Sendo que este é dos poucos temas seculares aqui permitidos seria de péssimo tom o desperdício duma oportunidade tão absolutamente soberana.
Mas não se pense que venho aqui azucrinar benfas – de acordo com a moderna e mais erudita terminologia nacional-futebolística.
Não! Hoje vou azucrinar a Segunda Circular inteira – porque ela merece.
Mas comecemos pelo suco da barbatana.
Aquilo no domingo foi tão, tão, tão, tão, taaaão…, que mais parecia um sino.
Não me vou perder em pormenores técnicos, há bons analistas da bola que já o fizeram até à exaustão.
Mas dá-me algum gozo extra ouvir-lhes arengar a falsa desculpa de que o Porto não fez assim tão grande coisa:
– Este Benfica não é o mesmo do ano passado…
Pois claro que não! Nem este Porto, ora bolas! (vem imenso a propósito, não acham?…)
Mas há duas coisas que são as mesmas neste SLB: a sua equipa técnica e a sua direcção. Estes, mais do que jogadores ou adeptos (os que Vieira não quer ver nas bancadas adversárias, vá-se lá saber porquê…), são os verdadeiros responsáveis pela hecatombe.
A génese do desastre parece-me evidente: enquanto teve uma equipa funcional, Jesus (o treinador) soube treinar. Depois as coisas correram com a já crónica falta de jeito que Benfica tem nas manobras de transição sazonal interna: arranjaram-se umas emendas à pressa, um guarda-redes que até pode ser óptimo mas que teve uma entrada de sendeiro, e tudo o resto se manteve inalterado como se os tempos não exigissem cuidados de maior. Afinal Coentrão e David Luiz ainda eram uns esteios sólidos (no caso do segundo até já se percebia que não o era mais), e Carlos Martins tão bom como Ronaldo…
E Aimar, Aimar – porque há ir e voltar.
Já sem equipa digna desse nome – desde o início da temporada que tal é visível, com breves intermitências –, o treinador que gabava as que no Mundo jogavam o «seu» futebol ficcional (grupo de que o FCP obviamente não fazia parte) lá continuou com os seus esquemas decalcados do ano passado, e mais daqui, e mais dali, em arranjos de garageiro rumo a lado nenhum. Foi patético ver Coentrão (que é o grande jogador no actual Benfica) tentar um encosto em Hulk e fazer ricochete nele – deixando uma chuteira pelo caminho…
A perder por três, Jesus nem o empate tentou – fechou para não apanhar mais. E mais apanhou no toutiço.
No fim, depois do incrível festival de bola a que se assistiu no Dragão, restavam Jesus e a sua águia, petrificados – como petrificados de revolta devem ter ficado os adeptos do clube da Luz.
E com toda razão.
Mas as trapalhadas da Segunda Circular lá continuaram ontem, em Alvalade, de forma quase tão confrangedora como a do seu vizinho e eterno adversário natural: o Sporting conseguiu a 15 minutos do fim mamar três pastilhas seguidas sem resposta – deixando para trás uma vantagem que lhe assegurava emparelhar os pontos do SLB previamente derrotado, permitindo assim ao Vitória de Guimarães saltar de quinto para segundo lugar num autêntico piscar de olhos.
Como é que isto acontece?…
Bem, o Sporting Clube de Portugal tornou-se nos últimos anos numa organização muito estranha, que ninguém compreende ao certo – dirigentes certamente incluídos. Ganha galhardamente, bem sei que a adversários não muito extraordinários dessa Europa igualmente esquisita do futebol, mas ganha (ou ganhou) – para logo depois se espalhar com escândalo e fragor no campeonato interno em jogos que estariam naturalmente à sua mercê, se as coisas andassem um pouco melhores em termos de segurança emocional.
Aquele pontapé do Maniche (idêntico em tudo à cotovelada de Luisão no Porto-Benfica) demonstra a insegurança plena de um atleta com responsabilidades cuja idade e experiência deveriam creditar sem agravo. Neste instante não creditam.
Isto acontece porque o SCP está numa fase bipolar, e está nesta triste fase porque quem ali manda não percebe nada de bola.
Resta a ambos, SLB e SCP, discutir quem será o melhor da Segunda Circular – porque é já disso que se trata.
Natal pelo S. Martinho?!
Quem diria.
Se a curiosidade vos picar ainda, está tudo aí em baixo — técnicas, tácticas e um pequeno filme instrutivo bem no final da página.
http://www.zonalmarking.net/2010/11/07/porto-5–0-benfica-hulk-belluschi-tactics/




















Aquela gárgula é a cara chapada do Jesus. Fantástico.
O ‘leãoguru’ também é giro…
muito bem.
Tendes uma imagem de vós próprios muito bárbara, a avaliar pela imagem — que apropriado. Fica então registado que o Sporting é o mais português dos clubes, proque melhor representa o estado da nação. Os outros dois vivem na irrealidade passadista, o do bairro de Lisboa, e na irrealdiade contemporânea, o da cidade do foz do Douro. Que vos faça bom proveito a alienação.
josé navarro, a agressividade insolente deste seu comentário parecia ser a de um… benfiquista.
sei que ao sporting as ‘coisas’ não andam a correr bem, mas, pela melhoria da sua (josé navarro) alienação, sugiro com amizade que retome o habitual e tão elegante fair-play que os sportinguistas costumam demonstrar: raramente ganham, mas costumam saber perder. fica-vos muito bem.
Bárbaros? Claro que sim. É alma guerreira dos galegos. A alma dessas tribos bárbaras que pintaram os genes das gentes do Norte.
Nós vamos à luta. Não ficamos a carpir supostas injustiças, à espera do homem que finalmente nos tire da casa da mãezinha, qual D. Sebastião de bigode.
Joana: celtas, suevos, que os galegos vieram depois…
Agressivo sim, que não tem mal, insolente é que não — tipo Mourinho, aquele que não-veio como o Vilas Boas. Mas também estou um bom bocado farto do sportinguista fidalgote-bom-rapaz, arruinado mas com modos, cheio de orgulho do pouco que foi edo nada que poderia ter sido. Ao diabo com essas figuras. Na verdade já me falta a paciência e os outros é que pagam — é assim a vida.
Zé Navarro, percebo-te perfeitamente.
I know you do, that’s why I like you (after all…)
fez-me sorrir.
um abraço.
E a mim também. Retribuo, sem afters…
Ave, Drakus, beati possidentes, morituri te salutant…
Ave, Orcamus! (segue tradução latim-português)
Agradeço, naturalmente enternecido, abençoado sejas…
Razão tinha LFVieira ao dizer que se não houvesse condições de segurança o SLB não iria ao jogo. É que a falta de comparência é punida com a perda dos 3 pontos e a derrota é só por 3–0.
Não era goleada… O tipo é esperto!
Infelizmente para ele houve segurança…
António, lamentável e incompreensivelmente sou forçado a concordar contigo. Não vi nem ouvi o jogo, mas quando me disseram que o meu Sporting (usurpado por aquele Senhor que o indirige) estava a ganhar por dois a zero e perdeu por três a dois fiquei incrédulo. Seja como for, uma só coisa é certa: o FCP é o único clube capaz de estar entre os melhores da Europa que há, hoje, em Portugal. Parabéns!
Muito obrigado, Gonçalo, e não penses que fico feliz com o desacerto do Sporting — porque com o do SLB obviamente tenho de estar.
Eu também acho que há usurpação ali — fundamentalmente porque o Betocurto não está ali pelo futebol ou sequer pelo Sporting. Está lá por ele.
Grande abraço
Parabéns, Joana, pela ilustração! E ao António, pelo texto. Como diz o MEC, o SLB, no Porto, faz como ele: “…nada, mas come bem!”… A malta tripeira não deixa de ser hospitaleira.
Obrigado Jorge, e tem razão quanto a hospitalidade: veja-se que até levámos o galo para a cabidela!…
Exacto! Eles, sem noção de etiqueta, só levaram o(s) frango(s)!