O espanto salta comigo para a rua. Caramba. Não estava nenhum bicho destes à vista quando cheguei ontem. Hudong está a serrar madeira ao lado, não percebe os olhos arregalados. Já havia elefantes na família antes de ele nascer: esta é a fémea da matriarca Someh, mãe da minha anfitriã Pouh.
Aproximo-me. Tem um ar sorridente. Antigo. Está cheia de terra torrada, como eu no dia anterior. Andou a rolar no campo de pasto onde Hudong a leva todas as noites.
Vê-se que é menina, não tem presas de marfim. E como Hudong e Pouh, Dom tem 50 anos. Foi bebé ao mesmo tempo. É filhota e mana. Tanta coisa dentro de um nome: Dom quer dizer casa, em lao (casa, como em russo, catedral como em alemão). Abrigo, clã, vida. Para ela, casa deve ser qualquer sítio onde se coma, como faz agora: é o desporto favorito.
Afasto-me criança aos pulos. A enviar, em pensamento, postalinhos-soldadinhos aos meus sobrinhos. Afinal não é todos os dias que se pode dizer: a minha família tem um elefante!


















Vê-se logo que é menina: tem as unhas tão bem tratadas.
Ó Teresa, mas é uma categoria poder dizer-se: acordei. tenho uma elefante encostado à janela e a a vida corre como um rio tranquilo.
Manel,
Bem pode pôr categoria nisso. Depois de saber da Dom, senti-me logo uma pessoa importante.
E quando os sobrinhos souberam, ainda mais: devo ter sido logo promovida a marajá ou isso.
Teresa, o que eu gosto do que conta das suas viagens tão cheias de vida e de experiências (leio sempre, embora raramente comente)!
Que graça esse despertar na companhia de mais um “membro” da família que a acolheu! Sempre achei piada a elefantes: das histórias que lia em pequenina, em que princesas indianas andavam de elefante (experiência que sempre quis ter até ter andado de camelo e, então, ter revisto esta minha vontade…) até ao mais comezinho elefante que tocava o sino no Jardim Zoológico se lhe déssemos uma moeda de 25 escudos. Gostei muito desta Dom de ar simpático!
Muito obrigada por, através desta sua partilha de experiências — em texto e imagens tão ricos -, permitir que quem lê viaje também um bocadinho por essas paragens tão distantes e, ao mesmo tempo, fascinantes!
Tenho viajado muito por intermédio destes seus posts nesta altura especialmente cansativa em que densos manuais preenchem o meu dia (e noite) na preparação de exames escritos e orais.
Teresa,
que bom dizer-me isso! Nem calcula. Eu sei que exagero nos meus relatos-testamento, fico sempre na dúvida se deverei continuar ou não com estes episódios em novela.
Mas esta história foi particularmente carinhosa, e os dias com esta família muito peculiares. Não resisto a falar deles. Eu é que lhe agradeço.
A que cheirava esta menina elefante?