Mon ami Pierrot

A mon ami Pierrot, hoje de happy birthday, dou-lhe o que já é muito dele, que é o melhor que se lhe pode dar:

O primeiro país em que pensei para emigrar foi a Suécia. Um desejo fêmeo, de nortada, de amor com a naturalidade, desportivo, sem complicações, desejo fácil de abastecer, sem dramas? E o Strindberg? Caramba! Estava iludido. O que eu queria era outra coisa, o que a realidade lá no fundo apresentava era outra coisa. Um amor de encontro ao fim da tarde. Isto na Suécia? Bebidas, comidas, nudismo no Verão, amor de corpos bem atestados de volúpia, precisava de ir lá fora praticar a naturalidade. Gosto? Gostas? Gostamos? Ainda são precisas interrogações? Sim, no entrelaçar da troca tudo corria nas maravilhas de quase mil. No dia seguinte iria para o trabalho, animal bem satisfeito, garanhão da Índia, pluri-racial, bem disposto, sem gritos, tinha dado sémen para cruzar com as arianas do Norte, um rafeiro do sul, das fronteiras do Alentejo fora acasalar com uma cadelinha rosada, de peitos quase maduros, pêras ainda no madureiro. Drama? Tragédia? Saudades de uma Ingrid ou de uma Karla que me aparavam o apetite. Era esse o amor que buscava? Era e não era […] Distraído, cada vez sabia menos daquilo que aprendera na Universidade. Uma gaita!”*

E, depois do happy birthday cantado, pergunto: “pierrot o que é que com o raio do raio x vês que que eu aqui não veja?”**

pierrot, est-ce qu’il ya de plus profond que la peau?”***

* Deriva alucinada escrita a pensar em Pierrot por um escritor com o duvidoso nome, provavelemente falso, de Ruben A. (“O Mundo à Minha Procura”, vol III, ed. Assirio e Alvim, pgs 133 e 134).
** Angelina Jolie é uma jovem e promissora actriz norte-americana. De teatro, julgo.
*** Emanuela de Paula, modelo de olhos negros. A mãe é doméstica, a tia doceira. (fotos pilhadas ao soberbo e deus criou a mulher)

Comentários a “Mon ami Pierrot” (5)

  1. Orcama diz:

    Boa, fresca e apetitosa fruta aqui é apresentada…
    Olhe, caro Pedro Norton, o que posso eu desejar-lhe?… Dadas as circunstâncias, ao menos bom apetite…

  2. A Suécia já deu o que tinha a dar, acho que já nem suecas há.

  3. Pedro Norton diz:

    Manuel, Mestre e Amigo:
    Não sei por onde comece. Se pela cadelinha rosada, se pela beiçola carnuda, se pelos olhos negros da menina que a doméstica deu à luz. Perfeito, perfeito era fazer delas uma só e santíssima trindade: peitos arianos e quase maduros, um boca que são dois silvestres morangos e o resto do corpo a saber aos doces da malandra da tia. Estará vossa santidade em condições de me arranjar encontro com tão apetitosa aparição? Olhe não sou esquisito. Qualquer oliveira me serve.

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