Não se faz!

Pois é. Por inspiração malvada do Manuel S. Fonseca e do seu cúmplice Pedro Norton, mergulhei inocente e inadvertidamente no mundo genial, no doubt, mas um tudo nada porno-antropofágico, do senhor Jean-Christophe Grangé. Esta última semana, e repito, por culpa dos senhores acima citados, tenho-a assim passado completamente aterrado, sonhando com falsos autistas comedores de vaginas, sádicos desmembramentos de bonitas parisienses, requintadas extracções de sebo humano e líquido amniótico e outros pesadelos afins. No entanto, tenho de admitir, é da melhor literatura que tenho ingerido nos últimos anos no under-rated campo dos romances amarelos (desculpem-me a coloração mas os italianos chamam Gialli aos romances policiais e eu gosto de lhes seguir algumas tendências). E lá no fundo até é tema que fica bem nas exangues páginas deste blogue. 

Mas lá que faria Simenon abanar a cabeça e pronunciar um reprovador tsk tsk tsk, lá isso faria.

Recomendo. Vão lá e leiam, se tiverem coragem. Por agora, fiquem a sós com a morte. Pura e dura, e que por vezes, como aqui em baixo, é verdadeiramente bela de se ver. 

Les Rivieres Pourpres, 2000 — Mathieu Kassovitz de um original de J.C. Grangé 

Comentários a “Não se faz!” (3)

  1. Turmalina diz:

    Li, ainda não li, mas vi…é impressionante o que nos tornamos depois que a chama que nos mantém vivos se apaga: quando muito, alimento dos vermes. E é o tipo da coisa que nunca me meteu medo, nem nojo ou náusea. Afinal fazemos parte da cadeia alimentar.
    O que me assusta, e mesmo assim nem tanto, é justamente o lado mais sombrio da alma humana e as suas motivações.

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Confesso que embora aposta editorial da G&P, a aposta não é minha, todo o mérito pertencendo à equipa. Mas depois do teu louvor e do PN não resisto e começo amanhã a ler.

  3. Pedro Norton diz:

    Ainda bem que gostaste. Cheguei a recear que era um problema só meu.

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