Do Questionário de Sem-se-Ver:
1 — Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Sim. Vários. A Bíblia, sem dúvida teria a precedência. Wittgenstein costumava dizer que havia muito pouco de trágico na Bíblia. Ele estava errado. Ver o Reino de Israel ser confiscado de Saul por Samuel é uma cena para lá de shakespeariana.
2 — Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Eu tenho problemas sérios, aqui. Principalmente com os russos. Devo ter sido agente da CIA em outra encarnação. E a coisa é mais aguda logo com Dostoiévski. De início pensei que fossem as traduções. Mas depois descobri que não. Tentei vários livros dele – em especial Crime e Castigo – em versões e idiomas diversos, e não cheguei ao fim de nenhum. Então, o problema deve ser outro. Algo misterioso, quando se sabe que ele é um dos heróis de Robert Bresson; e eu sou fã de carterinha do cinema de Bresson. Isso também ocorreu, em grau menor, com Turguenyev. E, aqui, chega a ser um acinte, porque Turguenyev é o grande modelo de Hemingway; e Hemingway é um autor chave para mim. Mas, enfim, os russos – e Dostoiévski, em particular – são apenas a ponta de um iceberg de livros não lidos até o fim. E isso inclui até Borges, que tem alguns livros um tanto previsíveis (de resenhas, de pseudo-prefácios, sobre literatura inglesa, etc.). Além disso, Borges como poeta é apenas sofrível. Já fui mais preocupado com esse aspecto de abandonar um livro. De ter de lê-lo integralmente. Hoje, vejo considerável humor nisso. Quando se abandona (depois de certa tentativa um tanto exigente) é porque há coisas mais urgentes pedindo leitura.
3 — Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
A Bíblia.
4 — Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Talvez algo mais dos franceses em geral, porque li demais em inglês, sobretudo poesia. Céline e o Voyage au bout de la nuit, por exemplo. O Rouge Brésil, de Jean Christophe Rufin. Há um emigrado brasileiro no Quebec, chamado Sergio Kokis, que escreve em francês e é um bocado popular por lá – parece, no entanto, bastante ressentido com o Brasil; e com os dissidentes de esquerda do período da ditadura. Não achei brilhante o único livro seu que li, mas precisaria ter melhor impressão. Li menos Gide e Francis Ponge e Jacques Roubaud do que gostaria. Roubaud tem um livro de poemas que é de uma beleza acima de qualquer suspeita: Quelque chose noir. No Brasil, os intelectuais veem com alguma reserva um escritor que já li em recorrência: J.M.G. Le Clézio. E pretendo ler mais. Há um belo livro dele chamado L’Extase materiélle. E há romances mais convencionais mas de igual beleza sinestésica, como Desért. Gostaria de ler poesia todo dia – mas nem sempre estou no mood. Há os dias ou os meses da poesia. E há outros em que ela está ali, mas não prevalece. Certa vez tentei decorar Os Lusíadas. Não fui além do Terceiro Canto. E, no entanto, algo me diz que é preciso trazer o máximo possível de Camões de cor. Em especial, da Lírica. Houve época em que trazia uns 30, 40 Sonetos de cabeça. Nos sonetos, aliás, prefiro Camões a Shakespeare. E é uma pena a distância que se criou entre os leitores portugueses contemporâneos e Camões. Não entendo. Acho isso constrangedor, lamentável. A não ser que ele esteja subentendido. Não é possível. Sendo ainda mais específico: Larkin é um grande poeta? Sim, claro. Mas quem sabe de poesia, sabe que Larkin não é digno de lustrar as botas sobressalentes de Camões, se este acaso as possuísse…Sinto que pela sintaxe, a permanência dos gerúndios, o português do Brasil está mais próximo de Camões. Cervantes chamava o português de “a doce língua”. E, sem sombra de dúvida, o acento brasileiro assoma mais vogal, lento – quer dizer solene – e clássico, como em Camões. O que não quer dizer que não entenda que os falares da variante europeia não tenham seus encantos próprios.
5– Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?
O Apocalipse. É desolador… O livro inteiro é uma terrível ‘cena final’. A pintura de Bosch perde feio…
Assimétrico citar, mas lembro sempre do final de The Sun Also Rises (ou Fiesta), de Hemingway, com aquele casal que se entende quase telepaticamente, mas não pode consumar o amor; e o do Gatsby de Scott Fitzgerald, que tem um desfecho ainda mais sombrio. Há também o fim de uma crônica de Rubem Braga, chamada “A Outra Noite”, que tem um final muito suave.
6– Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Sim. Havia uma enciclopédia infanto-juvenil ricamente ilustrada e escrita em excelente português: O Tesouro da Juventude. Eram dezoito volumes, encadernados em azul-cobalto. Uma maravilha. Editada pela Clássicos Jackson. Era dividida por Livros. Cada volume trazia seções de todos os livros. E a metade do último volume, o dezoito, era um grande índice remissivo. Meus livros favoritos eram O Livro dos Contos, o Livro das Belas Ações e O Livro do Velho Mundo. No Livro dos Contos se encontrava de Esopo a Andersen, passando por La Fontaine, os Irmãos Grimm e J. M. Barrie. Havia também um dicionário para crianças em francês, extremamente bem ilustrado chamado Mon Larousse en images – que está entre os livros que mais doem não possuir mais. Na escola, minhas disciplinas favoritas eram espontaneamente história e português – o que já ajudava. Li muito gibis em mais de uma língua. De todos os tipos: de Disney a Tex, passando por Tintim, os superheróis Marvell e os Hannah-Barbera. Asterix e Calvin & Hobbes só conheci depois de adulto, mas não gostei menos. Até os catorze anos colecionei revistas em quadrinhos. Li Júlio Verne e ainda muito mais Monteiro Lobato, que é um autor infanto-juvenil muito popular por aqui. As edições de Lobato lançadas à época eram vividamente ilustradas por um haitiano, educado nos Estados Unidos, chamado André Le Blanc. Le Blanc virou para mim o arquétipo do ilustrador para crianças. Era sensacional. Impossível dissociar os personagens de seus esboços. Até hoje acho que um livro de Lobato é só parcialmente “válido” sem as ilustrações de Le Blanc.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Em prosa, qualquer um da fase realista de Machado de Assis, que abre com Memórias Póstumas de Brás Cubas – possivelmente o melhor deles junto a Dom Casmurro – passa por Esaú e Jacó e encerra com O Conselheiro Aires. (Mas é melhor lê-los depois dos quarente. É o que se diz.) O esplêndido Os Sertões de Euclydes da Cunha – um livro para se ter paciência e um bom dicionário de português ao lado. Borges era um admirador de Euclydes. Esse esplêndido também se aplica a qualquer livro de Guimarães Rosa, que Zé Navarro disse, aqui, ser melhor que Joyce: e é mesmo! Desde Primeiras Estórias até Tutameia (o mais sintético e difícil), passando pelo clássico absoluto: Grande Sertão: Veredas. Um dos mais subestimados livros em prosa, no Brasil, se chama Infância, e é de Graciliano Ramos. Há os excelentes prosadores argentinos: Bioy-Casares (La Invención de Morel), Julio Cortázar (Rayuela), Ricardo Piglia (Nombre Falso), para não falar do óbvio: Borges (Historia Universal de la Infamia). Prosa em inglês, indicaria os dois volumes de contos de Flannery O’Connor. O Revolutionary Road, de Richard Yates, um romance avultado, na grande tradição realista e sensorial de Hemingway e Scott Fitzgerald. E ainda nessa tradição, A Sport and a Pastime, de James Salter – uma novela de uma voltagem erótica alucinante. Harold Brodkey escreveu contos esquisitos, como Stories in an Almost Classical Mode. E aos que tem estômago para uma colossal piada plena de experimentalismo e verve: Infinite Jest, de David Foster Wallace. Em poesia seria tanta coisa… Há poetas modernistas brasileiros que merecem ser lidos, para além dos mais consagrados – ou seja, de Drummond, João
Cabral, Murilo Mendes, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Jorge de Lima, Vinícius de Moraes. São eles: Dante Milano, Rui Ribeiro Couto e Joaquim Cardozo. Nutro especial carinho por Cardozo, e o modo como univeraliza a paisagem, as cores do Nordeste do Brasil, de seu litoral, transluzindo-as em senhas e metáforas outras, especialmente em seus dois primeiros livros: Poemas e Signo Estrelado. Há uma percepção da paisagem muito aguçada, rente à poesia japonesa. De momento, não creio que haja um só poeta brasileiro contemporâneo tão forte quanto Helder. Em termos de poesia em inglês meu autor favorito, entre os mais recentes, é Robert Creeley, que morreu em 2005 – e com quem cheguei a trocar breve correspondência. Gosto, em especial, de seus livros: For Love, Words e Later. Ele foi um autor bastante prolífico. Uma poesia mais abstrata que os instantâneos de William Carlos Willliams, mas ao menos tão bem medida quanto. Ele vem de uma tradição diversa da de, digamos, Robert Lowell ou Elisabeth Bishop – talvez a maior poeta das Américas no sec. XX, e que morou muitos anos no Brasil. E há também um grupo de poetas muito pouco conhecidos em português para além dos Black Mountain Poets, o grupo ao qual afiliava-se Creeley – e que são contemporâneos dos poetas beats, não menos contestadores, só que um pouco mais “envernizados” –; esses outros – paradoxalmente uma geração mais velha – são chamados de Objectivist Poets, e incluem nomes como Louis Zukovsky, Karl Rakosi, Lorine Niedecker, Charles Resnikoff e George Oppen. Poetas herméticos, filosóficos e, em geral, vinculados à comunidade judia de Nova Iorque. Gosto particularmente de Oppen, que foi um dos mentores do romancista Paul Auster (New York Trilogy), e cujos Collected Poems é um livrinho magro, de menos de 300 páginas. Traduzi algo dele para revistas brasileiras. Ainda em prosa, dos que li em tradução (em geral para o italiano ou para o inglês) aprecio o israelense Amos Oz (To Know a Woman) e Isaac Bashevis Singer (Gimpel, The Fool and Other Stories), que escrevia em iídiche e foi traduzido, entre outros, por Saul Bellow. O poeta de língua alemã Paul Celan (Mohn und Gedächtnis) é exponencial.
9. Que livro estás a ler neste momento?
Ah, isto não digo. O presente dever ser mais discreto que do indicativo.
* * *


















Ui! Tive uma vertigem com esta lista, com tudo o que há de bom para descobrir (já tinha ido espreitar a Lorine Niedecker!) e com Camões, muito mal esquecido por mim, sobretudo a Lírica, que, sabida algo de cor, nos serve bem em tantas situações… mesmo na variante europeia!
vertigem — a palavra é gostosa. quanto a camões o patrimônio é comum. a gente empresta (só um pouco) ele a vocês. rss.
Isto é a biblioteca de babel. Nem sei por onde começar. Quase dou a razão à teoria do sotaque a propósito de Camões — está bem visto.
se você leu aquele ensaio do foster wallace sobre os peixes que se cumprimentam, zé; em relação a quase todos, por aqui, mas muito em especial ao manuel e a você, me sinto como aqueles peixes que dizem: “água? mas que diabo é isso?”
Meu Deus! Eu descobri esse texto há pouquíssimo tempo e dei com a gravação da conferência na net. Estava a pensar postá-la de tal modo me pareceu decisiva para os tempos portugueses correntes. Já é a segunda vez que falas de uma coisa que eu estava a pensar e aidna não tinha dito — separados à nascença? (em breve verás qual foi a primeira).
opa, estamos na escuta, ‘roger’!
a invenção de morel, claro, claro.
muitas referências aqui recolhi. obrigada :)
não conheço um cinéfilo que não goste muito de ‘a invenção de morel’.
mas, eu que agradeço por suas questões, a elegante invisibilidade. :-)
:)
Ruy, hoje acho que pela primeira vez desde que por aqui andamos todos tive pena que inexistisse um botão de som para aceder a uma versão áudio dos textos/comentários, só para poder ouvi-lo responder de viva voz – e demonstrar, claro – à questão 4 sobre Camões e o português de aqui e daí.
Quanto ao mais, diverti-me imenso com as suas considerações e meditações e, claro, com as suas escolhas. Também acho a Bíblia empolgante e (falo por mim), com tanto ainda por conhecer e explorar. Gostei especialmente dos impressionantes finais de livro que escolheu. Achei graça encontrar aqui o Verne — que tanto li. E aproveitando o lanço de tanta poesia, fui em busca de um antigo post seu de que na altura gostei muito e que tinha ideia que era (era mesmo) com um poema de Oppen (Leviathan).
O único e grande defeito a apontar a esse seu texto é que subiu – e como – a parada, que depois do Zé, do Manuel, da Marta e do António estava já bem, bem alta! Em fim de semestre lectivo e com os exames à porta, começo a temer seriamente reprovar neste questionário …
especificamente sobre a questão 4, querida Joana, começou com uma intuição pessoal. e só depois descobri que há todo uma corrente de linguistas — portugueses inclusos — que defende essa tese. ou seja, como o português americano restou isolado por séculos, sem ter muito contato com outras línguas europeias, até pela imensidão do território, resguardou também muitos arcaísmos que se perderam na variante europeia. e não só em termos de vocabulário, mas também de sintaxe. daí que a língua de camões e tantos outros autores do quinhentos — e que tanto me aprazem (gil vicente, sá de miranda, antónio ferreira, bernardim ribeiro, diogo do couto…) — esteja mais próxima em estrutura sintática do português do brasil. um atestado disto seria a tal permanência dos gerúndios. falam também de uma excessivo influxo do francês à época das guerras napoleônicas em portugal — e um pouco antes, via pombal e o iluminismo. daí que há formas portuguesas que são um tanto quanto decalcadas do francês. expressões inteiras, tais como: “pequeno almoço”. é claro que tivemos imigrantes italianos, alemães, espanhois, japoneses, libaneses, ucranianos, russos, suiços, judeus entre outros muitos povos. mas quando esses contigentes chegaram em massa, a partir do final do sec. xix, a estrutura da língua e da cultura estavam já bastante estabelecidas no brasil, e eles rapidamente eram assimilados, o que não quer dizer que não deixaram traços. o português da cidade de são paulo, p. ex., tem até hoje um acento italianado. o do rio grande do sul possui algo de castelhano pela proximidade com a argentina e com o uruguai. então é estranho, mas, p. ex., os imigrantes germânicos no brasil falam mais com esse acento castelhano do que com um resquicío de alemão, porque se concentraram em regiões próximas da fronteira com países de língua castelhana… por outro lado, nos sertões do nordeste, que ficaram isolados até meio século atrás, quando chegou a televisão, havia tradições orais que remontavam à idade média portuguesa. e essa discussão vai longe…
já quanto à sua lista, estou curioso. :)
Ruy, gostei — e já sabia que gostava muito — da sua forma de ler. Defendeu tão bem Camões a que volto tantas vezes e que nem mencionei na minha lista. Assim como assim, espero lá para o final do ano fazer-lhe camoniana surpresa.
oba, vou esperar esta surpresa, manel!
agora, acho que não se deve tomar individualmente essas coisas. gosto imenso de larkin, claro. sem ele, aliás, nem estaríamos conversando aqui, não é? então, até por isso sou muito grato a ele. mas minha pátria é minha língua. e é uma bela pátria. e plural: com a beira alta da joana, com a sua angola, com a experiência de exílio do scheeko e do vasco, com o porto do antónio, etc.
Como aqui se diz, levei um ‘banho’ com a sua magnífica listagem — onde muito fiquei a saber do que desconhecia, entre outras coisas. A tese camoniana faz todo o sentido, particularmente com a explicação extra. Há uns bons 20 anos estive em Malaca e apanhei um malaio a falar um paapeado de há 400 anos que, apesar dos acrescentos locais, se percebia bastante bem. Fiquei maravilhado!
antónio, percebi que o ‘fiesta’ também se encontra em sua lista. essa coisa do malaio, é engraçada mesmo. encontrei com um na inglaterra que me veio contar a história de afonso de albuquerque…
aliás, aí da sua família, dei boas risadas ao ler o ‘relíquia’.
Tô boquiaberta aqui como uma criança diante de um balcão de confeitaria, ainda sob forte impacto de encantamento.Sim, Camões, Lobato, Machado, Amos…ainda tô zonza aqui.E todos os outros.Acho que se eu começar agora não dou conta de tantos títulos.
olá, t., andava sumida… você não viu que chamei por você no meu blogue? rsss. anda muito ocupada aí em campinas, moça? hoje está um bocado quente aqui em fortaleza. é uma cidade com muita brisa à noite. e quando tudo pára, assim: sinal de que vai pingar chuva na madrugada. [“serenou na madrugada/ não deixou meu bem dormir”].
outra que tomou chá de sumiço foi a luciana. quando ela não aparece logo, só há duas opções: 1. ou ela não gostou mesmo da coisa ou 2.anda muito ocupada adminstrando os zilhões de blogues que ela toca.
Oi Ruy…não só vi como respondi.Tô de trabalho até as tampas.Isso que dá se dar ao desfrute de umas longas férias.Aqui tá geladinho (pero no mucho), uns 16 graus.O suficiente para me deixar satisfeita e para me permitir uma divina noite de sono embolada no edredon.O que mais gosto das cidades como Fortaleza é justamente essa brisa que vem do mar. E quando dá a paradeira o negócio abafa mesmo e isso é uma das poucas coisas que me tira o sono.Por aqui parece que a chuva logo vem também, isso se o vento não levá-la para longe.
E quanto à Luciana, acho que logo ela vem pois acabei de vê-la no FB.Na verdade, foi há quatro horas, quase agorinha.rss
Ruy, quer saber meu segredo? acabei de descobrir um blogue muito bom de um rapaz do ceará e o tal blogue me encanta e me perturba por ser fechado a comentários ;) Daí que fico um tempão lá conversando comigo mesma já que não tem com quem papear…
Gostei — e foi muito — especialmente da resposta 09. Fiquei por aqui encafifada porque você “repunou” Dostoievski, ele que me veio tão cedo e caiu tão bem (mas, assumo, eu também gostava de ler listas telefônicas). Além disso, ler suas sugestões deu-me a medida do abismo. E vertigens, claro.
estou brincando de batalha naval com meus livros tendo como franco atirador o seu post. Já afundei alguns, mas não tantos quanto gostaria.
que bom que tenho uma leitora. e argumentante, proliferante, cheia de livros passados e futuros, como você.
olhe, retirei os comentários, entre outras razões, por conta de um onda de ‘spams’ e outras coisas desagradáveis, viu?
geladinho pero no mucho, 16º? tá como o diabo gosta, t. quer trocar? e essa coisa de vocês, héin? ficam se vendo pelas esquinas virtuais…
Mas num troco agora de jeito nenhum…adoro essa época do ano. Do calor mesmo só gosto se tiver brisa. Eu, a Lu e alguns outros colegas de cova nos esbarramos quase que diariamente pelas avenidas virtuais :o)
Turmalina, e sempre são menos e menos demorados os esbarrões do que eu gostaria.
A propósito, aqui já está em clima de S. João e as apresentações do Chuva de Bala daqui a pouco começam, caso Turmalina ou Ruy queiram vir, a casa recebe com gosto (parentes inclusos no pacote).
pensei que você morasse em fortaleza, lu. onde se encontra no mapa grande? juazeiro? campina grande?
Ruy, eu sou de Juazeiro, criada em Fortaleza com férias no sertão, mas mudei-me para Mossoró em 2009 (passei em um concurso pra lecionar na Federal daqui). O Chuva de Bala é um espetáculo bem interessante, um musical muito bem estruturado, ao ar livre, que conta a chegada de Lampião e como a cidade reagiu…
que beleza. mossoró é uma cidade querida. historicamente tem uma ligação muito forte com o ceará, né? espero que esteja correndo tudo bem para você aí na universidade!!
ah, quem me dera, t. 16º é uma temperatura “civilizada”, hehehe. pense em ter sempre mais de 25º em fortaleza de dezembro a fevereiro. é muito quente. o mês mais agradável aqui é agosto. à noite faz 22º, em ano mais frio uns 20º — aí é o cúmulo, já está todo mundo de casaco e camisa de flanela. rsss mas em geral há muita brisa para compensar… estive semana passada em aracaju. a cidade é uma delícia. mas estava incrivelmente quente por lá. e olha que o hotel ficava à beira-mar…
16 graus é geladinho?? :D
eu gosto de temperaturas amenas, em torno de 16º, está ótimo. só que moro nos trópicos no brasil. e nunca faz menos de 20º. já morei alguns anos na inglaterra e peguei –22º. aí, convenhamos, s.s.v., é frio demais. mas entre uns 14º e 20º, está bem, é o ideal.
ah, e obrigado pela notícia sobre os “intérpretes” de vieira. vou marcar esse livro.
caro Ruy, só agora vi este.
referia-me ao filme do manoel de oliveira :)
querida s-s-v, como você pôde ver — mesmo sem eu lhe ver — quase nada vi do cinema de manoel de oliveira. infelizmente. dele vi apenas ‘o convento’, há uns 15 anos atrás. :)
nem ficou mal servido :)
Camões é sibilante, como o era o Português do séc. XVI e a pronúncia da Língua Luso-Brasileira (a de S. Paulo), pois a pronúncia lisboeta, por ex, tem tantas palatais, tantas aglutinações e amálgamas que Camões teria um treco! “Já para não falar em termos de aspectos sintácticos e de vocabulário do Português arcaico naturalmente usado em solo brasileiro. Certo dia, num jantar, assisti a um pedante tecnocrata ignorante explicar a um espanhol que “o Português do Brasil era um Português mal falado. Claro que não me contive e mergulhei na criatura tecnocrática (salvo seja! :) ó ignorância, ó infâmia, ó acefalia! Mas, Camões, acima de tudo É Um Espírito Elevadíssimo, Universal, os Seus Textos São, acima de tudo, Iniciáticos!
jé me dói a barriga de tanto rir da segunda parte deste comentário. Mas olhe que os tecnos têm a carne demasiado seca para roer.
Esta conversa dos sotaques é interessantíssima, mas por exemplo, já Camilo gozava com o sotaque brasileiro. Ora isto quer dizer que as diferenças já eram bastantes em meados do séc. XIX. Quando começaram a distinguir-se? Não estou muito convencido com a tese do isolamento do Ruy. Também Trás-os-Montes é isolado e o sotaque não se distanciou tanto. Que influência teve a presença da corte, no Brasil aquando da independência? Como falava o Padre António Vieira? A composição gramatical parece igual à europeia; haverá registo de comentários ao sotaque nele? (Caramba o homem homiliava todos os domingos, alguém há-de ter reparado, certo?)
segundo palavra e utopia, vieira falava com o sotaque dos 3 respectivos intérpretes! :D
desafortunadamente, nenhuma notícia do sotaque de vieira, zé. modernamente, ele falaria algo próximo ao “baiano”. mas creio que se houvesse uma distinção muito ampla, à época, entre os acentos, isso teria sido sublinhado de alguma forma. interessante este seu ponto. tanto quanto engraçado o de monsieur [ou será mademoiselle?] fitinhá.
quanto a trás-os-montes, nem brinque. é isolado, mas se põe entre parêntese esse isolamento: faz fronteira com outro país. por lá passaram tropas estrangeiras tentando invadir portugal. fica a um pulo de compostela, um dos históricos centros de peregrinação desde o medievo, encruzilhada europeia. é a terra, de fato, da última casa real. do contrário, pense no tempo lento, morto do sertão. pense em cidadezinhas que passaram séculos com brasil e brasil e mais nada a milhares de quilômetros para qualquer lado imaginado que alguém se pusesse a caminho.
isso É isolamento.
interessante, esta perspectiva :)
teria duas sugestões a fazer: 1. a de o manuel e o pedro norton abrirem uma excessão para que você nos brindasse com a sua própria lista de livros e 2. que você propusesse, no próximo junho, um questionário análogo envolvendo filmes. seria simpático, s.s.v.
:)
mas, ruy, tudo começou com a minha própria lista de livros, não viu?… :-(
pode seguir directo para o meu blog ou, então, seguir o link que Manuel incluiu no início do seu post de resposta a este desafio.
(xi… mas eu nunca iniciei nenhum destes questionários/correntes na blogosfera! me deu vergonha a sua sugestão :/
(e porque raio estou eu a escrever em português do brasil? :| que tonta…
(ah, e parabéns pelo seu Braga, fartámo-nos de sofrer!! pena que não tenha sido um grande espectáculo, não concorda?)
começando pela coisa mais importante do mundo, rsss: de fato não foi um jogo de encher os olhos. mas decisões são nervosas. e fico feliz ao saber que você está feliz com o título :) parece que tudo somado havia 15 brasileiros no relvado de dublin. então, de certa forma, estávamos lá.
por favor, s.s.v., não quis ofendê-la. a ideia não foi a de lhe sugerir ser uma inauguradora de correntes na net. lol. vou dar uma olhada em seu blog quando dispuser de um tempinho.
sobre joaquim pedro de andrade há esta postagem em um blog cuja atenção que lhe dedico tem sido um tanto esquizofrênica. em especial no último ano. rsss :)
http://afetivagem.blogspot.com/2009/03/um-grande-filme-superficial.html
outra coisa: o seu ‘o presente deve ser mais discreto do que indicativo’ foi das coisas/ideias mais bonitas e profundas que ouvi nos últimos tempos.
(e dava um nome para blog do caraças)
que bom que gostou, s-s-v. posso também confessar que gosto imenso de seu pseudônimo?
empatamos, então!
:))
(teve que ser com 2 ) porque ele, o wordpress, detectou uma duplicaçao de comentário quando tentei fazer só com 1!! ahahahahhah)
Sem-se-ver, imagine que 10 graus aqui é super gelado! Com 5 estamos congelando. E só alcançamos essas temperaturas aqui no interior do sudeste alguns poucos dias entre Maio e Julho.
16 ainda é um pouco mais comum, mas somente nesses meses, o que é uma pena porque eu passo muito bem entre 16 e 18 graus :o)
Já em Fortaleza, como disse o Ruy, é nunca!
é, em são paulo 5º é bastante frio. já peguei 3º em sampa. mas há que se acrescentar que só recentemente as pessoas começaram a usar mais aquecimento interno, nas casas… não é isto, t.?
É isso mesmo, acho que antigamente as pessoas se esquentavam mais umas às outras.
E em parte, creio eu, o advento da internet colaborou para isso…não é, Ruy? :o)
Turmalina, tem um tio do meu pai que morou muitos anos em SP. Ele voltou a pouco tempo pra Pedra Branca (interior do CE) e eu gosto muito de ouvi-lo. Ele sempre diz que SP não é bom pra ser casado. Uma vez perguntei porque…ele respondeu que no inverno, “batia” a noite toda e às vezes o dia amanhecia e eles não se achavam de tanto edredom…sim, o exagero e o melodrama são dons da família ;)
PS. bater=procurar
ah, não tenha dúvida, t.
e gostei desse negócio de “procurar”, lu. tem futuro. mas ando preparando uma surpresa para vcs duas. deve ser para breve. hehe. :+)
Ruy,
você já viu o Shreck 2? Sabe o burro na viagem? Já chegou? Já chegou?…pois é, sou eu!
hahahahahahaha, não vi o schrek, lu. mas discordo.
É Fitinha :). José, tem toda a razão, aquele tipo de criaturas lembram-me aquela carne seca da África do Sul que se vende como iguaria, mas que é o seu oposto :)) Mas quanto ao isolamento, de facto, contribui muito para a preservação de sotaques e estruturas gramaticais que, erradamente, se encaram como distantes de certas épocas passadas, quando são o seu contrário. Daí que nas ex-colónias portuguesas se usassem vocábulos arcaicos como geleira (para frigorífico); guiador (para volante); para além de que tudo era camarão ou caranguejo– não havia sapateira nem santola, nem gambas, etc.
Mas tb não nos podemos esquecer da influência da vaga de imigração italiana no início do séc. XX, para o Brasil, que confere em certas regiões do Português aí falado uma musicalidade mais acentuada, assim como do contacto com a cultura nativa índia e negra, penso que mais forte ao nível dos empréstimos vocabulares.
A actual pronúncia lisboeta, por ex, é um pesadelo para pessoas anglo-saxónicas que queiram aprender Português– para eles é muito mais fácil aprender com um professor/a de São Paulo, pois diz todas as sílabas e usa sibiliantes– contra mim falo. Ex: KaiS do Sodr€ (estou a tentar recriar o alfabeto fonético). Já um lisboeta dirá Kaixodr€, palatalizando sons e aglutinando sílabas, o que se torna quase indecifrável a ouvidos iniciantes :)
seus comentários, fitinha, são tão perspicazes que dava para desconfiar que você é um alter-ego do manel. mas vou conceder-lhe o benefício da dúvida. hahahaha… :)
Ruy, juro pelos Orixás que não sou :)), apesar de apreciar muito os textos do MSF :) Saravá!
oxalá! :)