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Outros tempos
Antes do Mundial começar, parecia uma batalha perdida, isso de combater a provinciana (e exclusivamente portuguesa, claro) obsessão pelo epíteto de “melhor do mundo” que se insistia em colar a Cristiano Ronaldo até ao fim dos seus dias de jogador de futebol. Pouco interessava que existisse Messi desde que a expressão continuasse na boca de todos. Bastava que lhe acrescentassem “depois de Messi” ou a fizessem anteceder de “segundo”.
Por incrível que pareça, poucos portugueses se atrevem a deixar de lado a adjectivação mesmo depois da paupérrima prestação de CR9 no Mundial. Se fazem tanta questão em insistir no superlativo, quem sou eu para dizer o contrário. Mas impõe a decência, então, que se reveja o número dos que o antecedem no posto de “melhor do mundo”. A avaliar pela FIFA, são pelo menos 10, a saber: Sneijder e Robben (Holanda), Villa, Iñiesta e Xavi (Espanha), Ozil e Schweinsteiger (Alemanha), Messi (Argentina), Forlán (Uruguai) e Asamoah Gyan (Gana). Um deles, amanhã, será o melhor jogador do Mundial. Da minha parte, acrescentaria ainda o melhor jogador alemão do Mundial, Thomas Muller, mas esse foi desviado, juntamente com Giovanni dos Santos (México) e Andre Ayew (Gana), para o prémio de melhor jogador jovem do torneio (Coentrão, por ter nascido antes de 1 de Janeiro de 1989, falhou por pouco a candidatura). Do ponto de vista estritamente artístico, o meu voto vai direitinho para Robben, que deu cabo de todos os laterais que lhe apareceram pela frente e que é, sempre, garantia de espectáculo se estiver em condições para jogar. Que se cuidem os espanhóis porque ele, sozinho, é bem capaz de dar o título à Holanda numa jogada de contra-ataque. Mas, se juntarmos à nota artística os mais elevados índices de eficiência da prova, o vencedor já está mais do que encontrado: Wesley Sneijder, pois claro. E, se a final ainda servir para alguma coisa no prémio (a avaliar pela cabeçada do Zidane ao Materazzi há quatro anos, parece que não), Xavi, Villa e mesmo Iñiesta ainda têm uma palavra a dizer.
E que a FIFA nos faça o favor, já agora, de obrigar o “décimo primeiro melhor jogador do mundo” a receber lições de liderança e humildade de um grande senhor chamado Diego Forlán que, com uma equipa em nada superior à portuguesa (em valores individuais, claro), arrancou exibições perfeitas, jogando e fazendo jogar sem querer ter a bola só para si. E com a vantagem de saber o que está a fazer quando arrisca um remate a 40 metros da baliza.
















