Acerca de Livros e de Tempo

 1 — Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

A Bíblia. Porque apesar das décadas que já levamos de afectuosa proximidade, há ainda muito que nela conheço mal ou compreendo pouco. Porque constantemente dou por mim surpreendida, interpelada e maravilhada pelos novos sentidos e possibilidades que textos e passagens familiares de tão ouvidos, lidos e meditados ganham com a luz que sobre elas lançam as sempre novas inquietações e percepções que a vida nos dá. Porque nela encontro sempre o que procuro de inspiração, de conforto e de simples e desconcertante sabedoria.    

2 — Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Não, dessa forma atormentada, nunca. Tenho pouquíssimo tempo para ler e muitíssimos livros à minha espera. Por isso, se ao fim de umas quantas páginas um livro não me prende, interessa ou agrada, largo-o e avanço para outro. Sem hesitações, dramas ou remorsos: pouco importa se é problema meu, do livro ou de ambos. Porque, como dizia a minha avó, “o que tem de ser tem muita força”, sei que os nossos caminhos se voltarão a cruzar, if that’s what’s meant to be.

3 — Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

 A Bíblia. Por tudo o que já disse lá em cima, na resposta à pergunta 1.

4 — Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Não é um, são vários. O motivo, sempre o mesmo: falta de tempo, agravada nos últimos anos pela desmedida porção que as leituras jurídicas tomaram do meu tempo e energia. Foi um período nefasto, literariamente falando, que me deu cabo dos apreciáveis ritmo e média que desde criança mantinha e que me atrasou e desactualizou nas leituras. Ando agora a ver se recupero e se levo a melhor sobre a pilha de livros que fui amontoando e que não pára de crescer — muito também por culpa deste blog e do que por lá vou cobiçando. Consigo vê-la daqui, colorida, variada e suculenta: Philip Roth, Martin Amis, Monica Ali, Torrente Ballester, Camilla Lackberg, Machado de Assis, Herman Hesse, Stendhal, Chaucer …

5 — Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?

Foi esta pergunta que primeiro me fez gostar deste questionário. Tenho uma absurda memória de elefante que, no que toca a livros, faz com que raramente esqueça um enredo, por pior que seja, ou um fim. Gosto muito de happy ends e da tranquila certeza do “felizes para sempre”. Mas também me agradam os finais surpreendentes e, sobretudo os incertos, em que quase tudo is left to our imagination. Por razões diferentes, jamais consegui esquecer: a irresignada cena final de Mau Tempo no Canal, a deixar antever outro destino para aquela protagonista; o sublime desfecho de Crime no Expresso do Oriente, porque a justiça às vezes se faz assim; o delirante fim de Os Maias, porque, felizmente, o gosto pela vida pode sempre mais. 

6 — Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Sim. Um péssimo hábito que, desde que me lembro, me causou graves problemas: perdi a conta às vezes em que fui repreendida e castigada (com o confisco dos mesmos) por votar ao desprezo os trabalhos de casa ou por ter sido apanhada, altas horas da noite, a ler à socapa. 

Quanto aos livros propriamente lidos, já aqui falei de muitos deles, a propósito das minhas heroínas e das minhas nada-heroínas. Mas nem só de leituras “de menina” se fez a minha infância. Havia os livros deixados pelos meus tios maternos em casa dos meus avós: A Tulipa Negra (Dumas), Beau Geste (P.C. Wren), A Ilha do Tesouro (Stevenson), Dois Anos de Férias, 20.000 Léguas Submarinas, A Volta ao Mundo em Oitenta Dias e Os Filhos do Capitão Grant (Verne), entre outros. Tive uma fase em que lia “a metro”, livros que, antecipando as férias sem fim no campo, em casa dos meus avós, comprava na Feira do Livro, grandes e baratos, sobretudo baratos: todo o Walter Scott e todo o Salgari e mais uns quantos, como O Ultimo dos Moicanos (James Fenimore Cooper) e A Feira das Vaidades (William Thackeray Makepeace). Mas até esses se me acabavam antes das férias. E foi assim que num Verão já distante me lancei desesperada sobre os policiais de que a minha avó e vários tios eram grandes consumidores. Comecei com Agatha Christie, Erle Stanley Gardner/AA Fair, Mickey Spillane, Georges Simenon. Depois, como em todos os vícios, tive de ir aumentando a dosagem — o que ainda hoje faço, com muito gozo e proveito (como? v. a resposta à pergunta 8).    

7 — Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

Ui, foram tantos, tantos, tantos nos últimos vinte e cinco anos que, para vos poupar – e, assim, conseguir que leiam até ao fim este questionário – me limitarei a um genérico best of, talvez mais apropriadamente worst of … Então, aí vai: boa parte dos manuais e afins das várias cadeiras do curso de Direito e a larga maioria dos manuais e monografias, nacionais e estrangeiras, que tive de ler para produzir, primeiro uma tese de mestrado e, anos depois, uma tese de doutoramento. O pior de tudo? Seguramente as referidas teses de mestrado e de doutoramento – e logo por três sofridas vezes: antes de as entregar, de as discutir e de as publicar.

Porquê? Porque os li até ao fim? Porque é que eram chatos? Basica e respectivamente porque não tinha alternativa e porque that’s the way these things are meant to be … que é como quem diz “o que não tem remédio, remediado está”.

8 — Indica alguns dos teus livros preferidos.

Gosto muito de toda a Jane Austen, de todo o Eça de Queiroz, de todos os Contos do Miguel Torga, de todo o Mário de Carvalho, de quase tudo de Julio Dinis, Camilo Castelo Branco e José Cardoso Pires. Gosto de tudo o que li de Graham Greene, David Lodge, Roald Dahl, Torrente Ballester, Perez Reverte, de quase todo o Vargas Llosa, de bastante Gabriel Garcia Marquez. Sou ainda uma convicta e exigentíssima leitora dos so-called policiais. Gosto muito de muitos dos mais contemporâneos: PD James, Mary Higgins Clark, Patricia Highsmith, Patricia Cornwell, Minette Walters, Philip Kerr, Stieg Larsson, Anne Perry, to name just a few…  

Mas é de “livros preferidos” que tenho de falar aqui. Dos que li, muitos reli, e de que guardo memórias especialmente gratas — porque são em absoluto magníficos ou porque simplesmente no tempo e no lugar em que os li me fizeram muito feliz. Ei-los, sem particular ordem: A Cidade e as Serras (Eça de Queiroz), Mau Tempo no Canal (Vitorino Nemésio), Sinais de Fogo (Jorge de Sena), Contos Exemplares (Sophia de Mello Breyner Andresen), A Morgadinha dos Canaviais (Júlio Dinis), Memorial do Convento (José Saramago), O Milagre Segundo Salomé (José Rodrigues Miguéis), Balada da Praia dos Cães (José Cardoso Pires), Adeus Princesa (Clara Pinto Correia), A sombra da Magnólia (Vasco Graça Moura), Crónica dos Bons Malandros (Mário Zambujal), Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde (Mário de Carvalho), Pride and Prejudice e Persuasion (Jane Austen), The End of the Affair (Graham Greene), How Far Can You Go? (David Lodge), The Little Drummer Girl (John Le Carré), O Nome da Rosa (Umberto Eco), O Ultimo Cabalista de Lisboa (Richard Zimmler), Noble House (James Clavell), Ervamoira (Suzanne Chantal), Crónica de El Rei Pasmado (Torrente Ballester), The Adventures of Tom Sawyer e The Adventures of Huckleberry Finn (Mark Twain), The Catcher in the Rye (J.D. Sallinger), A Tia Júlia e o Escrevedor (Vargas Llosa).

9 — Que livro estás a ler neste momento?

Ando a ver se dou conta do binómio Heart of Darkness (Joseph Conrad) — O Sonho do Celta (Vargas Llosa), que me sobrou da Páscoa … Deus, como a vida muda: agora são as férias que se me acabam tão antes dos livros! Mas nestes últimos dias, dei por mim a ler como quem não quer a coisa, A Humilhação (Philip Roth). E na semana passada desgracei-me noite dentro com os Novos Contos da Montanha (Torga).

10 — Indica dez amigos para o Meme Literário

São três, mas cada uma vale por dez. Se não acreditam, vão lá ver e depois passem aqui só para me dar razão:

Luciana, do Borboletas nos Olhos

Turmalina, da Carta de Tarot

George Sand, de Chez George Sand,

considerem-se desafiadas e, a partir deste momento, alvo da nossa desmedida curiosidade: queremos ler as vossas respostas, saber os vossos gostos e desgostos, cuscar as vossas estantes … não nos façam esperar muito, sim?   

Comentários a “Acerca de Livros e de Tempo” (33)

  1. sem-se-ver diz:

    obg, e obg ainda por ter passado a outros blogs que eu nao conhecia! visitá-los-ei.

    miguéis e esse em particular, cardoso pires e esse em particular, e sallinger, sim sim.

    alguns outros que não li, obg pelo despertar do apetite. :)

    (adoro erle stanley gardner, muito, muito)

    • Joana Vasconcelos diz:

      Olá sem-se-ver, eu é que lhe agradeço a si este desafio tão divertido e completo, pois além de nos fazer remexer a nossa estante e as nossas memórias, nos permite cuscar as dos outros, surripiar ideias de leitura (ao fim de mais de meia dúzia de posts já vai longa a lista ….) e descobrir afinidades às vezes surpreendentees! E fico, claro, contente por ter gostado!

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Admiro a sua coragem para arrumar um livro sem mais explicações: “tu já estás, não gosto de ti e a mim não me voltas a menear as páginas!” Bem queria ser assim, mas fico para ali a ruminar, a espreitar-lhes as pernas por baixo do primeiro parágrafo…

    Não coincidimos neste ponto, mas coincidimos noutro: também ando a ler o Roth às voltas com o actor que tem um bloqueio na representação.

    • Anita visita os mortos diz:

      Indignation?
      Primeiro estranhei, mas depois entranhei. Muito bom.

      • Joana Vasconcelos diz:

        Hello Anita, o Roth a que nos referimos o Manuel aqui e eu lá em cimai é The Humbling, de 2009, traduzido por A Humilhação. Contra o que é meu hábito, estou a ler em português, mas vi-o na Feira do Livro, peguei-lhe só para espreitar e ficou-me literalmente agarrado ou eu a ele, o que basicamente vai dar ao mesmo …

        • Anita visita os mortos diz:

          Tens toda a razão. Que falha! Suponho que a possamos atribuir à idade, “agravada nos últimos anos pela desmedida porção que as leituras”, no meu caso educacionais, “tomaram do meu tempo e energia”.
          The Humbling, nem mais. Indignation, era outra história, a do filho do talhante kosher…

    • Joana Vasconcelos diz:

      Manuel, não é bem coragem, é mais living fast (and, needless to say, yet knocking on wood, hoping not to die young) E, a bem dizer, a alguns não os arrumo logo, ponho-os de lado, à espera de melhor ocasião: é que livros que exigem a disponibilidade e a predisposição que só em férias ou em raros períodos de acalmia no trabalho se conseguem, e outros que resistem bem à entrecortada leitura no meio do frenesim do dia-a-dia. Basicamente, e porque o tempo é curto, vou passando uns à frente dos outros, é o que é ….

  3. Turmalina diz:

    Desafio aceito…afinal eu apanho mas não fujo da briga :o)
    Ainda não li nada do Philip Roth, nem da Monica Ali, mas me deu vontade. E confio muito nas suas indicações!!!

    • Pedro Norton diz:

      Turmalina: isso de não ler Roth devia dar prisão!

    • Joana Vasconcelos diz:

      Sabe Turmalina, trouxe este Verão de Inglaterra dois da Monica Ali, sobre quem tinha lido e ficado muito curiosa – Brick Lane e In the Kitchen. Já andei a espreitar dentro de um e de outro – péssimo hábito, eu sei – e pareceu-me muito bem .… Vamos a ver!!!

  4. Luciana diz:

    Joana, que primor de post e que em tanto vai fazer diminuir a extensão do meu…basta dizer: vão olhar lá a Agatha Christie e PD James, Mary Higgins Clark, Patricia Highsmith, Patricia Cornwell, e claro, toda Jane Austen e Graham Greene e Os Maias e assins…Tal como o Manuel, eu corro o risco de virar estátua de sal…Já vou escrever e já lhe trago o link.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Luciana, porque será que essas coincidências, sobretudo aquele primeiro e tremendo friso de lady writers não me surpreendem? Mal posso esperar para ir ver o resto das suas respostas! Que bo que gostou!

  5. cusca.zombies diz:

    Caros Zombies:
    E ja pensaram na quantidade de leituras que, na verdade, tiveram como objecto reescritas, nao a la Borges, mas reescritas, porque leram nao o texto original (se e que tal coisa existe depois do mesmissimo Borges) mas sim uma traducao, mediada por (pelo menos) um tradutor, sob a influencia de um tempo historico, um enquadramento ideologico, politico, social, literario… e no modo como tais reescritas terao contribuido para quem sao hoje?
    Interessante o mundo que a traducao nos oferece, nao? Interessante o modo como a traducao nos constroi como leitores, como pessoas…
    Cusca
    num malevolo teclado sem acentos

    • Joana Vasconcelos diz:

      Credo, Cusca, que entornaste tu no teclado? Café? Água? Na volta deste-lhe uma demãozinha de Nívea ….

      É ligeiramente perturbador tudo isso que vem associado à tradução e do qual raramente me lembro, mas que, de facto é mesmo assim – e suspeito que não possa deixar de ser, já os romanos bem o sabiam … Mas também não há volta a dar-lhe, pois para muitos de nós e relativamente a muitos idiomas, entre a pureza da versão original e a reescritura da tradução, que venha este, apesar de tudo, pois é isso ou nada. Só em inglês leio normalmente originais. Comecei cedo a fazê-lo – ainda me lembro dos primeiros, inteirinhos e livros a sério: Daddy-Long-Legs e The Catcher in the Rye — e faz de facto toda a diferença…

  6. Teresa Teixeira Motta diz:

    Fantásticas escolhas!!! Concordo com quase todas as suas escolhas, com destaque para a Bíblia como o livro para ler, reler e voltar a ler durante toda a vida, e para os policiais, de que tanto gosto e que tão boa companhia me fazem sempre.
    Quanto aos demais, gosto de muitos dos que indicou e outros há que não li mas em relação aos quais fiquei bastante curiosa. Este lindo blog até nestas coisas é maravilhoso: vou juntando listas de livros para ler e filmes para ver, na esperança de ter tempo para todos!
    Gostei muito!!!

    • Joana Vasconcelos diz:

      Teresinha, é mesmo esse o espírito – e boa parte da muita graça destas listas e desafios! Que nos permitem ir muito mais além da inútil e redutora constatação de que se não leu ou sequer se ouviu falar deste ou daquele livro (ou filme, ou música), deste ou daquele autor, pois são-nos apresentados através do olhar e das palavras necessariamente envolvidas e envolventes de quem deles gosta – há lá melhor cartão de visita? – e fica-se, claro, com enorme vontade de estreitar laços com muitos destes interessantes desconhecidos! Fico, como sempre, feliz por saber que gostou!

  7. Pedro Norton diz:

    Tenho que tratar do Roald Dahl. É um caso mal resolvido que eu tenho.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Tem a minha bênção, Pedro: faça o que tem a fazer, que o sujeito está mesmo a pedi-las, umas boas sessões de leitura..

  8. António Eça de Queiroz diz:

    Muito bom, sim senhora. Gostei particularmente do rico escaparate nacional, que de facto só agora adquiriu visibilidade aqui. A SPA está em dívida consigo (e com muitos outros, imagino). E Os filhos do Capião Grant, que me esqueci de citar como o primeiro que li do Verne!…
    A propósito de policiais e do Mickey S. em particular, uma das descrições de orrada mais bombásticas que vi escritas na vida: «As ventas dele pareciam-se agora com o mapa da China em relevo…»
    Não há melhor no género!

    • Joana Vasconcelos diz:

      António, achei graça ter reparado logo na boa quantidade de portugueses, de que só me apercebi, com alguma surpresa e muito agrado, confesso, na enésima releitura do texto já pronto, mesmo antes de publicar, à caça de gralhas e repetições…
      E, claro, fiquei como sempre muito contente de ter gostado.

      PS — O trecho é de facto bombástico, como muito mais naqueles livros …

  9. Joana Vasconcelos diz:

    Tem a minha bênção, Pedro: faça o que tem a fazer, que o sujeito está mesmo a pedi-las, umas boas sessões de leitura…

    (mas … agora reparo que este comentário está fora do sítio … que nervos, vou ter de o pôr no sítio, lá em cima)

  10. Ruy Vasconcelos diz:

    uma banho de autores portugueses. isso é bom. machado: bom também.

    não coincidimos em eco, le carré, uns poucos outros; mas muito em j.d. salinger, verne, eça…

    além, a sublinhar: a elegância de indicar os novos leitores na esteira.

    coisas de joana.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Querido Ruy, gostei de saber dos nossos contrastes e convergências, da sua sempre tocante gentileza e, last but by no means the least, do seu novo retratinho, bem mais luminoso …

      PS — já foi espreitar as respostas ao questionário que as nossas queridas amigas publicaram aí desse lado do mar? siga os links que elas deixaram aí acima e vai gostar, garanto …

  11. Luciana diz:

    Joana, trouxe o link das lindas respostas da Teresa. Já se sabe: uma estante onde há algo a aprender.
    http://olhosdaborboleta.blogspot.com/2011/05/foi-assim-chegou-um-desafio-la-do-do.html

    PS. Está na outra casa porque o Borboletas às terças, tem colunista. Bj!

  12. Joana, com um bocadinho de atraso, mas vou já responder.Bj

  13. Joana Vasconcelos diz:

    Já vi George Sand, está fantástico!

    Para quem quiser espreitar — o que eu vivamente recomendo — é só seguir as coordenadas de gps virtual: http://chezgeorgesand.blogspot.com/2011/05/desafio-literario.html

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