
Andreas Gursky, “Ocean II, c-print”, 2009–2010
No início do filme “The Thin Red Line”, ainda a caminho de Guadalcanal, há uma cena em que os soldados acorrem à amurada dos navios, a saudar o sobrevoo dos Mustang. Excitado e demasiado pendurado, um dos homens cai à água e logo outro grita o alarme, mas o seu camarada encolhe os ombros: o comboio de barcos não vai parar. E a câmara perdura sobre o pontinho cada vez mais insignificante à tona de água, sacudido pela esteira de espuma, enquanto o sol se põe.
Por um instante acomete-nos o pavor do abandono definitivo que é ficar sozinho no oceano apenas à espera da morte.
O mar é o cemitério mais absoluto que há.

















Estou absolutamente de acordo.
Quando morrer quero ser transmutada em cinzas e que alguém se lembre de me levar prô mar :o)
Deus me livre. Quero que me enterrem ao lado do meu amor. Tanto me faz que seja numa campa rasa ou num jazigo. Mas gostava de uma sombra de árvore.
Que lindo, Eugénia!!! Que tal, então, as cinzas dos dois aos pés de uma árvore?
Uma das árvores mais bonitas de quando eu era pequena, era onde a minha tia, e antes dela o pai, mandava enterrar os cães. Muito alto, verde e prata, dourado depois, ramos ascendentes: um plátano.
Terrivelmente verdadeiro, JNA. Por isso é que não gostava de morrer no mar. E lembro-me da minha mãe rezar, e me fazer rezar, oração de deus me livre dos perigos do mar, e deus proteja os homens que andam no mar, noite escura e terríveis e frias ondas.
Aprendi desde cedo a amar e respeitar o mar :o)
Dito assim, JNA, será. Mas o problema não é o mar, é o abandono à morte. No mar, no deserto, no mato, num campo de batalha, tanto faz.
Mas se de última morada falamos, a poder escolher, talvez o mar, como a Turmalina — belo, imenso e libertador.
Exatamente, Joana!
Concordo com o pavor do abandono e penso que no mar ele seja terrível, uma vez que dependendo da distância que estivermos da terra firme, o horizonte é sempre azul e imenso. Quando pequena, depois de assistir Titanic pela primeira vez, fiquei noites pensando em como seria horrível morrer no mar e naquelas circunstâncias.
Já quanto à última e definitiva morada eu tenho pavor de pensar que ficaria presa num buraco.Nem mesmo ao lado do grande amor.Prefiro a liberdade do mar ou do ar.
Ah…e depois escreverei um texto sobre cemitérios que talvez explique porque é que me sinto bem e em paz dentro deles, muito é por causa do silêncio :o)
Também me agrada a ideia das cinzas atiradas ao vento, do cimo duma escarpa, a mistura com os elementos.
Gosto muito de mar, de temporais, da rebentação, das ondas, dos peixes, da areia. E das histórias de mar.
Eu quanse sempre acredito em Caymmi: http://www.youtube.com/watch?v=Qdeh5aRuJhw
Quanse deve-se à hora e ao extremo cansaço, releve…