Estado de graça

Confesso: a paixão bateu-me forte. Bateu-me forte como só antes, e já lá vão largos anos, me tinha acontecido com Sweet Revenge de Ryuichi Sakamoto (o PN, outra vítima deste inebriante álbum de Ryuichi, sabe bem do que estou a falar) e com California de Perry Blake. A verdade é que, enquanto me mantiver em estado de graça pelo maravilhoso Kaputt, o último álbum do senhor Destroyer, pseudónimo artístico do canadiano Dan Bejar, não tenho ouvidos para mais nada. Ou melhor, talvez os tenha, sim, mas apenas para esses outros belíssimos exemplares de pop romântica que acabei de referir, e outros para cujas sonoridades Kaputt remete, como o Young Americans de David Bowie, o Steve McQueen dos Prefab Sprout, e o melhor que saiu da lavra dos New Order e dos Pet Shop Boys. E digo pop romântica mas não piegas. Esta é uma pop que nos faz sonhar, sim, mas feita para gente adulta, para gente que, depois de ouvir Kaputt, saberá que encontrou a expressão musical perfeita que, de flirt em flirt, há muito procurava. Para vossa tranquilidade de espírito, se querem assentar de uma vez por todas, aceitem o meu conselho: vão a correr apaixonar-se por Kaputt. E não se atrevam a agradecer-me a mim. Agradeçam, sim, ao maior casamenteiro que a crítica e jornalismo musical português produziu vai para uma dezena de anos: o Vítor Belanciano, do Público/Ípsilon, que, tal como muita da melhor música que tenho ouvido desde então, me apresentou a Dan Bejar, a.k.a. Destroyer.

Comentários a “Estado de graça” (2)

  1. Pedro Norton diz:

    Se o sweet revenge falasse…

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