Bela, ela, cheira a carro vermelho, à lavanda dos hotéis de negócios, a saxofones no auto-rádio, à frescura seca do fim de Junho, a dedos grossos marcados nas coxas, a gemidos de jumento, a risinhos nas varandas dos bares, a smile de telemóvel, ao cu prodigioso virado para ele, que a toca como só ele consegue tocar. Ela não disfarça. Exibe o cheiro como Niké, como as núbias dúbias de Courbet, como o violino suspiro de John Adams, como a frivolidade do Mal, a puta que me tirou vontade de comer, de comê-la. Tantos banhos e o mesmo cheiro intenso a felicidade, como se fosse fácil duas conversas de ginásio, os glúteos ajeitados, um café ao fim da tarde, três rondas da noite nas redes sociais, o acre furtivo da esplanada no Guincho, a adolescência súbita no carro vermelho, e cheira. Cheira a fantasma, o fantasma sou eu e, amanhã, vou matá-la. Só não sei como.


















Já tinha saudades de ler o que escreve, assim, à solta. Que bom, fiquei contente.
Deep blue
Se a reunião de uma energia incomensurável e a emissão de radiações violentas é o que define um buraco negro, acabei de ver ali em cima um buraco negro.
Obrigado, Eugénia. Já tinha saudades de ler os seus comentários. Deep blue, absolutely (for the cheated, of course). Fonseca: Aaah? Just began speaking in riddles? Fala direito, homem!
Quais riddles, qual carapuça. Tu plantas na escrita um prodígio virado para ele, seja ele quem for, eu tento ver no prodígio uma energia cósmica e ainda te queixas! Onde é que meteste a hermenêutica?
Olha, encontrei uma cena do “Sauve qui peut… la Vie”. Boa, boa.
Desculpa, doutor, mas é que não percebi o comentário. Não cheguei lá, prontos. Sorry. Nunca vi o “Sauve qui peut”, Zé. Vale a pena?