
Young-Hae Chang, “Heavy Industries”, 2007
- reaktion auf Pieter Marder Heilige
A pornografia não é elegante, a pornografia não é bonita, nem agradável. A partir do momento em que podemos associar alguma espécie de estética à pornografia, ela já não é pornografia mas o seu irmão Abel, o erotismo.
Por isso toda a arte, toda a literatura, todo o cinema não conseguem ser pornográficos, a não ser os livros, os poemas e os filmes pornográficos que são ordinários, incultos, canhestros e desengraçados. Porque a pornografia é bruta e feia, mas não dessa brutalidade e hediondez que até podemos achar que sim, se olharmos melhor — ela é mesmo malfeita, mal cheirosa e bestial.
A pornografia não tem graça. Aliás, o riso é o pior inimigo da pornografia, porque a pornografia é tão patética, ridícula e estúpida que se desfaz com um simples gargalhada. E se for só um efeito temporário, do género de perder a tesão quando ela se ri mas depois voltar à carga, então só foi pornografia a fingir, porque a pornografia não dá vontade nenhuma de rir. Sim, ele agitou a faca diante dos olhos dela, queimou-lhe as mamas com cigarros esbraseados, mas ela gritou socorro acudam, em vez de dizer limão que era a palavra combinada para interromperem a brincadeira. Isto foi quase pornografia, mas ainda não passa de um simulacro.
Não há pintura ou lá o que é, pornográfica. Jeff Koons é uma fraude, utilizou os elementos da pornografia como se fossem temperos, e se primeiro chocou – levemente – os colecionadores, depressa acabámos por encontrar as peças da Cicciolina nos compridos apartamentos de Park Avenue e nos Guggenheims espalhados por aí.
O lado mais sensato da pornografia é o negócio - moribundo — das revistas e do vídeo, que é só para ganhar dinheiro sem a mínima desculpa ou concessão à moral cristã e anti-capitalista. E quando os pornógrafos se juntam fora das horas de trabalho é para firmar contratos ou contar à mesa anedotas das rodagens e dizer mal de sítios como o yuvutu que lhes estão a complicar o pagamento da hipoteca da casa.
Todos os artistas, digamos assim, que se aproximaram da pornografia, morreram ou esvaíram-se muito cedo. E poucos os admiraram por isso apesar de bastantes lamentarem a curta duração da sua obra.
A pornografia está muito a norte dessa coisa do afeto que chamam de desejo, abominada pelos teólogos e abençoada pelos outros –ólogos atuais. A pornografia é desdenhável e irredutível, é Satanás caído e Caim irrecuperável. É inatingível, é o ato imaculado de foder por foder e pronto.
O resto é erotismo, o macio e perigoso erotismo que cada um pode fazer em casa.

















Xtraordinary text.
Xtremely thoughtful reflections on the subject.
Xtensively relieved after having read it.
Thks Zé.
Belo texto, Zé.
E bela tentativa de incendiar outros textos sobre a matéria. Mas a mim parece-me sim que lhes deu outra luz. É tão bom podermos passear entre tão diversos candeeiros e tão estrategicamente colocados, aqui no Xtraordinary blog.