Gadgets do velho estado importados do seu passado

Reencontrei há dias esta velha BD e mais umas coisas perdidas do seu tempo.
Como já não servem o seu tempo resolvi mostrá-las.
Esta espécie de BD elegíaca da travessia aérea do Atlântico Sul, sendo anterior ao salazarismo, exibe alguns toques de revivalismo histórico que o Estado Novo aproveitou depois até ao ridículo. Note-se que as imagens são bordejadas a cordas manuelinas, sendo o epílogo entrançado  com motivos do ouro popular de Viana do Castelo.
Sinceramente gosto dos desenhos.


A peça a seguir é um cinzeiro em bronze da joalharia Leitão & Irmão produzido, segundo tradição oral caseira (por norma bastante fiável) a propósito da Exposição do Mundo Português , corriam os anos 40.
Tem cordas, a velha caravela, é salazarosa q.b. e eu sempre gostei imenso deste cinzeiro — tanto que me apoderei dele sem dar explicações a ninguém. Presumo que tenha sido oferecido ao meu pai ou ao meu avô Carlos Selvagem.

Finalmente, inscrevo a época com gentis missivas dos seus dois mais conhecidos protagonistas. Estão um pouco sujas porque as apanhei do lixo.

Comentários a “Gadgets do velho estado importados do seu passado” (11)

  1. Pedro Norton diz:

    António: a BD parece fantástica. Fico cheio de bibliófila inveja.

  2. Eugénia de Vasconcellos diz:

    António, que bem trazidos ao presente!

    • António Eça de Queiroz diz:

      Ainda bem que gostou, Eugénia. A minha vertente materialista adora objectos peculiares.
      Mas peculiar vai ser eu hoje — e praticamente por sua culpa e do Manuel! — escerver sobre um protozoário…

      • Eugénia de Vasconcellos diz:

        Muito, António.

        Então fala tão descarinhosamente de si quase bebé?! Vou gostar, tenho a certeza. Sabe, acho que foi uma bela ideia do nosso MSF.

  3. António Eça de Queiroz diz:

    É muito bonita, Pedro, gosto particularmente da imagem do navio a recolher o acidentado Fairey III «Lusitânia». Vai para a semana ser totalmente restaurada porque já tem folhas descoladas. Mas de resto está impecável.

  4. Orcama diz:

    Ó meu garboso, marcial e castrense António Eça,
    Com que então recebia bilhetinhos… e logo de quem…
    Já o segundo tema, veja lá, induzido pela pequena argola, pensei que seria uma condecoração por ter voltado são e salvo depois de atravessados os oceanos…
    Argoladas minhas, é o que é, que nunca consegui perceber porque gravavam o “U” e o “V” da mesma maneira. Sabe?

  5. António Eça de Queiroz diz:

    Orcama, carago, os bilhetes não eram para mim — à época eu ainda não era muito importante. E não tenho condecorações mas tenho o louvorzinho da praxe…

  6. Manuel S. Fonseca diz:

    António, mas isto sim é que é um luxo na blogosfera, A BD é íncrivel de boa e as mensagens dos ex-primeiros são, na nossa diáfana rede, uma preciosidade. Grandessíssimo post.

  7. António Eça de Queiroz diz:

    Ainda bem que gostaste, Manuel.
    Talvez para a semana faça uma coisa que me parece agora evidente: separar os desenhos individualmente para que se vejam melhor. São muito giros, para mais feitos em 22, têm algo do Edgar P. Jacobs.

  8. Joana Vasconcelos diz:

    Que máximo a BD, António! Se vai mesmo dar destaque a algumas das páginas, pense seriamente na última: fiquei fascinada com a decoração em filigrana … Que extraordinária ideia!

    Mas o que me deixou mesmo curiosa foram os cartões apanhados no lixo. No lixo? Qual lixo? Quando? Há muito, pouco tempo? Ora conte lá, conte …

    • António Eça de Queiroz diz:

      Vou escolher algumas imagens, não podem ser todas. Essa será uma delas.
      No lixo lá de casa, inexplicavelmente. Depois do meu pai morrer muita papelada foi deitada fora e estes dois cartões iam junto. Eram de agradecimento dos livros sobre Angola e Moçambique que ele lhes tinha mandado.
      O do Salazar é de pouco antes dele cair da cadeira.

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