Os soldadinhos que o meu pai inventava para mim em pequena haviam de dar-me vontade de escarafunchar o globo. Primeiro o da sala, depois o outro.
Nunca tinha tido consciência do papel que uns quadradinhos de pão barrados com histórias podiam representar na sede de aventura. Só me apercebi quando, em viagem, quis enviar postais aos meus sobrinhos. Uns postalinhos-soldadinhos. A história de uma cidade, de uma estrada, de um rio. Mandei. Mas demoravam duas ou mais semanas, às vezes só chegavam depois das minhas malas.
Na última viagem pensei criar um blog só para eles: postalinhos actuais e com dados de localização para sossegar corações paternos. Os sobrinhos, menino e menina, nunca de acordo, discutiram vários nomes para o privadíssimo blog. Por uma vez acordaram — sem saber, claro: fiz o tira-teimas com cada um em jogo particular. Adivinhem que nome escolheram?
Só que a intensidade de uma viagem é maior que a necessidade de escrevê-la com regularidade. Ou a escrita vagueia ao sabor do funcionamento da internet. Por muito Global que a Aldeia seja, uma floresta do sudeste asiático não é perfeita para computadores. Nem um barco no Mekong. Já agora, nem um resort de luxo na Indochina (a preguiça parece tão mais perfeita).
E as histórias foram ficando para trás, sugadas por dias maiores que a janela de um pc. Nem no blog criado para eles, nem no nosso, elas se estenderam. Só que agora andam por aqui a estalar, a pedir para saírem. Acho que está mais que na altura de pôr os meus soldadinhos a marchar.


















Olha que bom, marcham delicados os soldadinhos: contra os canhões, marchar, marchar.
Pois está. Venham elas!
Ora nem mais, estou eu para aqui com cantigas.
As minhas marchas é que são umas arrastadas (mas nada fúnebres, diga-se, e espere-se, em seu abono). Só demoram é a vestir-se. Mas estão no ir. É só mais um ou dois suspensórios ou assim.