Cada um dá o que pode. Ora ainda 2011 vai só aqui e passadas as festas até aos Reis, mais não posso corresponder à sugestão do Manuel de trocarmos publicamente presentes íntimos, de nós para nós com os leitores a fazerem de plateia, senão com ir à minha pinacoteca pessoal e retirar das paredes os quadros que me parecem mais apropriados àquele a quem se destina a oferta. Vamos lá então:
Tudo nele é razão e aqui onde jazemos cabe-lhe o árduo ministério do No Nonsense, cada vez mais obtuso nos tempos que correm, diga-se. Mas, ao contrário do que é popular julgar-se, um método só vigora se tiver cor e diversão e mesmo que esteja parado, a ilusão de movimento. Que melhor se adequaria ao Pedro Norton senão um clássico moderno como Mondrian? E que outro nome poderia ter senão “Composição com vermelho, azul e amarelo” — não se trata de ser óbvio, mas rigoroso com os factos.

Piet Mondiran, 1930
Joaníssima Vasconcelíssima é um farol pois sabemos que só com os pés bem firmes no chão se pode iluminar à roda com tanta velocidade. Tudo nela, da efusão à firmeza, me lembra os quadros de Cy Tombly, na energia desprendida mas sem desperdício, no aparente descuido do rasto de tinta que resulta, afinal, num gesto determinado. E do palimpsesto, do escrever e rescrever e tornar a dizer, camada por camada, sem medo de não acertar e exibindo o cada vez mais próximo acerto.

Cy Tombly, “The Rose”, 2008
O multitudinário Vasco, que ninguém o vê, estava aqui? Não já vai ali!, há anos que não deve parar mais de um mês no mesmo fuso horário. É a mais cósmica carcassa deste cemitério e só cabe numa cova do tamanho do planeta. A primeira vez que vi os trabalhos de Xinjian Lu e a sua magnífica série “city DNA” quase disse: “o Vasco, deve estar agora aqui.”

Lu Xinjian, “The Triumph of New York”, 2009

Lu Xinjian, “Bruxelas”, 2010
Estou só a acabar de embrulhar os presentes que faltam. Volto daqui a um bocado.

















Zé, deu-me até medo a precisão com que, em rápidas pinceladas, fizeste justiça à iluminada Joana. Minha reverência aos dois…
Não perdes pela demora…
Querido Zé,
sempre suspeitei, e a vida tem-mo vindo a provar à saciedade, que nos momentos de cansaço e fragilidade, de desânimo e descrença é o olhar dos nossos amigos que nos devolve a imagem do que já fomos e do que poderemos voltar a ser, bem como a certeza e a força para o conseguir.
Com este ramo de flores vermelhas – que, dizes, são rosas, mas que tanto me lembram camélias, uma das minhas perdições – e o encantador cartão que o acompanha, you really, really, really made my day. In fact, my whole past week. Nem eu sabia o quanto estava a precisar de um presente assim. E que maravilhas me fez!
Bem hajas, mil vezes. Um beijo
Querida Joana: saberás melhor que eu, sendo uma crente, que o prazer do remetente é diretamente proporcional ao prazer do recetor.
http://port.pravda.ru/russa/06–01-2007/14789-natal-0/
O “homem”, neste caso, é o magnifico Júlio.
Presentes e ocasião foram muito bem escolhidos :)
bem visto!
Perfeitos os presentes. E aquele amarelinho piscante bem no canto, no PN, é que me intriga.
Não vejo o Vasco de outra forma, plural e labiríntico.
Eu também vi camélias na Joana.
José, surpreendeu-me sua análise.
Zé, gostei muito. Tem-me dado que pensar. O que mais pode querer-se de um presente?
Abraço vermelho, azul e amarelo.
Visto como foi bonzinho e não procurei o verde?
Mondrian. Corrijir, p.f.!
foi gralha, no texto está certo.
Zé, enganas-te. Os quadros dessa senhora não mostram o Onde estou mas sim o Eu mesmo. Bem apanhado.
Obrigado do fundo do coração por tão requintada prenda.
E eu que voltei a este blog de mãos a abanar.
Abr.
V.