Pirro hoje, europeu amanhã

O aparentemente venerável Kuing Yamang serve-se do exemplo francês, que diz conhecer bem, e faz dele um relato bastante coerente – que nos devia alertar para o disparate civilizacional que parece aguardar o seu momento de forma inexorável.
A meu ver comete graves erros de perspectiva nas entusiásticas previsões porque só fala de uma parte delas. Ou seja, esquece-se que quando a Europa for pobre e eles os putativos ricos a questão também se transfere para lá. Sem contar com o que poderá acontecer noutros sítios, incluindo na própria China – que tem de contar com o desenvolvimento inevitável do seu próprio processo social.
O Google ainda se pode travar; a osmose global já não me parece tão simples.
Tudo isto seria muito mais interessante se o dito «venerável» fosse alguém de currículo indiscutível — ou sequer visível -, e, mais ainda, se o que ele aqui diz em chinês correspondesse de facto ao que aparece traduzido em rodapé.
Não sei chinês mas já ouvi dizer que não. Até já ouvi dizer que há nacos inteiros de filosofia Sarkozy.

Para que raio serve isto?!…

Comentários a “Pirro hoje, europeu amanhã” (12)

  1. NanBanJin diz:

    Sim.
    Isto faz lembrar aquelas muitas paródias feitas a partir de uma certa cena do filme “Der Untergang” que, de há uns anos a esta parte, pululam no Youtube, a propósito de tudo e de nada, re-legendando o diálogo entre um Hitler histérico e os seus generais — claro que só pega quando não se percebe uma palavra de alemão.

    Nesta peça, aparentemente “traduzida”, em todo o caso, aparecem umas quantas verdades misturadas com outras tantas meias-verdades, a meias com outros tantos exercícios de pura propaganda panfletária.
    Mas não deixa, por isso, de ser interessante.

    Meus melhores cumprimentos,
    do Japão,

    NBJ

  2. António Eça de Queiroz diz:

    Exacto, NJB, o processo é igual ao de Bruno Ganz a dizer mal do Benfica, que tanto vemos no Youtube…
    Só que isto aqui é mais depurado, mais convincente e, parece-me, com um target qualquer muito objectivo.
    Obrigado pela visita.

  3. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    António, isto é uma parte daquele filme do Bruce Lee em que também aparece o Chuck Norris. O venerável em causa é um chinês muito mau, a quem falta uma mão, que tem uma fortaleza numa ilha na qual promove combates até à morte, o último dos quais é com um karateka mor cujos peitorais parecem duas frigideiras (o qual, apesar de fazer batota acaba por perder). Enfim, uma coisa horrível. Mas no fim os valores ocidentais prevalecem.

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Gonçalo, não percebi bem: é a imagem e o discurso no tal filme, é só imagem e o discurso é falso ou é tudo uma tanga danada da sua parte?
    Fiquei mesmo curioso!

  5. Gonçalo Pistacchini Moita diz:

    António, é tudo ao mesmo tempo. Então não se está mesmo a ver!?
    PS aos nossos leitores brasileiros: tanga, em português de Portugal, é sunga, em português do brasil. Agora “sunga danada” não sei o que seja — e nem quero tentar adivinhar! Têm de perguntar ao António.

  6. Luciana diz:

    Gonçalo, sua generosidade me extasia. Eu já estava a correr bêbada entre post e comentários… pelo menos a parte da tanga ficou explicada, embora Luis Gonzaga (alô, Orcama) já pedisse: http://www.youtube.com/watch?v=LRsubo62pzw

    PS. Eu sei, não tem nenhuma relação, mas me bateu uma sapequice…

  7. António Eça de Queiroz diz:

    Pois: o dueto sapeca Gonçalo & Luciana!
    Tanga, Luciana, usa-se no norte de Portugal, berço da Nação, para designar manha, diversão maldosa, pilantragem, aldrabice, xinganço e outras malandragens mais ou menos congéneres.
    Neszte caso pode ser «manha danada».

    • Luciana diz:

      Caro Eça, graças a uma extrema gentileza, estou devorando um certo livro de e sobre Antonio. Logo terei mais afinidades — espero — com esta desconhecida e língua portuguesa. Por enquanto sou uma pobre vítima de prestativos informes e esclarecimentos (e não pense que esqueci o trote que quis me dar a respeito dos times de futebol daí… se não fosse a Joana!)

  8. António Eça de Queiroz diz:

    Está a ler o ‘meu’ santo?! Só pode ter sido o … Não digo, afinal!
    Por causa do trote clubístico não digo! Não há trote nenhum, eu apenas sou o único representante no ETGM do clube que mais títulos venceu em Portugal nos últimos 40 anos, que é o FC Porto. Isso deixa os lisboetas (e não só) cheios de azia, constipados, lacrimejantes e obliterados dos sentimentos. E com vertigens!
    A Joana, excelente pessoa sem dúvida, vive afogada em in folios legais, anda sempre a escarafunchar lá pelo velho tronco das Ordenações Filipinas, e, está claro, isso não lhe faz nada bem…
    Não pode acreditar em tudo tudinho que ela diz.

    • Luciana diz:

      Não pense que só porque sua pena é leve e faceira me ganha em solipsismos, meu caro Eça. Trote houve e só meu extremo egoísmo me fez perdoá-lo (como abrir mão deste vai e vem de palavras? não me é possível).
      Quanto ao livro, leio bem e bem devagar porque já me dói saber que acabo qualquer dia.

  9. António Eça de Queiroz diz:

    Fui atingido em cheio, in my opened heart, por um violentíssimo solipsismo.
    Principal suspeita? Luciana, de Vera Cruz, pois claro, que não abre mão duma coisa bonita que disse…
    Quando ler a última página vai lembrar-se de hoje sentindo o que eu senti.
    Ainda bem que está a gostar, Luciana, isso é o melhor que me podem dizer. Obrigado.

  10. Orcama diz:

    Sapecas Luciana e António Eça,
    Mas neste “campo santo” quando é tempo para vogar brandamente nas asas de Morfeu?
    Isso são lá horas para se estar em plebeistas tangas e jucundos, sungados, transatlânticos e intercontinentais solipsismos?
    Daqui a nada, munido do étimo kimbundu “sunga” em versão lumpen, também entro na prosa…
    Entretanto vou ali consultar o Houaiss para conhecer melhor estas vossas sínquisicas e sibaritas silepses…

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