Olá, fala a Marta

“Olá, fala a Marta…” A frase é popular, mas só a dizemos porque -  faz hoje 132 anos — aconteceu uma pequena revolução. O Boston Telephon Dispatch, sob a asa do senhor Bell, ouvi dizer que discutível inventor do telefone, foi o primeiro operador a criar uma central telefónica. Eram rapazes que se ocupavam de tudo, do telégrafo e dos telefones. Mas se no telégrafo eram ágeis e imbatíveis, ao telefone mostravam-se irritadiços, sempre prontos a praguejar, já para não falar na tentação de mandar para o Bujumbura quem só queria ir até Luanda.
Tocou uma campainha na cabeça do senhor Bell e ele revolucionou: entrevistou e contratou Emma Nutt, fazendo dela a primeira telefonista do mundo. A voz de Emma, suave,  a sua paciência, uma prodigiosa memória que lhe permitia saber de cor todos os números do directório de Boston, ditaram o futuro: o triunfo das telefonistas, a maravilhosa associação do telefone à voz feminina. O telefone é uma mulher: é por isso que é fácil falar com ele, dar-lhe beijinhos, prometer-lhe ternuras e, claro, mentir-lhe com um bocadinho de vergonha.

 

Comentários a “Olá, fala a Marta” (5)

  1. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Manuel, já posso dizer a frase!?

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Se a nossa telefonista te puser em linha…

  3. António Eça de Queiroz diz:

    «Com um bocadinho de vergonha», Manuel? O telefone é o instrumento ideal da mentira, é o seu ‘upgrade’ natural, não nos esconde só da verdade dita, esconde-nos da nossa própria cara, não há o espelho do outro.
    É uma delícia para nós, verdadeiros profissionais.

  4. António Eça de Queiroz diz:

    O filme é demais, boa arqueologia.

  5. Bartolomeu diz:

    Belo post! Creio que não será demais acrescentar uma curiosidade espantosa que por cá aconteceu e que mete telefones sem que sejam escutas, as escutas mal intencionadas! A propósito da estreia de um ópera no São Carlos em 1883, rei D. Luis estando de luto, não podendo por isso ir, ouviu-a no Palácio da Ajuda através de telefones instalados pela companhia de Lisboa. E esta, hein?!?!

    Bem haja

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