Livros estupidamente bonitos V

E quando os livros se acabam? Os livros, mesmo os que julgamos eternos, têm, como tudo, um tempo. Não é fácil ser um deus dos livros mortos e decidir-lhes o destino. O pó acumulado não os redime, os leitores que com eles se encantaram já são idos e as gerações que se sucedem não encontram a chave das palavras e das histórias que ali repousam. Que fazer a manuais técnicos de 1923, à enciclopédia de 1945, ao romance famoso de 1896? Livros que se tornam ilegíveis, sem outro interesse senão uma eventual beleza da capa.  Livros obsoletos que já não valem o espaço que ocupam na prateleira, onde outros se perfilam para os substituir.

Estes (não-)livros são estranhos. Talvez sejam sombras dos livros que foram. Continuam ilegíveis na modernidade que os esqueceu mas têm, post-mortem, uma nova vida, uma nova forma, uma outra mensagem.  São livros ressuscitados e estupidamente bonitos.

 

 

* O site do autor é: http://www.alexanderkorzerrobinson.co.uk/

 

Comentários a “Livros estupidamente bonitos V” (3)

  1. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Sabe a primeira coisa que me veio à cabeça, Marta, ao olhar estas imagens? Registos. Os antigos registos religiosos.

  2. Pedro Norton diz:

    estupidamente bonitos, de facto.

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