Não são muitos aqueles que apreciam o folclore minhoto, mas deixo-vos aqui um vira das Lavradeiras da Meadela.
Rancho Folclórico das Lavradeiras da Meadela
Oh que linda troca d’olhos,
Fizeram-me agora ali.
Trocaram seus olhos pretos,
por uns azuis que eu bem vi
Sim senhor, está bem, está bem.
Sim senhor, está bem assim.
Debaixo do chapéu andam,
Olhinhos de namorado.
Não amou a mai’ ninguém.
A mai’ ninguém hei-de amar.
Sim senhor, está bem, está bem.
Sim senhor, está bem assim.
Da minha janela à tua
vai o salto de uma cobra.
‘Inda espero em chamar
À tua mãe minha sogra.
Sim senhor, está bem, está bem.
Sim senhor, está bem assim.
Os homens são como as cobras,
Quando largam a peçonha.
Nem solteiro, nem casado,
Em miúdos têm vergonha.
Sim senhor, está bem, está bem.
Sim senhor, está bem assim.
O mais impressionante nesta composição, nesta troca de olhados que leva ao amor eterno (?) — a última quadra deixa-nos num estado de suspensão — é a inexorável cadência do conformismo. Sim senhor, está bem assim.

















Ó Francisco, gostei muito. Num país com tão pouca fauna, as nossas cobras dão cá uns saltos!!! Sim senhor, está bem, está bem.
Francisco, não diga a ninguém, mas aos primeiros acordes fechei a porta por causa das minhas terríveis filhas e ainda dei um pezinho de dança… Isto do vira é muito como a bicicleta e os patins: uma vez aprendido, nunca verdadeiramente se esquece. E que bem me soube!
Francisco, todas as festas que por vezes aconteciam, no Minho, em casa de meus avós, fosse em Covas, em Caminha ou em Ponte de Lima, acabavam sempre com o agora já velho Nelson, encostado a uma parede, chapéu com pena a meia haste, concertina a tiracolo, garrafa de verde branco ao lado, sorriso malandro sob o bigode, cantando e alegrando as almas e os pés de toda a gente. Começou novo, e era bom cantador. Saía já tarde de todas as festas em que cantou, partindo, na sua moto, da qual invariavelmente caía, assim perdendo uma perna, depois a outra. Puseram-lhe umas postiças e continua a cantar. E é como diz a Joana. Assim que começa, todos temos de dançar.
A primeira vez que dancei um vira foi em casa do Pedro Homem de Mello, em Cabanas de Afife. Sei que foi um esforço patético segiur a corrida em que mudam as posições, e por vezes choquei com alguns «adversários».
Sou um pé-de-chumbo, é o que é, nunca mais me recompus.
O pior são os tamancos.…é que elas dançam com tamancos.