Aspecto da Orla de Camocim
Reminiscências e a inevitável viagem em família
–um texto mais longo para uma mais longa paciência
Amyr Klink, o navegador solitário, uma celebridade no Brasil, tendo publicado diversos travelogues sobre suas arrojadas expedições náuticas – que inclui a travessia do Atlântico em um minúsculo barco a remos e uma audaciosa circunavegação da Antártica em um veleiro – disse da cidade em que nasci, ser o maior museu a céu aberto de construção náutica artesanal no país, quando por lá passou no início desta década. Era para ter ficado um par de dias. Ficou semanas, encantado com a perícia dos artesãos náuticos locais.
Porém até os meus nove anos, 1973, Camocim era então um porto respeitável. O estuário do rio ainda não havia sido assoreado por bancos de areia e navios de um considerável calado ainda adentravam a barra e atracavam no cais. Comerciavam sobretudo com a indústria salineira; o beneficiamento da pesca da lagosta e de um peixe que para nós é o sucedâneo do bacalhau – só que mais saboroso –: o tarpão, mais conhecido na região por camurupim; o extrativismo de ceras vegetais, que no passado responderam inclusive pelo que depois foi substituído pelo acetato nos discos de vinil; além de um lucrativo contrabando de uísque, que aportava via as distantes Guianas.
Em tempos passados, o porto fora frequentado por embarcações que vinham de ainda bem mais longe. Basta lembrar que a viúva que morava na casa vizinha à de meu avô materno, Antônio Enéas de Vasconcelos, fora casada com um comandante de navio norueguês, que optou por se fixar na cidade.
Afora isso, havia uma estação ferroviária que deixou de funcionar apenas em 1975, um ano após nossa família mudar-se para Fortaleza. Como se não bastasse toda a fachada de Camocim, velhos sobrados, solares, trapiches, hoje já bastante descaracterizados, debruça-se sobre a foz do rio guarnecida por uma antiga balaustrada, pontilhada de pequenos ancoradouros. E tudo isso a ela conferia um aspecto totalmente distinto de qualquer cidade do Ceará ou mesmo do Nordeste – com a possível exceção de Recife – da Recife de uns anos para trás: uma estranha atmosfera vagamente europeizada. Essa ambiência era muito mais acentuada, à época em que moramos lá. Inclusive com várias casas providas de porões, ao modo de adegas, ainda que não houvesse qualquer vinho a estocar lá por baixo.
Mas, em geral, o binômio ferrrovia-porto, junto com o fato de um camocinense ser um dos pioneiros da aviação no Brasil, suscitava um futuro de prosperidade e importância que, para todos os efeitos, não vingou.
Aliás, essas doses homeopáticas de micro-modernidade urbana aí de inícios para meados do sec. XX em Camocim suscitaram durante algum tempo algumas analogias com o Recife, guardadas as devidíssimas proporções. Como sede da Estrada de Ferro de Sobral, essa Camocim concentrou até a década anterior a que nasci, os anos 50, um considerável contingente de ferroviários. Cerca de trezentos operários. Mão de obra especializada revezando-se dia e noite, com usina elétrica própria 24 horas ao dia, desde os anos 20.
Fabricavam-se vagões, reparavam-se pesadas locomotivas em suas oficinas, que tanto me impressionavam, quando por lá passeávamos nos finais de semana, elas já tendendo à ruína, por sua arquitetura de arcos altíssimos e imensos portões, erguida seguindo um padrão inglês do final do sec. XIX. O mesmo que reencontrei, anos depois, em Stockport ou nos subúrbios de Manchester. Meu pai, que deixara a cidade com sete anos, para o colégio interno, descrevia a azáfama dessas oficinas com verve. E podia-se ouvir, pelas suas palavras, todo aquele mundo mecânico: o bater dos malhos; o encaixe das tábuas cavilhadas, respingadas; a mordida dos alicates; o came, a plaina…
E o que se comentava, então, era que, pela concentração de operários, os dois maiores pólos de comunismo no Nordeste aí pelos conturbados idos de 30 eram precisamente Recife e Camocim.
Assim, para todos os efeitos, meus dois irmãos e eu éramos crianças que, ao mesmo tempo que jogávamos bola e bila, brincávamos na rua, assistíamos John Wayne e Western Spaghetti no cinema, víamos Lost in Space e I Dream of Jeannie na TV, detestávamos as aulas de catecismo, dançávamos o São João com as colegas da escola e tomávamos banho na água salobra da foz do Rio Coreaú – antigo Rio Camocim ou Rio da Cruz, por onde Vieira e os jesuítas aportaram na demanda das Missões da Serra da Ibiapapa – também tínhamos algo que nos afastava daquilo tudo.
E esse afastamento passava pela biblioteca de meu pai. Meu pai fora educado por professores alemães, e lê o francês e o alemão com fluência. E esse distanciamento ressaltava mais precisamente pelo fato de ele nos haver ensinado francês desde muito cedo. Porque nada agrega uma perspectiva maior do que, desde cedo, ser capaz de “pensar” a realidade à volta sob um outro esquema mental. O esquema mental de um outro idioma – o que equivale a dizer: de uma outra cultura. É como estar fazendo uma permanente tradução. De modo que, durante anos, meu pai era um dos poucos assinantes do semanário L’Express na cidade, assim como nós, com toda certeza, os únicos a receber semanalmente Le Journal de Mickey.
Aliás, um de meus livros prediletos dessa infância camocinense era um dicionário para crianças, maravilhosamente ilustrado, intitulado Mon Larousse en images.
Não tenho dúvida de que a realidade à volta era incomensuravelmente mais sopesada por aportes de elementos críticos, mesmo para o esquema mental das crianças que éramos, pelo fato de pensá-la, parcialmente, em uma outra língua. E, em nosso caso, muito ironicamente, aprendemos até a conjugar certos tempos verbais em francês antes de fazê-lo em português. Além disso, desde cedo aprendemos a jogar xadrez. E nesse aspecto, era eu mais preguiçoso que meu irmão mais novo. O que envidava o fato de que ele ganhasse mais partidas. O que não me irritava pouco. Aliás ele sempre se saía melhor em aritmética, na escola. Enquanto minhas matérias favoritas eram história e português.
E, no entanto, havia uma concreção de linguagens e expressões as quais meu pai era por demais estrangeiro para dela dar conta. Ele vivera boa parte da infância e da juventude fora da cidade. E esta linguagem concreta, tão enraizada no local, nos veio por minha mãe. E era tão ou mais importante do que a livresca. Ao menos para mim. Porque incorporava expressões de uma poesia indemarcável. Como quando ficávamos doentes e era necessário banhar-nos à água morna. E a essa água morna se chamava “água quebrada a frieza”. Acho que não preciso dizer mais nada, aqui.
Meu pai e minha mãe parecem bastante com suas famílias. E, de certo modo, se complementam em temperamento. Meu Pai, mais reservado, cético, embora dotado de um senso de humor rascante. Por problemas de fígado nunca pode beber algo mais forte que uma taça de vinho ao almoço. De modo que jamais o vi bêbado. Minha mãe comunicativa, amiga das vizinhas, tocava um pouco de bandolim. Eles gostavam de caminhar juntos ao longo do rio ou até a chácara de meus avós. E o faziam todas as noites, mesmo se depois fossem ao cinema. E esse hábito de longas caminhadas se estendeu a todos os filhos.
Meus avós, de resto, foram amigos de pândega na mocidade. E o Vasconcelos, mais aberto, bonachão, espírito plebeu, jamais entendia a altivez do Carvalho:
–Vem cá, rapaz, por que tu pareces ter um rei na barriga?
Mas e havia ainda outras demarcações que nos perspectivavam Camocim – e nos convidavam a fabular outras terras. Nosso vizinho, da casa à direita, por exemplo, era Fernando Cela.
Seu Fernando era filho do ex-chefe da divisão mecânica da ferrovia. Este era conhecido como Mestre Cela, galego da região de Orense – estava quase a se jubilar quando meu avô começou a trabalhar na mesma ferrovia, no início dos anos 30. E as famílias se conheciam desde os tempos de meu bisavô, o Coronel Severiano José de Carvalho, sobre cujas terras praticamente todo núcleo mais central da cidade de Camocim se ergueu.
Também guardo certa desconfiança de que esta afinidade se dá pelo fato de os Carvalhos, a família de meu pai, ser nortenha, de uma qualquer aldeia próxima a Braga. E, logo, estar ali, não tão distante da Galícia. E também com quase certeza – reter algum traço de ascendência judia.
A ascendência judia se podia pressentir de algum modo, embora eles fossem extremamente católicos. Podia-se pressentir em alguns dos nomes de meus tios-avós: Júlia, Esther, Josias. Em algum caco de comportamento, de temperamento, de um certo tipo físico, de hábitos, que depois confirmei um tanto ao ler, entre outros, a excelente História da Filosofia Hebraico-Portuguesa, de Pinharanda Gomes. Um livro pelo qual nutro grande apreço.
Os Vasconcelos, de minha mãe, são o ramo de uma família mais extensa. Provindos de Santana do Acaraú e fixados em Camocim somente a partir de meu bisavô. São provavelmente de origem açoriana, como tantas famílias daquela região. Mas isto de açorianos é ainda mais hipótese. De outro modo, são gente de melhores humores, menos taciturna ou chegada aos livros que os Carvalhos. E de enorme senso prático. E há ainda uma mistura de sangue com holandeses – melhor seria dizer com flamengos – mais recentes, de muito depois das invasões da época do ciclo do açúcar.
Mas tornando à Galícia, não cheguei a conhecer Mestre Cela, pois quando nasci ele já havia morrido. Porém seu outro filho era ninguém menos que o pintor Raimundo Cela, talvez o mais renomado pintor e gravurista cearense, que por uma questão de temperamento jamais aderiu ao modernismo, aferrando-se a uma pintura neo-classicista de sólida formação acadêmica e apego ao figurativo.
Este Cela engenheiro e artista plástico, de quem só conheci alguns quadros e o estúdio – ele falecera em Niterói pouco antes de eu nascer – havia morado durante seus anos de formação em Paris e junto com o irmão, Fernando, que era proprietário de um pequeno banco local, empenhado-se na montagem de uma usina termelétrica, que foi responsável pela cidade ser uma das primeiras a ter iluminação pública no estado. Eles eram parentes não tão distantes de Camilo José Cela, o novelista espanhol, Prêmio Nobel, e bastante polêmico por se ter postado ao lado do franquismo quando dos trágicos episódios da Guerra Civil naquele país. E não só por isso. Como quando, já idoso, propôs a uma entrevistadora da TV espanhola a demonstração de como ele era capaz de absorver um litro de água pelo ânus, como então requeria a terapia prescrita para uma dessas doenças da velhice.
Nada mais distante de seus primos do outro lado do Atlântico: austeros, de palavras poucas, quase portando consigo aquele sentimento espanhol do trágico de quem nos fala Ortega y Gasset, entre outros.
A ferrovia, de resto, em sua inauguração, 1879, contou com a visita do Conde D’Eu. E uma parte dos políticos do Partido Liberal que vinham do Rio de Janeiro, ao tempo do Segundo Império, em demanda do Maranhão, hospedava-se no sobrado de meu bisavô paterno, Severiano José, que talvez fosse a última das escalas – ou a primeira em sentido contrário – de passagem entre o sul, o Rio de Janeiro, a então capital, e o norte do país: o Maranhão, a Amazônia.
Paradoxalmente eram republicanos, ao contrário de meu pai que ainda nutre certa simpatia pelo império. Simpatia que se estendeu a 2/3 dos filhos.
A família era de uma prosperidade que não se elasteceu aos filhos de meu bisavô. De uma ou de outra forma, eram muitos irmãos. E eles dilapidaram através de maus negócios quase todo o patrimônio, embora sem perder certos fumos aristocráticos, cultivados pelo velho Severiano José. Seu filho mais velho montou um jornal, chamado A Palavra – do qual ainda vi uma peso para papel em mármore, encimado por letras vermelhas, que meu pai usou sobre o tampo de sua mesa de trabalho durante anos. Esse tio-avô jornalista foi amigo – e é inclusive mencionado em artigo – pelo Barão de Studart, um filho de ingleses que foi o maior colecionador de documentos históricos sobre a província (depois estado) – do Ceará. Tendo inclusive comprado do próprio bolso muitos documentos, originais, mapas e manuscritos em Lisboa, Madri e Amsterdam.
Certa inclinação para o cultivo de alguma sensibilidade mais ligada às artes também se estendia à música entre os Carvalhos. Os filhos do velho Coronel Severiano José, praticamente mantinham uma pequena orquestra de câmara em família. Ainda me recordo de, em criança, haver achado o tampo de um violino, empoeirado e carcomido, no velho sobrado que eles, um dia, tinham ocupado, e que ficava vizinho à segunda casa em que moramos. Sem embargo, em anos para trás, essa casa formava um todo com o sobrado, até ser desmembrada e reformada, quando adquirida por meu pai, ao fim dos anos 60.
Este sobrado, ainda do sec. XIX, ficava em uma esquina – e à época era habitado por velhas tias-avós, que, então, apesar de viverem já muito modestamente, cultivavam uma espécie de atitude altaneira, que eu, à época, não adivinhava de onde poderia provir; embora apreciasse os sequilhos que elas usualmente nos serviam no café daquela velha casa de aspecto arcaico, decadente, com cheiro de coisa antiga. Uma delas, aliás, Tia Mimi, era organista do coro da Igreja do Bom Jesus dos Navegantes e autora do Hino do Padroeiro da cidade.
Além disso, há algumas léguas de Camocim, do lado de lá do rio, eles possuíam uma fazenda, chamada São Mateus, que era um verdadeiro feudo a se perder de vista, dotada de uma praia particular, as Imburanas, à qual se chegava de barco através de um exuberante manguezal.
Apesar de abolicionista e republicano, este bisavô paterno – seu pai, meu tetravô, que fora alferes do Exército do Império, chamava-se Honorato José de Carvalho – ainda teve escravos domésticos. Um deles chamava-se Damião.
Uma das histórias que me recordo ainda ter ouvido em família foi a de que este Damião era dado a pequenos, inexpressivos furtos.
Certa feita, um maranhense, Senador do Império, a caminho do Rio de Janeiro, longa viagem feita em vapores de cabotagem, hospedou-se na casa de meu bisavô. Ocorre que ele apreciava fumar cachimbo. E, de fato, possuía um belo exemplar de um cachimbo inglês que, sem mais nem menos, sumiu misteriosamente.
Um de meus tios-avós, Caetano, de espírito mais bem-humorado, logo disse à minha bisavó, Maria Brito de Carvalho – que, muito paradoxalmente, era, em parte, mulata e responde pela abençoada fração de africanidade que eu próprio porto no sangue. (E, aqui, é de se fazer notar o quanto não se pode tomar este assunto nos mesmos moldes como ele é tomado, por exemplo, no Deep South de Faulkner, Flannery O’Connor & Cia. – embora deva ser investigado com a seriedade que o tema demanda):
–Mamãe, a solução parece simples: levar o Damião para se confessar com o Padre Zé Augusto.
De fato, a providência foi ouvida. E posta em prática.
E dali umas poucas horas, o cachimbo do senador reapareceu sobre um aparador da sala de jantar da mesma forma misteriosa como tinha sumido.
Felizmente meu avô, que criou todos os seus filhos numa pequena chácara que antes ficava nos arrabaldes da cidade e hoje se encontra praticamente em seu centro, já não teve mais escravos. Ele nasceu, aliás, em 1893, cinco anos após a tardia abolição da escravatura no Brasil. De resto, o Ceará libertou os escravos quatro anos antes de a abolição se ter dado no Brasil inteiro. E, para além, como almoxarife da estrada de Ferro, a vida de meu avô passou longe da abastança do pai. Casou já maduro, com mais de quarenta anos e teve dez filhos. Eram comuns, essas famílias imensas, ao tempo da Era Vargas, aqui no Brasil.
Minha avó paterna é a única da família, tanto por parte de pai quanto de mãe, que não é da região de Camocim. Ela vem do sul do estado, do Cariri – de lendas similares às dos westerns, e terra do legendário Padre Cícero. Basta lembrar que o pequeno povoado de onde provém sua família – os Pinheiros, os Gomes – leva o significativo nome de Riacho do Sangue.
Seu avô foi o Coronel Basílio Gomes, que fundou uma cidade que leva o oximoresco nome de Brejo Santo. Como com intervalada frequência ela viajava a visitar os parentes em Brejo Santo, longa jornada ferroviária, e, à época uma, sermos adolescentes de um sarcasmo um pouco acima da média, às vezes perguntávamos:
– E então, Papai, a Vovó já foi pro brejo?
Um tanto aos poucos meu Pai foi percebendo nossos olhares de malina cumplicidade. E a resposta agregou, então, uma nova preposição:
– É, ela já foi ao Brejo.
Esta avó, a única que não nasceu em Camocim é por quase ironia, também a única a ainda morar lá. Está prestes a completar cem anos, ela é de 1913, e ainda reside nessa mesma chácara em que criaram-se meu pai e todos os meus tios, e que está na posse da família há mais de cento e cinquenta anos.
Hoje minha família não tem mais qualquer importância política na cidade. E só é lembrada por gente já bastante idosa. Como Arthur Queirós, que é um espécie de cronista local, completamente siderado por escritores portugueses do sec. XIX, como o próprio Eça.
Isso de não ter importância política não chega a ser um desastre. Talvez porque através de meu avô paterno, José dos Santos Carvalho, termos aprendido a olhar a política institucional com sublinhado ceticismo, desde muito cedo. E esse ceticismo é ainda mais aguçado em meu pai. Embora ele saiba das coisas.
À época mais ferrenha da ditadura, ao fim dos 60, estava a ler O Capital quando um agente da censura, oficial do exército, andou pela cidade. Um amigo o aconselhou a sumir com o livro, pois uma das práticas do tal agente era a de bisbilhotar as bibliotecas privadas. Meu pai não o fez. Mesmo que, de resto, estivesse longe de simpatizar com o marxismo. A leitura era para ele um hábito compulsivo. De entrar madrugada afora. Ainda que tivesse de acordar muito cedo para a faina diária, no Banco do Brasil, do qual chegou a ser gerente-adjunto.
Nos diascorrentes, não é infrequente que eu passe muito tempo sem ir a Camocim, ao contrário de outras épocas. Gostaria de poder ir mais. Porém, embora a cidade se tenha transformado imensamente desde meus tempos de garoto, ir até lá é sempre como voltar a um pouco daquela atmosfera, àqueles usos e costumes – a televisão por lá chegou somente em 1969, tinha eu cinco anos – hoje já tão outros.
Ou como reabrir o Mon larousse en images. Ou uvir a expressão “água quebrada a frieza”.
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