Arte canalha

Não, não é povera, nem foleira, nem mais nada se não canalha — no sentido do gosto, entenda-se.
Depois do jantar, bem disposto não sei bem porquê, dei comigo a recitar poemas torpes à família — alguns dos que aprendi na minha infanto-juventude caótico-cultural.
Não sei se já o disse aqui alguma vez, mas considero a anedota um veículo cultural tão bom como qualquer outro (ou mesmo melhor). Estas vilanias que aqui hoje posto não são para ser levadas a sério: tal como as anedotas, representam apenas um pouco, se quisermos, a forma como acedi ao humor nas suas versões mais exóticas e/ou radicais.
Começarei por aquilo que denomino de poesia escatológico-juvenil, que tive a sorte de apreender com a minha nanny preferida: a minha Alice.
Não me lembro que estas coisas tivessem algum título, mas se tinham isso também não tem qualquer importância. A primeira, se lhe quiserem sentir melhor as propriedades sonoras, imaginem-na declamada por Pedro Homem de Mello (coitado do senhor, que não tem culpa nenhuma):

Puxei o autoclismo,
Cagalhão estremeceu,
Deu um passinho de dança,
Cumprimentou-me
E desceu…

Agora experimentem pôr o som do João Villaret:

Bardamerda teve um filho,
Cagalhão foi seu padrinho,
E a bufa,
Toda encantada,
Quis ser ama do menino!…

Segue-se um breve apanhado de canalhices mais avançadas, onde nuances de carácter erótico-tropical informam o distinto público da idade que atravessava e os interesses por que me guiava então. Confesso que quando ouvi isto fiquei um pouco sem saber o que fazer, pois haviam várias meninas em presença — que, segundo concluí muitos anos mais tarde, não perceberam patavina do que aquilo queria dizer. O diseur era mauzote, tinha uma conveniente voz de truão, mas para todos os efeitos esforçava-se por dar o seu melhor.
Deve ser lida em tom de música dolente e maliciosa, como convém a estas coisas:

Estavam dois namorados,
Muito agarrados num bananal;
A garota, que era marota, foi-se chegando, sem fazer mal;
Às tantas dá~lhe a finura, dá-lhe a pinura da brincadeira,
E põe-lhe a mão mais abaixo,
Mesmo no cacho da bananeira!

Para acabar em beleza sirvo-me agora dum poeta celebrizado (e também deportado, por sinal) para caracterizar uma outra fase mais complexa, a da pós-adolescência. Numa certa medida explica os perigos por que passei e de que me defendi, confesso, com imensa arte e não pouco engenho. Como cito de memória é capaz de haver uma ou outra palavra errada no poema — mas, como certamente concordarão, nada afeta a mensagem.

Um rapazinho  como tu,
Lavadinho e todo nú,
Não desgosto —
Enfim, até gosto.
Mas prefiro os fedelhos:
Vou-lhes ao cu,
Dou-lhes conselhos,
Arrancam-me pintelhos…

Não sou Botto nem António,
Sou roto!

(António Botto)

Agora vá: quem nunca ouviu nada do género que atire a primeira pedra!

(mas melhor será deixarem-se de trejeitos de sacristia e mostrarem o que realmente sabem — porque eu sei que sabem…)

Comentários a “Arte canalha” (30)

  1. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Meu querido António, devo dizer, em primeiro lugar, que ainda este fim-de-semana tive as minhas filhas mais velhas cantarolando sem cessar: «Coelhinho, se eu fosse como tu, tirava a mão do bolso e metia-a no cooooelhinho, se eu fosse como tu…»
    Quanto à segunda fase, escatológico-juvenil, lembro-me sempre desse poema do António Botto, embora com ligeiras diferenças. Não sabia, por exemplo, esse verso de «arrancar os pintelhos…» E, francamente, ainda bem que não sabia.
    Agora, quanto ao teu desafio e às canalhices mais avançadas, com nuances de carácter erótico tropical, eu, que sou de um clima moderado, nunca vi nada melhor que a Ribeirada, do Bocage. Começa assim:

    Acções famosas do fodaz Ribeiro,
    Preto na cara, enorme no mangalho,
    Eu pretendo cantar em tom grosseiro,
    Se a musa me ajudar neste trabalho:
    Pasme absorto escutando o mundo inteiro
    A porca descrição do horrendo malho,
    Que entre as pernas alberga o negro bruto
    No lascivo apetite dissoluto.

    Oh! musa galicada e fedorenta!
    Tu, que às fodas de Apolo estás sujeita,
    Anima a minha voz, pois hoje intenta
    Cantar esse mangaz, que a tudo arreita:
    Desse vaso carnal que o membro aguenta,
    Onde tanta langonha se aproveita,
    Um chorrilho me dá, oh musa obscena,
    Que eu com rijo tesão pego na pena.

    E continua:

    Em Tróia, de Setúbal bairro inculto,
    Mora o preto castiço de quem falo;
    Cujo nervo é de sorte, e tem tal vulto,
    Que excede o longo espeto de um cavalo:
    Sem querer nos calções estar oculto,
    Quando se entesa o túmido badalo,
    Ora arranca os botões com fúria rija,
    Ora arromba as paredes quando mija.

    E continua (…). Não conheço nada que se lhe compare. :)

  2. Eu ainda me lembro de um poema lido há muitos anos na porta de uma casa de banho de um café em Tomar…

    Todo o astronauta que se preze,
    Tem que trazer pelo menos
    Uma gravata de Marte
    Uma camisa de Vénus.

  3. ah ah ah
    adorei lembrar algumas coisas
    mas não conheço melhor

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Fica o seu riso, Rita, que vem animar estas paragens até agora soturnamente másculas.
    Obrigado por ter gostado.

  5. Luciana diz:

    António, chegando umas do lado de cá — se estão um pouco vermelhas não é do meu rubor, deve ser do esforço de atravessar a nado, por isso demoraram. Não têm o mérito de folguedo histórico, mas não devem fazer tão feio no quesito “canalha” (se bem entendi):
    http://forum.outerspace.terra.com.br/archive/index.php/t-32060.html

  6. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Ó nosso Antoine, desconhecia-lhe a bocageana veia. Mas suspeitava-a uma fartura!

  7. António Eça de Queiroz diz:

    Suspeitava? Nota-se assim tanto? Moi, que sou quase um circunspecto?!… Sabe, Eugénia, foi a ver se animo um bocado — não só os outros mas principalmente a mim próprio.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Não, não! O António não é livre de se desanimar: olhe que há pessoas que não podem baixar os cantos da boca nem nem calar a língua ou ficamos todos tristes.

  8. António Eça de Queiroz diz:

    Por vezes tenho medo que isso seja mesmo verdade, apenas por nem sempre ser capaz.
    É, acho que tem razão…

  9. teresa conceicao diz:

    António,
    este conjunto de linhas de rara intensidade poética já fez mais esta noite pelo meu ar risonho do que uma sessão de cócegas.
    Não consigo trazer mais achas para a fogueira, sou uma nódoa. Mas as achegas do Bocage e as do Sertão da Luciana são supimpas!

  10. António Eça de Queiroz diz:

    Ainda bem, Teresa, é para isso mesmo que as escrevi. E o Bocage mais o lóló e a Lulu são do melhor.

    • Luciana diz:

      Eita (pra começar com uma expressão tão nossa) que alegria ver minha pequena contribuição assim festejada. Sem contar que Lulu sempre foi um dos meus epítetos…

      • António Eça de Queiroz diz:

        Ó Lulu, mas afinal o que é o lóló?… Satisfaça-nos a curiosidade já que a hemenêutica da «coisa» suscita-me certas dúvidas…

  11. Manuel S. Fonseca diz:

    Que vergonha, António, que vergonha para o blogue. Mas como é que com tanta arte, com a tua conspícua escrita, te podes dar a estas baixezas. Tive de fazer post de desagravo acima. Sincerely yours, msf

  12. António Eça de Queiroz diz:

    Manuel, estas baixezas, como bem as classificas, devem-se ao facto de anteontem me ter sentido pequenino…
    Vou já ver! (deve ser bonito!)

  13. josé paixão diz:

    Caro Eça,
    que bom encontrar-te por aqui com estas “baixezas” tão sadias. foi muito bom e provocaram-me uma “barrigada de riso” de que bem estava a precisar. Um abraço e até sempre, jpaixão.

  14. António Eça de Queiroz diz:

    José Paixão do 6323 de Angola?!!! Se sim isso é magnífico, ainda agora estive a ver fotos, suponho que em Bolongongo, com malta da 2ª (acho eu), a tomar banho num rio que nunca mais vi. Que putos que nós éramos, caraças…
    Grande abraço, volta sempre.
    ps (na semana, 5ª feira, vou enterrar um morto que nos diz respeito por proximidade territorial — se apareceres percebes logo do que falo)

  15. Fernando Frazão diz:

    Lamento só agora ter chegado a este blog pela pena do Jaime Bulhosa do Pódos Livros e q aqui vai a minha contribuição, lembrando-me dos meus tempos do Liceu Passos Manuel (1960) onde, nos intervalos das aulas, se cantava alegremente em ritmo de tango:

    O Pai foi pró trabalho
    A Mãe pró rendez vous
    A Filha pró caralho
    E o Filho levar no cú.

  16. António Eça de Queiroz diz:

    Fernando, seja bem-vindo, e já agora deixe-me complementar a sua argentina memória:

    Família tão ilustre
    Jamais nunca se viu,
    Fode o pai, fode a filha, fode o filho
    Fode a puta que os pariu…

    • Fernando Frazão diz:

      António assim não vale.
      Passei a noite toda a tentar lembrar-me da segunda estrofe e você, assim, de supetão, destroi-me o brilharete.

      De qualquer modo aqui vai nova contribuição.
      O canto primeiro d’A Martinhada, cujo autor foi Caetano José da Silva Souto Maior nasceu em Olivença (então ainda Portugal) em 1694, filho de Gaspar da Silva Moniz, Provedor do Reino e de Isabel Teresa Souto Maior, Dama da Rainha D. Maria Ana de Áustria, esposa de D. João V. Faleceu em 18 de Agosto de 1739. Formou-se em Coimbra em Cânones e desempenhou as funções de Juiz dos Órfãos de Lisboa, Juiz do Crime do Bairro da Mouraria e, desde 1737, Corregedor do Bairro do Rossio. Ficou conhecido como o “Camões do Rossio”, referência à facilidade com que versejava. Tinha a confiança do Rei D. João V, que achava piada aos seus chistes.
      //////O poema “A Martinhada” é dedicado a Frei Martinho de Barros, que era confessor do Rei. Conta-nos José Maria da Costa e Silva: “Dizem que o Frei Martinho, herói desta composição, era nada menos do que o próprio confessor d’El-Rei D. João V, e que o poeta quisera desafogar o ódio que lhe tinha, expondo a ridículo a lubricidade de sátiro do masmarro, que se queixou altamente, e lera, pedindo vingança, parte do poema ao seu real penitente, que desatou a rir”.
      //////“A Martinhada” circulou em manuscrito durante todo o século XVIII e só foi impressa em Londres em 1814. Já no Sec. XIX, sucederam-se as edições, muitas vezes juntamente com outros poemas do mesmo género.

      A MARTINHADA

      CANTO PRIMEIRO.

      ARGUMENTO

      Propõe-se a todos a estação calmosa,
      E o reverendo mango dos mangazes,
      Que com bruto furor, ânsia pasmosa
      Vai fodendo mulheres e rapazes:
      O comprimento da extensão nervosa,
      Que acompanhando a dois colhões lambazes,
      Descobriu novamente disconforme
      Rara fodenga em máquina triforme.

      I.
      Eu canto a Porra, e o Varão potente,
      Esse que fez dos rins no seminário
      A toda a carne humana, guerra ardente,
      No excesso do apetite fornicário;
      O Martinho, ou carneiro de semente,
      Que sobre as putas tem membro arbitrário;
      Eclesiástico anfíbio de maldade,
      Que juntamente foi clérigo e frade.

      II.
      Este é o varão; o membro é aquele,
      Grão-senhor do comércio dos marzapos,
      Porque a fama gentílica atropele
      Da genital enxúndia dos Priapos;
      Que do vaso das moças tira a pele,
      E costuma fazer-te a crica em trapos,
      Quando vermelha e imodesta atura
      Da bimbalhada a horrenda embocadura.

      III .
      Não quero as nove irmãs que, por inuptas,
      me não hão-d’influir, sendo donzelas;
      desejo um coro de noventa putas
      graduadas no exercício de michelas:
      Mas se é preciso que, do Pindo, as grutas
      tenham parte da voz nas tangedelas,
      bastará que me assistam do Parnaso
      os colhões e a porra do Pegaso.

      IV .
      Tu, pai da geração burra castiça,
      Escuta do meu verso as rimas toscas,
      Em quanto a burrical parda linguiça,
      Brandamente à barriga abana as moscas;
      Inclina um pouco a orelha dobradiça,
      Alargando e encolhendo ao membro as roscas
      Ouvirás, inda posto a barlavento,
      As fodas do eclesiástico jumento.

      V.
      Tu, que espalhas semente na Cardiga
      Dos melões genitais na cova preta,
      Ouve a ardente luxúria d’outra espiga,
      Que vestiu com sutana a Chapeleta:
      Atende à carne dura que empertiga
      Da escória menstrual na suja greta;
      Verás que é a mesma em vozes e sussurros
      A prosápia dos Barros, e dos burros.

      VI.
      Não desprezes a oferta petulante,
      Que agora te dedico, oh burro amigo!
      Burro? Não disse bem; és elefante
      A quem nasceu a tromba ao pé do embigo:
      Mas se de filhos tens cópia bastante,
      Que te deu d’entre as pernas o postigo;
      Saiba o mundo, e à gente toda quadre,
      Que há burro pai, e que há Martinho padre.

      VII.
      Era uma tarde quando a terra escalda,
      Maleitas influindo o sol vermelho;
      E a quente cozinheira erguendo a fralda
      Põe no ladrilho as faces do besbelho;
      Faz das virilhas com a suja calda
      Torcidas dos cadilhos do pentelho;
      E a camisa d’estopa na dianteira,
      Qu’era almofaça, agora é bigodeira.

      VIII.
      Quando enfadada a mesma rainha Ginga,
      Dos poros, que o calor lhe traz abertos,
      Vomitando enxurradas de catinga,
      Tem melhores os longes, do que os pertos;
      E o triste sapateiro pinga a pinga
      Da testa c’o suor rega os enxertos
      Das cepas, que a mulher, posta em franquia,
      Entre as pernas meteu de mergulhia.

      IX.
      Finalmente, no intenso ardor da sesta,
      Quando até de cantar cansa a cigarra,
      ‘Stava Martinho, religiosa besta,
      De costas posto em cima d’uma barra,
      Mostrando da braguilha pela fresta
      A disforme cabeça com que marra;
      Lampreia no feitio, no ardor forno,
      Na cor beringela, na dureza corno.

      X.
      Maior grossura que a de nove trancas
      Foi erguendo a carnal actividade;
      Padrão de nervo, que se arrima às ancas,
      No estrondoso pespego d’Alvalade;
      As coxas lhe serviam d’armas brancas;
      E declarando guerra à honestidade,
      A guelra encrespa, e a cerviz entona
      A disforme serpente caralhona.

      XI.
      Mas vendo-lhe Martinho o impulso ardente,
      Está quieta (lhe diz), oh porra infame! -
      Que só pode aturar-te a força quente
      Vaso de carne, não, tacho d’arame.
      Qual será a mulher viripotente,
      Que a menor parte do tesão te mame,
      Se lh’encaixas, entrando de boléo,
      Uma trave arvorada em mastaréo?

      XII.
      Bem sei, que foste cavalar-montante,
      Que jogando às mãos ambas no pespego,
      Rompias pela carne palpitante,
      Tornando em fosso da culatra o rego;
      E que às pernas da moça mais galante,
      Abertas em postura de K Grego,
      Lhe arrimas, porque triste não desgoste,
      De semente um tonel, de nervo um poste.

      XIII.
      Sem nunca te chegar fastio ou tédio
      Do carnal movimento pegajoso,
      Sempre andavas roliço, gordo, e nédio,
      Na enchente morna do licor ranhoso:
      Estás da mesma forma sem remédio,
      D’humana carne hidrópico guloso,
      Sem que fartes o génio de milhafre:
      Antropófago és, ó Porra cafre.

      XIV.
      O membro, que até ali ‘steve escutando,
      Inclinou a cabeça d’uma ilharga,
      Como burro na estrada, que cansando,
      Estendido n’areia lança a carga:
      Ia-se pouco a pouco espreguiçando,
      Como quem prova cousa que lhe amarga;
      Mas de golpe caiu, dando o marzapo,
      Do Martinho nos queixos um sopapo.

      XV.
      Mas ele ergue-se logo, e diz atento:
      Adverte o teu ardor um pouco vário:
      S’és pardal com feitio de jumento,
      Não arreies, oh Membro dromedário!
      Onde está o contínuo esquentamento
      Com que eras fornicante partidário?
      Quem te roubou, com mágica tramóia
      Tesão de mono em corpo de jibóia?

      XVI.
      Mas tomara saber: eu não sou frade
      P’ra conservar em ti ardor potente?
      Para ser, com fradesca gravidade,
      Fodedor coroado omnipotente?
      Que diria de mim esta cidade,
      S’eu foder não quisesse toda a gente?
      Mostrando, que inda morto no ferétro,
      Só da minha coroa a porra e ceptro?

      XVII.
      Que conseguiu de Hércules a massa,
      Que de Martinho não consiga a porra?
      Ele venceu das putas a trapaça;
      Eu às putas traspasso a tripa forra.
      Se leões vigilantes despedaça,
      Este membro ao dragão tira a modorra;
      No estreito ele as colunas pôs eternas,
      Eu alargo os estreitos d’entre as pernas.

      XVIII.
      Não respeitara o mundo a Grega ilha,
      Que a Apolo levantou fatal colosso,
      Se me vira sair pela braguilha
      Um guindaste de carne sem ter osso;
      E de Tróia a desgraça, ou maravilha,
      Suposto ainda o mísero destroço,
      Faria no universo mais abalo
      Se nascera esta porra ao seu cavalo.

      XIX.
      Dos raios essa olímpica deidade
      Na estátua não fizera eterno risco,
      Sabendo que em fogosa liberdade
      Alimento entre as peruas um corisco;
      Um monstro de carnal actividade,
      D’um olho corpulento basilisco,
      Qu’erguendo faz em pulos e galopes
      Inveja aos Filisteus, pasmo aos Ciclopes.

      XX.
      Montes de pedra, em que o reino Egípcio
      Glorioso eternizou soberba muda,
      Mostram no seu pasmoso frontispício
      Que acabavam em forma pontiaguda;
      Mas a porra de nervo no edifício,
      Em toda a parte igual, grossa, e carnuda,
      Pegada indica a dois colhões rotundos
      Ser padrão, que por base tem dois mundos.

      XXI.
      Das outras maravilhas curta soma
      Nesta porra tem novo desengano
      Nela se pode ver d’antiga Roma
      Feito em carne o obelisco de Trajano.
      Se d’algum temporal, que o Euro assoma,
      Caísse a torre ao sacro Vaticano,
      Na cabeça do membro rabonório
      De nervo tinha a cúpula zimbório.

      XXII.
      Os heróis todos a perder de vista
      Ficaram, e as façanhas d’alta história;
      Qu’ este membro do sexo na conquista
      Alcança sempre portentosa glória:
      O pássaro femíneo a roxa crista
      Lhe tributa em aplauso da vitória;
      Sendo, apesar do feminil decoro,
      Porra Alexandre, porque o vaso é Poro.

      XXIII.
      A porra, que no pélago salgado
      Á vária multidão das fodas muda,
      É monstro verde negro e salitrado,
      De conchas e d’escama cópia ruda:
      Se do hirsuto pentelho emaranhado.
      Desenrola a serpente cabeçuda,
      E, com pele manchada de sereia,
      Um tubarão com barbas de baleia.

      XXIV.
      Se agora Briareu ressuscitara,
      E esse altivo guerreiro centimano
      Com todos os seus braços me agarrara
      Na disforme estatura d’este cano;
      Inda que velho sou, eu lh’encaixara
      Nas unhas o tesão da porra ufano,
      Por lograr de cem mãos no mesmo instante
      Um cento de punhetas d’um gigante.

      XXV.
      Vamos avante, humana charamela,
      Novos regos abrindo em carne crua;
      E lavrando nos campos d’arreitela,
      De novo s’exercite esta charrua:
      Não se perca a menor fornicadela,
      Inda sendo no côncavo da lua;
      Porque este membro, ao vaso quando toca,
      Lhe faz sempre na greta uma barroca.

      XXVI.
      Disse; e a vista com ramelas podres
      Fixa pôs n’alimária corpulenta,
      A qual crescendo de semente os odres,
      Na testa um olho d’água lhe arrebenta:
      Banhara maior vila que a d’Algodres,
      No arroto seminal da suja venta,
      Se ao feminino forno no basculho
      A vómitos chegasse o que era engulho.

      XXVII.
      Eis senão quando, que na escada sente
      Pisar um pé pequeno d’alpargate
      E uma mão, que no impulso brandamente
      O peito altera quando à porta bate:
      Sossega! diz ao membro de repente,
      Que já estava com roupas d’escarlate;
      E para andar com mais desembaraço,
      Debaixo o subjugou do esquerdo braço.

      XXVIII.
      Eis senão quando vê certa moçoila
      A que a mãe e criada vêm seguindo:
      Dentes de neve, faces de papoila,
      Olhar alegre, buliçoso, e lindo:
      Martinho deu-lhe o cheiro da caçoila,
      E encrespando o nariz, se ficou rindo;
      Ambos pasmaram com igual cuidado;
      Mas a moça suspensa, ele arreitado.

      XXIX.
      O Martinho encostou-se na parede,
      E diz logo: Menina, tenho faro
      De que vossa-mercê esmola pede
      Para missa pedida a Santo Amaro:
      S’é este o seu negócio, ou se tem sede,
      Entre cá dentro, venha sem reparo;
      Que nesta casa as moças mais luzidas,
      Entradas querem, porque vêm saídas.

      XXX.
      Responde a moça : A minha sorte ímpia
      Me traz em um negócio com bem ânsia
      Porém torna o Martinho: Bom seria
      Tratarmos doutro caso d’importância
      Para o corpo um bocado de folia
      Lhe requer esta minha caralhância;
      Ora ature, meu bem, no seu paxocho,
      Cinco, ou seis cabeçadas de boi mocho.

      XXXI.
      Disse: e soltando o membro para baixo,
      Só de vê-lo pasmaram as três fêmeas:
      Mas o nosso Martinho, feito um macho,
      Naquela hora estava posto em gémeas;
      Só dizia : Abra as pernas, que lh’encaixo;
      Senão hei de fazer-lhe a crica em sêmeas;
      Receba este canhão no seu postigo;
      Que a mato, se lho meto pelo embigo. .

      XXXII.
      A Moça diz Oh mãe, que me aconselha?
      Isto também sucede a gente branca?
      Esta coisa tão grande, e tão vermelha,
      Será de pau-brasil alguma tranca?
      Ou lagarto, ou madeiro, ou cobra velha ?
      De liteira varal, ou alavanca?
      Responde a mãe, que na malícia é zorra:
      Não, minha filha, não; aquilo é porra.

      XXXIII.
      A moça desmaiou; mas a mãe: Filha,
      (Lhe disse), tem valor, dá jeito à parte;
      Que temo que t’estoire uma virilha,
      Se torto descarrega o bacamarte;
      Vê que o padre, sem freio, nem sarrilha,
      Investe como um burro a fornicar-te:
      Não lhe sinto remédio, o virgo foi-se;
      Mas antes uma foda do que um coice.

      XXXIV.
      Seja em pé, minha mãe; porque de costas
      (Disse a moça, com vozes muito aflitas)
      Esta porra me faz a crica em postas,
      Qu’em semente depois deixará fritas:
      Contra mim as desgraças vêm dispostas;
      Porque me hão-de fazer fodas malditas,
      Nas cabeçadas da serpente troncha
      Ruína a fenda, lagariça a concha.

      XXXV.
      Botão de rosa unido e nacarado
      Era até‘gora, oh mãe, oh meu coninho;
      D’um brando pêlo o círculo dourado
      Lhe guardava a pureza como arminho:
      Nunca possuído, sempre desejado,
      Rubim, que o engaste d’ouro fez brinquinho.
      Preparando-lhe oculto em sítio breve
      A holanda o cofre, agasalho a neve.

      XXXVI.
      Precioso depósito encarnado
      Do mesmo gosto, que rejeita esquivo,
      E que troca dos brincos molestado
      Em roxo carmesim o coral vivo;
      Guardando entre o carmim que o tem cercado
      O matiz das violetas sensitivo;
      Por mostrar, quando chega ao doce efeito,
      Qu’é branca e roxa a cor do amor perfeito.

      XXXVII.
      Mas d’anel passa agora a largo rombo,
      No impulso ardente d’um carnal pepino,
      Fazendo a porra, no primeiro tombo,
      Boqueirão este vaso pequenino.
      Deixar-me-á, com luxúria de mazombo,
      O marzapo infernal, burro frontino,
      Nas pisadelas com que o molho entorna,
      O cu bagaço, o parrameiro dorna.

      XXXVIII.
      Calou-se; e indo as saias levantando,
      O Martinho lhe atira tais porradas,
      Que a moça só dizia espoldrinhando
      hoje morro cozida a caralhadas!
      Mas logo para cima foi saltando,
      Por fugir do tesão ás embigadas;
      E entrando-lh’entre as pernas o badalo,
      No lombo lhe ficou posta a cavalo.

      XXXIX.
      Porém o grão marzapo, um pouco arfando,
      Qual palma, com o peso mais s’erguia;
      E o Martinho mordendo, o mais zurrando,
      Continua em dar fogo à bateria;
      A mãe, que no trabalho os viu lidando,
      Com lágrimas nos olhos só dizia;
      Quem te fez, minha filha, em breve instante
      Rei Mogor posto em cima do elefante.

      XL.
      Não vale a foda, não, sem cono aberto
      (Diz Martinho); eu não quero, isto é matraca;
      Menina, Você tem vaso d’enxerto,
      E esta porta há mister covão d’estaca.
      A mãe, por lhe valer em tal aperto,
      Do elefante porral quis ser cornaca;
      Monta logo, e ficaram na esparrela;
      Porém nas ancas uma, outra na sela.

      XLI.
      Mas inda sobejava pano à peça
      De carne mulheril faminta loba,
      A criada mamando-lhe a cabeça,
      No vaso Ih’engoliu quase uma arroba.
      D’um alcouce, que foi casa professa,
      Tinha sido a lacaia mestra-alcoba;
      E como sabe a inteligência ao texto,
      Fez postilas de Cânones no sexto.

      XLII.
      O grão Martinho, porque o gosto explique,
      Só dizia: Meu bem trabalha agora,
      Que a colhoada se me vai a pique
      Se o repuxo no lança a carga fora.
      Mas neste instante rebentando o dique,
      Vazou mais alcatruzes que uma nora;
      Parecendo o marzapo um grande açude
      Formado em seixo, e derretido em grude.

      XLIII.
      O selvagem, a tremer para diante,
      A pança entona, e a cerviz enrosca,
      Parecendo, convulso e palpitante,
      Cavalo com terçã, burro com mosca;
      Mas deu tal ronco a besta fornicante
      Com voz horrível d’alimária tosca,
      Qu’estremecem, caindo de pancada
      Espavoridas mãe, filha, e criada.

      XLIV.
      Nunca há-de persuadir maior estrago
      Qu’o das três pobres à fecunda ideia
      Em chamas a ruína de Cartago
      Em ondas o destroço d’Aquileia
      Porqu’inundando-as de semente um lago,
      Como se acaso as encontrara a cheia,
      Ficaram pelo chão todas de costas,
      Fodidas, assustadas, descompostas.
      XLV.
      Corpulento e nervado o carnal maço
      Posto em Cascais, fornica na Berlenga:
      E temeram quebrar pelo espinhaço,
      Se o Martinho intentasse outra fodenga:
      Qualquer delas fugindo a tal fracasso,
      Como morta na casa se derrenga;
      Inculcando da porra impulsos novos,
      Ardentes saltos, túmidos corcovos.

      XLVI.
      Como ao boi da Charneca prevenidos
      Rapazes, que um boléo estende absortos,
      Por não tornarem logo a ser feridos,
      Deitados pelo chão se fingem mortos;
      Assim estas três fêmeas, c’os vestidos
      Amarrotados, sujos, crespos, tortos,
      Evitavam, fugindo das marradas,
      Daquele viril touro outras cornadas.

      XLVII.
      Mas o nosso Martinho diz : Bom olho!
      Este acidente o membralhão m’irrita:
      Sararão com xarope d’este molho;
      Que a porra a mulher morta ressuscita.
      A mãe que ainda estava de remolho,
      Ouvindo a nova, d’assustada grita;
      Levanta-se, fazendo aspecto estranho,
      Sacudindo o mongil, sorvendo o ranho.

      XLVIII.
      E chegando-se à filha com receio,
      Que deitada no chão inda jazia,
      Lhe diz: A bala não te deu em cheio,
      Foi d’esguelha somente uma folia:
      Menina, não respondes; porém creio
      Que o banho morno te deixou mais fria:
      Causou-te este delírio, este desmaio
      Da porra a sombra; que faria o raio?

      XLIX.
      Continua dizendo! Antónia bela,
      Qu’infausta foi a luz do teu destino!
      Que muito que t’eclipsas, sendo estrela,
      Na ponta do badalo d’este sino!
      És flor linda, a que rústico atropela
      O radical influxo repentino,
      Mas para que é deitar este bandalho
      Em uma rosa murcha tanto orvalho?

      L.
      Como tens, minha filha’ amada jóia,
      Belo misto de nácar e açucena!
      Melhor por um tal caso ardera Troia;
      Qu’este roubo é mais rico que o d’Helena.
      O meu pesar em lágrimas apoia,
      Ver o teu passarinho em tanta pena:
      Quebrou-se o brinco, no qual Vénus tinha
      De pérolas e púrpura a conchinha.

      LI.
      Nevada testa, que um jasmim congela,
      Desta luz era anúncio refulgente;
      E inda sendo por muitas cousas bela,
      Por dois motivos é alva certamente;
      Suor miúdo como aljôfar nela
      Indica dos teus olhos o ocidente;
      Porém ao orbe assusta, e ao céu admira,
      Que chore a Aurora, quando o sol expira.

      LII.
      Nas partes, em que a neve quebra a rosa,
      Roto em pedaços entra um roxo lírio,
      Nestas faces, inteira e primorosa,
      Não s’encontra outra flor mais que martírio
      A cor perdida, a neve duvidosa
      No seu desmaio mostra o teu delírio;
      E é somente em teu rosto, amada filha,
      A dor perpétua, o estrago maravilha.

      LIII.
      Troca a horrenda fodaz bestialidade
      Carmim brilhante em pálido ametiste,
      Roubando-te o tesão rijo d’um frade
      O doce arrimo desta idade triste:
      Ao sucesso cruel desta impiedade
      Ferido o coração pouco resiste;
      Pois te deixa d’um membro a força bruta
      A flor partida, retalhada a fruta.

      LIV.
      Responde a filha, e diz: Cá tenho o cono,
      Qu’entendi que o levava hoje o diabo;
      Porque o padre arreitado como um mono,
      A crica me pregou no fim do rabo
      Parece que na porra lhe deu sono;
      Que me põe, se o negócio leva ao cabo,
      Desta casa me erguendo até às ripas,
      No sesso os bofes, e na boca as tripas.

      LV.
      O membro é, minha mãe, uma tormenta
      Em que as três todas fomos naufragantes;
      D’aquilo deitou muito pela venta
      Que s’entorna nas mãos dos estudantes;
      Trovoada de Maio, que fermenta
      Ardores grossos, águas abundantes;
      Pois no impulso, mãezinha da minh’alma,
      Certamente lhe achei chuva com calma.

      LVI.
      Mas a criada, que aturara o mango,
      E queria mamar segunda enchente,
      Desejando provar outro fandango
      Na casca grossa do badejo quente,
      Ergueu-se, e disse : Eu tomara um frango
      Para dar a minh’ alma de presente;
      Só por ver s’inda dava um gritozinho,
      Se frango lhe chegasse ao passarinho.

      LVII.
      Dizendo prosseguiu: Minha menina,
      Por levar não s’enfade este soquete;
      Rústico arado tronca uma bonina,
      Grosseiro pau é pé d’um ramalhete:
      Vá aprender, minh’ ama pequenina,
      À meter entre as pernas o monete;
      Que no rego o jardim, que brilha ufano,
      Tanto mais flores tem, quanto mais cano.

      LVIII.
      Bem sei, que no princípio dá mais jeito
      Dos afectos suaves a brandura;
      E é razão que primeiro sinta o peito
      Dos incêndios d’amor doce quentura ;
      E que, trocado em fé todo o respeito,
      Chegando o prazo da melhor ventura,
      Entre o receio d’um fugir suposto,
      O toque é mimo, as lágrimas são gosto.

      LIX.
      Bem sei que ao roubo meigo d’um beijinho
      Torna o susto em carmim cristal nevado,
      Tenra a pluma, que adorna o passarinho,
      Curto o bico, que Amor fez encarnado;
      E que encontrando no encoberto ninho
      Do boril doce o sitio desejado,
      Entra, fazendo glória da porfia,
      Na dor que alegra o golpe que alivia.

      LX.
      Porém a tudo excede um grão porraço,
      Que de três léguas na distância arreita;
      Uma porra torcida como um braço,
      Que é vara de lagar que está direita;
      Assim no fornicar de calhamaço,
      Porra disforme é praga sem suspeita;
      Arrumando no vaso, a que sacode,
      Grandeza de Frizão, calor de bode.

      LXI.
      Menina, na fodenga há forte inércia :
      Que tamanho será, Senhora Antónia,
      O marzapo do grão Sofi da Pérsia
      E a porra do Sultão de Babilónia?
      O vaso quer tesão, não quer solércia:
      O foder nesta terra é cerimónia;
      Só m’enche a vastidão imaginária
      A porra do grão Kan da Grã-Tartária.

      LXII.
      Um noivado na corte não faz vasas
      Se de fora não vem tudo que enfeita:
      A dama manda a França, quando casa;
      Porem manda à Turquia, quando arreita.
      S’eu no mundo não fora mulher rasa,
      Já estava destas cousas satisfeita;
      Eu tivera, em lugar de louça fina,
      Caralhos de Timor, colhões da China.

      LXIII.
      Diz Martinho : O trabalho era perdido;
      Que à vista deste frade desprezado
      D’Irlanda um caralhão louro e comprido,
      E dos Cafres um membro assalvajado;
      Em Bengala com juncos estendido,
      N’Angola sempre d’um jugo estirado;
      Pois é o meu porrão, cantado em verso,
      Caralhíssimo-mor do Universo.

      LXIV.
      Tanto é o de mais, quanto o de menos;
      Porque esse tassalhão (diz a criada)
      De longe uma mulher de dois acenos
      Deixará trinta vezes fornicada:
      Os grandes são melhores que os pequenos;
      Porem essa façanha desmarcada,
      Quando entra, degola, abrasa, esmecha
      Nero da crica, Herodes da ventrecha.

      LXV.
      Cá em casa um fradete em mim se vinga
      Que é primo da senhora, e é capacho:
      Ele sim, tem de carne uma seringa
      De côvado, que mete no meu tacho;
      Sem que chegue por fora a entornar pinga
      Lhe espremo todo o sumo do seu cacho
      Assim m’esfrega sempre, e não m’esfola;.
      Eu o alivio, e ele me consola.

      LXVI.
      É n’esta opinião que certa moça
      Me afirmava, por ser na foda esperta,
      Que tanto alarga o membro quando roça,
      Como aflige no vaso quando aperta;
      E a mulher quente, que procura a coça,
      Furada deve ser, sem ser aberta:
      Pois nunca será bom membro que o encalha;
      Que a crica folga, quando a porra balba.

      LXVII.
      Porém vossa mercê vá-se a Galiza,
      Pois sem ser padre mestre, é padre meco;
      Que ao vaso o membralhão estala e pisa,
      Em praça transformando o que era beco;
      Martinho, ou Julião, que se divisa
      De carne no estrondoso badameco,
      Julgando que das suas fodedelas
      Inda o mundo todo será Frielas.

      LXVIII.
      Mas ainda assim queremos que nos conte,
      Porque há de saber tudo de memória,
      Quem lhe deu este membro rodamonte,
      Donde veio esta porra dormitória,
      D’este mar de semente toda a fonte,
      D’esse grande tassalho toda a história;
      Pois, visto tanto molho que derrama,
      É marzapo geral na voz da Fama.

      LXIX.

      Proferiu o Martinho já roncando:
      Toda a mulher pergunta por teimosa:
      Este membro crescido e venerando
      Páginas há-de ter em verso e prosa:
      Já que quer, eu lhe vou logo arrumando;
      Aplique o ouvido um pouco cuidadosa;
      Pois não dá esta porra em todo o caso
      Menos gosto na orelha, que no vaso.

  17. Luis diz:

    Alguém me pode dizer o nome da música dos namorados?

    Estavam dois namorados,
    Muito agarrados num bananal;
    A garota, que era marota, foi-se chegando, sem fazer mal;
    Às tantas dá~lhe a finura, dá-lhe a pinura da brincadeira,
    E põe-lhe a mão mais abaixo,
    Mesmo no cacho da bananeira!

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