Tweet ou lá o que é..

A minha mãe para mim:
— mas quando é que tu cresces?
Eu para a minha mãe:
— moi?
E tudo porquê? Ó injustiça, ó malvada incompreensão materna.. Porque estava na sala de casa dela maman, a dançar e cantar para O Cão, vá, a desafinar para O Cão, vestida com o exacto guarda roupa com que as mulheres costumam fazer o encore final depois do duche, vulgo de toalhão e toalha, coisa, bem se vê, só para as grandes estrelas da pop em geral e da cantoria em particular. Estava em plena expressão, portanto, da minha privada e atoalhada alegria em turco Torres Novas de boa gramagem e conforto, quando fui surpreendida em flagrante coreografia de altíssimo gabarito, e condicente com a afinação, por uma surpreendente maman que deveria estar, por razão de trocas e baldrocas, em casa de sa fille, moi. O que cantava eu ao meu Lindo Cão para merecer tal escarninho? Carregue no play. É por estas e por outras como estas que uma pessoa precisa de.. como direi, do recato de seu lar?

Comentários a “Tweet ou lá o que é..” (18)

  1. Joana Vasconcelos diz:

    Liiindo!

    Eugénia, aqui lhe deixo toda a minha solidariedade, enquanto injustiçada vítima da mesma incompreensão musical familiar — no meu triste caso em dose tripla e vinda do extremo oposto do generation gap… É que nem na missa, no meio daquele horror de desafinação paroquial me dão tréguas: começam com discretas cotoveladas e depressa e desrespeitosamente passam ao adolescente “está toda a gente a olhar para nós”.

    Viva o Cão, é o que é!

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      VIVA!

      Somos uns génios musicais incompreendidos, é o que é. Diga às suas ricas pestes, também conhecidas por filhas, que, algures, num universo paralelo, os coros paroquiais é por si que se afinam.

  2. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Ó Joana, veja lá se faz favor se não diz mal do horror da desafinação paroquial, está bem!? Ora essa.

    • Joana Vasconcelos diz:

      Fishing for compliments, Melodiosus Gonsalvus?!!

      Está bem, eu dou. Aí vai: mas é claro que eu não me refiro a esses domingos em que a já de si fantástica missa é complementada por um alegre e afinadíssimo coro, cujas vozes e acompanhamento à guitarra (sobretudo este) ou me reduzem a um encantado silêncio (o que, convenhamos, é obra) ou ressoam tão bela e poderosamente pelas eclesiais abóbodas, que nem as ingratas filhas dão pelas minhas entusiasmadas fífias …

  3. António Eça de Queiroz diz:

    Eugénia, você nessas poses e a cantar músicas dos ‘Camarões da Poça, Inc.’, de cão certamente estarrecido, bem… Rilhafoles já não existe, mas…
    Tweet?… Otorrino pró cão?…

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Mas que fera que me saiu! Isso são modos de tratar a sua, vá, bisavó? Ou a mesmo a mim que sou, toda a gente o sabe, uma santa?! Esse despautério é todo por causa dos gaiatos marinhos? Ou foi a cantoria? A afinação? Toda a gente canta no duche, vez por outra, dança enrolado na toalha.. Ora diga lá que nunca por nunca, se é capaz.

      Tweet porque um post mínimo, sobre um mínimo assunto, acabado de acontecer, tal qual como se fora aquilo que é suposto ser.. um tweet.

      Relembro-lhe que Rilhafoles, antes ó antes, era um lugarzinho onde se reeducavam hereges e bisnetos que desrespeitando as bisavós, ofendiam à moral e aos bons costumes.

      Ps: já viu o lindo e completíssimo parabém da nossa Jeanne ao amigo do demo?

      • António Eça de Queiroz diz:

        E já viu o meu?.…
        Bisavóóóó? Ia ser bonito…

        • Joana Vasconcelos diz:

          Com que então, a surripiar do Cão Azul, menino António Benedito? Vou já denunciá-lo ao meu primo João, ó se vou. Talvez amanhã de manhã, que já é tarde. Mas vou.

        • Eugénia de Vasconcellos diz:

          Vi, pois vi, a linda obra..

          Ps: o chien azul é o micro chien no cantinho inferior da pubchurrasqueira? Terei de ir ao Google? À Wiki? Quem é o primo João?

          • Joana Vasconcelos diz:

            Eugénia, Cão Azul é uma marca de t-shirts, sweats e sacos (http://www.caoazul.com/loja/) que pertence ao meu primo João. É ele quem desenha, congemina os textos-mensagens e gere aquilo tudo. Alguns dos loucos sacos que uso para os meus livros são dele.

            Visita-nos amiúde, e, por ser um dos canhotos da família, deixou um lindo comentário num dos meus posts alusivos — ora vá lá espreitar.

            • Eugénia de Vasconcellos diz:

              Joana, ri-me uma fartura com alguns dizeres do Cão Azul — em homenagem ao do GM? — do seu primo João. Não recordo o seu post sobre este chien. Terei de fazer postarqueologia.. Agora vou ler a sua Jane.

              • Joana Vasconcelos diz:

                Eugénia, eu não fiz nenhum post sobre o Cão Azul, o dono dele, o meu primo João, que nos costuma ler, é que muito recentemente deixou um comentário num post meu: orolhe-o, ao primo, não ao comentário (http://www.etudogentemorta.com/2010/08/uma-imensa-e-extraordinaria-minoria/#comments).

                E claro que já lhe fiz queixinhas do abusador António, mas ele não me pareceu ter ficado especialmente abalado. Estranho.

                • António Eça de Queiroz diz:

                  Estranho nada! Um tipo normal, portista indefectível, bom pai de famíliaz — é o que ele é!
                  Queixinhas!

                  • Joana Vasconcelos diz:

                    António: o meu primo, como toda a minha família “de Lisboa” (com uma única excepção que convém referir antes que ela me apareça aí a protestar) é do Sporting, ainda não tem filhos e eu não sou evidentemente queixinhas, limito-me a relatar ocorrências relevantes às pessoas envolvidas! Acertou no normal, vá lá. Um em quatro não é brilhante, mas há dias assim … Ânimo, que melhores virão.

                    • António Eça de Queiroz diz:

                      «(…) já fiz queixinhas (…). Isto é uma CONFISSÃO! De jure!
                      Dois em quatro não é tão mau assim…

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Fazem t-shirts por encomenda. Esta vai enriquecer o primo da Joana, ai nanas!
    Ainda bem que gostou, Eugénia!

  5. Manuel S. Fonseca diz:

    A Eugénia sabe que é esta é a cena mais feliz da comédia romântica que neste cemitério também se escreve e encenamos? Muito boa.

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