
E logo à segunda jornada, no primeiro jogo em casa, impera a descontração nas bancadas de Alvalade. Os otimistas, desejosos de sofrer as ansiedades dos grandes momentos, dirão que é por ser ainda verão e o povo anda desafogado, sem estro para emoções fortes; esperemos pelo Natal, aconselham. Os realistas, embora inibidos de o expressarem em voz alta, acham que sempre é melhor assim, deste modo aristotélico: uma época recatada, sem as grandes turbulências das vitórias que dão esperanças infaustas, nem as vertiginosas deceções que nunca deixam de sobrevir. Vamos passar uma tarde à bola, os miúdos gozam umas horas de ar livre, conversa-se com a rapaziada do lado e o entretenimento fica rematado com a bifana da roulote final – há lá tempo mais bem passado…
Mas não há jogo que não deixe contas por apresentar. Rui Patrício, por exemplo, ameaça, malgré lui, converter-se no herói leonino do momento. Quatro vezes quatro, o guarda abandonou as redes, para vir desferir uns chutões fora da área. Qual foi o balanço? Por duas ocasiões livrou-nos do nunca inesperado golo adversário; noutra permitiu que o insular lhe aplicasse um arco ogival ainda mais amplo que o traçado pelos estudantes na Luz, na semana anterior e só por subtilezas da mecânica newtoniana a bola não entrou; e noutra ainda, a mais funesta, atropelou o desgraçado João Pereira o qual só veio a recobrar numa cama de hospital.
Em resumo: Patrício não está nada melhor do que era e continua a fazer estragos mais evidentes que os proveitos. Todavia, graças à analítica comparativa, reparam-se agora nele qualidades imprevistas. Sucede isto porque do outro lado da estrada, perfilou-se um fantoche desconcertado e desconcertante que, ó prodígio, se mostra capaz de produzir mais comoções e fiascos que o nosso Patrício. Será pequena compensação, mas uma alegria sempre é uma alegria.
Entretanto e por desfastio, o Sporting aceitou o convite do Marítimo para marcar um golito de penalty, já o contra regra ia correndo o pano. Menos mal, pois assim sem mais nem ontem, ficou o passarinho a piar atrás de nós.

















Exacto!… O passarinho vai sempre no banco de trás.
Passarinho, passarão, quero lá eu saber dos outros. Eu sou do Sporting! Ou melhor, era. Porque o Sporting do qual eu era já não é. Eu era de um Sporting que, melhor ou pior, estavamos sempre à espera que ganhasse o campeonato. Mesmo quando não o ganhou durante dezassete anos seguidos estavamos sempre à espera de naquele ano ganhar o campeonato.
Depois lá vieram o José Roquete e o Dias da Cunha e remodelaram o Sporting. Creio que lhes faltou ambição, mas tinham, pelo menos, uma estratégia. Neste momento, nem ambição nem estratégia. Temos um João Moutinho que diz ter saído do Sporting porque só assim é que poderia ganhar títulos e temos todos os outros que lá ficaram e que sabem, como nós, que não vão ganhar títulos.
Temos um presidente que todos dizem ser um óptimo gestor, mas não tem nem ambição nem projecto. Não tem qualquer estratégia. Não sabe o que quer. Não sabe o que não quer. Não sabe falar. Não sabe nada. O Sousa Cintra era um tosco, é verdade. Este é pior. Não é nada.
Mantém o Paulo Bento contra tudo e contra todos. Quanto o mal já está feito contrata o Carvalhal. O Carvalhal!? Diz-lhe que é só por seis meses e depois deixa-o escolher jogadores, que compra, para uma equipa que já não há de ser dele — do Carvalhal!? Depois diz que quer o Villas-Boas, mas contratra o Paulo Sérgio. Ora, o que é que a equipa de um e de outro poderia ter em comum? Nada, isto é: apenas e tão somente aquele desgraçado chamado Bettencourt.
Por isso, JNA, peço-te, que sei que no fundo sofres como eu, com aquela dignidade verde desconhecida dos benfiquistas: vamos arranjar uma maneira de mandar aquele homem embora. É que eu quero ser do Sporting, mas assim não posso. Nionguém pode. Ele não deixa!
Meu caro Zé Navarro, já tenho a solução. Podemos dizer que somos, sempre fomos e seremos do Sporting… de Braga!
Bem, as camisolas arsenalistas, não obstante, sempre são vermelhas…
Vou escrevendoe stas coisas para evr se não esmoreço. Pela primeira vez na minha vida não me apetece Alvalade. Invocando economias, não renovei o lugar da minha filha. Como irá acabar isto tudo?