 2010 10:35:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Também eu quero entrar na conversa sobre os cemitérios preferidos. Os de Paris são marcos, mas já deles falaram. Primeiro, no entanto, falo daqueles de que não gosto. Salvo raras excepções, sobretudo entre os mais antigos, os cemitérios em Portugal são hediondos. Eu tenho alguma experiência em exéquias fúnebres, já que um dos ramos da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Também eu quero entrar na conversa sobre os cemitérios preferidos. Os de Paris são marcos, mas já deles falaram. Primeiro, no entanto, falo daqueles de que não gosto. Salvo raras excepções, sobretudo entre os mais antigos, os cemitérios em Portugal são hediondos. Eu tenho alguma experiência em exéquias fúnebres, já que um dos ramos da minha família quase que desapareceu em meia-dúzia de anos, sendo que por isso acho ter alguma autoridade no que respeita à apreciação estética da coisa.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-16053" title="Cemitério no alentejo" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/07/Screen-shot-2010-07-14-at-14.16.01-500x301.png" alt="" width="500" height="301" /></p>
<p>Mármore e flores de plástico — especialmente ao ar livre, onde o primeiro dura séculos e as segundas dias — há que dizer, não combinam. Depois há os jazigos, essas casinhotas onde se podem coleccionar caixões, que por mais dez ou vinte mil euros que custem, não deixam de ser casinhotas onde se coleccionam caixões. E quando são rematados com uma porta de alumínio envidraçada, só fica a faltar adornar com aquelas cortinas espanta-moscas de miçangas à moda do talho. Há, ainda, o problema de se dar rédea solta à imaginação das pessoas que, é sabido, em momentos de dor não estão na posse das suas plenas faculdades e só assim se explica o facto de marcarem as campas dos seus entes queridos para a eternidade com tamanho mau gosto. E já nem falo dos caixões; tomem nota da simplicidade do do papa {refCit}João Paulo II{/refCit}.</p>
<p>{textCit}<img class="aligncenter size-medium wp-image-16045" title="800px-Pope_johnpaul_funeral_politics" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/07/800px-Pope_johnpaul_funeral_politics-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" />{/textCit}</p>
<p>Por fim, a cremação, no nosso país, só resulta em poupar um bocadinho de espaço. Por lei não se pode levar as cinzas para casa, deitá-las ao vento, ao mar, ou noutro qualquer lugar igualmente poético. Não, têm de ficar guardadas, numa urna, numa gaveta, onde? Naqueles cemitérios hediondos.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<hr />
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Entram os americanos. Se há coisa onde deixaram marca e estilo, em grande parte fruto da sua virilidade como nação militarista, é os campos e campos de tombados na guerra. A beleza dos locais, a simplicidade das campas, o cuidado no arranjo, o relvado impecável e a força assombrosa da simetria aliada aos pesados números tornam estes cemitérios os mais bonitos que conheço.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-16043" title="arlington national cemetery" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/07/arlington_national_cemetery-memorial-day-500x366.jpg" alt="" width="500" height="366" /></p>
<p>Em cima, o famoso Arlington National Cemetery, e em baixo, em Colleville-sur-mer, na Normandia, junto ao mar, o cemitério das forças americanas mortas na libertação de França, na Segunda Guerra Mundial.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-16044" title="american cemetery in normandy" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/07/rachels-pix-048-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p>Mas não é só nos cemitérios militares que os americanos se esmeram. Aqui nas redondezas de Boston fica o Mount Auburn Cemetery, um magnífico espaço pela sua beleza natural, pintado de branco no inverno, colorido de radiante verde no verão, ao qual se seguem os maravilhosos tons outonais da Nova Inglaterra. É um encanto passear em Mount Auburn.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-16041" title="mount auburn cemetery" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/07/watertown.jpg" alt="" width="412" height="315" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
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		<title>A história de Barbados e da Jamaica</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 08:55:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[It may be tempting for readers to regard this paper as a quaint tale of two exotic islands better known for their beaches, music, and Olympic sprinters than their significance in the global economy. On the contrary, we think that important general lessons lie at the heart of this Caribbean parable. Institutions versus Policies: A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>It may be tempting for readers to regard this paper as a quaint tale of two exotic islands better known for their beaches, music, and Olympic sprinters than their significance in the global economy. On the contrary, we think that important general lessons lie at the heart of this Caribbean parable.</em><br />
<small><a href="http://w4.stern.nyu.edu/aboutstern/publications/Tale_of_Two_Islands-AER.pdf">Institutions versus Policies: A Tale of Two Islands</a>, <em>Peter Blair Henry and Conrad Miller</em></small></p>
</blockquote>
<p>As coisas nunca são tão simples como alguns querem fazer parecer, de um ou do outro lado. A sociedade portuguesa, após à estabilização que teve lugar na sequência do PREC e dos tumultos pós-25 de Abril, e após um período, breve, de crescimento, começou a ficar <em>crispada</em>. Sampaio usou a palavra vezes sem conta. E, em grande medida, tinha razão. Soares dos Santos levantava a mesma crítica, há dias, no Plano Inclinado: é impossível falar-se entre nós. Discutir, planear, organizar. As críticas são imediatas, não há capacidade de estabelecer um desígnio nacional, não há possibilidade de se encarar um futuro que requere esforço e coordenação. Sê-lo-á por falta de liderança, pela existência de ódios e rancores que poucos querem sanar e ainda devido a uma larga camada que se aproveita deste estado de coisas.</p>
<p>As coisas nunca são tão simples como alguns querem fazer parecer, mas aqui ficam as histórias de Barbados e da Jamaica. <small>(via <a href="http://www.thisamericanlife.org/radio-archives/episode/410/social-contract">This American Life</a>.)</small></p>
<p><a href="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/07/The%20Story%20of%20Barbados%20and%20Jamaica.mp3">The Story of Barbados and Jamaica <small>[ 22min, em inglês ]</small></a></p>
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		<title>O Caminho Certo</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 23:38:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ninguém sabe qual é. E na política, as coisas ainda se tornam mais complicadas. Ontem, até António Costa disse que os ministros não acompanham o dinamismo do Primeiro-Ministro. Por ventura, o que lhes falta é orientação. Aqui está a solução.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ninguém sabe qual é. E na política, as coisas ainda se tornam mais complicadas. Ontem, até António Costa disse que os ministros não acompanham o dinamismo do Primeiro-Ministro. Por ventura, o que lhes falta é orientação. Aqui está a solução.</p>
<p><object width="550" height="309"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12748440&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=d6333c&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12748440&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=d6333c&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="550" height="309"></embed></object></p>
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		<title>A melhor praia do mundo*</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 17:41:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
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<p>*É sabido que qualquer terrinha americana tem a melhor loja de gelados do mundo e, na Nova Inglaterra, os melhores <em>lobster rolls</em> do universo. Aqui também eu faço uso da hipérbole para dar ao Guincho um título que não precisa. E para os que não gostam dos desportos <em>anemoaquáticos</em>, o melhor do Guincho é a raridade com que proporciona o acolhimento a que todos se julgam devidos.</p>
<p>Um bom verão a todos. <em><a href="http://www.sixhat.net/" target="_blank"><small>via</small></a></em></p>
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		<title>Saramago</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 12:19:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regulares]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-large wp-image-14980" title="Saramago" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/06/Saramago.jpg" alt="" width="500" height="639" /></p>
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		<title>Francisco Pinto da Cunha Leal</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 22:31:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Queridos Mortos]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-large wp-image-14645" title="cunhaleal" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/06/cunhaleal-500x265.png" alt="" width="500" height="265" /></p>
<p>Partilho com ele os meus três primeiros nomes. Aliás, só o primeiro já era motivo de orgulho, não só para mim, mas também, pelo que pude ver, por entre papeladas velhas , uma carta de condolências do já extinto “Os Franciscos — Clube de homónimos”. Francisco Pinto da Cunha Leal, nasceu, como Fernando Pessoa, em 1888, pronto para a vida irrequieta que iria ter na atribulada primeira metade do século XX que se avizinhava. Nasceu no Alcaide, conterrâneo de João Franco, acabou por descer à capital onde se formou como engenheiro militar. Cedo se deu conta que não era no exército que queria fazer carreira. Com vinte e seis anos partiu para o ultramar, para construir a linha férrea na Serra da Chela, no começo do planalto do sul de Angola. Lá incompatibilizou-se com Norton de Matos, após os estalar da Primeira Guerra Mundial. Em 1917 seguiu com o corpo expedicionário português para França e depois de regressar ingressou na política. Foi Ministro das Finanças e o mais jovem Presidente do Concelho em Portugal. Ao albergar o opositor político António Granjo, foi baleado na tristemente célebre Noite Sangrenta. Foi Reitor da Universidade de Coimbra, director do Século e fundador da Vida Contemporânea. Apoiou a ditadura como forma de acabar com a conturbada instabilidade da Primeira República, mas cedo se voltou contra Salazar, devido à política financeira deste e pelo insustentável prolongar da ditadura. Viveu exilado na Corunha depois de ter fugido dos Açores para onde foi deportado. Foi dos primeiros a propor soluções de autonomia para as colónias.</p>
<p>Muitas mais peripécias teve a sua vida, que não sei aqui devidamente contar. Salazar tolerou-o e o resto da sua vida foi vivido num progressivo esquecimento e recato, certamente indigno do seu carácter e do seu espírito. Eu cresci com algumas memórias recontadas por minha mãe, do seu avô. Hoje é 10 de Junho e talvez seja egoísta da minha parte usar este espaço para deixar aqui esta recordação que não tenho. Mas chama-se <em>Queridos Mortos</em> e porque não? No dia de hoje, é bem relembrado, pois dedicação ao país não lhe faltou.</p>
<p>Aqui deixo um pequeno episódio das suas memórias, que se terá passado logo após o fim da sua formação como engenheiro militar, no despontar da Primeira Guerra dos Balcãs:</p>
<blockquote><p>A luta pela vida não a ia eu iniciar com o fecho da minha carreira académica, visto como havia mais de meia dúzia de anos que não dependia de subsídios pecuniários familiares. Simplesmente esse combate ia tomar novo aspecto, ia exigir deliberações que poderiam conduzir-me ao sucesso ou insucesso, consoante o seu acerto ou desacerto. Sucedia ainda que essa necessidade de ser criterioso e cauteloso coincidia com uma fase de grande desorientação do meu espírito, que — pobre de mim! — não conseguira regressar ao estado de equilíbrio anterior à morte de minha Mãe.</p>
<p>A boémia, a que me deixara resvalar, no fundo não me seduzia, antes provocava em mim sensações de náusea e desconforto, embora não resolvesse ainda a abandonar essa companheira malfazeja e indesejável. Atraía-me, isso sim, a ideia da Grande Aventura, que me fizesse percorrer sendas bem diversas das ronceiras trajectórias das existências do comum das gentes.</p>
<p>De facto, cada vez mais me reputava incapaz de me adaptar à vida de quartel nos idílicos períodos de paz. O ramerrão das reduzidas tarefas normais, entrecortadas de intermináveis bocejos, até que a publicação da Ordem nos desse o almejado sinal da libertação; os dias de serviço, com as suas noites desconfortáveis, passados em cubículos pouco higiénicos; as fases mais movimentadas e, portanto, menos fastidiosas das escolas de recrutas e repetição — tudo isso não excitava em mim, sequer ao menos, pálidos vislumbres de interesse. Por minha desgraça, se bem que compreendesse a grandeza da servidão militar, a nobreza do amesquinhamento voluntário da pessoa humana, como sacrifício ofertando ao altar da Pátria, não me sentia com vocação para esta modalidade de martirológio.</p>
<p>Quantas vezes, no final dos nossos cursos, não debatemos, eu e o Humberto de Ataíde, este magno problema da orientação a imprimir às nossas vidas! Foi numa dessas conversas que surgiu uma perspectiva que à exaltação das nossas mentes se augurou aliciante.</p>
<p>Tinha deflagrado a guerra entre a Turquia e os povos balcânicos, ansiosos de sacudirem os últimos vestígios de uma tutela que se iniciara com a conquista e a opressão e fora perdendo, através dos tempos, grande parte das sua virulência e crueldade. Aqui nos lançámos os dois em cavilações histórico-filosóficas para decidirmos se o interesse europeu seria melhor servido pela vitória da primeira ou pelos segundos. Acabámos por concluir que o predomínio dos turcos na região balcânica e a integridade da federação austro-húngara eram essenciais para a preservação do equilíbrio e, portanto, da paz na Europa.</p>
<p>É que, durante séculos, desde os recuados tempos do Império Romano, o centro e o oriente do Velho Continente tinha estado sujeitos a um contínuo fluxo e refluxo de invasores, vindos da Ásia, donde resulto que na Boémia e ao longo da zona danubiana se tinham enquistado núcleos populacionais de várias origens étnicas. Aplicar a esses sectores europeus o princípio das nacionalidades para a construção de Estados plenamente autónomos, sem quaisquer restrições de soberania, seria um contrassenso. De facto, concedendo-se-lhes fronteiras naturais, susceptíveis de defesa militar, ficariam encravadas dentro do território de cada Estado, minorias raciais, que estariam submetidas às inevitáveis prepotência das maiorias.</p>
<p>Logicamente só haveria dois arranjos políticos para permitir o convívio de povos racialmente dissemelhantes e assim interpenetradas: a federação — era o caso do Império dos Habsburgos — ou a tutela dum Estado forte sobre um desarticulado conjunto populacional — era o caso da Turquia em relação à manta de retalhos balcânica.</p>
<p>Por este encadeamento de raciocínios, fomos, pois, levados a tomar no conflito em curso o partido da Turquia, contrariando assim a corrente geral da simpatia europeia. Ou não fôssemos nós espíritos autónomos e originais! E então surgiu a tal perspectiva atrás aludida, que pode definir-se nestas poucas palavras: oferecer aos turcos o nosso <em>preciosíssimo</em> concurso militar. Isso sim é que seria a Grande Aventura!</p>
<p>Nessa altura, o meu bom Humberto de Ataíde, cuja imaginação era bem mais fértil do que a minha, começou a enxerta neste problema outros de ordem prática, cuja exposição me deixou boquiaberto. Logo que estivesse assente a nossa partida, deveríamos entender-nos com jornais portugueses, para que eles nos improvisassem em seus correspondentes de guerra, claro está mediante subministração da vil pecúnia. E, após o termo das hostilidades, se delas regressássemos com vida, seria de encarar — porque não? — um giro de conferencias por esses Brasis fora, para ver se, sacudida, a árvore das patacas nos proporcionaria lauta apanha dos seus preciosos frutos. Concordei, está bem de ver, com este sedutor programa de miragens. E não conhecíamos nós a história de Winston Churchill, para nela nos inspirarmos. Não há dúvida de que os bons espíritos usam encontrar-se!</p>
<p>Assente o nosso propósito de colaboração militar com os turcos, tentámos convencer o Carlos Selvagem a dar-lhes adesão. Ele hesitou e acabou por negá-la, mas pouco nos conheceria que pensasse que isso era razão suficiente para provocar a nossa desistência. O que se tornava necessário e urgente era viabilizar o nosso projecto.</p>
<p>Para esse efeito, entendemos por bem dirigir-nos ao representante da Turquia, para fazermos por seu intermédio o oferecimento dos nossos serviços. Tivemos a primeira desilusão quando constatámos que aquele pais não tinha ministro acreditado junto do nosso governo. Havia, porém, um consulado, de cuja localização facilmente nos inteirámos. Sem mais hesitações, lançámo-nos à conquista deste baluarte.</p>
<p>Pelo caminho Humberto de Ataíde ia-me instantemente recomendando que tratasse de me apresentar com garbo militar mais aprimorado que fosse capaz de impor ao meu ingénito desleixo e desenfado. Chegámos por fim ao nosso destinho e fizemo-nos anunciar ao Sr. Cônsul, que, sem enfadonhas demoras, houve por bem receber-nos.</p>
<p>Aqui tivemos a nossa segunda e grave desilusão. Quando esperávamos encontrar um Sr. Turco, fiel ao fez e ao seu pais, deparámos com um Português dos quatro costados, que, ao perguntar-nos com óptima tonalidade alfacinha qual o objectivo da nossa visita, nos deixou estarrecidos. Mas, enfim, refeitos do choque inicial, lá lhe papagueámos o trecho literário, que fora objecto das nossas cogitações.</p>
<p>Coube a vez ao Sr. Cônsul de ficar surpreendido. Olhou para nós com o ar incerto de quem não era susceptível de compreender que dois jovens aventureiros da nossa terra se pudessem importar pouco ou muito com o facto de a distante Turquia perder ou ganhar a guerra. O homem levou a recompor-se bem mais tempo do que a nós anteriormente nos custara a mesma operação. Acabou por declarar-nos que estava pronto a transmitir ao Governo turco o nosso oferecimento e o desejo de que nos fosse indicado o caminho a seguir para o efectivarmos, mas sob a expressa condição de que os Poderes Públicos de Portugal não se opusessem à nossa colaboração no longínquo fenómeno bélico. Respondemos-lhe que iríamos ocupar-nos, sem demora, de tal autorização.</p>
<p>E fomos. Era Ministro da Guerra o Coronel Correia Barreto, pessoa das relações de ambos os pretendentes a protectores da Turquia. Também o Ministro se revelou pressuroso em rever-nos e fê-lo com o mais bondoso e paternal dos seus sorrisos. Ao que vínhamos — inquiriu de nós. Quando dum fôlego, não fosse faltar-lhe a coragem, o Ataíde lhe expôs as nossas ideias e os nossos propósitos, Correia Barreto esgargalou os olhos e à queima-roupa disparou-nos a frase seguinte, como intróito de mais extenso arrazoado: «Vocês estão doidos, rapazes!» E, a seguir, vá de nos demonstrar que a nossa atitude significava, nada mais, nada menos, do que uma tentativa de perturbação da quieta neutralidade do Estado português. E, por mais que nós, atabalhoadamente ao principio, já quase eloquentemente no fim, o procurássemos convencer da sem-razão dos seus argumentos, nada conseguiu abalar a granítica firmeza daquela fortaleza neutralista. Estávamos proibidos de levar a cabo as nossas concepções belicistas.</p>
<p>Ao sairmos desta conferencia com o Correia Barreto, o nosso estado de espírito repartia-se entre a indignação e o desencorajamento, mas, teimoso e férreo nas suas resoluções, Humberto de Ataíde não queria desistir às primeira e teve uma ideia: a de escrevermos ao Cônsul-Geral de Portugal na Turquia — se não me engano, era o Alfredo Mesquita —, pedindo-lhe que transmitisse os nossos desejos ao Governo turco e lhe solicitasse indicação quanto ao caminho a seguir. Estávamos dispostos, se tanto fosse necessário, a pedir a nossa demissão de oficiais do Exército português, mas esperávamos obter a passagem à situação de licença ilimitada, para podermos ausentar-nos do território nacional com passaporte de turismo.</p>
<p>Demorou bastante tempo a almejada resposta. No entanto, precipitara-se o andamento da guerra e os turcos deram-se por vencidos. Esta era a situação, quando chegou por fia a já desnecessária epístola do Sr. Cônsul. Dizia-nos ele que a marcha inexorável dos sucessos bélicos ferira de morte os nossos projectos, mas que o Governo e os jornais turcos haviam tomado conhecimento deles. Em Constantinopla tinha sido altamente apreciado o nosso gesto. E, para prová-lo, mandava-nos três recortes da imprensa local e suas respectivas traduções, todos eles com a mais cativante exaltação do sentimento turcófilo, que presidira aos nossos projectos.</p>
<p><small>Cunha Leal, <em>As Minhas Memórias</em></small></p>
</blockquote>
<p><em> Francisco Feijó Delgado</em></p>
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		<title>Ir ao debate</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 00:38:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Feijó Delgado</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_14602" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-large wp-image-14602" title="600_13905137" src="http://www.etudogentemorta.com/wp-content/uploads/2010/06/600_13905137-500x422.jpg" alt="" width="500" height="422" /><p class="wp-caption-text">The Great God Debate</p></div>
<p>Aqui há umas semanas fui assistir ao um debate entre entre Christopher Hitchens e Rabbi Wolpe (<em>“#1 Pulpit Rabbi in America”, </em>seja lá o que isso for), moderado pelo Tom Ashbrook, talvez conhecido dos que passaram por Boston, ou dos que, por qualquer razão, oiçam o On Point na NPR.</p>
<p>O debate em si foi interessante, nada de muito novo, quem conhece a coisa e a causa pode bem imaginar. Mas uma das coisas que me deu mais gozo, foi ir ao debate em si, como quem vai ao cinema ou ao teatro. Acho que o aspecto lúdico dos debates bem podia estar na moda. E acho que fazia um dinheirão, também. Mas não podem ser daqueles maçadores. A única coisa parecida de que me lembro, nos últimos tempos, sendo que  nesses não havia intervenção intervenção do público, é o saudoso <a href="http://cultura-estupido.blogspot.com/" target="_blank">É a Cultura Estúpido</a>.</p>
<p>O ETGM bem podia ter uma sessão mensal. Ao menos aí, podíamos chegar a vias de facto!</p>
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