Esta semana já é a segunda vez que escrevo a respeito de Domingos – de bem diferentes Domingos. E ainda bem, que assim varia-se.
O de hoje é bem diferente do de ontem, mas do ontem da vida, não da semana: da timidez anterior, que escondia com eficácia o goleador perigoso que falava pouco para não dizer asneiras, sobrou apenas o mesmo cuidado com as palavras e o mesmo tipo de fé nas qualidades da equipa com que trabalha. Aquele 7º lugar da Académica não foi nenhum fogacho, como logo no ano seguinte se viu (e bem pode agora Jorge Jesus reclamar ADN que já ninguém o leva muito a sério).
A primeira vez que vi o Domingos jogar foi contra o Sporting, nas Antas, talvez em 90/91 – já não sei. À época não gostava particularmente de futebol e fora levado ao espectáculo por arrastamento sócio-profissional: fui com jornalistas do Expresso, e até tínhamos no grupo um lagarto importado de Lisboa para o efeito, o agora já solar José António Lima.
Na altura escandalizei-me quando me disseram que só começara a comer bifes – muitos bifes, a ver se botava corpo – no FCP. Em campo achei-o um lingrinhas improvável, um qualquer erro de casting incompreensível para mim, ignaro mal iniciado.
No fim o Porto ganhou com um golo feito já na compensação. Marcou Domingos.
Depois ganhou tudo o que quis no país, durante anos.
Agora quis treinar.
Mais uma vez não acreditei. Que sim, que era um magnífico jogador, mas que lhe faltava tudo o resto. Esse resto, pensava eu, era uma personalidade capaz de induzir um choque de vontade imperiosa num grupo inevitavelmente mercuriano como o é um balneário, uns tantos directores e o presidente de um clube de futebol.
É claro que um clube como o Sporting Clube de Braga o favorece pela dimensão média das suas próprias roldanas. São as medidas ideais para o estágio actual, e ali já ninguém mexe um dedo sem que a sua opinião seja ouvida. Particularmente depois de boa parte do orçamento desta época estar já em recato devido à dose óptima de audácia eficaz do seu treinador.
Mais uma vez me enganei a respeito de Domingos.
Paciência.
O nome assenta-lhe que nem uma luva.
Acho que por uma vez não me enganarei muito se, com o entusiasmo próprio dos treinadores de bancada que acham ter naquele preciso instante descoberto a pólvora, murmurar aos quatro ventos:
– Este rapaz ainda vai longe…
Gosto muito deste vídeo: primeiro porque era o único disponível no youtube, e depois porque é cantado numa língua suficientemente remota para que não consiga perceber uma única palavra do que diz o locutor – o que é óptimo para a minha faceta parolo-carinhosa. Presumo logo que estão a dizer maravilhas – e neste caso até é capaz de ser verdade.


















António, eu percebi duas palavras no vídeo — parece-me: Bráaga e Luis Fabiahnô. Fantástico este Braga!
Aviso à navegação, e a TODOS:
A partir de agora, aos Domingos… Paciência.
Foi o jogo mais excitante do ano, sem dúvida!
Merecido.