Postais de Viena (II)

Serena Lederer, née Pulitzer (sim esse) foi outras das muitas mulheres na vida de Gustav Klimt. Não consta que fosse mãe de qualquer dos seus quatorze filhos, nem que tivesse alimentado os seus sonhos dourados de tão pecaminosos. Não consta sequer que chegasse a ser platónica a relação entre ambos. Como foi, já vos disse, o caso do caso que o pintor manteve com a sacrificial Emilie Floge. Mas Serena foi o ombro amigo (e a carteira recheada) com que Gustav sempre teve a fortuna de poder contar ao longo da vida. E foi porque assim foi que foi de Klimt e do que Klimt foi que se fez a magnífica colecção que os Lederer (Serena e o industrial August) foram juntando, apaixonada e devotamente, durante quarenta longos anos, de 1899 a 1939. Que foi ano de Anschluss e de uma infame “expropriação” que condenaria boa parte dos tesouros de Klimt a um exílio húmido, penoso e forçado, nas caves do Castelo de Immendorf. Exílio trágico, aliás. Que só acabou com o fogo da história que os alemães atearam, ante o avanço das forças soviéticas, nos últimos dias da guerra.

A demência humana não tem limites.E este belíssimo Farm Garden with Crucifix já não é.

Comentários a “Postais de Viena (II)” (3)

  1. Ana Rita Seabra diz:

    Pedro, obrigado pelo postal! Tiveste o privilégio de ver esses maravilhosos postais ao vivo recentemente. Adoro Klimt! bjs

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