
Já tínhamos a Cidade Branca do Tanner e a Lisbon Story do Wenders. E, embora desconfiemos que pouco devem à nossa Lisbon mas a uma sua homónima americana, as irmãs Lisbon virgens suicidas da mui em voga Sofia Coppola e, mais recentemente, a agente Teresa Lisbon da série de culto The Mentalist. Agora, temos também o recentemente premiado Mistérios de Lisboa, realizado pelo chileno Raul Ruiz (embora com produção nacional de Paulo Branco, tal como os filmes de Tanner e de Wenders).
Mas ou muito me engano ou nunca um álbum vindo de fora tinha sido inteiramente dedicado à cidade de Lisboa. Os Durutti Column não foram tão lisboetas com o seu Amigos em Portugal. E Devendra Banhart limitou a sua homenagem portuguesa a uma canção, e bem nortenha, o delicioso Santa Maria da Feira que já aqui ouvimos.
Façam então favor de receber bem estes americanos de gema, The Walkmen, que nos visitarão muito em breve (14 de Novembro, no Coliseu dos Recreios), para promover o seu último álbum. Nem mais nem menos do que Lisbon de seu nome. A avaliar pelo que já ouvi, e que vos deixo em baixo, é uma bela vénia a Lisboa. Só para variar, durante uns minutos, das reprimendas europeias.

















É sim senhor uma bela vénia, Diogo.
E lembro que Durutti Column teve plateia principal no Porto, uma chusma de fanáticos que ia sempre onde eles tocavam. No Indústria, por exemplo. Óptimos espectáculos, diga-se de passagem.
Vou ouvir, pois claro.
Os “Mistérios de Lisboa” do Ruiz é mesmo uma homenagem, se não a Lisboa ao Camilo e a Portugal.
E olhe que sou insuspeita, o filme dura mais de 4 horas , os actores principais são portugueses, é falado em português, fui aterrorizada, com o tm ligado em silêncio e umas bolachas na carteirinha.
Gostei muito.
Que aconteceu-ou foi acontecendo– que o maior elogio que fazemos a um filme estes é dizer que até nos esquecemos que é português?
Gostei muito destes Walkman.
Bem escolhido e bem revelado, Diogo. Prefiro os Walkmen — que me pareceram amáveis e com melodia — ao Tanner que fez de Lisboa a cidade branca que não é.
(Não ligue, Diogo, mas tenho umas embirrações, o cinema do Tanner é uma delas, o do Wenders outra. Sei que sou injusto. Ainda por cima conheci-os de passagem. O Tanner era um simpático e porreirão; já o Wenders fazia aquela boquinha toda a gente sabe de quê, com artístico toque de todos me devem, ninguém me paga).