Pelos, pelos cantos, pelo ralo, pelas tampas

O desafio foi lançado pelo Gonçalo que postou a imagem de um quadro com que Botero homenageou Bonnard. Hoje é a Turmalina que nos surpreende, respondendo ao desafio e vindo morar connosco.

Pelos, pelos cantos, pelo ralo, pelas tampas
Um post de Turmalina

Em 20 e tantos anos de convivência ele não aprendeu o quanto eu odeio encontrar pelos na pia. Por certo, faz de propósito. Aí reclamo, ele faz que não escuta, não adianta nada e logo eu amarro a cara.E isso é praticamente toda manhã. Porque antes de encontrar os pelos na pia já tive de me deparar com os pelos no ralo do chuveiro e quando não, no sabonete.Todo o meu bom humor matinal acaba aí. Acho que é disso que ele gosta. Sempre achei que ele tivesse umas tendências sado-masoquistas.

E ainda tem mulher por aí que adora homem peludo. Mas o pior foi quando em que ele resolveu cortar os pelos pubianos, acho que de tanto eu reclamar. Bem que eu avisei para usar a tesourinha. Mas não, teimoso que só, foi direto na máquina, coisa de macho. A teimosia, é claro! Não preciso nem dizer que depois ele não agüentou a coceira e teve de recorrer ao farmacêutico No primeiro dia a coisa ficou tão ruim que o pobre não pode nem ir trabalhar.

Até hoje ele jura que foi praga que eu roguei. Mas pode uma coisa dessas? Logo eu, a pessoa mais interessada na área de lazer. Não tem cabimento. E mesmo assim, depois de todo esse quiprocó, ele ainda não entendeu que é só juntar os pelos da pia e mandar ralo abaixo.Porque eu juro que eu não sou uma pessoa assim tão chata, afinal nem da toalha molhada sobre a cama e a tampa do vaso levantada eu reclamo. E o papel higiênico então, que ele nunca repõe. Isso sem falar na mania de tomar banho de perfume.

Aí que eu não entendi quando acordei e ao lavar o rosto na pia, impecavelmente limpa nesta manhã, tinha um bilhetinho no espelho que dizia assim:

- Querida, espero que a pia esteja do seu gosto. Não me espere para o jantar, nem hoje, nem amanhã, nem nunca mais. Vou morar com a Madalena! 

Comentários a “Pelos, pelos cantos, pelo ralo, pelas tampas” (6)

  1. António Eça de Queiroz diz:

    Êpa, aí a coisa correu mal!
    Mas ele já estava de caso feito, foi só esperar a melhor oportunidade.
    Que cínico.

  2. Turmalina diz:

    Pois é, Benedito, depois ainda dizem por aí que o cinismo é uma característica das mulheres…ô maldade, viu?

  3. Pois é, há sempre uma Madalena à espera. Nem que seja para ser molhada no chá, se não houver banheira.

  4. Luciana diz:

    Turmalina, rodei, rodei, fui, voltei, li, reli, tentei de toda forma, mas não tem jeito, tenho que admitir: eu também ia embora, e, se fosse com quem me banha de perfume e chora aos meus pés, melhor ainda, me parece.

  5. Turmalina diz:

    Luciana, rodando vamos, como canta Chico naquela música que eu gosto muito:
    “Roda mundo, roda gigante
    Roda moinho, roda pião
    O tempo rodou num instante
    Nas voltas do meu coração…“
    E se entre as idas e vindas tivermos quem nos banhe de perfume, melhor.
    Senão, rodando vamos :o)

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