
“Olá, fala a Marta…” A frase é popular, mas só a dizemos porque - faz hoje 132 anos — aconteceu uma pequena revolução. O Boston Telephon Dispatch, sob a asa do senhor Bell, ouvi dizer que discutível inventor do telefone, foi o primeiro operador a criar uma central telefónica. Eram rapazes que se ocupavam de tudo, do telégrafo e dos telefones. Mas se no telégrafo eram ágeis e imbatíveis, ao telefone mostravam-se irritadiços, sempre prontos a praguejar, já para não falar na tentação de mandar para o Bujumbura quem só queria ir até Luanda.
Tocou uma campainha na cabeça do senhor Bell e ele revolucionou: entrevistou e contratou Emma Nutt, fazendo dela a primeira telefonista do mundo. A voz de Emma, suave, a sua paciência, uma prodigiosa memória que lhe permitia saber de cor todos os números do directório de Boston, ditaram o futuro: o triunfo das telefonistas, a maravilhosa associação do telefone à voz feminina. O telefone é uma mulher: é por isso que é fácil falar com ele, dar-lhe beijinhos, prometer-lhe ternuras e, claro, mentir-lhe com um bocadinho de vergonha.

















Manuel, já posso dizer a frase!?
Se a nossa telefonista te puser em linha…
«Com um bocadinho de vergonha», Manuel? O telefone é o instrumento ideal da mentira, é o seu ‘upgrade’ natural, não nos esconde só da verdade dita, esconde-nos da nossa própria cara, não há o espelho do outro.
É uma delícia para nós, verdadeiros profissionais.
O filme é demais, boa arqueologia.
Belo post! Creio que não será demais acrescentar uma curiosidade espantosa que por cá aconteceu e que mete telefones sem que sejam escutas, as escutas mal intencionadas! A propósito da estreia de um ópera no São Carlos em 1883, rei D. Luis estando de luto, não podendo por isso ir, ouviu-a no Palácio da Ajuda através de telefones instalados pela companhia de Lisboa. E esta, hein?!?!
Bem haja