Começou com um minuto. Um minuto em que apenas ouviram o tempo a passar. E a respiração do outro a suspirar, mesmo sem o saberem ou sem o quererem (quem quer o futuro quando se tem tanto presente para viver?), pelo futuro que aí viria. Um minuto em que, nalgum daqueles sessenta intermináveis segundos, sentiram, mesmo sem o perceberem logo, naquele ligeiro e quase imperceptível toque, o primeiro assomo da pele que, algures por esse futuro, seria a “minha/tua/nossa pele”. Um minuto tão decisivo que transformou em eternidade todos os minutos que, a partir daí, passaram juntos. Para uns, o minuto de uma vida que não tiveram. De uma vida que ficou suspensa à espera que a contagem recomeçasse. Para outros, os que sempre souberam que o tempo não lhes voltaria as costas, um minuto que durou muitos anos. Um minuto de muitos anos, décadas mesmo, que, numa certa noite – porque é de noite, sempre de noite, que o tempo faz justiça -, encontrou, finalmente, o minuto que lhe deu a sequência perfeita, o tal segundo minuto que acabou com a dúvida. A dúvida essencial, a primeira e última, que os fez, e nos faz, andar atrás do tempo. A tal dúvida que, elegante e diplomaticamente, se retira sempre nesses casos, com ares de triunfante derrota. No lugar que deixa, dizem que ficam quatro misteriosas letras. Que todos querem mas que ninguém sabe bem o que significam.

















Diogo,
gosto muito quando a proximidade entre si e as suas palavras é maior, como foi no texto do querido David Mourão Ferreira, como é aqui. Que bom que veio escrever assim, a essa menor distância, sobre o meu rico Wong Kar Wai.
ps: sim, eu sei, há coisas que pedem lonjura.
E o que eu gosto dessa sua proximidade, Eugénia. Pode ter a certeza que me lembrei do quanto gosta do Wong Kar Wai quando o evoquei.
Diogo,
Arrepiante o seu texto! Daqueles que fazem pele de galinha pelos melhores motivos. Todos os minutos podem ser o início ou recomeço de algo. Poucos, contudo, são aqueles que se transformam em eternidade…e é sempre na noite que a respiração sussurra nos nossos ouvidos, que o toque arrepia a pele, que se ouve o inaudível, que se sente o que não se quer parafrasear ou descrever.….é o querer a dominar o tempo!
Fico contente, Marta, que acredite na eternidade. E como eu percebo as virtudes que (também) vê na noite :-)
Tempo… qual tempo? O que passou, o que representa, o que fica marcado como um selo impresso na memória. O gosto do momento vivido, do dito pelo não dito, do que ficou de resíduo… isso sim acaba sendo o sabor da vida.
Gostei muito Di, me fez sonhar.
Obrigado, Isa. Espero que o sonho não acabe.
Melhor maneira de começar um Domingo com Sol, um minuto.…apenas e tanto, bem aventurados os que jáo o souberam viver. Tão bem dito.
Caro Fernando, obrigado pela simpatia. Fico contente por ter contribuído para o seu bom início de domingo.
Diogo, confesso que ao ler este seu post fui reler a breve apresentação sobre você na coluna ao lado, pois fiquei intrigada e cheguei a pensar que havia me enganado de autor. (O que já aconteceu outras vezes)
Acho que este foi o texto mais romântico, e muito longe de ser piegas, que você escreveu por aqui. É impressionante como o rumo de uma vida inteira pode estar contido no breve instante de um minuto. E que deleite que é poder ver na tela todas as palavras do silêncio.Se me permite, vou compartilhá-lo, pois é arrebatador.
Obrigado, Turmalina. Você é que me arrebatou agora. E tem graça que não acho este meu texto muito diferente de alguns que já aqui deixei. Mas, enfim, eu sou suspeito.…
Revive-se a efeméride do amor e ele volta, lembrando-nos que não é do Tempo.
Muito bonito, devia poder ser sempre assim, e quem sabe se não é?
O texto do Diogo arrebatou-me (obrigada pelo seu texto), suspendeu-me a respiração, como acontece nos segundos que se tornam eternos. talvez por que me recordou o primeiro momento da eternidade que vivo.
E, por isso, tenho que me desculpar po comentar em resposta a este comentário do António. Mas é belissima esta ideia: o amor “não é do Tempo”.
Que bom lembrarem-nos destas coisas, que bom pensar nestas coisas, quem bom recordar o primeiro minuto da eternidade.
Que bom, António, se for (mesmo) sempre assim.
Bonina, eu é que agradeço a simpatia. E agradeço, ainda, ter vindo aqui compartilhar a eternidade em que vive. Nós precisamos de saber que ela existe mesmo.
António, o Amor alimenta-se, e muito, da memória. Como dizia o Bénard, amar é recordar.