O Manuel lançou o desafio. Passou-o à Marta, que o passou a mim. Qual foi o mais estranho melhor livro que leste?
Gosto deste surpreendente desafio, que nos faz lançar um outro olhar sobre as nossas estantes, em busca dessa gostável estranheza que não incomoda e afasta, antes interessa, atrai e para sempre prende. E que nos permite espreitar inesperados recantos das estantes dos outros, não à socapa (como tantas vezes se faz quando se visita a casa de alguém) mas melhor, muito melhor, porque guiados pelo seu gosto e pela sua sensibilidade, que verdadeiramente fazem aqui toda a diferença – a começar na explicação do que leva cada um a qualificar o livro como estranho (o tema? o enredo? o desfecho? o contraste com o que se é, se pensa, se vive?), a escolhê-lo e, sobretudo, a fazê-lo seu.
Chegada que é a minha vez, impõe-se a breve advertência que motiva este post. Um primeiro raid às minhas prateleiras e às pilhas de livros que se amontoam no chão junto das mesmas resultou num preliminar (e evidentemente estranho) montinho que, sem dramáticas hesitações, depressa reduzi a dois, os quais andaram comigo toda a passada semana (Deus terá decerto um lugar no Céu para quem lançou a moda das carteiras XXL). Folheei-os, reli passagens, aqui e além embrenhei-me e, needless to say, desgracei-me reiteradamente com as horas e os horários. Mais de uma vez me decidi por um, para escassas horas volvidas, escolher o outro ou, pior, querer os dois.
Perante tamanha dificuldade e também a título de penitência quaresmal – para mim que, por ser voraz e me não conseguir resolver vou ter de escrevinhar mais, para os que têm a bondade de me ler (o que, rest assured, muito conta para desconto dos vossos pecados), e que levam não com um, mas com três posts sobre o mesmo tema, a começar já neste.
Então é assim: vou publicar ao longo desta semana, começando ainda hoje (espero) os meus dois estranhos melhores livros. Há muito que um e outro me são muito queridos, e por muito diferentes motivos: o primeiro por ser tão diabolicamente divertido e retorcido quanto inesperadamente sério e profundo, o segundo por ser o mais sombrio e, não obstante, o mais luminoso dos sempre luminosos livros escritos por aquela que é uma das minhas escritoras preferidas.
PS – Aos meus muito queridos companheiros de sepulcro ainda não desafiados aproveito para avisar que, tendo o Manuel modelado o presente desafio como “passa ao outro e não ao mesmo” em versão dupla, irei cumprir essa parte do mesmo igualmente em prestações, dividindo os dois desafios que me cabe lançar pelos dois textos que se seguem: cada um trará um.

















Está mal… está muito mal deixar-nos assim en suspense. :) Fico à espera dos famigerados livros estranhos.
Teaser!
Que indecência! Vem uma pessoa cansada depois de passar uma manhã cheia de sol em exigentes aulas e quando pensa que cá tem à espera um lindo post sobre um estranho melhor livro descobre que afinal é só uma promessa em jeito de introdução…
Bem, pelo menos são dois livros!!! Isso já compensa bem a espera a que nos vai obrigar :)
Para já fico mortinha de curiosidade quanto aos livros em questão (ainda por cima logo agora que acho que sei qual é o segundo…) e desejosa que chegue o primeiro dos dois!
Bem, cheguei atrasado… Mas como já li o primeiro só me resta esperar, esperar e tornar a esperar…