Extreme lying down

Descobri hoje uma coisa nova. Foi um dia bom. Não que o que descobri seja muito interessante. É original. Um pouco estúpido talvez, ou só adolescente. Mas é uma coisa nova (para mim) e é desse maravilhamento que falo. Que num mundo tão velho como o nosso, tão cheio de gente e coisas e ideias — e dos fantasmas de gente, de coisas e de ideias de milénios passados — se possa descobrir algo novo.

Porque haveria alguém de fazer isto? Não quer dizer nada. Não tem mensagem conhecida. É um jogo planetário, de regras simples, sem prémios, sem competição, sem objectivos para além do prazer de jogar. Já é uma moda também, mas não faz mal. Tem uma vítima e um dia internacional, 25 de Maio, comemorado em 2011 pela primeira vez. Começou antes do tempo, ainda em 1997 e foi-se espalhando. Devagarinho. Sem outro porquê além da partilha. Não há outra palavra, ainda que esta esteja tão gasta. Apenas comunicar…pôr em comum. Dar. Dar algo de si aos outros. Puro dar, sem interesse ou ganho, para apenas dizer “aqui estou”, “este sou eu”. “Sou único e diferente e sou um de nós”. Originalidade e pertença numa imagem. Fascina-me esta actividade sem sentido:

1º Fazer de prancha e fotografar

2º Pôr a fotografia online (por exemplo aqui ou aqui)

É só isso. E depois o nome: “planking”, “playing dead” ou, o meu preferido, “extreme lying down”.

A beleza da imagem, a estranheza da pose provocam-nos.  Deixamo-nos provocar ou não.

São como um koan de mestre zen, bastante irónico: «Um monge perguntou a Zhaozhou: Um cão tem natureza de buda ou não? Zhaozhou disse: “Wú”.

É peculiarmente sábio… ou talvez apenas divertido.

Comentários a “Extreme lying down” (24)

  1. António Eça de Queiroz diz:

    Marta! Você acabou de expor um dos meus segredos ante-mortem! Isto é uma mania que dá às pessoas, enfim, algumas. Quando era miúdo adorava deitar-me assim em cima dum muro de lá de casa, e ficava à espera que passasse gente. Mais tarde, com instinto predatório incipiente (fazia-me de isca e anzol ao mesmo tempo), inventei o falso afogado: tirava todo o ar dos pulmões, ia para o fundo da piscina, e lá deitava-me virado para baixo sem mexer durante um minuto. Fazia um efeito doidão!
    Era fatal que um dia ia aparecer tudo escarrapachado em algum lugar.
    Foi aqui, valha-me Deus!

  2. “Playing dead” já é algo muito português, tal como o nosso bacalhau. E quando a crise chegar a Portugal estaremos de facto, não será só playing. bfds a todos

  3. … e quase sempre são precisos dois
    :-)

  4. Turmalina diz:

    Gostei do tema, um tanto inusitado.Do comentário do António, um tanto revelador.E das fotos, um tanto engraçadas.Na segunda imagino um filme de ficção aonde o elemento foi cuspido do espaço e acabou literalmente enterrado na Terra. É bom saber que as pessoas fogem daquela normalidade esperada e de uma forma que não prejudique alguém.Mesmo fingindo-se de mortos na piscina!

    • Marta Costa Reis diz:

      Já houve alguns acidentes e uma morte até, um miúdo que resolveu fazer a cena na varanda de um sétimo andar, mas tirando essas situações mais inconscientes e graves, o jogo é inofensivo, divertido e dá-nos muita matéria para a imaginação. Ainda bem que gostou!

  5. Manuel S. Fonseca diz:

    Marta, tal como ao António, o teu post provocou-me evocação adolescente. Costumávamos fazer a bandeira nos sinais de trânsito, em Luanda. É simples, segur´vamos-nos com os dois braços ao poste do sinal, um dos braços colocado de forma que o corpo se apoia no braço e cotovelo, ficando as pernas esticadas. Fazíamos concurso, tentando ver quem aguentava mais naquela posição firme e hirta (o exemplo mais parecido é o da segunda foto). Vou agora sair a ver se ainda consigo fazer a coisa…

  6. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Este afocinhar em prancha é muito pateta: gostei. Vou experimentar.

  7. José Navarro de Andrade diz:

    Adoro estas aficciones inúteis, como aquela de um grupo cada vez maior que um dia de Janeiro andam de metro sem calças.

  8. Joana Vasconcelos diz:

    Que descoberta mais divertida, Marta! E que estiloso, o nome!
    E já reparou que o nonsense da coisa é tal que pouco importa (se é que não é mesmo suposto não mostrar) a cara ou a expressão da exteeme lyiing person … pelos vistos o que interessa é a bizarra pose num sítio inesperado, como um objecto estranho a destoar na paisagem!
    Estou a ter ideias tão, mas tão boas …

    • Marta Costa Reis diz:

      Vamos? a Eugénia também se inspirou…muito pode acontecer!

      • Joana Vasconcelos diz:

        vou ver se aproveito estes feriados e, mais tarde as férias: é que no dia a dia, no local de trabalho e aqui no bairro até era capaz de resultar, mas temo bem que gerasse alguma incompreensão …

  9. Marta Costa Reis diz:

    Essa dos “descalçados” no metro não me convence tanto…era mais giro irem de tutus de bailarina ou qualquer coisa assim mas, enfim, é mesmo só questão de escolher a esquisitice. Gosto muito também dos “free hugs”.

  10. Aqui vai uma corrente blogosférica. Com um abraço:

    delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3165857.html

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