
Tenho às vezes uma ideia muito pomposa de “arte”. É uma vergonha. E arrependo-me. Por exemplo, e é só um exemplo: não há nada mais familiar do que esta melodia. É tão simples como ir da cozinha à sala e sentar-se um tipo na cadeira de que mais gosta. Dizer: olha, hoje à hora de almoço estava com pressa e não pude vir pela marginal, a ver o rio, como gosto. E o que é que comeste? Sardinhas, mas ainda nãs as apanhei como gosto. Ó, mas as batatas cozidas que boas que eram. Ah, parece que há lá fora um eclipse. Julgas que tiro o rabo da cadeira? Não estás bem a ver o que me está a apetecer estar aqui a pastar…
E essa merda é que arte? É, essa merda é que é arte.

















obrigado. É lindo
É Schubert.
Disclaimer: sim, é verdade, a ideia deste comment é copiada de um comment seu.
- já não sei distinguir o que é arte do que não é.
– isto é.
– como é que sabes que é?
– sei. É fácil. É como saber que é amor: gosto que conte o que comeu ao almoço.
Só tenho reservas à estapafúrdia ideia de que a arte se come. Chegou, pasme-se, a haver sessões do tipo “a poesia também se come”.
Nice dialogue!
Ena, Eugénia.
Levei agora um soco com este seu comment que não tem nada de copiado.
As coisas que nos inspiram ideias novas ou diferentes não podem ser copiadas. Muito menos quando se está a cair de sono e mesmo assim se sente o soco.
E o mesmo quando se fica com vontade de partilhar a mesma cadeira, Manel. Ou lembrar a nossa muito particular.
A minha cadeira, já vê, tem uma perna partida. Já só eu é que me equilibro nela.
Eu, curiosamente, acho que a cadeira tem uma perna muito maior que as outras…
Adoro Schubert e há arte que pode ser comida por ser comida feita com imensa arte. Não é a mesma coisa? Pois não, é verdade.
A foto é excepcional.
Agora que dizes, acho que tens razão na perna. Grande golpe de vista. No resto, de Schubert à foto, estamos de acordo.