Tiago, o Maior

Santiago el Mayor, El Greco, 1610–1614

Tiago. São Tiago ou Santiago, entre nós. Santiago, San Diego, San Jaime, San Yago ou simplesmente El Apóstol, em Espanha – de que é Santo Patrono. O Maior, por ser o irmão mais velho do apóstolo João, e para o diferenciar de um outro, também Tiago, filho de Alfeu, ou o Menor.

Terá nascido em Betsaida, na Galileia, e morreu em Jerusalém, no ano 44, decapitado por ordem de Herodes Agripa I (Act. 12, 1). No Evangelho, Tiago é frequentemente referido junto com seu irmão João: são os “filhos de Zebedeu” (Mt. 4, 21; Mc 1, 19; Lc 5, 10) e — nas palavras do próprio Cristo — os “filhos do trovão” (Mc, 3, 17), por serem muito intensos e impetuosos, sempre prontos a fazer descer “fogo do céu” sobre os que os hostilizavam ou simplesmente não acolhiam (como em Lc 9, 54–56)  

Pescadores de profissão, largaram as redes que consertavam e “deixaram no mesmo instante o barco e o pai” para seguir Cristo, quando este os chamou, nas margens do Mar da Galileia (Mt 4, 21–22). Preocupados, ainda assim, com o seu futuro, terão pouco tempo depois – por sua iniciativa, segundo Marcos (10, 35–41), liderados pela respectiva mãe, conta Mateus (20, 20–24) – procurado obter junto daquele a promessa de um lugar preferencial no Reino (“que nos sentemos um à tua esquerda e outro à tua direita”), atitude que muito indignou os outros discípulos. A verdade é que, apesar do liminar “não sabeis o que pedis” com que Cristo prontamente os despachou, eram estreitos os seus laços de afecto e de confiança com os dois irmãos. Relatam os vários Evangelistas terem sido Pedro, Tiago e João os três discípulos escolhidos por Cristo para presenciar a ressurreição da filha de Jairo (Mc. 5, 35–40, Lc 8, 50–55), testemunhar a sua transfiguração no cimo do Monte Tabor (Mt. 17, 1, Mc. 9, 2, Lc, 9, 28) e a acompanhá-lo na angustiada Oração em Gétsemani (Mt 26, 37; Mc. 14, 32).

Reza a lenda que após o Pentecostes (Act. 2, 1–12), Tiago terá vindo para a Hispania. Na sua pregação, iniciada na Galiza, percorreu boa parte do território sob dominação romana — tendo presenciado, com os seus discípulos, cerca do ano 40, uma aparição da Virgem Maria sobre uma coluna de jaspe, em Caesaraugusta (actual Zaragoza), no local onde se ergue hoje a Basílica de Nuestra Señora del Pilar – antes de regresar a Jerusalém. Após a sua morte, o seu corpo terá sido transportado numa misteriosa barca de volta à Galiza e aí sepultado em segredo. Viria a ser descoberto séculos mais tarde, cerca de 813, quando estranhas luzes que brilhavam sobre um descampado outrora utilizado como necrópole por celtas, suevos e visigodos, levaram à descoberta de um túmulo com um corpo degolado e a cabeça debaixo do braço, que se não duvidou ser o del Apóstol. Afonso II, o Casto, Rei das Astúrias, mandou construir uma igreja no local, a qual veio a dar origem à majestosa e belíssima Catedral de Santiago de Compostela (nome derivado, ao que se crê, de campus stellae ou campo de estrelas).  

Rapidamente o local da Tumba del Apóstol se tornou num destino procurado por crentes de toda a Europa, que aí acorriam, utilizando — e assim “cristianizando” – antiquíssimos itinerarios que ligavam França ao que se julgava ser o fim do mundo (finisterrae), muito procurado pelos celtas para os seus rituais e celebrações. Por toda a Idade Média, Compostela e o Caminho de Santiago ombrearam com Roma e Jerusalém como rotas principais de peregrinação da cristandade.

Remonta também a estes tempos a transmutação do humilde pescador galileu no bravo Santiago Matamoros que, a fazer fé nos diversos e sempre extrordinários relatos, terá aparecido em mais de uma batalha, montado no seu cavalo branco, a ajudar a combater os infiéis. E era a sua protecção que se invocava com o grito Santiago y cierra, España!, pela primeira vez usado em Navas de Tolosa (1212) e que perdurou bem para lá da Reconquista.

Patrono dos peregrinos, veterinários, cavaleiros, curtidores e peleiros, São Tiago ou Santiago é-o também, de todos os Tiagos e Diogos, Jaimes e Santiagos. Festeja-se hoje, 25 de Julho. 

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