Les portes de la nuit

Saiba: há um bailado que se fez filme, sendo, também, um poema de sol nocturno, do sol nocturno, e mais se fez, canção, na voz de Montand e título mudado de outro filme por causa do sucesso do mesmo excerto de poema, ainda por publicar na íntegra, a canção, desta vez na voz de Nat King Cole. Fôlego. Mostro só o filme, que vi hoje pela primeira vez e nunca o soube antes de hoje. Gosto tanto destas surpresas felizes por haver.. Tem, este filme, coisa queirosiana de sombrinha vermelha de Maria a descer sobre Pedro, na carruagem, premonição de sangue, ferida, escoamento de vida, morte. Está lá em baixo, a premonição, outra, no entanto: procurei para si no YouTube, encontrei, claro, logo a seguir à linda cena da fabulosa Joan, de fato de banho, ao espelho. Poderia deixar algo do bailado, ou do primeiro filme, da primeira canção, do poema. Não. Só o que descobri hoje. Porquê? Ao Nat king Cole já o dancei com o meu avô, Les feuilles mortes, não é segredo, ouço, ouço — mas sou suspeita por causa de Prévert -, e de Roland Petit nem digo um ai: ai ai..

Autumn Leaves, Robert Aldrich (1956, Wm. Goetz Productions) Producer: William Goetz. Screenplay: Jack Jevne, Lewis Meltzer, and Robert Blees. Director of Photography: Charles Lang, Jr. (1:85:1). Music: Hans Salter. Cast: Joan Crawford (Millicent Wetherby), Cliff Robertson (Burt Hanson), Vera Miles (Virginia), Lorne Greene (Hanson). Filmed at Columbia Studios, Los Angeles, beginning August 31, 1955. Completed: November 21, 1955. Running time: 107 minutes. Distribution: Columbia. Released: September 11, 1956 (Los Angeles).Original Title: The Way We Are. Silver Bear Award for Best Direction from the 6th Berlin Film Festival.


Comentários a “Les portes de la nuit” (6)

  1. António Eça de Queiroz diz:

    Muito bom, sem dúvida.
    Mas sabe que tive uma experiência curiosa com o seu petit ‘ai’: comecei a ver o bailado (gosto muito do Roland Petit), com a música a marcar o movimento, e depois abstraí-me do enfoque dos bailarinos — passando a concentrar a atenção no fundo do plano. E então entrei num quadro da Viera da Silva, numa imensa tela tridimensional, cheia de profundidades e intersecções. Presumo que resulta da mudança de posição da câmara em relação à iluminação, mas ainda assim (ou talvez por isso) gostei imenso. Um pouco tenebrosa e excitante, teia de planos ou edifícios cortados de alto a baixo mostrando o interior pouco iluminado dos quartos, vazios de gente mas não de vida.
    Cidade de mutantes, biblioteca vandalizada… algo assim, um pouco negro.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Já reparou que neste blog quando temos alguma coisa de que gostamos, contamos, mostramos, queremos mostrar? Só agora, que tolice, dei nota clara disso — ontem estava toda contente do filme, tinha sono mas mais vontade de dizer bem dele.

      Deixou-me pensar na Vieira da Silva.

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    A Joan Crawford, que ao que parece seria pessoalmente do piorio, fosse com maridos, com amantes ou com a filha, tem uma intensidade rara como actriz. Transfigura e transfigura-se. Dá a personagem em cada plano. Gosto muito, na primeira despedida, quando ela hesita em virar-se e deixa que lhe passem pelo rosto crispado as mais convulsas contradições.

  3. Turmalina diz:

    Ao assistir à este trecho do filme me lembrei de Bette Davis em All about Eve. Fui correndo revê-lo e é impressionante como as duas atrizes, Joan e Bette, tinham olhares tão parecidos em determinados momentos.Talvez esse tenha sido o motivo de terem trabalhado juntas em Baby Jane.Foi bom tê-las visto de novo! Obrigada.

Comentar