Di sotto in sù

Dizem-me que a coisa começou mais cedo mas “pôs-de moda” lá para o século XVII. Os especialistas dir-vos-ão que é uma variante específica de ilusionismo baptizada Di sotto in sù ou Prospettiva Melozziana . O Vasco explicar-vos-á  que, mais coisa, menos coisa, tanta palavra bonita pode trocar-se pela mais voyeurista expressão “de baixo para cima”. E eu, que não sou italiano nem especialista de coisa alguma, só posso dizer-vos que acredito, com a força de todas as paredes e de todos os tectos do mundo, que a ninguém devia ser roubado o prazer de ver-se assim enganado. Uma vez que fosse na vida. Mesmo que, deslumbrado pela beleza furtiva que é sempre a beleza de um trompe l’oeil, não ganhasse para o susto. Que é o que o terá acontecido à bela e arfante Gonzaga quando acordou, numa pecaminosa manhã, na sua camera degli sposi, com um coro de inconvenientes querubins a espreitar-lhe as linhas rococós da sua escandalosa nudez.




Caravaggio. Jupiter, Neptuno e Plutão



Andrea Mantegna, Camera degli sposi



Andrea Pozzo, Igreja de Sant’Ignazio



Comentários a “Di sotto in sù” (8)

  1. António Eça de Queiroz diz:

    Realmente, com tanta gente a assistir não deve ser fácil… nada!

  2. Pedro Norton diz:

    Tb receio que me desse mal.

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    Ó Pedro e António, mas porque raio (e não é x) é que se haviam de dar mal: um mundo às avessas é mesmo um mundo às avessas.

    ps — Com pintores como os acima bem me podiam pintar frescos pela casa toda como mais bem quisessem.

  4. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Pedro, não quero contradizê-lo, mas dá-se muito bem: ou porque outra razão olharia sempre de baixo para cima para conversar aqui? Não sei, no entanto, no caso, qual é o trompe l´oeil.

  5. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Pois eu durmo em qualquer lado. :)

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