A duquesa, o homem sem cabeça e o colar de pérolas
História Particular
da Infâmia

Protagonizou um longo e escandaloso divórcio, cujos lurid details causaram um frenesim mediático sem precedentes na Londres dos sixties e por um triz não fizeram cair o governo conservador de Harold Macmillan. 

 Margaret enganou o marido. De forma reiterada e muito pouco discreta. Imprudente, anotava nos seus diários os affaires que ao longo de vários anos foi tendo. Pior, guardava entre os seus mais prezados recuerdos uma extraordinária colecção de fotos Polaroid. As imagens, captadas na sumptuosa casa de banho art deco do seu apartamento de Mayfair, mostravam-na dressed in nothing but three strands of pearls, performing o que o juiz do divórcio qualificou como disgusting sexual activities num homem de quem pouco mais se vê que o torso. Outras havia de um homem sozinho, engaged em lewd practices, também ele shown from the neck down. Estas últimas fotos exibiam ainda salacious comments, a si dirigidos, manuscritos em jeito de dedicatória.  

Que fique, contudo, bem claro que nada disto, só por si, justifica a minha decisão de trazer Margaret Campbell, the Duchess of Argyll, para este infame recanto do nosso cemitério e de aqui a enterrar.

O motivo principal é outro — bem outro e bem mais prosaico. Pérolas. Um colar de pérolas. Um belíssimo e bem-comportado colar de pérolas de três voltas que, por culpa de Margaret, passou a ser símbolo de decadence and debauchery. Numa verdadeira traição a todas as mulheres – nas quais eu me incluo — que desde que o mundo é mundo gostam muito de pérolas e confiam na sua luminosa e límpida beleza para realçar encantos e para exprimir feminilidade e sedução. 

Ethel Margaret Whigham nasceu em 1912, filha única de um milionário escocês. Viveu e estudou em Nova Iorque, onde o seu pai tinha negócios. De regresso a Londres, e como era costume na época, foi apresentada em sociedade mal completou 18 anos. Foi imediato e duradouro o sucesso: a sua beleza e a sua fortuna fizeram dela a debutante of the year de 1930, a sua elegância e a sua exuberante personalidade tornaram-na figura central da social scene de então. Seguiram-se um sem número de pretendentes e de romances, o noivado, anunciado e logo desfeito, com um aristicrata inglês, o casamento com um jogador de golf americano, o divórcio deste e mais um sem número de pretendentes e de romances. Até que em 1951 casou com Ian Douglas Campbell, the 11th Duke of Argyll.  

Um match made in heaven para Margaret – ela própria o reconheceu mais tarde:  “I had wealth, I had good looks. As a young woman I had been constantly photographed, written about, flattered, admired, included in the Ten Best-Dressed Women in the World list. I had become a duchess and mistress of an historic castle. Life was apparently roses all the way”. Só que Margaret não fora feita para a sombria pacatez das scottish highlands, pelo que depressa rumou a Londres, deixando marido e castelo para trás.

O escândalo rebentou em 1959, quando o Duke of Argyll propôs uma acção de divórcio contra Margaret. Como prova das suas acusações de adultério — concretizadas numa extensa e variada lista de 88 supostos amantes, a qual incluía dois ministros, vários actores de Hollywood e três membros da família real -, o marido queixoso apresentou em tribunal os diários de Margaret e as referidas fotos Polaroid, obtidos numa busca ao seu boudoir, levada a cabo pela sua enteada.   

Foi tremendo o escândalo, explosivas as revelações e acusações de parte a parte e desmedida a curiosidade quanto àquele a quem o juiz se referia no processo como the Man Without a Head e que a imprensa da época crismou também como the Headless Lover. Dos vários candidatos apontados, dois havia que se perfilavam como altamente prováveis: o político Duncan Sandys e o actor Douglas Fairbanks Jr., ambos casados, to make matters worse.

Porque Duncan Sandys, além de genro de Winston Churchill, era então Minister of Defence e porque — poor timing indeed, o de Lord Argyll – o julgamento deste infamous divorce coincidiu com os depoimentos na House of Commons e a subsequente demissão de John Profumo, Secretary of State for the War, que se desgraçara também por sexual indiscretions, foi pedido ao magistrado que conduzira o inquérito a este caso que averiguasse quem era the Man Without a Head. O relatório final da investigação ilibou Duncan Sandys, mas foi em tudo o mais inconclusivo — ou seja, nada adiantou quanto à identidade do Headless Lover, que ficou por desvendar durante décadas.

 Sabe-se hoje que o misterioso Headless Man não era um — mas dois. Justamente os dois de que mais insistentemente se falava: Douglas Fairbanks, “apanhado” à época por um exame grafológico (a sua caligrafia correspondia à das “dedicatórias” apostas nas lewd photos) e Duncan Sandys, subtilmente denunciado mais tarde pela própria Margaret que, pouco antes de morrer, confidenciou a um amigo que “the only Polaroid camera in the country at this time had been lent to the Ministry of Defence.

Quanto a Margaret, nunca houve a menor dúvida. Era ela, só podia ser ela. Porque era sua a casa de banho onde haviam sido tiradas as fotos. E por causa do colar. Que distintamente se via nas sexually explicit images e que era a sua signature jewel, indissociável da sua exquisitely elegant imagem que enchia as society pages e as gossip columns, onde tinha lugar cativo. Nunca saberemos porque não o tirou on that occasion: the reason why is left entirely to our imagination. Igualmente não o fez, continuando a apresentar-se, impeccable and defiant in three strands of pearls, durante as audiências de julgamento do divórcio e mesmo depois de a sentença que lhe pôs termo a ter publicamente exposto como a completely promiscuous woman, one who has ceased to be satisfied with normal sexual activities. Tinha estilo e tinha nerve, quite a nerve, há que reconhecer.

Mas que bem podia ter deixado as pérolas fora disto, podia.  

Comentários a “A duquesa, o homem sem cabeça e o colar de pérolas” (30)

  1. Luciana diz:

    E há uma ópera! http://www.youtube.com/watch?v=1rLcXQvZZfU&NR=1

    Com mais vagar digo-lhe o tanto que gostei da Infame Duquesa, Joana (e o quanto esta vala tem se tornado a minha favorita.…)

    • Joana Vasconcelos diz:

      Luciana, bem vi e bem gostei do quanto gostou …. e a duquesa também! Sorte a dela: viagem transatlântica e recepção VIP! Só espero que não cause aí muitos embaraços. Talvez não fosse má ideia tirar-lhe a máquina fotográfica… o colar já se sabe que fica!

      Quanto à vala da infâmia, como a compreendo: sempre achei que me ia desgraçar aqui e de cada vez que cá venho escavar, o desmedido gozo com que o faço reforça essa minha certeza …

  2. Teresa Font diz:

    Joana, que delicia de história, assim contada em detalhe.
    Margaret, the pearl, tinha mesmo quite a nerve.
    Só não concordo com a ideia de deixar as pérolas de fora. São assim uma espécie do martini shaken not stirred do Bond, uma imagem de marca.
    Grande duquesa.
    88 — amantes — 88 em meia dúzia de anos de casamento, membros, oops, quer dizer, personagens reais, incluídos e isto contando com o exílio na Escócia?
    Afinal o Rubirosa era um gatinho, tigresa era ela.
    E o Duke of Argyll era um queixinhas — mesmo que o brasão o mandasse ‘não esquecer’, era omisso acerca de fechar os olhos.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Teresa, este era mesmo um match made in heaven ou, como dizia a minha avó, a propósito de casais destes, “ao menos não se estragam duas famílias”.

      O Duke of Argyll ao que parece, era extremely fond of gambling and of women as well. E tinha, segundo a Duchess, alguns drinking issues. Dele disse o juiz que julgou este nasty divorce - do qual imagino que tenha levado anos a recuperar, poor man … — “I do not commend his tastes or habits.” Que é como quem diz, sua senhoria não é flor que se cheire …

      E os advogados dele também não eram grande coisa: veja só que tendo entrado a matar com 88 alegados amantes … acabaram por só conseguir provar affaires da duquesa com três deles. Dá para imaginar desfecho mais pífio?

  3. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Obrigado pela história, Joana. Há, no entanto, assim umas coisas que eu não entendo, nomeadamente (para além dessa coisa de tirar tudo, tudinho, mas deixar sempre o colar de pérolas) a razão que os levaria a querer fazer aquilo que faziam — e fotografavam — numa casa de banho!? Por grande e agradável que fosse a casa-de-banho do senhor duque, uma casa-de-banho é um daqueles sítios onde, na verdade, é quase tudo duro e frio, de tal maneira que, prestando-se embora a aliviar os mais variados tipos de aperto, não será o local mais agradável para uma repetida prática do amor. Mas enfim. Temos talvez de nos lembrar que são ingleses… :)

    • Joana Vasconcelos diz:

      Gonçalo, partilho por completo da sua perplexidade.

      Dois singelos esclarecimentos, que em nada adiantam, é certo, quanto à tão pertinente questão que coloca:

      - the bathroom era pertença exclusiva da Duchess, pois ficava na esplêndida casa que ela herdara dos pais … o que apesar de tudo sempre compõe um bocadito a coisa: seria inquestionavelmente mais embaraçoso tudo isto se ter desenrolado em domínios ducais,

      - tanto the Duke como the Duchess eram escoceses.

  4. Fernando Vale diz:

    A elegância, subtileza e ironia de suas palavras, quem disse…DIÁFANO !!! O prazer da leitura…

    • Joana Vasconcelos diz:

      Fernando, fico mesmo contente que tenha gostado.
      Muito obrigada pelas suas tão gentis palavras. Devo dizer que o DIÁFANO made quite an impression

  5. Marta Costa Reis diz:

    Jane, Jane…estou como a Teresa, as pérolas levaram a Duquesa à galeria dos infames, sem elas seria uma mera leviana (to put it mildly) sem glamour e sem mais história. Quem, senão ela, seria tão exquisitely elegant em todas as veredas da vida, bem animadas por sinal. Well done! Bela história, bela escrita.

    Ps — e diga lá que as pérolas não ficaram todas muito mais sexy?

    • Joana Vasconcelos diz:

      Marta, é evidente que depois disto, nunca, mas nunca mais as pérolas foram as mesmas … sobretudo os até então compostos colares de três voltas …
      Se ficaram muito mais sexy? Pois claro que sim, mais sexy e sobretudo, definitely mais wicked, naughty, wild, lascivious … e por aí fora.

  6. Teresa Teixeira Motta diz:

    Que post belíssimo e que incrível a ligação desta Margaret às pérolas!
    Pois então as pérolas — que sempre tive em excelente conta, como símbolo de elegância e classe — são agora “metidas ao barulho” em tamanha confusão? Verdadeiramente infame…
    Mas que lhe fizeram sempre companhia, dos episódios com os vários amantes (88, really? Devia ter problemas de agenda, a pobre!…) às audiências de julgamento do divórcio, lá isso fizeram. Mantêm, pelo menos, a sua característica (tão ímpar) de ficar bem em qualquer situação! ;)
    Gostei muito!!!

    • Joana Vasconcelos diz:

      Teresinha, é sempre bom saber que gosta e que aprende coisas edificantes e elevadas ao ler o que por aqui esforçadamente vamos publicando!

      Eram efectivamente inseparáveis a duquesa e as suas pérolas: as inúmeras fotos que há dela (basta googlar) mostram-ma invariavelmente com o colar, o dito colar – que por sinal era bem bonito -, sempre impecavelmente vestida e maquilhada (e sempre com aquele inqualificável penteado, cujo tom, ao que parece, era tão exuberante como a própria), ao longo de décadas.

      PS — Os 88 eram evidentemente fruto da má vontade do enganado e rancoroso duque, esse sim seguramente atormentado por problemas de agenda, melhor dizendo, com as agendas da mulher … quantas coisas o pobre, ao lê-las, terá ficado a saber (depois de todos, typically …) …

  7. What a difference a three-string of pearls makes!

    Mas o Gonçalo coloca interessante questão: porquê usar a, inevitavelmente, fria casa-de-banho de His Grace?

    • Joana Vasconcelos diz:

      Indeed it does, Ivone.
      O ponto foi, aliás magistralmente sintetizado pela Duchess of Argyll naquela que é poventura a mais conhecida das suas tiradas que passaram à posteridade: “Always a poodle, only a poodle! That, and three strands of pearls! Together they are absolutely the essential things in life”.

      PS –Quanto à casa de banho, e para além do que já adiantei acima em resposta ao Gonçalo acerca da propriedade da mesma (no sentido de pertença do lugar, não da sua adequação para este efeito) só me ocorre como expicação a sumptuosa decoração art deco da mesma, profusamewnte espelhada ao que parece, embora não veja bem what difference would it make … seria questão de iluminação? … vai-se a ver e a polaroid não tinha um flash em condições …

  8. Manuel S. Fonseca diz:

    Joana, há no escândalo inglês a constante de um toque mórbido: sem a casa de banho poderia ser um escândalo continental ou, horror, americano. Na minha humildade, mais do que as pérolas (não é que desdenhe, mas não estou a ver-me a usá-las), o que me fascina são as polaróides. Acho que vou comprar uma. Thanks.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Manuel, no objection on that - desde que siga à risca a sábia lição a retirar deste exemplar caso: se usar pérolas, não use a Polaroid ( o inverso também me parece sensato).

      Ainda assim e para o caso de a coisa correr realmente mal, lembro que o facto de existirem bastantes mais Polaroids por aí do que em Londres por aquelas alturas, sempre permite antever alguma chance de getting away with it. Have fun!

  9. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Jeanne, vim numa corridinha, de passagem: toda descasqué e de pérolas por alma de quem?, se podia estar vestidinha só com umas gotas de perfume como a minha linda Marilyn Monroe que, aposto, ficaria muito melhor na Polaroid e na banheira com os patinhos.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Horreur!!!
      Desnaturada moi que, ainda estou para saber como, deixei este comentário sem resposta quaqndo por aqui andei esta tarde!!!

      Eugénia, que engraçado ter trazido para aqui a sua Marylin e o seu (dela) singular e imbatível “five drops of Chanel n.º 5″, de que tanto me lembrei enquanto escrevia, muito a propósito de ladies dressed in nothing but extremely stylish details

  10. António Eça de Queiroz diz:

    Não consigo perceber o espanto!… Das pérolas e da casa de banho, mais propriamente: as pérolas é como a trufa no pâtée, e a casa de banho art-déco o cenário ideal para uma exibicinosita razoável que tira polaróides (ou aceita que tirem) ás suas performances mais explosivas! Os espelhos era para ambos se verem nos tórridos preparos, está claro. Auto-voyeurismo simples, prático, objectivo.
    (não percebem nada disto, é o que é…)

  11. António Eça de Queiroz diz:

    Esqueci-me de dizer: magnífica infame, excelente texto — muito-muito didático.

    • Joana Vasconcelos diz:

      António, pede-me the Duchess que lhe transmita o seu imenso delight perante a man – and what a remarkably charming one – who at last got the point of it all, a true connoisseur of the ways of the world, that Anthony who hides behind the Exotic Dragon.

      Pela minha parte, direi apenas o quanto me deixa sempre muito contente saber que gostou e, claro, agradecer o extra de didacticidade a bold que o seu trufado comentário acrescentou ao meu texto, com muito proveito para quem doravante o ler…

  12. Turmalina diz:

    Outro dia passei por aqui e dei uma lida muito rapidinha neste post, somente os 4 primeiros parágrafos. Aí fiquei com as tais pérolas na cabeça. Agora é que pude lê-lo na íntegra. 88 amantes? Essa pérolas deviam ser mesmo impressionantes. Dá até para compreender porque ela as manteve até mesmo durante o processo de divórcio. Será que ela foi enterrada com elas? Pois deveria.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Turmalina, absolutamente de acordo: impressionantes também as pérolas.

      Não sei se lá onde primeiro a enterraram tiveram atenção a esse relevante detalhe. Aqui, no extraordinário cemitério, the Duchess of Argyll foi enterrada, posso garantir, in three strands of pearls – e, pelo menos à data da publicação do post, elegantemente vestida, maquilhada e penteada.

      Esperemos que mantenha a compostura ou, pelo menos a discrição.

  13. JP Guimarães diz:

    Cara Doutora Joana, que vida extraordinária e que história tão bem contada (escrita). Eleva, para mais, os colares de pérolas para um patamar muito alto (inalcançável?) e traz uma nova (e triste) luz sobre as casas de banho (as actuais, claro, onde as actividades da Duquesa certamente não caberiam). Há no entanto quem tenha uma visão muito diferente e uma certeza sobre “What the bathroom is for” em http://www.permanentstyle.co.uk/
    JP Guimarães

  14. Joana Vasconcelos diz:

    Caro João Pedro, fico muito contente de saber que gostou do meu relato das extraordinárias façanhas da Duchess e do three-strand pearl necklace.

    Segui o link que tão simpaticamente aqui deixou e diverti-me imenso com o texto, tão deliciosa e subtilmente irónico — para não falar já da nova e surpreendente luz que o mesmo lançou sobre os complexos meandros da toilette masculina. Who would imagine?

    Quanto ao mais que diz sobre as desenxabidas e imprestáveis casas de banho de agora, a Duchess strongly agreed with you on that point - aliás, logo que lhe traduzi o seu comentário, repetiu aquilo que constantemente dizia, já para o fim da sua vida terrena: “I don’t think anybody has real style or class any more.”

    PS — Costumo deixar a Doutora Joana à porta do cemitério, entretida com os seus Códigos, acórdãos e slides de power point, para evitar que ela venha para aqui maçar de morte escrevedores e visitantes com as suas intermináveis e áridas diatribes em juridiquês ;)

  15. JP Guimarães diz:

    Cara Joana (sem o “Doutora”), não nos conseguia maçar mesmo que quisesse. Não está em si. Sabe que a forma que usei para (a si) me dirigir foi motivada pela súbita lembrança de aqui ter estado, neste mesmo Cemitério, ao tempo em que os restantes Mortos tanto e tão merecidamente a louvaram pelo fim do seu Doutoramento. Como ex (e péssimo) aluno de Direito fiquei, claro, muito impressionado e, acredite ou não, até sonhei com isso. Coisa curiosa a vida independente dos sonhos. Por outro lado, tenho o hábito de tratar por Doutor e Doutora, por graça, muitos dos meus amigos e amigas a quem, aliás, trato por tu. Não é o seu caso, claro, mas foi como “saiu”, pelo que lhe peço desculpa Quanto ao resto, muito agradeço ter falado com a Duquesa on my behalf. Nesta vida terrena não irei a tempo de a conhecer pessoalmente (à Duquesa, I mean) mas não perco a esperança de a encontrar (à Duquesa, once again) – seguramente não numa casa de banho das modernas — mas (também) num qualquer sonho, uma destas noites.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Caro JP, esse seu extraordinário dom de transformar posts em sonhos deixou-me deveras impressionada. Que surpreendente e divertido, para além de instrutivo, claro, deve ser o seu repouso. Aposto que o facto de se passar relativamente (ou completamente) à margem do seu controlo torna tudo ainda mais emocionante. E que dizer das infinitas possibilidades que propicia a leitura seguida de vários posts: estou mesmo a imaginá-lo a passear com a Duquesa, por entre as araucárias do Pedro Norton, numa amena discussão sobre as bem-aventuranças … Mas que sorte a sua.

      Quanto ao “doutora” que lhe saiu (diz o JP) e muito bem (digo eu), não tem nada que se justificar e menos ainda que se desculpar: achei imensamente simpático e engraçado. Tanto que me esforcei por expressá-lo de uma forma diferente — subtle and unassuming, diria a Duquesa. A ideia era causar-lhe quite an impression - mas não de todo essa com que ficou. Mas que coisa.

  16. JP Guimarães diz:

    Cara Doutora Joana,
    O meu repouso é do melhor que há e os seus posts servem-no na perfeição.
    É verdade que o facto de tudo se passar (confirmo) “(completamente) à margem do seu (meu) controlo torna tudo ainda mais emocionante”. Confesso porém que tenho sentido uma inusitada ponta de ansiedade. E deixe-me dizer-lhe porquê.
    Todas as noites, antes de me deitar, dou uma vista de olhos pela casa de banho na (secreta) esperança de lá me encontrar (em sonhos, claro) com a nossa Duquesa. No entanto, não consigo deixar de amaldiçoar a moderna arquitectura pela tacanhez do espaço. Naqueles exíguos metros quadrados não há polaroid que nos valha (à Duquesa e, especialmente, a mim). Prevejo embaraçosos close ups para os quais não estou mínima ou esteticamente preparado. Talvez consiga sonhar na casa do Príncipe Real (a que o Pedro faz referência) que, essa sim, daria ao encontro a (in)dignidade que ele merece.
    Sabendo que a Senhora Doutora vê um lado positivo em tudo o que acontece — e que a sua escrita tem dotes balsâmicos – peço-lhe que, em tendo vagar, me pacifique o espírito para que a perspectiva deste magnifico sonho não se torne num horrível pesadelo.
    Antecipadamente grato.
    JP Guimarães

    • Joana Vasconcelos diz:

      Caro JP

      Compreendo a sua inquietação. Mas não leve a mal que lhe diga que o problema reside essencialmente no literalismo com que antecipa o seu onírico rendez-vous com a Duquesa. Se o mesmo vai – como tão fervorosamente espera – ocorrer em sonhos, escapa-me por completo o motivo para tamanho estreitar de horizontes: porquê na sua (your words) tacanha casa de banho? porquê in your place?

      Repare que um dos muitos aspectos positivos desta invejável dimensão da sua existência, para além do tornar viável tal encontro, é o facto de o mesmo poder desenrolar-se anywhere. Anywhere indeed. Por isso, esqueça de uma vez por todas a casinha de banho tipo kitchenette. Tire da ideia as casas, presentes ou pretéritas, de amigos. Think big. Lembre-se de sítios stylishly (in)adequate, strikingly (inn)appropriate. Ou então ouse: pense apenas na Duquesa, such a lively, resourceful woman, e leave it all por conta dela. Que é como quem diz da sua (dela ou do JP, tanto faz) imaginação. Vai ver que tudo correrá pelo melhor.

      Com os meus melhores votos de bons sonhos.
      JV

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