Kurze Reaktionzeit (auf die Josef Navarren reaktion):
Concordo totalmente. A actividade comercial da indústria pornográfica é lamentável. A exploração que nela se faz das mulheres — e dos homens, reduzidos a ventoínhas fálicas e lenhadores de sémen – também (embora uma e outra tenham servido para a integração altamente pedagógica de muitos jovens de várias gerações no mundo farfante da sexualidade).
Talvez me tenha explicado mal. Não era disso que o meu texto tratava. O seu foco, e o seu ponto (necessariamente superficiais, pelo tempo e pelo espaço que uma reflexão mais profunda exigiria), não era sequer a pornografia, antes o uso da cor na figuração do sagrado sexo — e do sexo sagrado. Se o meu escrito fosse um triângulo amoroso, a Pornografia acabaria traída, e escorraçada, por Eros e Sacra.
A análise dos limites do erotismo e da pornografia, e da arte e da pornografia, já me parece bem mais difícil e acidentada. Eu sou, é seguro, dos menos habilitados neste blogue para a fazer. Ainda assim, atrevo-me a uma sintética contribuição:
a) Na breve, mas intelectualmente brilhante, incursão de MSF pela fotografia de Nobuyoshi Araki e pela pintura quinhentista, há imagens que eu considero belas e, simultaneamente, pornográficas. Há quem as ache, apenas e só, belas (ver comentários ao post).
Recuando.
O que traça as fronteiras do Pornográfico? A “crua” exposição da cópula? A figuração em grande plano da genitalia?
E qual de nós define essas fronteiras?
Entre centenas de casos óbvios, ocorrem-me três. Todos eles com diferentes variáveis, por vezes – em intenção e efeito — contraditórias entre si:
-
a utilização de excertos de obras musicais clássicas – normalmente em adagietto — como pano de fundo de um somatório de imagens de fome, guerra, violência e morte, promovendo a actividade jornalística do canal televisivo, nacional ou estrangeiro onde se inserem, enquanto alimentam e sublimam o respectivo fluxo, é, para mim, pornográfica.
-
o famoso descruzar de pernas de Sharon Stone em “Instinto Fatal” de Paul Verhoeven é, para mim, irremediavelmente pornográfico. Mais do que as longas-metragens da especialidade que se podem alugar num videoclube, comprar pela net ou pagar como visionamento nas plataformas do cabo. Não pela exposição, em si mesma, do sexo feminino, mas pela intrínseca desonestidade do gesto e da imagem que a regista. A vagina de Stone está ali para provocar uma reacção puramente voyeurista do espectador (fazendo crescer de forma exponencial a sua assiduidade nas bilheteiras) seja qual for o seu grau de integração – e o grau de justeza dessa integração – tanto no arco dramático da intriga como nos elementos definidores da personagem.
-
A conhecida imagem do miúdo judeu imerso no esterco humano, a olhar para a luz “sagrada” que passa pelo buraco da latrina em “A Lista de Schindler” do santo Spielberg é, para mim, pornográfica.
Trata-se de um gesto óbvio de estetização da miséria humana, num contexto – o Holocausto – que merecia outro cuidado ético e diferente sentido de responsabilidade. No entanto, quem pode negar a força – à falta de melhor palavra – humanista da mensagem de compaixão tão central ao filme? E não será, à distância de uma década, o filme de Spielberg directamente responsável pela tomada de consciência de uma nova geração (no mínimo, de espectadores/cidadãos norte-americanos) quantos aos horrores dos campos nazis, apesar dessa imagem pornográfica nele encerrada?
Os mais velhos autores deste blogue – no pun intended – recordar-se-ão certamente da cause célebre de Serge Daney a propósito de um certo travelling do “Kapo” de Gillo Pontecorvo – cujo contexto era o mesmo, os campos de concentração — considerado eticamente (logo, “esteticamente”) pornográfico pelo autor dos “Cahiers”.
b) Quando escrevo “a pornografia, no mais descarnado dos simulacros, É a realidade. Ou alguém duvida de que o melhor sexo é sempre pornográfico — SOBRETUDO quando assinado pela caução do amor?”, talvez me tenha explicado mal outra vez, já que utilizei a palavra “pornografia” num sentido diferente do que lhe tomei no início do texto.
Pretendia dizer que o sexo é um acto de uma irredutível crueza darwiniana, independentemente do contexto sentimental em que se insira ou de qualquer reflexão ontológica que sobre ele decidamos fazer. O sexo é, a priori, sempre — e felizmente, digo eu – “pornográfico”, antes dos juízos estéticos e culturais que o venham, ou não, a considerar erótico.
Ao fim de contas, somos todos animais na livre e nocturna jaula da Natureza.





















tinha percebido à primeira, foi uma delícia — de novo — lê-lo agora.
Eu também não encontrei equívocos no primeiro texto. Quanto às imagens de hoje destaco o «banho» do Spielberg — inequivocamente pornográfico. E não é caso único nele…
Só posso dizer que adorei a complementação do texto anterior.Considero tanto o erótico quanto o pornográfico, no sexo, um jogo, algo lúdico.Aqui nem cabe discutir um ou o outro porque são opiniões muito pessoais e passíveis de diversas interpretações e associações. Com certeza é uma aura bem diferente dos exemplos que você citou aqui.Isso sim é pornográfico, no sentido mais pejorativo da palavra.Isso é a verdadeira apelação.Tem quem defenda que abordagens assim são necessárias para provocar uma reação.Eu prefiro flertar com a realidade ao invés de escancará-la.
Na novela ou no filme para 12, as imagens da rapariga que se levanta do leito ainda quente de sexo agarrada ao lençol é ultra/pornográfico, insidioso e intelectualmente desonesto. De longe, era menos hipócrita agarrar a rapariga de cabelos molhados em pijama, e colocá –la junto ao fogão preparando o pão e a manteiga a entregar ao amante no quarto do amor.
Ai agora me esta apetecendo *.* quem quer ??