Adoro quando a Mariana fala

 

 

Adoro quando a Mariana fala. E quando se põe expansiva, fica uma poçinha – muito pouco – de saliva no lábio inferior. Um rosa difuso cobre-lhe o rosto branco se ela se envergonha um tanto do que diz. Eu não ligo. Às vezes desligo do sentido das palavras. Só tenho ouvidos para a inflexão doce de sua voz. Tantas coisas acompanham essa voz. E quando sorri abrem-se as covinhas nas maçãs do rosto. E há o sinal acima do sobrelábio esquerdo, que, suponho, muito antes de saber de Wittgenstein, descobriu por si que era um tremendo argumento no espaço. O sorriso é o fecho de sua voz. E será que há voz que eu mais goste de ouvir? Ela ressoa em meu crânio. E eu pouco faço ideia de como ela ressoa fora dele.

 

Não é a mesma coisa. Mesmo quando a escuto gravada.

 

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Comentários a “Adoro quando a Mariana fala” (8)

  1. Turmalina diz:

    Falta o calor e aquela fagulha nos olhos que uma lente dificilmente consegue captar, meu amigo!
    Gostei de ver a sua Mariana, que para mim, foi se mostrando uma menina ainda.

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