Este post não é meu. Melhor dizendo, é-o só um bocadinho, na parte em que, com todo o gosto, me fiz cúmplice da nossa Luciana, que muito queria surpreender o seu e nosso Manuel pelo seu aniversário.
Por isso, e depois de deixar aqui um grande abraço de parabéns, desejando ao Manuel que viva este seu dia na maior felicidade e que assim prossiga, por todo o ano, até ao próximo, retiro-me. E deixo o espaço e o momento a quem, do outro lado do Alântico, tem muito mais e mais belo que dizer…
Aniversário do Manuel, by Luciana
É aniversário do Manuel e dou-lhe de presente o que há de mais inútil que se possa achar: uma confissão. Não se pense que é falta de apreço ou de bolso, é que escolhi a lembrança da mesma matéria com que ele me tem alegrado os dias. Confesso, pois: o Manuel é o meu Saci. Saci-Pererê. Meu primeiro encontro com este personal Saci creio que foi aqui e nada poderia ser mais auspicioso. E está tudo lá de forma tal que não precisava ser explicado, mas eu explico mesmo assim.
O Saci é visto ora como um ser brincalhão e gracioso, ora como malvado e astucioso. Pois. O saci se diverte com pessoas e animais, faz pequenas estripulias (quase sempre em embates verbais com as Graças do blog) e assusta viajantes noturnos (e quantas vezes se acorda com novos e provocativos posts aqui repentinamente surgidos). Mas não se pense que é um desocupado, o Saci/Manuel tem como função o controle – com sabedoria – das matas (ou cemitérios?) e vive a confundir e embaraçar quem nelas penetra sem a devida permissão. Diz-se que ele se desloca em moinhos de vento, mas há relatos de que o Manuel tem aprimorado essa técnica e se movimenta em redemoinhos de letras que nos deixam aparvalhados. O Saci tem poderes mágicos, muitas vezes faz-nos perder o rumo e vagar sem destino (de post em post?) e consegue ficar invisível (na época de férias, quase sempre).
Fazer aniversário é um pouco contemplar a mortalidade. Nem precisaria Sêneca gastar saliva a lembrar que qualquer tempo que já passou pertence à morte. Mas, seriamente, não me preocupo com o Manuel. Conta a lenda que o Saci nasce em um broto de bambu (atualizado como cemitério/blog), vive nele sete anos (já a quantas anda este aqui?) e depois vive mais setenta e sete anos a atazanar os andantes desavisados. Só depois é que o Saci vira um cogumelo venenoso – cuidado, amigos – ou uma orelha de pau* – sabe-se lá pra que serve isso, mas que vira, vira.
Ao meu Saci – pessoal e intransferível – meu carinho agradecido e muitos vivas no aniversário. Que esteja a fazer travessuras, onde estiver!


















Luciana! Que é «orelha de pau»?…
Gostei do Saci, acho que vai lindamente com o Manuel.
Nem sei se a segunda perna dele (do Manuel) não é uma prótese de camuflagem, para melhor se misturar connosco, comuns mortos mortais…
Antonio, esperava que ninguém reparasse no asterisco…orelha de pau é um fungo (veja a imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Polyporus_squamosus.jpg) que cresce em árvores mortas, possuem rara beleza, muitas sinuosidades e são, em verdade, muito delicados.
Luciana: não me vai dizer que também acha o Manel parecido com o Kumba Yalá, pos não?
Pedro, discretas observações me levam a crer que — excetuando questões estéticas como uso ocasionais de gorro — eles diferem gritantemente… no que tange à gestão financeira há grandes divergências, o que, em tempos atuais, convenhamos, é onde fundam-se as distâncias.
ò Luciana, Saci por um dia, venho com todo o açucar que mamãe passou em mim, dar-lhe um beijinho pelo escovanço que deu ao ego dos 25 anos que hoje faço. Deixou-os a Luciana num idade mental de três aninhos. Mais Saci-Pereré não se arranja. E outro beijo para a cúmplice Joana, mais abraços para os cavalheiros.
ps — PN, PN, não se ponha para aí com conspirações, que a verdadinha é ter eu estudado Medieval com o Yalá. Mesmo. Santo Agostinho era a especialidade dele. Eu sempre o aquiniano careta do costume.
E não me vai dizer que à mesma medieva mesa se sentava certa eminência do actual governo? Pois eu logo vi que havia ali inspiração sua naquelas intentonas tropicais todas! Diga-me que não matou ninguém e não se fala mais nisso.
Ah sim, na mesma medieva mesa — pe de galo. E nao matei, mas ando com vontade de matar.
[…] amigo. Manuel S. Fonseca e tantas vezes se brincou de nomear o S. Não sabiam todos o que eu sei: o Manuel é o meu Saci. * Luciana Nepomuceno é professora da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, em Mossoró, na […]