Coney Island, NY

No passado dia 17 de Julho, estando em Nova Iorque, decidi meter-me num comboio da linha D, atravessar Manhattan para o lado de Brooklyn, e ir procurar a amiga do amigo do Diogo para Coney Island. Aqui, local para onde durante os últimos cem anos se dirigiram, e dirigem, hordas de ”we the people”, vindas dos mais sufocante boros de Nova Iorque em busca de praia, ar fresco, e um pouco de roller coaster entertainement, disputava-se nesse dia o SIREN, um tradicional festival de música Indie, patrocinado pelo jornal  The Village Voice e em que bandas underground da East Coast se exibem todos os anos para mostrarem o que de mais novo e menos comercial por essa mesma costa se faz.

Ao contrário do que aconteceu com o Diogo, (já te disse Diogo, que continuo a roer-me de inveja pelo concerto dos Roxy Music?) não me foram servidos pratos nostálgicos de grande música de outros tempos. Pelo contrário. Os músicos de bandas com nomes como The Screaming Females, Surfer Blood, Apache Beat, Holy Fuck ou Cymbals Eat Guitars, são crianças nascidas no início dos anos 90 sem terem sequer ainda idade para serem alunos da nossa Joana Vasconcelos. Confesso que alguns deles, em palco, explanaram conceitos musicais que só em parte consigo compreender. Mas como todas as novas gerações de Rock n´Rollers (it´s just Rock n´Roll after all) que se vão alternando na construção da história do mesmo, eles saltaram e berraram e aceleraram e travaram o tempo e o som e o espaço o melhor que puderam e souberam. E com eles saltou e berrou e dançou, toda uma gigantesca tribo heterogénea composta por teenagers suados, velhos hippies fumados, miúdas tatuadas e muitos quarentões (como eu) bastante acalorados. Gostei muito. Gostei sobretudo da guitarra eléctrica (e electrizante) dessa verdadeira teenage girl guitar messiah que é a Marissa Paternoster, (vocalista e guitarrista dos Screaming Females) e gostei também, e muito, das complexas e ricas texturas musicais de uns muito imberbes mas igualmente promissores, Cymbals Eat Guitars.

Durante a tarde, fui bebendo sucessivas latas de uma bebida energética de cor azul turquesa, distribuídas gratuitamente por umas gentilíssimas patrocinadoras de mini saia, e no fim, rendido e comovido, comi, de dentro de um barquinho de papel pardo e com um curioso garfinho de cartão, uns deliciosos filetes de peixe frito que teriam feito o José Navarro de Andrade lamber com volúpia os seus bigodes de gato.

Foi uma tarde bem passada.

PS1: Não tive obviamente grande sucesso com o objectivo primeiro da minha excursão a Coney Island. Vi e conheci muitas meninas de origem asiática correspondendo à descrição que me tinha sido dada, mas nenhuma tinha estado na semana anterior em Lisboa no festival da Optimus. Fiquei no entanto com vários números de telefone que darei ao Diogo já da próxima vez que nos encontrarmos.   

PS2: Deixo aqui em baixo alguma da música que ali ouvi, mas faço já um aviso. O segundo clip dos Screaming Females é profundamente indigesto. Artístico, muito Pop Art e lailailaiaiai, mas muito indigesto. Depois não digam que não avisei.

“Girlfriend” — Screaming Females

“And the hazy sea” — Cymbals Eat Guitars

Comentários a “Coney Island, NY” (3)

  1. António Eça de Queiroz diz:

    Até da indegestão gostei, muita energia.
    Nos ‘Females’ fica-se na dúvida do que vai partir primeiro, se uma corda vocal ou se da guitarra. Toca como um homem, a miúda, até se lhe apanham alguns laivos de Hendrix.
    Muito bom.

  2. Joana Vasconcelos diz:

    Vasco, o que te deves ter divertido! E de certeza que não rapaste o friozinho que os estimáveis Mr. Ferry, Mr Manzanera e Cª nos fizeram estoicamente aguentar…

    Gostei dos Screaming Females: do nome, do ar divertido da muidagem, do som… Diz-lhes por favor que terei o maior gosto em recebê-los nas minhas aulas e que uns concertos deles no bar lá da faculdade serão muito benvindos, tanto em tempo de aulas, para ajudar a assentar tanta teoria, como sobretudo nas épocas de exames, em que andamos todos muitos tensos e a precisar de descomprimir. Avisa-os, em todo o caso, que a comida do dito bar não é grande coisa — desde logo os cachorros e os hamburguers não se comparam com os do clip. E, sobretudo, que por muito esfomeados que estejam, não cairá muito bem que comam assim. Convinha trabalhar um pouco essa vertente.

    PS — Fiquei realmente interessada na tal bebida energética … era mesmo azul turquesa? Achas que me podes levar uma latinha (se tiveres mais, melhor, claro) para o jantar?

    • Vasco Grilo diz:

      Se bem me lembro de ti Joana, não recordo que fosse aconselhável fazer-te beber bebidas energéticas.….por muito turquesa que sejam.…

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