Dizem-me que a coisa começou mais cedo mas “pôs-de moda” lá para o século XVII. Os especialistas dir-vos-ão que é uma variante específica de ilusionismo baptizada Di sotto in sù ou Prospettiva Melozziana . O Vasco explicar-vos-á que, mais coisa, menos coisa, tanta palavra bonita pode trocar-se pela mais voyeurista expressão “de baixo para cima”. E eu, que não sou italiano nem especialista de coisa alguma, só posso dizer-vos que acredito, com a força de todas as paredes e de todos os tectos do mundo, que a ninguém devia ser roubado o prazer de ver-se assim enganado. Uma vez que fosse na vida. Mesmo que, deslumbrado pela beleza furtiva que é sempre a beleza de um trompe l’oeil, não ganhasse para o susto. Que é o que o terá acontecido à bela e arfante Gonzaga quando acordou, numa pecaminosa manhã, na sua camera degli sposi, com um coro de inconvenientes querubins a espreitar-lhe as linhas rococós da sua escandalosa nudez.

Caravaggio. Jupiter, Neptuno e Plutão

Andrea Mantegna, Camera degli sposi

Andrea Pozzo, Igreja de Sant’Ignazio

















Realmente, com tanta gente a assistir não deve ser fácil… nada!
Tb receio que me desse mal.
Ó Pedro e António, mas porque raio (e não é x) é que se haviam de dar mal: um mundo às avessas é mesmo um mundo às avessas.
ps — Com pintores como os acima bem me podiam pintar frescos pela casa toda como mais bem quisessem.
Pedro, não quero contradizê-lo, mas dá-se muito bem: ou porque outra razão olharia sempre de baixo para cima para conversar aqui? Não sei, no entanto, no caso, qual é o trompe l´oeil.
Eugénia: eu dou-me mal é com os querubins a espreitar…
Pronto, não se fala mais nisto: não olho mais para o seu avatar, ou lá o que é..
não é avatar! sou eu mesmo a espreitar do fundo do terceiro círculo do inferno.
Pois eu durmo em qualquer lado. :)