Encontros imediatos de tipo corpóreo


Ó que linda neanderthalensis

Vou tentar dizer isto por palavras minhas; não se admirem, por isso, se a coisa sair rasteira: as mulheres de Neanderthal eram infatigavelmente depravadas – davam para todos. O homo sapiens que andava por perto, sempre que os Neandertahlensis se distraíam, molhavam a pena no tinteiro (não sei se será a expressão mais correcta) e elas não se queixavam.
Pode não parecer, mas o que estou a dizer tem bênção científica. O artigo, “On the Neanderthal Breden”, foi publicado no insuspeito (ou será incontornável?) Scientific American. O seu autor, Michael Shermer, sustenta que, em boa verdade, duas espécies, o Homo Neanderthalensis e o Homo Sapiens conviveram na Eurásia e, mais do que coexistirem como espécies diferentes e isoladas, travaram-se de apertadas e penetrantes razões, fazendo de nós todos o muito mais Neandertais que o nosso genoma atesta: 1 a 4% do genoma dos habitantes da Eurásia são afinal de origem Neandertal.  
Segundo Shermer, encontros imediatos de tipo corpóreo estavam sempre a acontecer (ó beijos abençoados), o que fez das antiquíssimas e húmidas cavernas lugares menos solitários, salpicando as gélidas noites com abrasiva, porventura rápida, felicidade. Aprendi assim que, a querermos ser fundamentalistas da taxinomia, o Neandertal era uma sub-espécie do Sapiens e lhe deveríamos chamar Homo Sapiens Neanderthalensis. O que, convenhamos, torna logo muito mais apetecíveis as suas inteligentemente desavergonhadas fêmeas.

Comentários a “Encontros imediatos de tipo corpóreo” (4)

  1. Orcama diz:

    Oh, que explicação mais rebuscada para um mais do que trivial n’gwendar na húmida e solitária caverna da vizinha…

  2. manuel s. fonseca diz:

    Rebuscada? Eu não disse que eles as arrastavam pelo cabelo ao, I guess, Mr. Orcama style, pois não?!?!

  3. Orcama diz:

    Meu caro Manuel “Sapiens” Fonseca,
    Não vale desvendar e ainda menos kuribotar os métodos de actuação que me atribui… Quem se responsabilizará depois pela sobrecarga laboral, horas extras e etc.?…
    Lascadamente, o seu,
    “Neanderthalensis” Kamba…

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Pois! Assim está tudo explicado. Há muito mais interactividade Neanderthalensis. Com as Sapiens é um «não sei», «talvez», «amanhã vemos isso»… dor-de-cabeça & tal!
    Evidentemente rebuscado, até os tentilhões de Darwin fizeram o mesmo e ninguém fica assarapantado com isso.

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