Ludopédico leonino — mais uma grande noite europeia # 1

prostrai-vos!

Cruz na porta da tabacaria!

Às 18H estava sentado à secretária, laborando em prol do share holder e nem me lembrei. Na verdade – declinemos as liberdades poéticas – lembrei-me, mas não quis saber. De propósito: eles que dessem pela minha falta.

Quem morreu? O próprio Alves? Dou

Quando saí ao fim do dia, o segurança estava ostensivamente de costas para o televisor pendurado na parede. Revendo agora a pose, consigo esmiuçar a mensagem que o instinto me enviou: se o homem, que é um daqueles usuais benfiquistas azedos, perpetuamente de mal com o universo, virava as espaldas ao jogo é porque tinha comichões. Olhei para cima e lá estava: em letra miudinha, muito discreto ao canto da pantalha – zero-um. Olha! pensei. E saí.

Ao diabo o bem-estar que trazia

A caminho de casa o relato radialista exaltava uma épica batalha em relvados hamletianos – o habitual. De repente (mais tarde percebi que foi uma improvável parabólica de 30 metros), zero-dois. O próprio e emérito Pedro Gomes balbuciou umas evidências que acabara de não ver segundos antes, para disfarçar a surpresa que lhe acometeu.
Aqui deram-me uns nervos; aqueles bandalhos aproveitaram à traição a minha paz de espírito e pela surra punham-se a jogar com decência? Ai era assim? Então, só para enervá-los, fui a correr para casa ver a segunda metade da segunda parte.

Desde ontem a cidade mudou

Mas os marotos são espertos. Quandodei um salto à cozinha a buscar os pistacios do prolongamento, o sonso do Djaló roçou com a luva do pé no esférico e ei-lo, qual mero coralífero, flutuando rumo ao precipício das redes.
Vitória! Vitória! Vitória! Eu não vos disse sempre que?

Comentários a “Ludopédico leonino — mais uma grande noite europeia # 1” (4)

  1. António Eça de Queiroz diz:

    Ai agora?!…
    Da última vez pareceu-me que até a quotas iam pró tecto!
    Parabéns… E tratem-me bem o Florisberto!

  2. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    Zé Navarro, meu querido amigo e companheiro deste tão verde e tão grande infortúnio. Ganhámos, é verdade. Tivemos ali dez minutos na segunda parte em que heroicamente tentámos os deuses para que impedissem os dinamarqueses de marcar na nossa baliza. O destino encorpou-se. Era nosso. Eles não conseguiram. Marcámos o segundo golo, também com a ajuda dos deuses. E o terceiro ainda mais, já que o Djaló os outros 90 minutos jogou a favor dos «outros gajos». Sorrisos. Alguma alegria, também ela contida, ainda com medo. Ganhámos, é verdade. Mas não jogámos nada! Infelizmente, continuo sem clube.

  3. ana diz:

    Estava admirada com o teu silêncio mas lamento dizer-te que o Gonçalo está cheio de razão.

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Vá, deixem os homens tomar o gosto ao ânimo e as coisas até podem melhorar.
    Correm é pouco…

Comentar