Derreti-me todo. Não de calor. Só da doçura e delicadeza que também podem ouvir, se não ouviram já, neste vídeo. Ouçam e, depois, se estiverem para isso leiam – é irrelevante – a informação no post.
Na Wikipédia descobri que Gaspar Fernandes terá nascido em Évora na segunda metade do século XVI. Há registos da sua passagem como cantor pela catedral de Évora. No último ano do século, a 16 de Julho, foi contratado como organista para a catedral de Santiago da Guatemala que deixaria 7 anos depois para ser o mestre capela da catedral de Puebla de los Angeles, onde permaneceu até à sua morte, em 1629.
Se já houvesse “world music” (houve sempre, pensando bem), este português que tão bem se casou com o Novo Mundo teria sido um dos seus expoentes. Foi uma espécie de Giacometti dos coros litúrgicos polifónicos, tendo recolhido os manuscritos de corais de muitos compositores renascentistas espanhóis. Gaspar Fernandes foi ele próprio compositor de música litúrgica. Em Puebla, na Nueva España que o México já foi, o compositor exercitou a sua veia vernácula de que o villancico acima é um exemplo. Nas suas composições usou o espanhol, o português, um pseudo-africano e os dialectos ameríndios. “Pois Com Tanta Graça” é uma deliciosa supresa. Acredito que Gaspar Fernandes a tenha composto para ser ouvida em salão de sombra ou em pátio fresco, mas continua a ser charming, mesmo ouvida no calor europeu de Agosto.

















Que tema fabuloso!
Tem de se constituir um grupo de exaltação de Gaspar Fernandes.
Manuel,
derreti-me toda [2]! Manteve graça e beleza mesmo na linha do equador. Avisado está: roubarei a idéia pra surpreender e deleitar também os que andam borboletando comigo…
Luciana, faz muito bem e que o Gaspar Fernandes lhe apareça em sonhos.
Coisa de facto de ternura e graça.
Foi o que eu achei, logo de manhã, manhãzinha.
«Ai que me fino de amo-o-o-or!» Fantástico. :)
Gonçalo, já viste até onde foi o lirismo pátrio… Que belo portuguesinho.