Uma Vida Sagrada e Profana

Chamaram-lhe o Francis Bacon da Contra Reforma e não consta que se tivesse ralado. Michelangelo Merisi nasceu, não podia deixar de ser, no dia de São Miguel Arcanjo. Oito dias antes da batalha de Lepanto, facto sem qualquer relevância para tudo o que aconteceu antes e depois. Assassino, dissoluto, brigão, “sexualmente ecléctico”, arruaceiro, levou uma vida tumultuosa e intensa. Ali para as zonas que o Vasco frequenta. Uma vida em chiaroscuro que Andrew Graham-Dixon tenta arrancar a quatro séculos de muito pó e de tenebrosa especulação.

Este fim-de-semana, em Londres, dei com ele na montra de uma livraria a chamar por mim. Entrei e comprei-lhe a vida. Embrulhada num belíssimo hardcover acabadinho de sair do forno. É uma desculpa como qualquer outra para não ir à praia.


Comentários a “Uma Vida Sagrada e Profana” (13)

  1. Joana Vasconcelos diz:

    Fantástica sugestão, Pedro. Para preencher o gap entre o meio-dia e as 5 da tarde, em que fujo da praia e do sol por causa da maldita alergia e me instalo debaixo da minha árvore, com um pé no tronco, a ler.

    O texto linkado é uma delícia, do paint it black ao juicy esclarecimento de quão preterintencional foi afinal o homicídio do despeitado rival …

    • Eugénia de Vasconcellos diz:

      Joana, faça o favor de não acreditar em umazinha só palavra! Compre o danado do livro e depois conte-nos a verdade. Não é exactamente um segredo bem guardado que o PN está sempre a caminho de Londres para ver aquele pavor que não há meio de emudecer:THE PHANTOM OF THE OPERA.

      • Joana Vasconcelos diz:

        E eu a pensar que era por causa do Museu da Madame Tussaud … diz que estão sempre a actualizar e a pôr bonecos novos … vai-se a ver e já lá estão o marido da princesa da Suécia que casou há dias e o filho do Cristiano Ronaldo!

        • Eugénia de Vasconcellos diz:

          Tratando-se de quem se trata, acredito: Tussaud, antes, cantoria do inferno depois. Vai-se a ver até Céline Dion..

      • Pedro Norton diz:

        Está a ver como você mente, perniciosa EV? Para que conste: nunca, mas nunca, vi um musical. Um musicalzinho que fosse. Já ao museu de cera não posso jurar que nunca tenha ido…

        • Eugénia de Vasconcellos diz:

          Sou perniciosa, pois, se isso significar que sou ciosa das minhas pernas: só tenho duas e não vim equipada com sobresselentes. Mas não minto. Jure lá que não viu um muzicalzinho, um só! Não pode excluir os dos tios Bellini, Mozart, Puccini.. Se jurar, para reparar a ofensa que assim lhe terei feito, ofereço-lhe uma cópia pirata do filme do Mamma Mia e não se fala mais nisto.

  2. Pedro Norton diz:

    ainda não acabei mas já posso garantir que vale bem a leitura.

  3. Luciana diz:

    Oh, Pedro, sal na ferida! Um dia perguntei-me: se eu fosse um mosaico, o que se veria lá? Entre todas e todas as coisas que me fazem quem sou, as obras de Caravaggio. Meu primeiro (ou o que me recordo como) foi esse: http://libri.blog.rainews24.it/files/2010/02/amor.jpg. Obrigada, ainda que sem intenções, tocou-me.

    • Pedro Norton diz:

      Luciana, Ainda bem que gostou. Eu, depois de ler a biografia, não consigo deixar de olhar para esses quadros de querubins desnudos sem lhes descobrir alguma perversão…

  4. Manuel S. Fonseca diz:

    PN, bem comprado. Também gostava. Vi, sobre o Caravaggio, um filme do Derek Jarman. Irritante até à 5ª casa, e de um maneirismo estetizante um bom bocado bichoso, mas de vez em quando “estava lá a luz” dos quadros.

  5. Pedro Norton diz:

    a parte do bichoso provavelmente tem algum rigor histórico.

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