Canção de despedida

Esta é a minha canção de despedida favorita. Porque, when the summer comes a-rollin’, tem de ser. I’ve got to ramble. Mas é a minha canção favorita porque, depois de a ouvir, já ninguém se quer ir embora: I never never gonna leave you baby.

A canção não é sequer dos Led Zeppelin. Pilharam-na, com modificações na letra, a uma folk singer berkeleyana, Anne Bredon. Andei à procura, mas não encontrei a Anne a despedir-se. Encontrei a versão da Joan Baez, igualmente pilhada, mas mais próxima do original (o que a mim não me faz gostar mais. O insuportável exibicionismo de Robert Plant vai mais com o meu gosto de despedidas e reencontros).  

ps– Por honra das respectivas reputações, sublinhe-se que em segundos discos, tanto Baez como os Zeppellin acabaram por atribuir correctamente a autoria da canção à autora californiana. Avisei-te: com uma canção destas não há mesmo ninguém que se separe.


Comentários a “Canção de despedida” (21)

  1. Eugénia de Vasconcellos diz:

    Manuel Fonseca, achei muito inteligente essa ideia de uma praxis do adeus: a repetição do ritual amortece o carácter único da verdade da despedida que assim se colectiviza em adeuses onde as identidades se confundem.

    A minha mãe passou uma fase Joan Baez, geracional, talvez. Eu não gosto, dá-me nos nervos.

    A música em versão LZ confesso, também não: uma vez estava a ouvir o Lobo Antunes falar da primeira mulher, Zé, de como a amava, creio, e essa música, porque é a mesma letra, é exactamente o discurso dele então. Acho que ele a sacrificou a esse ramble para encontrar a assimetria que então julgava precisar para se fazer escritor. Mas posso estar enganada.

  2. Turmalina diz:

    Fico contigo, Manuel, prefiro muito mais a versão do Robert Plant, que é a única que eu conhecia até esse momento. Quanto às despedidas, não posso opinar porque sempre fui péssima nessa arte.

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    Eugénia, ainda gostava de ouvir o ALA a cantar com o Robert Plant. Havia de ser bonito. Pior, só mesmo eu, mas se soubesse cantar, gostava de cantar “rock progressivo”, a esgalhar como os Led Zeppelin ou os Steppenwolf.
    E queria chamar a atenção, tanto da Eugénia como da Turmalina, que a Joan Baez tinha umas lindas pernas e uns lindos joelhos. São essas pequeninas coisas que também alimentam uma revolução.

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Pois sim, que ponha os joelhos ao léu, as pernas e tudo quanto possa contribuir para a causa revolucinário al fresco, mas caladinha..

    • Orcama diz:

      Olha, Olha, Olha… o Manelito…
      Agora, estou a conhecer-te muito bem!
      Se a foto fosse de corpo inteiro, mostrava-te de joelhos ao léu… como Eugénia de Vasconcellos pediu…

      • Eugénia de Vasconcellos diz:

        O caro Orcama, veio para o concerto, aposto..

      • Manuel S. Fonseca diz:

        Mr. Orcama, não se lembrará, porque lembrar-se não pode, mas a foto é de quando andava eu a fazer estragos no Lobito.
        Seja como for, a verdade é que sim senhor, andei muito de calções só para fazer brilhar os joelhos que não são tão lindos como os da Baez, mas são elegantes qb para um cavalheiro, o que aliás se aplica aos pés, igualmente handsome.

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Mas não querem lá ver?! MSF em processo de adiantada entropia!…
    E sabes quer te acho um nadinha ditactorial? Estou-te a ver numa UCP alentrejana em 76, a paleografar imenso em marxês, ou a incendiar um pré-aviso de greve numa fábrica de louça das Caldas…
    Sei lá!
    Quanto às despedidas, deixa-me que te diga que tocaste uma das minhas mais acrisoladas cobardias.
    Sempre fui péssimo a despedir-me, em alguns casos (poucos, vá lá) até fugi…

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