o eterno segundo

Entre as orelhas e a cabeça a proporção começava, enfim, a estar equilibrada. Não tenho a certeza, mas julgo que, se não eram 16, seriam 17 anos. As patilhas sous les pavées la plage antecipavam anos de revolução. A pele imaculada ou é mérito de inocente photoshop ou apenas esse eterno segundo que separa a acnosa adolescência da irreversível e sórdida queda na idade viril. O lábio superior a ameaçar o demasiado fino, mas ainda antes de passar a “ui, tão fino, deve ser má pessoa!”. O lábio inferior quase com espessura de áfrica; o nariz direitinho antes da cana rachar a murro ou noite de bebedeira repondo a origem marrana; o queixo a não deixar que se adivinhe futura papada; o pescoço a exibir-se antes de, em poucos anos, a compressão da cervical o afundar no meio dos ombros.  Sobre a testa, tão natural, como toda a gente então via e hoje ninguém acredita, a natural e revolta onda australiana do cabelo castanho quase preto. As lentes acastanhadas a tapar os olhos castanhos, a cintilar de verde. Não havia futuro, só a plenitude, cheia, abundante, de presente.

Ainda não acabou – não tem de acabar – nem a “fase infantil”, nem a de “primeira comunhão”, mas desafio já os autores do ETGM a ousarem na “fase galante”. (Só entra quem quer, bem entendido, mas já todos sabemos que o PN disse que queria.)

Comentários a “o eterno segundo” (26)

  1. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Seu vaidosão!

    Depois conta a noite de murro? E não somos o eterno segundo recuperado em cada vez que tão completamente felizes?

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Vaidade? Nada, só o cocktail de 2/3 de ternura e 1/3 de inveja de um tempo de irrepremível irresponsabilidade. Só a certeza do prazer.

  3. Luciana diz:

    Perdoe-me o enxerimento e credite-o à liberalidade dos que se sentem amigos…suspeito que isso é estratégia pra aumentar os acessos femininos à página do blog.

  4. Joana Vasconcelos diz:

    MANUEL!!!

    Quer desgraçar-nos? Afugentar as visitas? Pôr toda a gente a rir-se de nós?

    Então depois do desafio tão queridinho das fotos pequeninas, que fez este blog ficar ainda mais mimoso e lindinho do que já era — e note-se que ainda faltam o Zezinho, os Pedrinhos, o Dioguinho, o Vasquinho, a Teresinha e o Scheekinho -, vem agora estragar tudo? Adolescência? Verdadeira e própria, como já não existe mais (tese que exponho amiúde às minhas filhas) — com óculos, borbulhas, aparelhos nos dentes, introversões e inseguranças de toda a espécie, e sabe Deus mais o quê? Nããããã!!! NEM PENSAR NISSO É BOM!!! O QUE SERIA …

    E quer mesmo que acreditemos que a — como é que é, deixa-me ir lá acima fazer copy e aqui paste — “a natural e revolta onda australiana do cabelo castanho quase preto”???!!!! era natural?

    • Manuel S. Fonseca diz:

      NATURAL! ABSOLUTAMENTE! É que nem sabia, nem me passava pela cabeça (esta também me saíu natural) outra coisa.
      Vá lá, Joana, não se acanhe. Tenho a certeza de que a Joana, a Eugénia, a Teresa vão criar ondas naturais de euforia com a vossa “fase vamp”!

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Não quer cá borbulhas, Joana, quer pior.. este homem é terrível: quer galãs e pin ups de quando é tudo para sempre! Mais: quer que saibamos que não somos. Quer harakiri!

      • Manuel S. Fonseca diz:

        Harakiri? E acha que não é bonito? Não seja mariquinhas, descubra lá a sua foto de “morrem jovens os que os deuses amam”. E não tem nada a ver com galãs, nem pin ups. Tem só a ver com aquela cara que tivemos quando tivemos a inabalável certeza de que o mundo era nosso, só nosso.

  5. António Eça de Queiroz diz:

    Há-há-há-há!… Frrrrzzrrstfffss… he-he-he… (ai, ai!…)
    Pareces o Clark Kent a experimentar um disfarce humano — todo compostinho, os super-poderes bem escondidos sob o ar cândido.
    Muito bem.
    Mas eu não tenho nada disto — que eu saiba ninguém me tirava fotos para nada.
    Acho que tenho uma mais subversiva do que esta, algures, mas um pouco mais velho.
    E as meninas? Queremos desfile — temos esse direito!
    Ouviu, Joana?…

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Ó meu Gary Cooper das Antas, claro que tens, não aldrabes.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Então boa noite, António, já estava a estranhar-lhe a demora … decerto distraído à conversa com o Sobastião José, nem notou que por estas bandas o Manuel se afadigava a ver se fazia descambar o blog…

      Ainda bem que apareceu e que pôs cobro a mais esta loucura. Fez muito bem em xingar o Manuel e em arranjar uma desculpa super esfarrapada para não alinhar neste despautério.

      Estava a ir tão bem, tão bem, tão bem que foi mesmo uma peninha ter-se despistado mais para o fim … ANTÓNIO BENEDITO!!! MAS QUE IDEIA VEM A SER ESTA? DESFILE? ENTÃO AGORA SOMOS TROPAS? E INVOCA-ME DIREITOS? ESTE HOMEM ENSANDECEU, É O QUE É!

  6. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Mariquinhas?! Moi? Não sou, não. Não tenho é como inventar tal plástica de inabalável certeza.

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Tem sim, não está é a lembrar-se daquele dia em que, se a Ava Gardner se cruzasse consigo, até ela se roeria de inveja a olhar para si. Tenho a certeza de que nesse dia fez uma foto. E agora vou dormir que já tinha tirado da cadeira, há 4 comentários atrás, o que lá voltei a sentar. Dear all have good night sleep.

  7. Orcama diz:

    Os primores de “Arte Nova” que a Foto Castro, talvez H. Gonçalves, produziam em São Paulo da Assumpção de Loanda…
    Esta foi a fase do Ludovico… Aka, meu mano, “tê fincaste e andemiraste, pá”…

  8. Turmalina diz:

    Manuel Estiloso Fonseca…essa onda australiana, achei o máximo! Só tinha visto semelhante penteado em algumas novelas globais que retratatam os anos 60.Nunca em alguém “real”. E me diga: andavas de lambreta também? Porque afinal os olhos são de galã :o)

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