A letter to Elia

Há uma coisa de que gosto quase tanto como ver cinema. É de ver e ouvir alguém falar apaixonadamente de cinema. O que, na ausência de João Bénard da Costa, é o mesmo do dizer: ouvir Scorsese falar de cinema. É estranho dizê-lo mas, nos dias que correm, prefiro Scorsese a falar de cinema do que Scorsese a fazer cinema. Houve tempos em que assim não foi, quer porque Scorsese não nos falava ao ouvido de cinema, quer porque Scorsese fazia melhor cinema (quase cortei relações com ele por causa do Aviador Howard Hughes). Hoje, mais do que nunca, sei que isso é verdade depois de mais uma amena cavaqueira sobre cinema com Marty – ele deixa-nos tão à vontade com estas conversas que não conseguimos deixar de tratá-lo pelo seu nickname. Desta como das outras vezes, o cinema foi só um pretexto para nos falar do poder das emoções que as imagens nos trazem. Para nos falar da sua vida e das nossas vidas através da vida de um homem, o seu mestre Elia Kazan. Desta como das outras vezes com Scorsese, e tal como acontecia também com Bénard, acabei a gostar de filmes que nunca vi (ou vira até então) e a gostar ainda mais de filmes de que já gostava. Mais uma vez, depois de ouvir Scorsese, tive vontade de celebrar com ele um pacto irrevogável: ver todos os filmes do mundo e gostar de todos eles. Marty, por sua vez, só teria de se comprometer com o necessário para que esse milagre se cumprisse: falar-me deles antes de eu os ver.

 

Comentários a “A letter to Elia” (2)

  1. Turmalina diz:

    A figura de Elia sempre me intrigou.Nunca compreendi ao certo a coisa toda. Afinal ele entregou os colegas e qual foi a verdadeira repercussão disso? Por um lado eu queria julgá-lo como culpado, mas por outro a sua arte sempre me surpreendeu.Será que realmente tudo aconteceu como contam por aí? E vendo esse video eu volto à admirá-lo e tento separar o realizador do homem que ele foi.
    Quanto ao Scorcese, gosto muito, principalmente quando seu tema são gangues, gângsters e máfia.Gosto menos quando coloca na tela o Di Caprio, mas tem uma cena que até que eu gosto no filme que é quando o avião despenca sobre o telhado das casas.

  2. Pedro Norton diz:

    Diogo,
    Subscrevo sem reservas a herética afirmação. Gosto mais do cinema em Scorsese do que do cinema de Scorsese. Mas gosto muito.

Comentar