
José Loureiro, “Sem título”, 2008
A arte não serve para nada. Só depois de darmos como clara e assente esta asserção é que poderemos começar a descobrir algum sentido na arte. O artista limita-se a criar realidades, é uma espécie de pequeno deus; aos outros cabe-lhes interpretar essas realidades, do modo que lhes parecer mais plausível. Ou conveniente.
A pertinência do que nos pode ocorrer ao olharmos para uma obra de arte é um pouco difusa. Será apropriada esta ideia que me ocorreu? Por exemplo: poderei ver na pintura de José Loureiro o perfeito retrato das abissais dúvidas políticas que me dilaceram a horas das eleições?
As coisas mais simples começam a tremer; os contornos vibram para fora do lugar; as linhas não se desfazem, continuam a ser linhas, mas não assentam; o desenho desajusta-se da margem tela – assim estou sem saber onde me sentar, em que votar.

José Loureiro, “Cadeiras amestradas”, 2007

José Loureiro, “Sem título”, 2004

José Loureiro, “Sem título”, 2004
















