Foi Surreal

A negociação durou dias. Renhida. De um lado, moi, do outro o sindicato filial, tão temível quanto sorridente. À proposta inicial respondi com um rotundo e — julgava eu — definitivo não. O perigoso sindicato insistiu. Tentei esquivar-me com o depois lá, logo se vê, mas o tenaz cartel voltou à carga. Antevendo o inevitável desfecho, impus condições, prontamente aceites: três museus, à minha escolha, sempre com boa cara. Marquei online para terça-feira de Carnaval. Very appropriate. E foi assim que cheia de fair-play e com uma radiant disposition, depois de um early morning raid a uma livraria que rendeu dois sacos de promissoras leituras, integrei a multidão que convergia para o Madame Tussaud’s Wax Figure Museum, em Londres.  

A muito custo preparara-me para uma enfadonha sucessão de salas atulhadas de figuras tipo manequim de loja foleira, ataviadas como personagens, reais ou imaginárias, pretéritas e presentes. Não, de todo, para a inimaginável e delirante mistura de Disneyland, MTV e parque de diversões, com pipocas e afins all over, em que me vi metida durante quase duas horas.       

As surpresas começaram logo à entrada da primeira sala: gargalhadas, gritinhos, urros e um desatino de flashes que só visto. Espalhados no meio de um cenário que pretendia evocar glitter e glamour lá estavam a Miley Cyrus-Hanna Montana, os rapazes que fazem de Harry Potter e de Edward (o xaroposo vampiro do Twilight). A pensar nos mais crescidos (que também os havia, e muitos, Santo Deus), Clooney, o casal Beckham, Angelina Jolie e o seu Brad Pitt, Julia Roberts, Johnny Depp e Nicole Kidman, entre outros. As reproduções eram pretty accurate, das tatuagens da Angelina ao rosto botoxado da Nicole. Depressa percebi, porém, que ninguém ali estava para apreciar detalhes. O objectivo era um e um só: tirar fotos, o maior número possível de fotos, num tu-cá-tu-lá de estarrecer com as celebrities. Mulheres de todas as idades posavam com o Clooney, as mais afoitas davam-lhe a mão ou beijinhos na bochecha. A cena repetia-se com o Brad Pitt e, em versão rapaziada, com a Angelina. Na secção infanto-juvenil, havia filas para posar junto da Miley e para polaroids com o moço vampiro. Cumpridos os mínimos de mãe extremosa, fugi, deixando para trás a Kate Moss descalça e aninhada num divã e mais uns quantos famous votados ao desinteresse pela turba. Achava eu que se seguiria algo mais convencional. Couldn’t have been more wrong.

A sala seguinte era dominada pela princesa Diana, de vestido de lantejoulas, sobre um pedestal azul celeste, tipo santa. Várias muçulmanas veladas faziam-se retratar junto dela, enquanto Andy Warhol e Jerry Hall miravam desdenhosos. Já Liza Minelli, escarranchada na cadeira de Cabaret, parecia genuinamente interessada na cena. A tornar tudo mais bizarro, se possível, a música, a alto e bom som: Yellow Submarine, dos Beatles, Jumpin Jack Flash, dos Stones e Light My Fire, dos Doors. Decidida a abreviar o meu tormento, atravessei em passo rápido From Bollywood to Hollywood - onde avistei vários 007, Spielberg, Audrey Hepburn de tiara, Aiswaria Rai num belo sari, por entre inúmeras e variavelmente cintilantes movie stars. Os mais requisitados para fotografias, sem dúvida o Schreck e Marylin Monroe, esta sob uma linda pérgola iluminada, de vestido branco plissado esvoaçante. Em cantos opostos, Brando de blusão de couro e Bogart de gabardine olhavam sombrios os passantes, decerto a pensar no que estariam ali a fazer. Impossível não. Com a minha por esta altura um tanto desconcertada prole, desci ao lower level. Pensei em Dante e em como merecia uma estátua de cera, ali mesmo. O senhor que decorava o patamar parecia o Hitchcock. Era.

Grandes e indescritíveis emoções me reservava o piso de baixo. Sports Stars, para começar bem. Logo de entrada, uma antecâmara exclusivamente dedicada ao Special One, Mourinho himself. Entre abraços, palmadas nas costas e exclamações sentidas, quase todas em português, o pobre não tinha sossego. Embaraçada, esgueirei-me para ver o resto do desporto. Jogadores da bola eram quatro: Cristiano Ronaldo, Beckham, Pelé e Wayne Rooney: Messi, nem vê-lo. Suspensa do tecto, por cima deles, Olga Korbut, de louros totós, fazia o pino na trave olímpica. Em vão procurei a Comaneci. Indignada com tão inexplicável omissão, votei ao desprezo várias cricket glories, um matulão do rugby, mais o Lewis Hamilton, o Cassius Clay-Muhammad Ali e o Boris Becker e moved forward. Vi-me então rodeada de Royals e no meio de grande agitação: adolescentes giggling agarradinhas aos princípes William e Harry e várias ladies over fifty posando numa de best friends com Camilla Parker-Bowles. Astonishing. Estranhei a ausência de Kate, a esbelta noiva de William, e mais ainda a presença lá no meio, como alma penada, da diminuta rainha Vitória. No recanto dedicado a Science and the Arts, um curioso e heterógeneo grupo formado por Einstein — muitíssimo requestado para fotos em registo de grande informalidade, vá-se lá saber porquê -, Picasso, Stephen Hawking, na sua cadeira de rodas, Oscar Wilde, sorrindo descarado, Dickens e Van Gogh, de paleta e com ar bastante alucinado. Não era caso para menos, convenhamos.  

Por esta altura, fiel ao meu endurable motto – se não podes vencê-los, junta-te a eles – confesso que estava a divertir-me, e bem, para crescente apreensão das duas principais instigadoras do programa, as quais não sabiam bem o que achar de tudo aquilo. Music Megastars, the next stop, não desiludiu – dentro do género, claro. Luzes de discoteca e bolas de espelho no tecto. Michael Jackson, de peúga branca e chapéu preto. Uma legião de fiéis passava feliz, de cabeça em cabeça, um chapéu preto igual: tive um calafrio só de pensar no potencial de contágio de pediculus capitis (eufemismo que nas cartas da escola refere exactamente isso em que estão a pensar) de tão bonito gesto. Mas as atenções convergiam inevitavelmente para o palco cheio de babes, de cera e não só: Amy Winehouse, Britney Spears, Lady Gaga … e um enxame de wannabes que, guinchando, as imitavam e quase derrubavam. Indiferente a tudo isto, Jimi Hendrix tocava e controlava pelo canto do olho os fãs mais idosos que se abraçavam comovidos a Elvis e a Bob Marley. A selecção musical alternava, num desconcertante shuffle, Rehab com Love me Tender.

Porque nem só de futilidades é feita esta vida, o grand finale, dedicado aos world leaders, tinha mensagem. Bem ao centro da sala, virados para o dito palco, contra um fundo às pombinhas (e benevolamente observados por Mohamed Al Fayed, junto ao balcão das pipocas e do algodão doce), um quarteto de peace-builders: Dalai Lama, Ghandi, Mandela e o Papa João Paulo II. Logo ao lado, um trio de alto coturno: Saddam Hussein, Mugabe e Hitler — este último um must para catárticas e exuberantes poses (aposto que a imagem passa o tempo a ser reparada). Mesmo ao lado, a dupla Fidel e Khaddafi não deixava ninguém indiferente: um rapaz, de t-shirt do Che, punho erguido e ar convicto, plantou-se junto do primeiro, estranhamente sem máquina fotográfica conhecida à vista e por ali ficou. Para os demais retratados, vivos e mortos, agrupados do lado oposto a estes – Obama, Merkel, Sarkozy, Blair, Putin, Bush, Ataturk, Thatcher, Benazir Bhutto, to name a few – the writing on the wall: the world awaits. Lovely.

O balanço da visita, esse não podia ser mais positivo: uma experiencia realmente atípica e enriquecedora, para mim, a prova de que às vezes é a mãe e não as amigas quem tem razão, para as meninas. Lovely, indeed.                                       

Comentários a “Foi Surreal” (38)

  1. vallera diz:

    Extraordinário!

    • Joana Vasconcelos diz:

      Podes crer que foi!
      E mais teria sido não fosse o primo you-know-who ter-se recusado a acompanhar-nos, o grande símio.

  2. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Ó Jeanne, já me ri tanto de a imaginar nessa aventura de cera com as pestes — pronto, lindas filhas em prol da sensata conclusão — que não lhe passa pela cabeça!

    Nunca mais direi que não entrarei no, vá, museu da Madame. Se aconteceu consigo, não estou a salvo.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Pestes.
      Diz bem, Eugénia, pestes é o termo: primeiro arranjam-me este lindo enredo, à conta das viajadas e cultivadas amiguinhas, e depois, quando eu da resignação e do quase desespero comecei a querer emergir com laivos de entusiasmo, desatam a torcer o nariz, a achar aquilo tudo delirante e a tentar atingir-me com o mãe-páre-com-isso-que-está-toda-a-gente-a-olhar-para-nós do costume …

      E sim: it may well happen to anyone of us, anytime, anywhere …

  3. André Andrade diz:

    Ler “…, integrei a multidão que convergia para o Madame Tussaud’s Wax Figure Museum, em Londres” já e suficientemente aterrador, mas a descrição que se lhe segue far-me-a, sem duvida, em visitas proximas a Londres, integrar sempre qualquer multidão que siga em sentido contrário!
    Julgo mesmo que a única vantagem em não ter filhos será poder abdicar, de forma entusiástica, claro, de romarias a parques de diversões e afins! Inconscientemente, Joana, levaste o sindicato filial “as vacinas” e quando planeares uma viagem a Paris ou aos States serão as tuas filhas a sugerir três museus a sua escolha e, melhor ainda, do agrado da Mãe! Esperemos, nessa altura, que não te venhas a sentir tentada a dar uma olhadela ao Parque Eurodisney e/ou a dar um pulo a Orlando!
    E, já agora, a livraria que precedeu essa aventura e que rendeu dois sacos de livros, será um daqueles deliciosos secret places de Londres que queiras aqui partilhar com os teus leitores…?
    Bj

    • Joana Vasconcelos diz:

      André, André, não sejas assim: nem tu sabes o que perdes. Besides, you can always buy the tickets online to avoid the queues!

      E tens razão, acho que as girls learned the lesson: já em ocasião anterior a pretensão fora insistentemente apresentada, mas eu consegui distraí-las com o London Eye (fantástico) e o Koh-i-noor (of course) seguido de um trajecto de barco no Thames (o metro estava em greve …). Mas desta vez teve mesmo de ser e ainda bem ;)

      A livraria a que me refiro é a Persephone, sobre a qual escrevi aqui (http://www.etudogentemorta.com/2010/10/back-from-the-underworld/). Logo depois deste delirante episódio seguimos a pé por Marylebone, onde me desgracei noutra, fabulosa – ora vê (http://www.dauntbooks.co.uk/shops.asp?TAG=&CID=). Os credits de such lovely places vão inteirinhos para a nossa comum amiga Sofia Rodrigues, que é quem sabe destas e doutras fabulosas paragens por toda a Inglaterra.
      Um beijo

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Só podia, está bom de ver.
    Joana, mais um bocadinho e isso que você fez inscrevia o crime de incitação ao trabalho infantil.
    Parece impossível.
    E de morrer a rir (estou mesmo a ver você de nariz franzido a cucscar tudo à custa do small flock…)

    • Joana Vasconcelos diz:

      Trabalho infantil? Mas quais trabalho infantil, António Benedito?!? Só porque eu ocasionalmente as fiz carregar os meus ricos sacos de livros e casaco (aquela coisa não tem bengaleiro) enquanto tirava umas fotos??? Mas que picuinhas você me saiu.

      E claro que me fartei de cuscar tudo, tudinho: mesmo on the move, às vezes bem depressinha, não perdi pitada – tive foi de cortar muito no post ou mataria os pobres leitores, de exaustão e/ou tédio …

  5. Luciana diz:

    Joana,
    estou convicta de que, para o bem dos seus leitores — não necessariamente convergente com o seu — não deve negar nenhum passeio às meninas. Olhe, já ri e ri e lembrei-me do show e da ensaiada coreografia e outras divertidas histórias revividas em palavras aqui. Além disso, faz bem público, desobriga a todo e qualquer leitor de passar na calçada, já se viu tudo pelos seus olhos atentos. Por fim, uma perguntinha…não há “nenhuminha” foto sua de registro, assim, sei lá, pendurada em artísticos braços?

    • Joana Vasconcelos diz:

      Luciana, quer desgraçar-me??? Se as crianças calha lerem este seu comentário estou completamente feita!!! E eu a pensar que éramos boas amigas!!! Realmente …

      Quanto às fotos de moi, lamento informar que as poucas que me foram tiradas — a meu pedido, para que conste — ficaram impublicáveis, porque completamente tremidas por eu não parar de rir com o que via à volta e de gesticular a tentar explicar à criança o que devia e não devia abarcar, no meio de tanta bonecada. Como se isso não bastasse, por todo o lado apareciam criaturas de máquina em punho e/ou a posar, que me arruinaram o enquadramento …

      Quanto à pose não foi evidentemente em artísticos ou desportivos ou outros quaisquer braços (de cera … .aaarrrggghhh), mas recatada e compostamente empoleirada no braço de um sofá onde quem estava …. Ups!!! Suspense!!! Me siga até ao comentário abaixo!!!

  6. Marta Costa Reis diz:

    Sim, sim! A Luciana tem razão! Confesse lá, Joana, com quem tirou fotos? Eu admito já que lá fui contrariada há uns anos — felizmente sem multidão — e que me diverti imenso, sobretudo a apreciar as escolhas fotográficas do meu filho.
    Resta-me congratulá-la pelo texto e, o que não é de somenos, para além de muito merecida, pela vitória final!

    • Joana Vasconcelos diz:

      Tá bem, eu confesso, Marta e Luciana (já chegou aqui?)

      Comecei por recusar-me terminantemente durante várias salas a posar com quem quer que fosse …
      Até que evidentemente capitulei diante dos meus Beatles!!! Apesar de os mesmos estarem quase irreconhecíveis.

      Foi a minha única pose. Sentadinha no braço do sofá, junto ao George – bem tentei junto do Paul, mas o raio da guitarra não mo permitiu … Ora vejam porquê http://estreisen.de/2009/09/16/

      • Luciana diz:

        Vim, vi e venci o que, a grosso modo, significa que cheguei até aqui — divertindo-me ainda — e vi a foto, não a realizada — que nos nega — mas a da minha imaginação, que a coloca — Joana — nas mais variadas amigáveis interações com os cabeludos. E, pra provar a amizade, não lhe mostro a foto que tirei no museu do futebol ao lado da imagem do Zico só para que possas imaginá-la como quiser ;-)

  7. Turmalina diz:

    Que delícia de passeio que nos proporcionou! Diante de tanta informação, foi bom mesmo nos ter levado pelas mãos. Fico imaginando o pasticcio musical, um tanto abafado pelo burburinho juvenil, e a cara do Elvis escutando Rehab. E me diga, não estava lá também a Bellatrix?

    • Joana Vasconcelos diz:

      Nada de Bellatrix, Turmalina: mais uma imperdoável omissão, junto com a Nadia Comaneci, a Mary Poppins e a noiva do Princípe William que me deixaram realmente desapontada com aquele, chamemos-lhe assim, museu.
      Afinal, ou se é culturalmente abrangente, ou não. Mas que coisa: senti-me um bocado defraudada, e o que é.

  8. Manuel S. Fonseca diz:

    É tão bom quando nos divertimos sem cuidados! Este seu relato tem essa boa descompressão. Tenho, entretanto, a certeza de que a Joana se deixou fotografar, a pedido do próprio, com o Churchill, mas a seguir não resisitu à Princasa Diana.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Nada disso, Manuel. O que seria!

      Cruzei-me com Sir Winston Churchill em mais de uma sala. De charuto na mão, mas apagado, obviamente a tentar passar despercebido no meio daquele Carnaval, pelo que fingi não dar por ele, para o preservar, poor thing.

      Quanto à princesa Diana, só se fosse louca: ainda lá estaria à espera de vez, no meio de tanta moça nostálgica! Não é que a música naquele room fosse má, que não era (o CD do Elton John devia estar avariado naquele dia …), mas ali devo dizer soava a modos que deslocada, creepy mesmo…

  9. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Pois é, Joana. Somos escravos das crianças. E tantas vezes é tão bom sê-lo. :)
    Quanto ao museu, também já lá fui, claro. Uma das coisas que mais me impressionou foi o facto de, na altura, o Herr Hitler estar dentro de uma vitrine, à conta de tanto lhe baterem. Na verdade há nas crianças esta capacidade de ver a realidade num boneco de cera; capacidade que nós, às vezes, perdemos, para o bem e para o mal.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Olha outro bravo sobrevivente – com a Marta e comigo já faz três!
      Pois saiba, Gonçalo que o Fürer está completamente à solta e à mercê das crianças — e também dos crescidos, estes últimos bastante mais expressivos nas demonstrações de repúdio pelo mesmo. Eram tais as cenas que fiquei literalmente especada a mirá-los, uns após os outros, num delirante corrupio. E a achar que lá no alegado museu devem ter vários duplos do mesmo, para substituir periodicamente enquanto procedem a reparações: entre mãos a apertar o pescoço, garrotes no mesmo, golpes de karaté mais ou menos simulados e por aí fora, não sei quanto tempo dura uma coisa daquelas. Ou então vai-se a ver e não é de cera …

  10. José Navarro de Andrade diz:

    Miserável post: egocêntrico, de má consciência, a ludibriar-nos — em resumo: podia ter sido meu. O mais grave é que o essencial fica por dizer: as miúdas gostaram ou não? E o que se passou nos tais 3 museus “sérios” sofridos por troca com esta obviamente “horrífica” experiência (gostaste pouco, gostaste)? Ah pois, isso não dizes…

    • Joana Vasconcelos diz:

      Zé, soul mate, que bom que me compreendes! Queres saber o resto? Eu conto:

      1) as crianças divertiram-se imenso, claro – e fizeram lindas fotos, pois então -, no meio daquela delirante confusão, se bem que não exactamente da forma que estavam a contar: tive a clara noção de que aquilo não correspondia de todo ao que esperavam e às expectativas que tinham formado com base em relatos entusiásticos de amiguinhos da escola…

      2) os três museus sérios que fizeram parte do deal foram a Tate Britain, o de História Natural e a National Portrait Gallery

      3) Foram todos visitados de muito boa cara e com interesse e proveito proporcionais às idades – se bem que em qualquer dos casos muito superiores ao que eu temia… (devo dizer que dos três o menos apreciado foi o Museu de História Natural que de tão didáctico e interactivo exaspera qualquer cérebro de idade superior a dois anos).

      Museus aparte, do que elas gostaram mesmo, mesmo, mesmo? Ora então, do que é que havia de ser? Vai-te preparando (e ao credit card, as well …) — http://www.abercrombie.com/webapp/wcs/stores/servlet/HomePage?langId=-1&storeId=11203&catalogId=10901

  11. Teresa Font diz:

    Ah Joana, ri-me tanto. Quer do post, tão divertido, quer de felicidade.
    É que a coisa lembrou-me logo a minha experiência em tudo semelhante, anos atrás-só que as alegrias da minha vida são rapazes, por isso a coisa meteu mais o falecido Senna, o carro do Kit e uns jogadores de futebol que não me lembra o nome.
    E sinto aquele alivio que sentimos quando ouvimos um bebé chorar e nos lembramos que “não é o nosso”.
    Os meus , a juntar aos bonecos de cera, ainda tinham uma fome constante, aguda, exigente, castigadora, isto logo na época do valor mais alto da libra, a tal ponto que fez o avô materno, companheiro desta aventura, recomendar uma linha de crédito bonificada só para lhes dar de comer.
    ’Justifica-se’-disse o senhor, lacónico, a guardar, pensativo, o cartão de crédito.
    ps-Joana, ao lado de quem foi a sua fotografia? Ao lado delas, claro. Mas de quem mais?

    • Joana Vasconcelos diz:

      Teresa, junte-se ao grupo dos Devoted Survivors!!!

      E o que eu me ri com este seu solidário comentário, a imaginá-la nos mesmos apuros, com os seus vorazes rapazinhos! E como subscrevo a parte do choro do bébé alheio!

      A fotografia – foram várias, todas péssimas – foi única e exclusivamente, já o confessei lá em cima, com os Beatles… só podia!!! Não tivessem eles, os malvados, tirado de lá o lindo Kit – e mais o Michael Knight e provavelmente não teria resistido a umas fotozinhas com o mesmo e, quem sabe, num arrebatamento súbito, com o carismático Haselhoff!

  12. Ana Rita Seabra diz:

    Joana, simplesmente delirante!!!! Soltei umas gargalhadas com esta descrição tão divertida da vossa visita ao museu!!! Pelo texto tenho a certeza que correu tudo muito bem…as miúdas gostaram? beijinhos

    • Joana Vasconcelos diz:

      Olá Ana Rita, que bom que gostou: nós também, apesar de para elas não ter sido de todo o que esperavam. Jamais in their wildest dreams teriam as pobres imaginado semelhante desatino.
      A sério: fuja, se e enquanto puder! Ou então, olhe, já sabe para o que vai!
      Um beijo

  13. Anita visita os mortos diz:

    Querida Joana: por várias razões de género, que seguramente compreenderás, não gosto de cera. Literalmente gives me the creeps. No entanto, sou uma mulher de mente aberta e horizonte largos. Se nesses horizontes estiver incluído o George Clooney, Anita considerará abrir uma excepção, borrowing your lovely daughters para uma compreensão mais profunda do fenómeno Tussauds. Touché? :)

    • Joana Vasconcelos diz:

      You’ve made your point, Anita.
      Olha, fazemos assim: da próxima ida a Londres tu vais com as girls ver o Clooney e o Mourinho de cera, enquanto eu vagueio por outras paragens. Quando acabares de te desgraçar, ligas-me e vais lá ter.
      Quem sabe se ainda vais a tempo de umas comprinhas de jeito…

  14. Teresa Teixeira Motta diz:

    Que bela descrição de tamanha aventura!!! Já me fartei de rir a ler e reler e a imaginar o filme todo!
    O que eu gostava, juntando-me ao apelo da Luciana e da Marta, de ver o lindo exemplar das suas poses junto aos Beatles! E até aposto que, se não tirou fotografias com outros mais, vá, interessantes foi por pura vergonha e orgulho — para as suas girls não se fartarem de rir por estar a adorar aparecer pendurada num qualquer George Clooney. Ora confesse lá…
    Ainda bem que gostaram todas e que se divertiram muito!

    Não quer agora revelar a visitinha à Abercrombie ilustrada com uma fotografia sua com um dos simpáticos rapazes?! Não me diga que aí também não tirou…

    • Joana Vasconcelos diz:

      Ó Teresa, mas o que vem a ser isto? A menina passou-se!!! Fotos minhas “pendurada num qualquer George Clooney”? Com um dos “simpáticos rapazes da Abercrombie”?

      Atão não percebeu que o tal do Clooney era de cera? Que estava todo lambuzado de baton das pindéricas que por lá andavam? Que nem com the real thing eu me desgraçava? Ora leia o texto outra vez e mais esta minha lista (http://www.etudogentemorta.com/2010/06/homens-e-mulheres-a-minha-lista/), que isto dos posts estou a ver que é como os testes … mas que coisa!

      Quanto aos moços perfumados, saiba que a única coisa que me ocorreu quando os vi ali à porta da loja foi um muito maternal: ainda bem que têm um casaquinho vestido, que de tronco nú e com este frio ainda se constipavam, os pobres miúdos. Got it?

  15. IQF diz:

    Ah! Estava a cair que nem uma patinha na sua descrição, quando cheguei ao fim e deparei-me com esta:
    ”…a prova de que às vezes é a mãe e não as amigas quem tem razão, para as meninas”.

    Impossível, Joana! Este happy end não existe! Trust me — e não é pela Clarinha, que ainda tem idade para achar que a Mãe tem sempre razão: é mesmo por mim, que continuo a achar que não tem!

    Só pode ser tudo ficção…
    :)
    bj…
    Inês

    • Joana Vasconcelos diz:

      Nada disso, Inesinha, nada disso.
      Tudo verdade, verdadinha, do princípio ao fim do post.
      A mãe tinha razão. TODA a razão. Como SEMPRE, aliás.
      E elas reconheceram-no, todas três. Oh yeah!!!
      O que de modo algum – e infelizmente — implica a criação de um precedente. Mesmo tendo-se passado a cena em território submetido ao rule of common law. Nisto as moças são deveras continentais: cada caso é um caso e nada de extrapolações. Mas lá diz o povo, quem sai aos seus … neste caso sua (melhor dizendo delas), não degenera … Como a Clarinha, palpita-me … ;)

  16. Das paragens inglesas tenho sempre evitado cuidadosamente o Museu de Cera e depois da tua vívida descrição assim continuarei.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Wise decision, Sofia. Era justamente essa a ideia.
      Eu própria vou manter o link à mão, as a reminder, em caso de futuras reincidências – nisto ou em atrocidade parecida ou semelhante, que as há por todo o lado – por parte das girls. Quem sabe se relendo o post e revivendo a uniqueness destes momentos recuam no seu intento …

  17. Teresa Conceição diz:

    Joana,

    O que já me ri.
    Que graça de incursão! que delírio de aventura. Que piadão de texto.
    O que eu tenho andado a perder.
    E o que porventura me espera, tendo em conta os sobrinhos que estão a crescer depressa.

    Vou ver se no fim de tudo ainda consiguirei vestir a camisola:
    EU FUI AO MUSEU DA MADAME… E SOBREVIVI

  18. Joana Vasconcelos diz:

    Teresa!!!
    Que saudades!
    Seja tão bem-vinda de volta!

    É claro que a visitinha será mera questão de tempo. Quem senão a intrépida Tia T, conhecedora dos mais exóticos recantos do planeta, protagonista das mais emocionantes aventuras nas mais remotas paragens, para conduzir os meninos sobrinhos num inesquecivel périplo pelo (alegado) museu de Mme T? Quanto à sobrevivência, está mais que garantida: basta lançar mão dos seus muitos skills de viajante — aquilo, bem vistas as coisas, tem tanto da animação e do sobressalto da selva, como da extensão interminável do deserto, sendo certo que muito do que se vai vendo acontecer só pode ser mesmo miragem …

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