
Sonhei ou hoje estava uma noite tropical em Cascais? Sonhei ou ouvi Declan Patrick Aloysius MacManus, numa surpreendente reencarnação folk, tocar Elvis Presley? Ou para ser mais rigoroso, Junior Parker e Sam Phillips que foram os verdadeiros maquinistas do Mystery Train (“Train I ride sixteen coaches long. Train I ride sixteen coaches long. Well, that long black train carries my baby home”) que Elvis (não é esse, é o outro) celebrizou, Jarmusch recuperou e Elvis (agora sim, é esse) ressuscitou hoje? Sonhei ou Elvis (esse) tocou Jimi Hendrix (The Wind Cries Mary)? Sonhei ou o eclético Elvis pôs o punk definitivamente na gaveta e acabou a noite a tocar um estrondoso Happy que Richards compôs mas que Jagger também reivindicou? E sonhei ou havia mais um morto do nosso cemitério na assistência? A dançar ao pé do Ministro das Finanças?

















Sorte a sua, Pedro. Eu também a tive, e em dose dupla. O casal Krall-Costello reuniu-se ante-ontem em Santiago de Compostela para um concerto belíssimo, na também belíssima Praça da Quintana — junto da Catedral, mais precisamente da Porta Santa por onde este ano Xacobeo entram de dia os milhares de peregrinos para vfisitar a Tumba del Apóstol.
Uma e outro, sobretudo o segundo, encantaram as centenas de sortudos que conseguiram bilhetes, há semanas esgotados. Mas também várias dezenas de outros sortudos — entre os quais moi - que, graças à enorme gentileza da organização, que manteve escancaradas as portas e removeu todas as barreiras do improvisado recinto, puderam desfrutar do maravilhoso concerto sentados na enorme escadaria de Platerias. Á sombra da catedral e mesmo ao lado do palco. Sem querer acreditar na nossa sorte. Foi lindo.
O Ministro até o I Want You (que versão fabulosa!) cantou. Seria nas nossas bolsas que estava a pensar?
Cantou o “Shipbuilding”? Vocês estão mesmo aqui para nos meter inveja. Sacanas.